terça-feira, 13 de abril de 2010

O País que quer Crescer mais Trabalhando Menos

Esta postagem foi feita no dia 01 de março de 2009. Mas o governo ainda insiste em REDUZIR a jornada de trabalho. Esse post serve para nos alertar dos problemas inerentes a tal redução.

Existem muitas dúvidas sobre os reais determinantes do crescimento econômico, mas existe uma certeza: ninguém prospera trabalhando menos. A idéia de que um país pode crescer mais trabalhando menos beira o absurdo. Infelizmente tal idéia está ganhando força em alguns segmentos políticos brasileiros.

No Congresso Nacional alguns deputados têm advogado pela redução da jornada de trabalho. Para eles, uma redução na jornada de trabalho levaria a um aumento na demanda por mão de obra. A lógica deles é que caso os trabalhadores tenham que trabalhar menos horas por semana outros trabalhadores terão que ser contratados para manter a produção. Em termos teóricos isso só é verdade se a redução de horas tiver um impacto positivo muito grande sobre a produtividade do trabalho. Contudo, a realidade parece não confirmar essa hipótese. A França já tentou essa tipo de política e os resultados não foram encorajadores. Aliás, se reduzir a jornada de trabalho aumentasse tanto a produtividade deveríamos esperar que o próprio setor privado já tivesse feito isso.

Reduzir a jornada de trabalho é um erro. Melhor mesmo seria flexibilizá-la. Isto é, vamos deixar cada trabalhador escolher o quanto quer trabalhar. Se alguém quer trabalhar 80 horas por semana, e tem alguém disposto a contratá-lo por esse tempo, qual é o problema? Para crecer mais um país deve trabalhar mais. Se existem pessoas capazes de trabalhar longas horas deveríamos estimulá-las a isso, e não puní-las. Não é dever do Estado legislar sobre a quantidade de horas que uma pessoa deseja trabalhar.

Por fim, devemos lembrar que vivemos num mundo globalizado. A China, a Índia e tantos outros países não estão reduzindo suas jornadas de trabalho. Reduzir a jornada de trabalho no Brasil significa deixar nosso país menos competitivo, significa que menos empregos serão criados aqui, significa que os produtos brasileiros serao mais caros que seus similares internacionais. Dessa maneira, com o tempo os empresários nacionais pedirão por mais proteção contra a competição internacional (afinal estão obrigados a arcar com custos maiores decorrentes da redução na jornada de trabalho). Para proteger a indústria nacional, o governo então implementará medidas restritivas ao comércio internacional. Assim, a redução na jornada de trabalho irá diminuir a competitividade da economia brasileira em duas frentes: a) diretamente, ao aumentar os custos de produção; e b) indiretamente, ao forçar o governo a restringir o comércio internacional.

Trabalho duro e honesto, esse é o melhor remédio contra a crise. Um país não pode crescer se obrigar seus trabalhadores mais produtivos a trabalharem menos.

16 comentários:

Anônimo disse...

Só uma provocação.
Com certeza, existe um impacto sobre a produção da redução da jornada de trabalho e com certeza, esta não aumenta a demanda por mão-de-obra. Mas, impacto sobre a competitividade da economia brasileira???????
Que catzo é isto? Lembrando minhas aulinhas de micro, e as vantagens comparativas? E o câmbio? Fazemos o seguinte. Diminuimos a jornada em 5%. O cambio se desvalorizaria em 5%, o preço de nossa mão-de-obra em moeda estrangeira continuaria igual e continuariamos comprando e vendendo o que comprávamos e vendíamos antes (mas em menor quantidade, uma vez que agora estamos mais pobres).
Saudações.

C disse...

um país nao pode crescer mais trabalhando menos,
mas um politico pode garantir mais quatro anos de mamata dizendo o que o povo quer ouvir: que vcs vao ganhar mais e fazer menos

Anônimo disse...

