quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Entrevista com Leandro Piquet Carneiro

Entrevista com um dos maiores especialistas brasileiros em criminalidade e violência: Leandro Piquet Carneiro. Ele é pesquisador visitante do Taubman Center da JFK School of Government (2007), professor doutor do Departamento de Ciência Política da Universidade de São Paulo e pesquisador do Núcleo de Pesquisas em Políticas Públicas (NUPPs) da mesma universidade.


1) Qual é o maior mito, repetido por leigos, sobre o combate a criminalidade?

O maior problema para a sociedade, na minha visão, não são os mitos repetidos por leigos, mas sim aqueles que são difundidos por especialistas. A desinformação do público não é um problema em uma democracia representativa, pelo menos assim nos ensinou Schumpeter. O problema começa quando os especialistas a quem o público costuma recorrer são igualmente desinformados sobre os mecanismos, os custos e os benefícios das políticas que estão em discussão em um determinado momento. A maioria dos especialistas em crime e violência no Brasil tem formação em ciências sociais e poucos sabem como usar dados e informações quantitativas, mas como sempre, há notáveis e brilhantes exceções. Um fato importante é que só recentemente os economistas e os administradores têm se interessado pelo tema, o que contibui para melhorar um pouco o nível do debate. Há também uma deficiência teórica notável e poucos se dedicam, por exemplo, a entender o papel do sistema de justiça criminal no controle do crime. Na verdade, a maioria dos que militam na área usam o tema como uma plataforma para divulgar suas convicções anticontrole social e em prol dos Direitos Humanos. O principal resultado desse ‘progressivismo’ acadêmico é, paradoxalmente, o aumento da desinformação do público. Apenas para citar um exemplo, na última década houve uma redução de mais de 50% nas taxas de homicídio no estado São Paulo. É difícil negar o papel que as políticas de segurança, o aumento do encarceramento e a aprovação pelo Congresso Nacional de penas mais duras contra o porte de armas e o tráfico de drogas desempenharam nesse processo. No entanto, uma das interpretações sobre a queda dos homicídios em São Paulo que tem recebido grande destaque na imprensa é a tese de que o PCC foi um fator importante, se não o mais importante, para a redução do homicídio no Estado. Não é absurdo supor que a forma como PCC se organiza como operador de negócios ilícitos, pode ter um efeito sobre o número de homicídios. Mas para fazer uma afirmação dessa natureza seria necessário dispor de um volume razoável de evidências sobre a atuação do PCC, não apenas nos presídios, mas na sociedade. E até onde alcança minha visão, não dispomos de tais informações. A redução dos homicídios ocorreu em todo o Estado de São Paulo, um estado com 41 milhões de habitantes, distribuídos em 645 municípios. O processo foi mais ou menos o mesmo na RM de SP, no interior, nos pequenos, nos médios e nos grandes municípios do Estado. Mas toda a complexidade institucional e demográfica envolvida no processo que resultou em uma redução de 50% do número de homicídios, que salvou milhares de vidas de jovens nas áreas mais pobres do Estado, é apenas um detalhe para o sociólogo qualitativo que depois de dois meses de entrevista com uma dezena de moradores de uma favela qualquer conclui que o PCC foi o principal fator responsável pela redução de homicídios. Ao fazer esse tipo de afirmação, o especialista não só contribui para a desinformação do público como mostra preconceito contra o trabalho das instituições de segurança pública e da Justiça. Se nada foi feito de relevante pelas instituições públicas, nada precisa ser preservado, aprimorado e reproduzido. Esse é um mito que tem um custo pesado para a sociedade.


2) Qual é a maneira mais eficiente de se combater a violência nos grandes centros urbanos?

