quarta-feira, 31 de março de 2010

A Armadilha do Euro

Em economia, monopólios (existência de um único ofertante de determinado produto) são reconhecidamente uma fonte de ineficiência econômica. Uma empresa monopolista cobra preços maiores, e/ou oferta produtos de pior qualidade, que empresas que são obrigadas a competir entre si. Monopólios são ruins para os consumidores e são ruins para toda sociedade.

Praticamente todos os economistas concordam que monopólios devem ser combatidos e a competição entre empresas estimulada. Dessa maneira, chama a atenção a falta de combate ao monopólio mais óbvio de uma sociedade: a emissão de moeda. A emissão de moeda, reais no caso brasileiro, é um monopólio estatal. Tal monopólio de maneira alguma é o resultado de mercado, pelo contrário, é o resultado direto tanto da existência de leis que proíbem a emissão de moedas privadas como de leis que obrigam os indivíduos a aceitarem a moeda oficial. Sem tais leis o mercado de moedas teria a presença de mais competidores, melhorando a qualidade do dinheiro e a eficiência econômica.

Em vista dos parágrafos acima, observo com espanto o silêncio dos economistas em relação ao euro (moeda adotada pela comunidade européia e que substitui moedas nacionais). O euro é justamente o processo oposto ao recomendado pela teoria econômica. Enquanto a teoria econômica sugere que mais competição é melhor, o movimento em direção ao euro suprime a competição em prol de uma moeda única. Antes do euro, o marco alemão era obrigado a competir com o franco francês, que por sua vez era obrigado a competir por aceitação com outras moedas européias. Após o euro, várias moedas nacionais deixaram de existir (diminuindo assim a competição), aumentando mais ainda a ineficiência associada ao monopólio estatal da emissão de moeda.

O teste de mercado para se julgar o desempenho do euro é simples: basta que o euro seja aceito voluntariamente por indivíduos e empresas. A existência de leis obrigando a aceitação do euro, e impedindo o surgimento de outras moedas, dentro da comunidade européia, é a prova cabal de que a qualidade do euro não é tão boa assim. Afinal, se o euro fosse tão bom não necessitaria de privilégios legais.

O dólar americano também tem privilégios legais similares ao euro. Isto mostra que a qualidade das melhores moedas do mundo (o dólar americano e o euro) ainda é pífia, e a ineficiência econômica associada a elas é grande. Assim, é fundamental trazer ao debate econômico atual a necessidade de se estimular a competição no mercado de emissão de moedas. Infelizmente, parece que os economistas teóricos estão mais interessados em reduzir o número de moedas do que em aumentar a competição nesse setor.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Cadê o “Fora Lula” na Unb?

A Universidade de Brasília está em greve. Passei por lá e vi várias manifestações, só não vi o famoso “Fora Presidente” que caracterizava os movimentos comandados pelas esquerdas.

Interessante notar que nas épocas de Collor e FHC sempre havia um “Fora Collor” ou “Fora FHC”. De repente me dou conta de que nesses quase 8 anos de escândalos de corrupção não vi um único cartaz de “Fora Lula”. Escândalo do mensalão, devolução dos lutadores cubanos fugitivos de volta a Cuba, comparação de presos políticos com presos comuns, aproximação com ditadores, apoio ao programa nuclear do Irã e ao seu presidente (aquele que quer varres Israel do mapa), dossiê dos aloprados, caixa 2 de campanha, BANCOOP, campanha eleitoral ilegal. Como se vê escândalos não faltaram, onde estão as esquerdas com o popular slogan “Fora Presidente”?

Uma coisa eu admiro nos esquerdistas da UnB: eles estão dispostos a arriscar seus salários para não falar mal de Lula. Claro que alguém mais maldoso pode dizer que isso é apenas cegueira ideológica ou burrice mesmo.

Eu gosto da UnB, e portanto vou falar o que os professores e alunos da UnB não falam:
FORA LULA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Não deixa de ser irônico que os esquerdistas da UnB culpem sua situação atual devido ao Ministro do Planejamento do governo Lula, mas não culpam o chefe do Ministro (que aliás é do mesmo partido do presidente e que fez sua vida no sindicato dos bancários, sempre alinhado a CUT).

domingo, 28 de março de 2010

Uma Mentira Contada sobre o Sistema de Cotas Raciais

Tenho visto algumas pessoas comentando um estudo que mostra que, na Universidade de Brasília, os alunos cotistas tinham desempenho superior aos não cotistas numa ampla gama de cursos (tal estudo foi inclusive publicado na capa do Correio Braziliense de Domingo de meses atrás). Quando li este estudo, mandei uma mensagem ao Correio Braziliense dizendo que tal estudo estava metodologicamente equivocado.