Grande Adolfo

Na Unb especificamente na Pós da Economia tivemos uma aula com prof. Arbache, disciplina é Seminários de Política Econômica, primeira aula foi sobre dois problemas que estão em debate

i) Redução da jornada de trabalho 44h para 40h;
ii) extensão da isenção do IR dos 65 anos para 60 anos (idosos)

Ambos os casos chegamos a conclusão que é inviável para o Brasil, entre os inúmeros argumentos podemos relatar que:

I)O Brasil não soube aproveitar o bônus demográfico para alavancar o seu crescimento econômico e fazer reformas criticas para sustentar o crescimento econômico (ex. reforma da previdência;

II) A taxa de fecundidade brasileira já convergiu para taxas observadas em economias maduras;

III) O Brasil experimenta rápida queda da taxa de fecundidade
- Projeções do IBGE indicam estabilização em torno de 1,5, o que pode levar o país ao chamado “low fertility trap”, que realimenta a baixa fertilidade e compromete o crescimento econômico (Hugh 2005; Bloom et al 2009);

iV) O Brasil é um país de Velhos;

v) A permanecer a dinâmica demográfica ora em curso, o país deverá experimentar redução populacional já a partir de 2040;

vi) A esperança de vida ao nascer passou de cerca de 62 anos em 1980 para 73 anos em 2009;

vii)O aumento da proporção de idosos deverá ter substanciais reflexos na taxa de poupança pública e privada e no custo do Capital;

viii) a escassez de mão-de-obra deverá elevar o custo do trabalho e reduzir a taxa de retorno do capital

iv) O aumento do custo da mão-de-obra deverá ter reflexos na competitividade internacional da economia brasileira, especialmente da indústria manufatureira;

x) O aumento do custo da mão-de-obra deverá ter reflexos na competitividade internacional da economia brasileira, especialmente da indústria manufatureira

xi) o setor primário deverá ganhar participação na economia, enquanto a indústria deverá perder participação

Xii) O processo migratório campo - cidade está consolidado no Brasil, deste modo no Brasil não dispõe dessa fonte primária de oferta de trabalho, contrário da China onde mais 50% da população vive no campo,

Xiii) E por fim, A massiva entrada da mulher no mercado de trabalho ajuda a explicar a dinâmica demográfica no Brasil, assim faltará jovens e trabalhadores no médio e longo prazo para pagar essa conta.

Assim, alguém acredita que isso é política séria de um país comprometido com as gerações futuras?
Não recordo agora, mas lembro do meu tempo de graduação de uma citação no manual de macro do Mankinw no capitulo sobre equivalência ricardiana:

"Pobre dos jovens, pois eles herdarão a dívida pública".
Ou de outra maneira via modelos Overlaping Generation, os jovens devem ficar preocupado com isso, feliz dos Idosos, e quem sabe dos adultos de meia idade quase chegando a aposentadoria, porém eu, e inúmeros jovens que estamos fora do mercado de trabalho estudando devemos ficar DESESPERADOS

Abração Adolfo

Anderson Teixeira
doutorando Economia Unb

Anônimo disse...

O povo brasileiro sempre foi explorado demais por esses empresários sem escrúpulos e agora merece uma folga..

Anônimo disse...

Já não é flexível?! Ninguém impede de trabalhar aqueles que tem jornada semanal de 80hs.
Reduzir a jornada de trab., talvez, não seja a saída, mas retirar o limite máximo não seria bom. Há trabalhadores que seriam forçados a trabalharem mais ou perderiam seus empregos.


*O último parágrafo parece slogan de campanha política.

Anônimo disse...

Fala isso porque nasceu no berço de ouro da elite e nunca soube o que é trabalho duro.

Anônimo disse...

Fala isso por que não sabe das origens do professor Adolfo e o tanto que ‘ralou’ para chegar onde esta.

Fala isso por que não sabe das origens do professor Adolfo, e o tanto que ele ‘ralou’ para chegar onde esta.

Engraçado, falam dos empresários, mas quem quer abrir uma empresa?
Ninguém né?

Deixa eu adivinhar, querem ser funcionários públicos? Acertei? Aposto que sim.

Pedro disse...

Queria ver os prezados doutores trabalhando, por exemplo, em uma fábrica de calçados, diante de uma esteira que funciona o dia todo, e tendo que preencher cada bandeja com calçados recém montados, em uma velocidade absurda para não deixar a próxima bandeja passar sem nada. Imagine você fazendo isso o dia todo, durante seis dias por semana.
Como sempre quem defende esse tipo de coisa são aqueles que não sabem o quão desgastante é pegar no pesado.
Queria ver uma desses doutores fazendo isso durante seis dias da semana, e ter forças para, no domingo, levar os filhos ao cinema ou parque.

Anônimo disse...

Pedro,

É estranha sua viesada defesa do não-esforço para o conhecimento. O Adolfo, como muitos de nós, estudou, por vezes, de 15 a 20 horas por dia. Se isso não é esforço, não sei o que é esforço. A diferença é que o trabalho do Adolfo é recompensado, em razão de uma lei que você não entende (e que, muitas vezes, através de seus políticos, tenta revogar), que é conhecida por LEI DA OFERTA E PROCURA. Quando você entender isso, você estará apto a compreender e comentar o post do Adolfo.