O problema é mais simples do que parece. Não é preciso esperar até que a sociedade brasileira torne-se menos desigual, acabe com a pobreza ou pelo dia em que todos tenham “condições dignas de moradia”. Com investimentos públicos consistente na segurança pública e na Justiça é possível fazer uma grande diferença no curto prazo. A sociedade depende da Lei penal, das polícias, da Justiça e do sistema prisional para alterar o custo do crime para o infrator. A Lei penal estabelece uma determinada estrutura de penas por delito e as ações das polícias e da Justiça definem, respectivamente, a probabilidade de detenção e de condenação associadas a cada tipo específico de delito. O sistema prisional recebe os infratores que foram condenados pela Justiça e os mantêm inabilitados para a pratica do crime. Em conjunto, essas instituições e Leis funcionam com o objetivo de aumentar o custo imposto àqueles que pretendem praticar um delito, diminuindo os ganhos potenciais dos infratores e consequentemente a atividade criminal. Este argumento econômico é visto com descredito por muitos, mas o argumento de que “a pobreza leva ao crime”, ou que a falta de oportunidades no mercado de trabalho aproxima o jovem da marginalidade, são também econômicos em sua natureza. Afinal o indivíduo que calcula e compara ganhos em atividades legais e ilegais e decide que vai cometer um crime porque o salário que vai receber como pedreiro é muito baixo, será também capaz de calcular o custo que um ano de cadeia irá representar. Penas mais longas e mais prováveis de serem aplicadas, ou mesmo um maior número de policiais são medidas que têm o efeito de reduzir a probabilidade de ocorrência de um crime. Assim, não é preciso esperar pelo fim da pobreza, do desemprego, ou das desigualdades educacionais para que o crime possa ser controlado. Podemos tornar o crime mais “caro” simplesmente aumentando a probabilidade de punição e o tempo de encarceramento.

3) Qual sua opinião sobre a divisão das polícias em civil e militar?

Acho que o debate sobre a unificação das polícias está superado. Na minha opinião, seria mais interessante tentar entender como é possível obter ganhos de eficiência e eficácia com o atual desenho institucional do que desperdiçar recursos e tempo na tentativa de produzir uma ampla reforma institucional das polícias. Houve várias tentativas mal sucedidas de unificar as polícias durante a Assembléia Constituinte e mais recentemente temos o exemplo da PEC 21 de 2005, proposta pelo Senador Tasso Jereissati. O argumento do Senador Jereissati é que a existência de polícias “paralelas, antagônicas e até rivais” leva ao desperdício de recursos. A saída vislumbrada pela PEC 21/05 era criativa, pois pretendia simplesmente tirar a matéria da Constituição, o que permitiria aos estados legislar sobre normas gerais de organização das suas respectivas polícias. Não deu certo. Embora seja abundante a reflexão sobre a falta de qualidade do trabalho policial no Brasil, praticamente não existem diagnósticos sobre as ações necessárias no nível micro-organizacional que poderiam abrir caminho para soluções sustentáveis para as políticas de segurança. Se o Estado de São Paulo conseguiu reduzir em 50% os homicídios, e se o Rio de Janeiro, com toda a precariedade das polícias, com o desenho institucional ‘errado’, conseguiu reverter em quatro anos o controle que o tráfico de drogas exerceu durante décadas sobre as favelas, por que temos que pensar em parar tudo e começar um longo e custoso processo de reformas? Políticas com foco no controle do crime e boa gestão produzirão resultados mais rápido, essa é minha aposta.

4) Pena de morte reduz a violência? E a descriminalização das drogas?

Considero que existem sólidas evidências, infelizmente não com pesquisas feitas no Brasil, de que o aumento da severidade e da duração das penas tem o efeito de reduzir o número de crimes. A adoção da pena de morte ou de penas mais longas, no entanto, só terá efeito sobre o crime se essas forem efetivamente aplicadas. Uma vez que as polícias esclarecem, de uma maneira geral, muito poucos crimes no Brasil, o efeito do aumento e da severidade das penas tende a ser muito reduzido. Como sociedade certamente haveria um ganho na dissuasão do crime e na inabilitação de criminosos se aumentássemos a duração das penas de prisão para os crimes mais graves e aumentássemos também a probabilidade de condenação. Isto não é uma tarefa simples, pois requer a coordenação do trabalho das polícias, do Ministério Público e da Justiça. Há aqueles que argumentam que criminosos não são racionais e que, portanto, não calculam corretamente o custo de suas ações. Criminosos podem não ser racionais, podem até sofrer de algum tipo de miopia cognitiva, mas o sistema de justiça criminal e a Lei penal são instituições que “pensam” de forma racional. Portanto, a nossa única alternativa é definir penas como se os criminosos fossem racionais. A pena de morte tem complexas implicações morais e éticas e talvez seja muito difícil aprovar uma mudança nessa direção no Brasil. Não vejo isso como um problema, pois ela não é o instrumento mais poderoso que temos a nossa disposição para alterar o custo do crime. Se quisermos ver menos crimes cometidos, temos que estar preparados, como sociedade, para ditar penas mais longas e para arcar com os pesados custos dessa decisão.