A imprensa, e boa parte de acadêmicos, esta ansiosa para noticiar que o sistema de cotas raciais funciona. Na busca pela aceitação do sistema de cotas, estudos favoráveis são amplamente divulgados sem receberem a devida atenção metodológica. Uma das críticas ao sistema de cotas é que os indivíduos que entram por meio de cotas não seriam capazes de acompanhar o ritmo da turma. Dessa maneira, o estudo realizado na UnB, mostrando que os cotistas se saiam melhor nas provas do que os não-cotistas, é uma importante defesa do sistema de cotas. Infelizmente, para os defensores das cotas, existe um problema metodológico com esse estudo.

O estudo compara a nota média dos alunos que entraram pelo sistema de cotas (numa série de matérias) com a média obtida pelos alunos não-cotistas. O estudo mostra que, após entrarem na UnB, os alunos cotistas tinham média superior aos não-cotistas. Esse procedimento está equivocado. Ele apenas mostra que a média dos alunos que entraram por cotas é superior a dos demais alunos. Essa média NÃO PODE ser usada para se defender a adoção de cotas. Se você quer usar a nota média para dizer que cotas funcionam, o procedimento correto é diferente: você deve comparar a nota média dos alunos que entraram pelo sistema de cotas MAS QUE NÃO ENTRARIAM caso não houvesse cotas com a média dos demais alunos. Isto é, você deve RETIRAR da amostra de alunos cotistas os alunos cotistas que teriam entrado na UnB independente do sistema de cotas (tais alunos devem ser incluídos no grupo de comparação).

Esse erro de coleta e separação da amostra geralmente passa despercebido pela imprensa. Mas não deveria ser estranho a pessoas acostumados com o uso mais rigoroso da estatística. A rigor, o estudo favorável ao sistema de cotas mais difundido no mundo é o livro “The Shape of the River”. Onde os reitores de Princeton e Harvard usam dados dessas universidades para mostrar que o sistema de ações afirmativas (cotas) funciona. Este estudo tem apenas um pequeno defeito: os reitores se RECUSAM a entregar os dados para que pesquisadores independentes possam replicar os resultados. Desnecessário dizer que tal tipo de evidência tem muita pouca validade científica. Seja em Harvard, em Princeton, ou na UnB, a discussão sobre cotas é muito mais política do que científica. Se você quer estudar o sistema de ações afirmativas a fundo a referência básica é o livro de Thomas Sowell “Ação Afirmativa ao Redor do Mundo: Evidência Empírica”.

Para finalizar uma pergunta: o que vem depois de cotas na universidade? Será que em breve teremos cotas raciais em concursos públicos?

quarta-feira, 24 de março de 2010

Onde está o dinheiro?

Entre janeiro de 2003 e janeiro de 2010 a oferta de moeda (M) cresceu incríveis 144,7%. No mesmo período a inflação acumulada (P) do IPCA foi de 45,7%, e o PIB (Q) cresceu aproximadamente 27%. Recorrendo a popular equação MV = PQ, e supondo V sem grandes variações, surge a inevitável pergunta: onde está o dinheiro? A parcela PQ deveria ser corrigida em torno de 33% para manter a igualdade válida. Assumindo que a velocidade de circulação da moeda (V) não se alterou tanto no período, temos aqui um mistério. Cabe ressaltar que caso inovações financeiras aumentem V, então o problema é mais severo ainda.

Assumindo que V não caiu nesse período (o que parece ser uma hipótese altamente plausível), restam três explicações para a controvérsia: 1) o PIB cresceu muito mais do que a contabilidade do IBGE indica; 2) alguns ativos se valorizaram numa magnitude muito superior a sugerida pelos índices de preço; ou 3) existe uma defasagem entre o aumento de moeda e o aumento de preços. No primeiro caso, temos uma medida do crescimento da corrupção ou do mercado informal. Isto é, o PIB do setor informal da economia cresceu o bastante para acomodar o aumento na oferta monetária (sendo que tal aumento da informalidade não foi captado pela metodologia do IBGE). No segundo caso, temos um índicio da presença de bolhas na economia brasileira. O terceiro caso sugere que teremos, em breve, a volta da inflação. Claro que uma combinação dessas três alternativas também é possível.