Pedro disse...

Prezado anônimo,
Sei que a intenção do Adolfo foi de provar, e entendo o ponto de visa dele, bem como a teoria econômica que o sustenta, de que é preciso deixar essa decisão – de trabalhar mais – a cargo das pessoas, que não cabe ao governo interferir nisso. A lei da oferta e procura é o que me guia em busca de um futuro melhor. Trabalho 8 horas diárias; após o expediente, estudo das 18:00 hrs às 22:00 hrs, durmo as 23:00 hrs e acordo as 4:00 hrs da madrugada para, então, voltar a estudar até as 6:50 hrs; pego o ônibus as 7:00 hrs e chego ao trabalho às 8:00 (aproveito para estudar mais um pouco, sendo que na maioria das vezes, devido ao fato do ônibus estar lotado, tenho que estudar em pé mesmo); saio para almoçar as 12:00 hrs e retorno as 12:20 hrs, e continuo a estudar até as 13:00 hrs, então volto a trabalhar até as 17:00 hrs para, então, começar o ciclo novamente. Em média estudo 8:30 hrs por dia, trabalhando por quase igual período. Nos finais de semana, estudo em média de 13 a 15 horas. Então, por favor, não me venha dizer que não valorizo o estudo. Convido-lhe, caro Anônimo, a partilhar conosco sua jornada diária.
Sou bacharel em Ciências Contábeis pela UCB e durante toda a minha graduação pude observar que os professores seguiam uma rotina similar a minha, ou seja, trabalhando no setor produtivo e estudando, ministrando aulas, publicando, inclusive, trabalhos científicos (o curso de Contábeis da UCB está se tornando referência em produção científica). Nenhum professor do curso tinha doutorado, mas possuíam uma ampla experiência profissional e acadêmica. Tal situação não se verifica em grande parcela dos cursos de economia, que são formados por diversos “doutores” sem experiência profissional, que não integram e tão pouco contribuem para os setores produtivos da economia (que paradoxo). Será que é tão difícil assim fazer as duas coisas? Será que só as outras classes profissionais conseguem isso, trabalhar e estudar, agregar valor ao mercado por meio de trabalho técnico e também científico? Os prezados doutores me lembram o “mito da caverna” de Platão, a diferença é que alguns profissionais conseguiram sair da caverna, enquanto outros ali permanecem. Convido-lhes a saírem da caverna, doutores, venham conhecer a verdade, venham entender como o mercado funciona, na prática, empiricamente. Tornem-se agentes ao invés de ficarem passivamente apontando o que está errado no mercado. Venham fazer da maneira correta então.
Desculpe-me se os incomodo, mas não consigo ouvir esses discursos prolixos, repleto de idéias obtusas, e ficar calado. Dessa vez sou eu quem está provocando, mas acredito que seja difícil contra-argumentar diante de verdades tão incisivas.

Anônimo disse...

Pedro

A ciências contábeis é de uma complexidade absurda, com grandes contribuições científicas.(entendeu né) não preciso ser mais sarcástico.
Não queira compara o capital humano de um graduado em economia com um graduado em ciências contábeis.
Já no campo do doutoramento, o silêncio é a melhor resposta.

Na acadêmia, fazer produção científica, e tão produtivo quanto carregar "alfafa" no campo, xerox e tomar cafezinho em um escritório.
A vantagem nossa que é para poucos.

A proposito se eu pegar um paper da ciências contábeis para ler irei fazer no banheiro, coisa que vc pegando um paper médio em economia, irá lutar tua vida inteira para entender, pois habilidade cognitiva e analítica se obtém com muito esforço no mínimo 8 h de estudo diária desde a graduação.

Pedro disse...