5) Você acredita que a estrutura de incentivos de recursos humanos, produzida pela estrutura de cargos e salários, providencia os incentivos corretos para o polícia? Por exemplo, o que acha da exigência de curso superior de Direito para Delegados?

Acredito em mudanças incrementais mais do que em grandes mudanças ou em grandes planos de reforma. Na segurança pública temos uma coleção de iniciativas mal sucedidas com uma mesma característica: são tentativas de se introduzir estratégias inovadoras com base em planos rígidos, geralmente concebidos por um pequeno grupo de técnicos e políticos sem muita familiaridade com o trabalho policial. O tempo dessas experiências passou. Há profissionais competentes na área, policiais civis e militares que precisam de apoio e interlocução, mas que não precisam de tutores pouco familiarizados com o trabalho de polícia e que têm na cabeça planos fantásticos de como reformar as polícias e as instituições de Justiça. No nosso desenho institucional, faz todo sentido exigir uma formação em Direito para os Delegados. São eles que vão instruir o inquérito, tipificar o crime, preparar, enfim, o caso para a análise do Ministério Público e, posteriormente, do Juiz. Podem existir exemplos melhores no mundo, mas ainda estamos longe de alcançar a produtividade máxima do modelo que atualmente existe no Brasil.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Diferenças entre o conceito de reputação acadêmica no Brasil e nos EUA

Tive o prazer de conhecer de perto a rotina de dois departamentos de economia americanos. Interagindo com meus colegas que lá trabalham, também tive um bom conhecimento do mercado de trabalho para economistas em universidades americanas. Nos Estados Unidos, a reputação de um professor de economia pode se manifestar em três dimensões: ensino, pesquisa e extensão. Existe um mercado para professores que são excelentes em dar aulas, e existe também um mercado para professores capazes de atrair recursos externos para o departamento. Contudo, é na parte da pesquisa que é construída a reputação dos bons pesquisadores. Seriedade e respeito acadêmico nos Estados Unidos são conseguidos por meio de publicações científicas.

No Brasil a reputação da maioria dos professores de economia é conseguida de maneira distinta da de seus pares americanos. Dada a estrutura da maioria das universidades brasileiras, trazer recursos para o departamento geralmente não é uma atividade que traga bons dividendos ao pesquisador. Além disso, como a grande maioria dos professores de economia no Brasil não publicam artigos científicos, essa acaba não sendo uma vertente que tenha o apelo que tem nos EUA. No Brasil, a reputação dos professores de economia é obtida sobretudo na sala de aula, ou seja, na dimensão do ensino.

O normal seria então esperarmos que bons professores tivessem alta credibilidade no Brasil. Mas é nesse ponto que se manifesta uma das maiores peculiaridades brasileiras: os bons professores são discriminados. Quando o aluno, o diretor, ou outros professores, tem que opinar entre dois professores sendo um deles excelente em sala de aula e outro péssimo, geralmente ouvimos a seguinte exclamação: “Fulano não sabe tanto, mas é bom professor. Já Ciclano sabe muito, mas não consegue transmitir pros alunos”. Ou seja, ser claro, objetivo e encadear a aula numa sequência lógica acaba sendo um sinal de que o professor não sabe muito e, por isso mesmo, tem que preparar uma boa aula. Já o professor confuso, desorganizado, e que mal sabe o que falar é imediatamente taxado como gênio.

A principal implicação dos parágrados acima é que vários professores de economia brasileiros buscam contruir sua reputação dando péssimas aulas e reprovando um enorme número de alunos. Reprovar alunos passou a ser o sinal de que o professor é sério e exigente. Assim, é normal ver em várias universidades brasileiras professores de economia que nunca publicaram nada com fama de sérios, apenas pelo fato de reprovarem muitos alunos em seus cursos.

Para finalizar, nada melhor do que a sugestão de um amigo meu: “Todo professor deveria ser obrigado a responder (sem colar) sua própria prova”.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Uma Lição de Economia no Shopping

Conversando com um amigo, ele me contou sobre a lição que sua namorada havia lhe aplicado na praça de alimentação do shopping. Após terem jantado, ele levava a bandeija suja de comida para o balcão, deixando assim a mesa livre para o próximo casal. Neste momento, sua namorada interveio e disse: “Nunca mais faça isso, se todos agirem dessa maneira em breve o shopping irá despedir vários funcionários que se encarregam da limpeza”.