No caso de bolhas, quais seriam os mercados mais propensos a estarem operando numa bolha? Basta verificarmos quais mercados apresentaram valorização expressiva nos últimos 10 anos. Em termos de valorização, restam poucas dúvidas de que nos últimos 10 anos os mercados de ações e imobiliário foram campeões em rentabilidade. Dessa maneira, são estes os mercados mais propensos a estarem operando sob uma bolha inflacionária. Existe uma boa chance do aumento da oferta monetária (e do crédito) ter inflado os mercados imobiliários e de ações no Brasil. Sendo que tal incremento no preço das ações e das casas, por uma deficiência dos índices de preço, acabaram não se refletindo nas tradicionais medidas de inflação.

O aumento da moeda (M) está escondido em algum mercado no Brasil. Para nossa infelicidade, existem indícios de que o mercado de ações e imobiliário sejam o reduto de parte desse excesso de oferta monetária. Caso isso seja correto, cedo ou tarde, teremos um estouro de bolha nada agradável no Brasil.

terça-feira, 23 de março de 2010

20 Anos do Plano Collor

Em março de 1990, o Presidente Fernando Collor de Mello comunicou a população um dos mais polêmicos planos econômicos que atingiram a economia brasileira. Entre o pacote de medidas divulgadas, o confisco da poupança era de longe a pior idéia. Confiscar a poupança é o mesmo que confiscar a propriedade privada, e em países onde a propriedade privada não tem segurança dificilmente se estabelecem as condições necessárias para o crescimento econômico de longo prazo.

Confiscar os recursos privados de brasileiros foi um grave erro político, mas foi pior ainda em termos econômicos. A desestabilização decorrente de uma medida tão imbecil como essa foi grande, e ainda hoje (20 anos depois) existem processos judiciais tramitando por conta desse absurdo econômico e jurídico. Só num país com instituições tão fracas, como o Brasil em 1990, para o presidente não ser imediatamente deposto em decorrência dessa medida.

Deixando claro que considero o confisco da poupança uma medida lamentável, vamos adiante. Verdade seja dita, o Plano Collor tinha trunfos importantes: privatização de empresas, abertura econômica e redução do tamanho do Estado. Todas essas medidas, fundamentais para garantirem o crescimento de longo prazo da economia, foram tomadas acertadamente por Collor. Hoje parece ser óbvio que a privatização trouxe ganhos para a população brasileira, mas na época de Collor era muito diferente. Piquetes e barricadas eram organizados nas ruas para se impedir a privatização de empresas estatais ineficientes. Foi Collor quem enfrentou tais manifestações, e pagou um preço político caro por isso. Foi Collor que obrigou a abertura da economia brasileira ao resto do mundo, acabando com a lei de informática por exemplo. A lei de informática obrigava o brasileiro a comprar computadores caros, e de péssima qualidade, de empresas brasileiras. Essa lei foi um verdadeiro atraso tecnológico para nosso país. Instituto Brasileiro do Café (IBC) e Instituto do Álcool e do Açúcar (IAA) foram outros dois elefantes brancos extintos acertadamente por Collor.

Em março de 1990, eu era calouro no curso de economia da Universidade Estadual de Londrina. Durante os seminários que debatiam o Plano Collor, num salão lotado de estudantes e professores de economia, a única pessoa lúcida do ambiente disse: “Os computadores brasileiros são uma merda”. Nesse momento, alguém se levantou e gritou: “São uma merda sim, mas são uma merda nossa!!!”. O auditório veio abaixo em aplausos e urras de aclamação. Esse era o ambiente enfrentado por Collor.

Depois de 20 anos do Plano Collor minha leitura é simples: por pior que tenha sido o confisco da poupança, acredito que o saldo do Plano Collor tenha sido benéfico para a população brasileira. Teria sido muito mais benéfico se Collor não tivesse confiscado a poupança, mas acredito que, em termos de crescimento de longo prazo, o Plano Collor gerou mais benefícios do que mazelas. Abertura econômica, privatização de empresas e redução do tamanho do Estado, foram medidas corajosas e acertadas do Plano Collor.

domingo, 21 de março de 2010

Fatos sobre a Escravidão

Recentemente, a questão das cotas raciais tem despertado a atenção da população. Uma das justificativas para as cotas raciais refere-se ao problema da escravidão. Este post tem como objetivo esclarecer alguns fatos referentes a escravidão.

Um dos fatos mais marcantes referentes a escravidão refere-se ao fato de que ao longo de 10 mil anos de história humana a escravidão foi a regra. Foi há apenas 2 séculos atrás que se começou a questionar seriamente a moralidade dessa antiga norma. Civilizações passadas aclamadas por seu desenvolvimento sempre se basearam em escravizar povos vencidos. Essa é a primeira característica da escravidão: ela não se baseava na cor do escravo, mas sim em sua origem. Brancos já foram escravizados por brancos, e negros já foram escravizados por negros, da mesma maneira que amarelos já foram escravizados por amarelos.