Prezado anônimo,

Ri alto com o seu comentário, pois me impressiona a total falta de desconhecimento da realidade por parte de Vossa Senhoria. Por acaso o que você chamaria de "complexo" em economia? Já lhe adianto que não vale falar em métodos quantitativos, pois já dei aula de SPSS (conhece?), com ênfase em estatística inferencial, para os graduandos em Ciências Contábeis, isso paralelamente enquanto terminava o meu artigo de conclusão de curso, e também domino o software Economática. Em uma aula sobre análise fundamentalista que peguei na turma de mercado financeiro com o pessoal de economia, apliquei a técnica de regressão linear múltipla e alguns dos nobres colegas de economia ficaram com cara de paisagem, pois não sabiam nada sobre econometria (isso em uma turma composta por alunos do sétimo e oitavo semestre). Utilizamos também em nossas pesquisas científicas a técnica de analisa envoltória de dados, por meio do DEA. Desnecessário falar que utilizamos métodos arrojados em nossas pesquisas. Aliás, sugiro que vocês leia – se conseguir entender, claro – alguns artigos sobre Contabilidade publicados nos mais diversos congressos brasileiros e internacionais sobre o tema.
A diferença entre nós e vocês, é que, além das ciências contábeis, conhecemos também de economia, estatística, direito, etc, enquanto que vocês se prendem apenas à economia, e mesmo assim são surpreendidos por Contadores em áreas que deveriam ser de seu domínio.
O que estou falando é apenas uma realidade que pude comprovar empiricamente em sala de aula. O mercado hoje exige um profissional multidisciplinar. Acho que é por isso que os Contadores são mais disputados pelo mercado do que os Economistas, e o teu desconhecimento e total falta de interação para com as outras áreas do conhecimento demonstra o porquê de tal desigualdade. Quebre esses velhos paradigmas, para que assim, quem sabe, você consiga uma vaguinha no mercado. Lembre-se que não basta conhecer, é preciso saber aplicar, mas acho que no teu caso faltam as duas coisas.

Anônimo disse...

Pedro, eu concordo contigo, mas apenas no 1º comentário. devias ter parado por ali que sairias ‘vitorioso’. Diga-me uma coisa, se és tão feliz com o teu curso porque estás fazendo economia? Porque não fazes uma pós na tua área, visto que, pela forma que falas, a graduação em economia nada vai acrescentar a tua formação. É muita tolice uma pessoa escolher outra área para atuar, sendo que essa, em termos de oferta de trabalho, está aquém da primeira opção. Eu realmente não compreendo!

E esse discurso de Curriculum Vitae... é para rir, absoluta certeza! Entretanto a questão da interdisciplinariedade levantada por ti, Pedro, realmente é importante, mas digo-te, o contador é tão procurando que é por isso que a grande maioria atuante nessa área possui duas formações, pois só com a de Ciências Contábeis, o contador não chega a lugar algum.

... O capital humano de um graduado em Economia e de um em Contábeis é o mesmo, ou seja, a mesma merda!
Desde quando graduado sabe de alguma coisa? O que os recém formados em economia sabem, aqueles que lêem frequentemente a parte econômica do jornal sabem também. Já Contábeis ninguém quer saber, pois trata-se do curso mais inútil de todas as ciências. Comparar contábeis com Economia, verdade seja dita, Contábeis nem se compara com Economia. O Contador vira alguma coisa quando possui outra graduação ou uma pós para somar. Por mais que graduados de ambos não sabem nada, o de Contábeis só pode ser comparado ao de Economia quando possui um segundo curso em seu CV.

Anônimo disse...

Quando existir um prêmio Nobel para Ciências Contábeis vocês retornam a discussão.

Pedro disse...

Anônimo,
Não curso economia. Estou feliz com a minha área. Gosto de Economia assim como de Direito. Essa idéia de se especializar em uma única área dentro de uma ciência não me agrada, pois acho que o ser humano é muito maior do que isso.
Já que você fez referência ao Nobel, poderemos discutir isso com maior intensidade quando um brasileiro ganhar algum, o que duvido muito. Minha crítica não diz respeito à economia como ciência, mas sim aos economistas brasileiros. Mesmo o Nobel de economia foi ganho por um matemático, John Nash. Interessante notar que em alguns livros de economia é feita alusão a Nash como sendo economista ao invés de matemático. Acho que isso reflete bem o egocentrismo de vocês.
Economista é que nem pardal, existem ao montes por ai, não possuem utilidade alguma, e ainda fazem a maior sujeira.

Rafael disse...

Aiai...

Consegui apenas rir dos comentários. Disputa de ego de ambos os lados, isso sim. Convenhamos, não é preciso de formação alguma para entender de algum assunto. Qualquer um tem a capacidade de pegar um livro na biblioteca e ler. Alguns entendem, outros não. Faz parte.

Podemos voltar 'as críticas/sugestões do post?

Quanto ao post,

Existem casos e casos. Alguns empregos realmente gasta-se um tempo precioso com uma produção que não é significativa. Outros, existe um excesso de trabalho. Varia de acordo com a área isso.

Colocar um mínimo é útil para evitar abusos. Enquanto um máximo é desnecessário, já que cada um pode muito bem arranjar dois trabalhos se estiver com tanto tempo ocioso.

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