O parágrafo acima ilustra a dificuldade de se entender economia. Essa dificuldade resulta sobretudo do fato de que os custos econômicos são quase sempre imediatos e visíveis, ao passo que os benefícios se concentram no longo prazo e são difíceis de serem distinguidos. A namorada de meu amigo estava correta, sim se todos limparem suas respectivas mesas não fará sentido ao shopping manter tantos funcionários no setor de limpeza. A consequência imediata disso é o desemprego de vários faxineiros do shopping. Contudo, o que a maioria das pessoas falha em compreender é que essa redução com o gasto em limpeza abre novas oportunidades de investimento para o shopping. Gastando menos com limpeza, sobram recursos adicionais para a gerência do shopping aumentar o gasto com segurança, promoções, ou ainda tal redução de custo pode ser repassada aos lojistas. Estes por sua vez teriam suas margens de lucro aumentada, o que os estimularia a investir mais e contratar mais funcionários.

As pessoas que perderam seu emprego, devido a um comportamento mais educado dos clientes da praça de alimentação, com o tempo encontrariam emprego em setores onde pudessem contribuir mais adequadamente, aumentando assim a produtividade geral de toda economia. Numa economia mais produtiva a riqueza aumenta, tornando melhor a vida das pessoas.

O mesmo ocorre quando uma nova tecnologia é adotada na economia. No primeiro momento, geralmente ocorre desemprego no setor que adotou a inovação, mas com o passar do tempo o aumento da produtividade da economia torna a situação muito melhor do que era antes. Dessa maneira, antes de jogar lixo no chão para preservar o emprego do lixeiro, ou então antes de ir contra uma inovação tecnológica para salvar alguns empregos, lembre-se que ir contra inovações, apesar de salvar alguns empregos no curto prazo, implica em punir toda a sociedade no longo prazo.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Groucho Marx e a Bahia

Vendo o jornal de hoje, um reporter da Rede Globo pulando o carnaval em Salvador pergunta: "Por que esse bloco nao aceita brancos como eu?", o presidente do bloco nao pensa duas vezes e responde: "Esse eh um bloco afro".

Entenderam? O presidente do bloco disse com todas as letras que branco nao entra ali. Eu como alguem que admira o mercado nao tenho problemas com tal decisao. Acredito sinceramente que seja direito de todo clube escolher quem quer como socio. Contudo, fico assustado com os politicamente corretos que batem palmas para essa decisao. E se um bloco em Santa Catarina proibisse negros com o argumento "esse bloco eh de germanos"? Ja imaginaram a barulheira que seria?

Eh direito dos negros montarem um clube que so aceita negros, tambem eh direito dos gays montarem um clube que so aceita gays, e eh direito dos homens brancos casados montarem um clube que so aceite homens brancos casados. O mercado selecionara e mantera os clubes, e todos serao felizes com suas escolhas. Contudo, eh inconcebivel que negros possam discriminar brancos, mas que o inverso nao possa acontecer.

Eu sou contra qualquer tipo de discriminacao racial, nao aplaudo e NEM ME FILIO a clubes que baseiam seus criterios de aceitacao na cor da pele. E pra fechar com chave de ouro, nada melhor do que a grande citacao de Groucho Marx: "Eu nao aceito entrar num clube que me aceite como socio".

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Jobim só se for o TOM

Nem só de Tons vive o Jobim.... lamentável.

Entrevista com o Coronel Walter E. Kurtz

Na mais espetacular entrevista de meu blog, consegui uma entrevista exclusiva com o Coronel Walter E. Kurtz. O Coronel Kurtz comandou um regimento durante a guerra do Vietnã, e foi uma das figuras mais enigmáticas de toda a guerra. Admirado por uns, odiado por outros, o Coronel aceitou nos conceder a entrevista abaixo.

1) Coronel, pode nos falar um pouco de sua experiência no Vietnã?