A questão da escravidão de negros chama mais a atenção, pois foi uma das últimas a ser abolida no mundo ocidental (durando em alguns países até o final do século XIX). Contudo, a evidência histórica é bem clara nesse assunto: os escravos africanos eram capturados em sua ampla maioria por tribos africanas, que por sua vez os revendiam aos europeus. Isso de maneira alguma exime os europeus de culpa, mas deixa claro que não devemos culpar apenas a raça branca pela escravidão da raça negra.

Devemos lembrar que apesar de tudo, os últimos escravos do mundo ocidental não eram negros: mas sim brancos. A escravidão do povo eslavo (brancos) foi muito comum durante os anos de guerra na Alemanha nazista. E a escravidão de alemães vencidos (brancos), também foi bem popular nos gulags soviéticos. Aliás, os soviéticos escravizaram não somente alemães, mas também outros soviéticos (prova de que os comunistas não discriminam ninguém) foram escravizados.

No Brasil, durante os anos da Segunda Guerra Mundial, o tratamento dado a japoneses, alemães e italianos não foi dos melhores. Japoneses foram inclusive presos em campos de concentração no norte do país. E verdade seja dita, no começo da imigração asiática a situação dos japoneses não era das melhores. Interessante notar como os defensores do regime de cotas NUNCA sugerem cotas para a minoria asiática. Afinal, eles não só são uma minoria como também foram altamente discriminados no passado.

Por que nunca se sugere a aprovação de cotas para a minoria asiática? Por que devemos elaborar um esquema de ajuda especial aos negros, mas não aos asiáticos? Aliás, se devemos ajudar alguém, não seria melhor ajudar aos pobres (independentemente de sua raça)?

sexta-feira, 19 de março de 2010

Relatório de Competitividade Global 2010 – 2011

Texto escrito por Cecília Macedo.

Fórum Econômico Mundial realiza pesquisa no Brasil para o Relatório de Competitividade Global 2010 – 2011

O Fórum Econômico Mundial em parceria com o Movimento Brasil Competitivo (MBC) está realizando uma Pesquisa de Opinião de Executivos (Executive Opinion Survey) com o objetivo de avaliar a percepção dos empresários brasileiros acerca do ambiente de negócios no qual atuam. Essa pesquisa é o principal componente do Relatório de Competitividade Global 2010-2011, que será lançado no mês de setembro deste ano. A análise da opinião dos executivos oferece subsídios para transformar o estudo em uma medida anual representativa do ambiente econômico de uma nação e sua capacidade de alcançar um crescimento econômico sustentado.

Em 2009, 181 questionários foram respondidos. Para este ano, a meta é coletar informações de pelo menos 200 executivos brasileiros. Podem participar donos de empresas com mais de 20 funcionários, ou organizações que tenha presença significativa no segmento em que atuam. Estão aptos a responder às perguntas os executivos até quatro níveis abaixo do presidente da instituição.

Se comparado aos países que formam o BRIC, o Brasil só ultrapassa a Índia no número de questionários respondidos. Rússia e China alcançaram mais que o dobro em 2009: 368 e 373, respectivamente. Entre as 134 economias que participam da pesquisa, os Estados Unidos possuem uma maior participação empresarial absoluta com 404 questionários respondidos.

Os resultados da pesquisa também dão suporte a outras séries de relatórios, como nos casos: Relatório Global de Tecnologia da Informação (The Global Information Technology Report), Relatório de Competitividade em Turismo e Viagens (The Travel & Tourism Competitiveness Report) e o Relatório Global de Viabilização do Comércio (The Global Enabling Trade Report), publicados anualmente pelo Fórum Econômico Mundial.

Os executivos interessados em participar da pesquisa podem contatar o parceiro do World Economic Forum no Brasil pelo e-mail cecilia@mbc.org.br ou pelo telefone (61) 3329-2108.

terça-feira, 16 de março de 2010

A Gigantesca Incapacidade de Objetividade de Algumas Pessoas

Talvez seja culpa da língua portuguesa, talvez seja culpa de nossa herança lusitana, mas o fato é que uma parcela significativa de brasileiros é simplesmente incapaz de ser objetivo. Eu já participei de várias reuniões, e na grande maioria delas o resultado é o mesmo: perda estratosférica de tempo e de recursos para não se decidir nada.

