domingo, 19 de setembro de 2010

O Nascimento de um Monopólio

Uma parte considerável da população é constantemente enganada com o seguinte argumento: o desenvolvimento de novas tecnologias torna cada vez mais caro para uma empresa operar num mercado, com isso as pequenas empresas fecham e só restam as grandes. Esse argumento implica que a tecnologia diminui a competição entre empresas, ou seja, desenvolvimento tecnológico favorece o aparecimento de monopólios. ESSE ARGUMENTO É COMPLETAMENTE FALSO.

A rigor é justamente o contrário. Isto é, o desenvolvimento tecnológico combate monopólios. A tecnologia diminui o custo de entrada nos mercados, aumentando assim o número de empresas e a competição. Vamos aos exemplos: nos ANTIGOS livros texto de economia assumia-se que distribuição de energia elétrica era um monopólio natural (o número de empresas ótimo desse mercado se dava com apenas uma única empresa). O tempo passou, novas tecnologias surgiram e hoje já existe competição nesse segmento (onde eu morava no Texas haviam 3 empresas que competiam nesse mercado). Outro exemplo: telecomunicações. No passado esse mercado era um monopólio, hoje (apesar dos “esforços” do governo) temos competição aqui.

Não é a tecnologia que cria monopólios, é o governo. É o Estado, através da legislação, que cria a quase totalidade de monopólios em uma sociedade. A grande maioria dos monopólios não ocorre por motivos econômicos, ocorre por motivos legais (intervenção do governo proibindo a competição). Os exemplos mais óbvios são o caso do petróleo e dos correios.

Fui lavar meu carro, onde moro era comum que em quase toda quadra tivesse um lavador de carros (isto é, havia competição). O governo do Distrito Federal, “preocupado com o meio ambiente”, aprovou uma lei PROIBINDO lavagem com água em minha região. Agora lavagem por aqui só se for a seco. Resultado: os pobres lavadores de carro foram expulsos do mercado, e hoje apenas uma única empresa oferta esse serviço por aqui. Não foi a tecnologia que gerou a expulsão dos pobres lavadores de carro. Quem expulsou os pobres para dar o mercado de bandeja para uma única empresa foi o Estado. Assim ocorre no mercado de lavagem de carros, assim ocorre quase sempre: um grupo se apropria do Estado para impedir a competição em seu mercado, e obter lucros exorbitantes. A justificativa para impedir a competição varia: às vezes é para proteger o meio ambiente, às vezes é para o bem do país... mas no fundo no fundo a razão é uma só: proteger um grupo da concorrência e manter seus lucros em patamares artificialmente altos.

14 comentários:

Anônimo disse...

"(...)Outro exemplo: telecomunicações."

E o caso do saneamento professor, mais precisamente fornecimento de água, coleta e tratamento de esgotos.

Como acabar com esse monopólio?

Marcos

Blog do Adolfo disse...

Caro Marcos,

Nao sei como acabar com esse monopólio, mas pode ter certeza de que quanto mais tecnologia tivermos maior serao as chances desse monopolio ir por agua abaixo (isto é, desde que o governo nao crie uma lei proibindo isso).

Adolfo

Anônimo disse...

[off topic]

Gostei da tua entrevista sobre liberdade econômica, professor.
Deixo o link para quem quiser vê-la.

http://www.senado.gov.br/noticias/tv/programaListaPadrao.asp?txt_titulo_menu=Agenda Econômica&ind_programa=S&cod_programa=6

Chutando a Lata disse...

Não deixe de responder o questionamento que o jornalista rubem azevedo Lima fez em seu artigo no Correio Brazilienze, reproduzido no blog Chutando a Lata http://chutandoalata.blogspot.com
Ele diz que o bolsa familia mascara a estatitisca do desemprego. Eu concordo. Assim,espero que a turma do IPEA apresente o número adequado.

Quanto ao seu post, nota 10. Veja que a saída pro Brasil é simples: ambiente competitivo. O PHoda é que nenhum candidato fala disso. Os que falam dos problemas graves que tocam em privilégios e decisões marotas fora do mercado, como o PSTU e o PCO, apresentam soluções esdruxulas. A confusão é geral.
Um grande abraço e até 2014.

Arthur disse...

Bons Argumentos. Fiquei surpreso com o caso dos lavadores de carro, o pior é que isso deve acontecer em outras cidades tão logo um político abra "sua" empresa de lavagem à seco.
Sobre a tecnologia, é certo que o acesso a uma tecnologia nova geralmente é mais oneroso, dificultando as coisas para o pequeno e médio empresário.
A tecnologia deve reduzir custos (caso contrário não teria vantagem), mas adquiri-la custa mais para que têm menos.
O governo é realmente o maior culpado pelos monopólios.