R) Eu vi o horror, o horror que só os que lá estiveram já viram. Ninguém tem o direito de me chamar de assassino. Você tem o direito de me matar, mas não de me julgar. É impossível explicar por palavras, aos que não conhecem o horror, o que deve ser feito para se vencer uma guerra. Há muito tempo atrás, quando eu estava nas forças especiais, nós fomos a um acampamento vietnamita e vacinamos as crianças contra poliomielite. Passado algum tempo depois de termos saído do acampamento, um velho do acampamento apareceu chorando na nossa frente. Nós voltamos então ao acampamento vietnamita. Os vietcongues haviam atacado o acampamento e arrancado o braço que havia sido vacinado de todas as crianças, os braços delas estavam todos lá amontoados numa pilha. Eu chorei vendo aquela cena, e eu nunca vou esquecê-la. Foi só então que eu tive uma inspiração: eu pensei, meu Deus, que coisa genial. Nesse momento eu vi que os vietcongues eram mais fortes do que nós, porque eles podiam fazer aquilo e não se considerarem monstros, eram apenas homens bem treinados. Eram homens que lutaram com seus corações, que tinham famílias, que tinhas filhos, que eram cheios de amor, mas eles tinham a força suficiente para fazer aquilo. Se eu tivesse dez divisões de homens como aqueles nossos problemas no Vietnã teriam terminado rapidamente. Você tem que ter homens que têm moral, e ao mesmo tempo são capazes de se utilizar de seus instintos primitivos para matar sem sentir remorso, sem paixão, sem culpa na consciência. É essa culpa que nos derrota.

2) Qual o maior aliado de um exército?

R) O horror, o horror. O horror tem um rosto e você deve fazer dele seu amigo. O horror e o horror moral são nossos amigos. Se eles não forem nossos amigos, então são inimigos a serem temidos. Eles são os verdadeiros inimigos.


3) O que você acha do Alto Comando das Forças Armadas Americanas?

R) Nós treinamos jovens para lançar fogo nas pessoas, mas nossos comandantes não permitem que eles escrevam “foda-se” em seus aviões porque isso é obsceno.


4) Algumas pessoas no Alto Comando o acusam de assassinato, o que tem a dizer a eles?

R) Do que você chama assassinos que acusam outro assassino?


5) Qual deve ser o procedimento contra o Irã e a Coréia do Norte?

R) Nós devemos matá-los. Devemos botar fogo neles. Porco depois de porco.... vaca depois de vaca, cidade após cidade… exército após exército.


Essa foi a entrevista com o Coronel Kurtz. Evidentemente não concordo com seus métodos. O objetivo dessa entrevista foi outro: foi mostrar ao leitor como pensam mentes perturbadas como a do Coronel Kurtz, a do presidente iraniano Mahmoud Ahmedinejad, e a do ditador norte-coreano Kim Jong-il.

Pessoas como Kurtz, Ahmedinejad e Kim Jong-il não entendem atos de boa vontade. Para eles, atos de boa vontade são demonstrações de fraqueza. Sanções econômicas não funcionam contra eles, pelo contrário apenas aumentam a coesão interna contra o inimigo externo. Força bruta é a única linguagem possível de ser compreendida por tais indivíduos, acreditar em qualquer coisa diferente disso é colocar em risco nossa liberdade e a segurança de nossas famílias.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Dica do Sachsida: A Mulher do Dia

Estou aqui em casa assistindo pela segunda vez “A Mulher do Dia” (Woman of the Year) com Spencer Tracy e Katharine Hepburn (na minha opinião a mulher mais linda da história do cinema).

Logo no começo do filme, que se passa durante a Segunda Guerra Mundial, Katharine (que é uma jornalista internacional) sugere que se suspendam os jogos de beisebol até o final da guerra, a resposta de Spencer Tracy garante esse filme na minha lista de preferidos do cinema: “O beisebol faz parte do American way of Life. Qual o sentido de se proibir aquilo que estamos lutando para defender?”.

“A Mulher do Dia” é a dica do Sachsida para os que gostam de cinema.

A ANAC e o aumento na perda de Documentos

A ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil) está implementando uma nova norma para as companhias aéreas: as pessoas terão que mostrar os documentos de identidade não somente na hora do check-in, mas também na hora do embarque.

Acredito que tal norma tenha o objetivo de impedir que uma pessoa faça o check-in, mas na hora do embarque ela troque de lugar com outro indivíduo. Dessa maneira, bandidos pediriam a seus comparsas para comprar a passagem e fazer o check-in, mas logo depois trocariam de lugar com eles, pegariam os bilhetes, e viajariam sem medo de serem descobertos.

