segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Tiririca e a Urna Eletrônica

Não confio em urna eletrônica. Se os países mais desenvolvidos do mundo não usam, é porque deve haver uma boa razão. Aliás, o tipo de urna eletrônica usada no Brasil foi PROIBIDA em estados americanos, motivo: impossibilidade de conferência e margem para alteração de resultados. Claro, o Estado brasileiro garante que a urna eletrônica é inviolável. Também é verdade que o Estado garante sigilo dos dados na Receita Federal, parece que não está funcionando bem. Além de achar que a urna eletrônica pode manipular votos, também tenho sérias dúvidas que ela garanta o sigilo (anonimato) do voto.

Mas este post tem outro objetivo: mostrar um efeito não intencional da urna eletrônica. No passado, quando votávamos em cédulas de papel, era possível fazer o voto de protesto. Foi assim, que o glorioso Macaco Tião teve seu auge. Em todos os lugares do Brasil, um macaco, um cavalo, ou cachorro, ganhava votos dos eleitores indignados com o nível dos candidatos. Hoje, com a urna eletrônica, este tipo de voto não é mais possível. Resultado: ao invés de votarmos no Macaco Tião votamos no Tiririca. O problema é que, ao contrário do Macaco Tião, Tiririca pode mesmo ser eleito. Alguns podem argumentar que é possível anular o voto. Sim, isso é verdade. Contudo, anular o voto não tem as mesmas características pejorativas que tanto atraíam os eleitores do macaco.

Em resumo, a urna eletrônica além de vários questionamentos referentes a segurança, tornou possível também a eleição de candidatos fantasia. Candidatos que ao final irão votar projetos que irão alterar nossas vidas. De maneira alguma culpo Tiririca ou seus eleitores. Afinal, não creio que Tiririca seja pior do que vários dos membros de nosso Congresso. Culpo sim a estrutura política brasileira que possibilita que pessoas sem qualquer preparo, e não raras as vezes sem qualquer escrúpulo, tenham tanto poder de interferir em nossas vidas. Não adianta reclamarmos de Tiririca: a solução está em diminuirmos o poder do Estado.

10 comentários:

nilo disse...

Além do Tiririca, temos a mulher Pêra, o Maguila, Ronaldo Esper e os 325 cantores que querem beliscar uma boquinha!

C disse...

Tecnicamente, todos os eleitores sao identificados pela urna antes de votar. Saber quem votou em quem é uma tarefa de cursinho de informatica...

Dedé Ramos disse...

Professor, apesar de achar legítimo ele querer se eleger de tal forma, sincera diga-se de passagem, não tenho muitos reparos a fazer ao seu texto.

Agora, estou um pouco surpreso em relação ao comentário sobre a urna eletrônica. Acredito ser um sistema seguro e, a crítica, é totalmente sem fundamento, pois, baseia-se somente, em "nenhum país desenvolvido usa". Temos muitos profissionais de informática envolvidos, membros do ministério público, imprensa e, mais, situação e oposição fiscalizando.

A afirmação é demais pra mim...parece coisa de comunista...

Cobaia disse...

O CENARIO POLITICO BRASILEIRO É UMA PIADA! E NEM PIADA MAIS SE PODE FAZER COM ISSO (POLITICA). mas mesmo assim é uma PIADA, e piada SEM GRAÇA ALGUMA.
UMA QUER INSTITUIR A CENSURA AOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO;
O OUTRO ROUBA DOS CONTRIBUINTES E DIZ QUE IRIA COMPRAR PANETONE....É GOZAR NO PAU DO PALHAÇO MESMO...ESTAMOS CERCADOS, E NOS RESTA ESCOLHER OS MENOS RUINS!

Luciana disse...

Lamentavel!
Mas ele não é muito diferente de outros palhaços,que se candidatam,e ainda se dizem sérios!

Marcelo disse...

Adolfo,

Um bom começo, seria o fim do voto obrigatório não acha?

Abs

Fábio Mayer disse...

Eu discordo.

Com tudo o que já se falou da urna eletrônica, os mesmos parlamentares safados e ladrões que se elegiam no método tradicional continuam se elegendo... ou seja, o problema não é o meio, é o eleitor.

Blog do Adolfo disse...

Caro Dede,

Existem questões técnicas referentes ao tipo de urna eletronica usada no Brasil. Tem estado americano que proibe esse tipo de urna.

mas, enfim, espero que voce esteja certo e eu errado.

Adolfo

Paulo Ferreira de Moura Jr. disse...

Dedé Ramos,

sobre a segurança das nossas urnas eletrônicas, veja o texto abaixo, que relata alguns "problemas" delas:

http://smeira.blog.terra.com.br/2010/09/14/as-urnas-e-alagoas-2006/

Outra questão mais grave é que o TSE é ao mesmo tempo organizador, legislador e auditora do processo eleitoral. É muito poder concentrado em uma entidade.

paulo araújo disse...

Caro

Vale divulgar

1. COMITÊ MULTIDISCIPLINAR INDEPENDENTE (CMind) e o Relatório sobre o Sistema Brasileiro de Votação Eletrônica.

A Composição do CMind

O Comitê Multidisciplinar Independente é composto por dez membros, sendo três professores universitários de ciência da computação, um jurista, um advogado na área de informática jurídica, uma advogada eleitoral e quatro técnicos em TI.

http://www.votoseguro.org/textos/relatoriocmind.htm

O grupo mantém um Fórum bastante ativo a respeito

Voto Seguro. O voto eletrônico é seguro?

Descrição:
O Sistema Informatizado de Eleições do Brasil tem sido desenvolvido pelo TSE de forma obscurantista, sem a devida discussão com a sociedade. Como conseqüência temos hoje um sistema inauditável no qual não é possível se proceder à conferência da apuração eletrônica dos votos e onde ainda existem programas de computador mantidos secretos.

http://br.groups.yahoo.com/group/votoseguro/

OAB não decidiu não legitimar a urna eletrônica

Mensagem enviada em 16/09/2010

Como membro do Comitê Multidisciplinar Independente (CMind) e moderador do Fórum do Voto Seguro venho manifestar minhas congratulações ao Conselho Federal da OAB e a sua Comissão de Informática pela recente decisão de não legitimar os programas de computador do sistema eleitoral desenvolvido pelo TSE.

Como poucos vão entender a importância e a coragem dessa nova postura da OAB, cabe aqui apresentar um breve histórico.

http://br.groups.yahoo.com/group/votoseguro/message/4577

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