Anônimo disse...

Professor,

No saneamento, mesmo com o investimento em tecnologia, temos os ganhos crescentes de escala, nos monopólios.

O que faz com que esse tipo de monopólio seja bem difícil de ser quebrado.

Marcos

Ps.: Talvez a opção pela municipalização seja a solução, porém não foi o investimento em tecnologia o fator motivador.

Anônimo disse...

E assim proibiram o comercial da ‘Devassa’. As desculpas variam, mas o objetivo é apenas um. No debate dos candidatos a governador do Distrito Federal ontem, um candidato disse que vai resolver o problema da alta nos preços de imóveis em Brasília da seguinte forma: Vai estipular um preço para os imóveis (não me pergunte com base em que) e segundo ele se alguém quiser vender abaixo do preço ninguém pode comprar, e ninguém pode vender acima do preço estipulado. O que acharam? Nenhum de vocês Mestres e Doutores em economia tiveram essa idéia. Ainda bem! rsrsrs

Abraço a todos

Ginno

Ângelo disse...

Achei interessante o artigo; o que acredito e possa a destoar do texto acima é que a tecnologia, utilizada no meio produtivo, também é excludente de oportunidades de trabalho. Vide colheitadeiras x trabalhadores rurais; nem todo usineiro tem condições de mecanizar a colheita, e acaba vindo a fechar ou a ser adquirido por outro grupo do setor, melhor posicionado.
Acredito também que, os avanços tecnológicos que propriciem uma vantagem competitiva a uma empresa, quando não disponibilizados às empresas concorrentes, acaba por eliminá-las a longo prazo, favorecendo ao monopólio 'branco' e não governamental.
Vou citar um exemplo: um 'software' , digamos na área de de produção, que venha a deduzir o custos dos bens vendidos por uma empresa de forma que se traduza numa vantagem exponencial sobre as outras empresas competidoras. Caso as outras empresas não venham a se utilizar do mesmo 'software' ou de algum parecido de forma a anular esta vantagem de mercado, elas dificilmente se manterão em pé por longo tempo.
Um abraço e continue com os artigos; é um prazer lê-los.

Sérgio Ricardo disse...

Ângelo, eu gostei de seu argumento e só tenho um parêntese para ser inserido e que acredito que responde a sua pergunta. Nesta ocasião específica falamos de educação. A necessidade de educação é quando o mercado pode alocar esse incremento adicional que é a capacitação. Se uma empresa desenvolveu um software e outra não tem a mesma capacidade é porque não tem os melhores profissionais de mercado e, para isso, demandará mais conhecimento aos seus funcionários para que acompanhem o mercado. Não acredito no monopólio natural e sim da imposição governamental. O lance que no Brasil estamos acostumados a ler tutoriais, mas não a pensar novas tecnologias e implementações.
Veja o quanto o Brasil gera de patentes em relação ao mundo. Não chega a 1%. Isso gera desvio de mercado e o controle maior na mão de poucos.

Professor, parabéns pelo artigo.

Abraço para vocês!
Sérgio Ricardo

Anônimo disse...

Novas tecnologias embutem informação nova. Logo são fator de aprofundamento da competição e força contra os monopólios. Isso é fato. Porém, não há como haver melhoras tecnológicas em um ambiente perfeitamente competitivo. Isto é, mercados imperfeitamente competitivos são condição necessária à inovação tecnológica. Isso também é fato. O problema é a diferença entre curto prazo e longo prazo. No longo prazo, espera-se que que prevaleça a competição.

Anônimo disse...

Novas tecnologias embutem informação nova. Logo são fator de aprofundamento da competição e força contra os monopólios. Isso é fato. Porém, não há como haver melhoras tecnológicas em um ambiente perfeitamente competitivo. Isto é, mercados imperfeitamente competitivos são condição necessária à inovação tecnológica. Isso também é fato. O problema é a diferença entre curto prazo e longo prazo. No longo prazo, espera-se que que prevaleça a competição.

Ângelo disse...

Sérgio Ricardo, entendi o contexto de sua mensagem, quanto à educação.
Só complementando que, devido à globalização de capital, há também, em muitos setores, um monopólio "branco" ou "pardo", como queira. Com ou sem novas tecnologias aplicadas ao trabalho.
Abração.

Gennaro Delvecchio disse...

Belo texto. Uma soco no estômago de keynesianos-marxistas raivosos.

Anônimo disse...

hola, Chicos, Lo que es un buen puesto. Me encanta la lectura de estos tipos o artículos. No puedo esperar a ver lo que otros tienen que decir.

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