Sou contra essa medida da ANAC por uma questão simples: ela só vai atrapalhar o cidadão honesto, e em muito pouco afetará os bandidos. Em primeiro lugar, conseguir uma identidade falsa não deve ser coisa difícil para um bandido (até porque as companhias aéreas aceitam xerox do documento original). Em segundo lugar, as filas de embarque são enormes, duvido que o fiscal da companhia aérea vá checar um por um o documento de identidade do indivíduo e o respectivo nome na passagem. Em terceiro lugar, a polícia não tem um sistema de informação diretamente conectado com as companhias aéreas. Isto é, caso um bandido procurado pela polícia compre uma passagem no seu próprio nome, não creio que essa informação chegue aos bancos de dados da polícia (pois eles não estão conectados ao sistema das companhias aéreas). O máximo que a polícia consegue é saber a lista de passageiros de determinado vôo (não tenho certeza, mas me parece que tal lista só pode ser disponibilizada mediante autorização judicial).

Cabe também uma pergunta: qual é a magnitude do problema que essa norma tenta resolver? Existem mesmo tantos bandidos assim viajando de avião depois que um “laranja” faça o check-in para ele? Me parece que a magnitude desse problema esteja longe de compensar os contra-tempos que a medida da ANAC impõe ao cidadão comum. E o que é pior, tal medida parece ser completamente inócua para resolver o problema a que se pretende.


Resumindo, essa nova medida da ANAC vai mesmo é aumentar o tempo de embarque, aumentar os atrasos e aumentar o número de documentos pessoais perdidos. Imagine você as 6:00 horas da manhã com seu filho, mais a bagagem de mão, mais os bilhetes de embarque e conexão, tendo que apresentar seu documento ao fiscal de embarque. Depois disso você tem que ir caminhando para o avião, com um bando de gente atrás de você, e guardando os bilhetes e os documentos.... tá na cara que não faltarão pessoas perdendo seus documentos.

Vou arriscar um palpite: esse problema deve estar mais relacionado ao problema de milhagens das companhias aéreas do que exatamente a um problema de segurança pública. Ou seja, é mais um exemplo de uma agência reguladora estatal sendo usada por grupos de poder para facilitar a vida de empresas privadas.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

A Ameaça Fantasma e o Plano Nacional de Direitos Humanos

“Corte de comunicações só pode significar uma coisa: invasão” (Senador do Planeta Naboroo, Guerra nas Estrelas: A Ameaça Fantasma).

No primeiro filme da saga Guerra nas Estrelas (A Ameaça Fantasma), a Federação Interplanetária do Comércio ameaça atacar um planeta pacífico (interessante notar que mesmo num futuro muito muito distante ainda é alguma organização estatal que gera as crises). O primeiro passo para a invasão é muito simples: corte das comunicações. Seja no passado, presente, ou no futuro, o primeiro passo de qualquer ataque é desorganizar a linha de comunicações do inimigo.

O parágrafo acima vale para guerras, mas vale também para golpes de Estado. O primeiro passo dos golpistas é sempre gerar confusão, disseminar informações incorretas, e fazer uso da confusão reinante para demandar regimes especiais que concetrem ainda mais o poder na mão de algum grupo específico. Nesse sentido, o Plano Nacional dos Direitos Humanos é mais uma tentativa do governo Lula de controlar os meios de comunicação do país. Temos que dar nomes aos responsáveis: Lula e Dilma tentaram mais uma vez (essa não foi a primeira tentativa) controlar a imprensa no Brasil. Como sempre o argumento é zelar que “qualidade” da informação.

Se Lula e Dilma e os incontáveis indivíduos que apoiam a idéia de controlar a imprensa estão mesmo preocupados com a qualidade da informação, então a solução é simples: aumentar o número de empresas do setor de comunicações. Ou seja, basta diminuir a burocracia para a concessão de rádios e televisões. Mais competição limita o poder das grandes redes. Contudo, o Plano Nacional de Direitos Humanos parece mais preocupado em FECHAR empresas de comunicação do que em abrir novas. Este comportamento reflete muito mais uma ameaça (se não disserem o que quero ouvir eu fecho a empresa) do que uma preocupação com a qualidade da informação.

Como diria o nobre senador: cortar as comunicações só significa uma coisa: invasão.

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