A marca registrada da maioria das reuniões é a falta de objetividade de quem as conduz. Geralmente quem conduz as reuniões adora ouvir sua própria voz, assuntos que não tomariam mais de 15 minutos passam a durar quase três horas. Quando finalmente a pessoa desiste de falar, sempre existe outro amante do próprio discurso pronto para discursar sobre absolutamente nada por mais outra hora. Desnecessário dizer que no Brasil as reuniões costumam durar sempre mais de 1hora, mesmo que a reunião seja apenas para apresentar algum novo funcionário. Alias, a apresentação de funcionários sempre tem uma característica comum: quem mais fala é quem menos faz. O incompetente, o enrolador, o puxa-saco, sente uma compulsão para aproveitar qualquer reunião para impor a seus colegas 15 minutos de discurso absolutamente vazio, chato e pedante.

Sim, tenho certeza que todos os brasileiros sabem exatamente do que falo. Mas por algum motivo, nós toleramos esses absurdos e nos revoltamos com quem não aceita esse padrão. Por exemplo, certa vez durante um seminário um ouvinte interrompeu o palestrante e ao invés de fazer a pergunta fazia um discurso. Eu, como coordenador do seminário, disse que teríamos prazer em ouvir o seminário do rapaz outra dia, mas que no momento ele deveria fazer logo sua pergunta e permitir que o seminário continuasse. O mal estar foi geral, e ao invés de ficarem revoltados com o proselitismo do rapaz, fui repreendido por ser grosseiro.

No geral, um grande grupo de brasileiros é incapaz de formular uma pergunta, durante um seminário, em menos de 1 minuto. Precisa de mais de 15 minutos apenas para dizer o que faz, e facilmente fala por horas sobre assuntos que não se referem ao objeto da reunião. O custo de curto prazo desse proselitismo traduz-se em reuniões longas e improdutivas. No longo prazo, tal comportamento reduz o incentivo dos mais capazes de participarem de reuniões. Isso tem como consequência que muitas das decisões importantes serão tomadas por indivíduos menos capazes, mas que tem tempo de sobra a perder. Desnecessário dizer que tal tática de enrolação faz parte do manual dos comunistas para dominarem assembléias populares. Duvida de mim? Então vá a uma reunião da UNE, da UBES, de centro acadêmicos ou de DCE’s.

Devassa e o Oligopólio das Cervejas

O mercado de cervejas no Brasil é nitidamente um oligopólio. Interessante notar que os órgãos de regulação permitiram a união dos maiores grupos cervejeiros do país para dar origem a Ambev. O critério adotado para permitir tal fusão foi o de mercado relevante. Interessante notar como alguns burocratas, assim que aprendem um pouco de teoria, acreditam que só eles entendem daquela teoria. Desnecessário dizer que o critério de mercado relevante é extremamente arbitrário, ou seja, ele dá margem para muitas conclusões. Mas vamos deixar esse assunto de lado, pois o objetivo desse post é outro. Quero perguntar a razão para a proibição do comercial da cerveja Devassa (aquele onde a Paris Hilton aparecia).

Os mais precipitados dirão que foi a Secretaria de Proteção a Mulher (ou algo parecido com isso) que apresentou uma reclamação ao CONAR, e este pediu a retirada do comercial. O motivo seria que o comercial da Devassa explorava demais a sensualidade e denegria a imagem da mulher. Acontece que eu acabo de ver a nova propaganda da Skol: Garota do tempo Skol (onde uma mulher de biquini, com seios redondos e fartos, dá a entender o que realmente desce redondo). Em termos de exploração da imagem feminina não dá pra discutir: o comercial da Skol é bem mais apelativo que o da Devassa. Além disso, explorar a sensualidade feminina nunca foi exatamente um problema nos comerciais brasileiros. Até a Coca-cola já fez propagandas apelativas por aqui (onde um garoto tomava duas cocas na boca ao mesmo tempo, dando a entender outra coisa). Vamos ser honestos: sacanagem nunca foi motivo para se tirar comercial do ar no Brasil.

Então por que tiraram o comercial da Devassa do ar? Eu tenho apenas duas explicações e ambas referem-se a proteção de mercado: a) uma gringa aparecendo em propaganda nacional tira emprego das brasileiras (tipo Juliana Paes, aquela do comercial não apelativo DA BOA); e b) como o comercial foi um sucesso de público ele poderia aumentar a fatia da cerveja Devassa no mercado nacional (tirando lucros da Ambev por exemplo). Interessante notar que recursivas medidas tomadas pelo governo (o CONAR foi acionado por um ente público) favorecem a Ambev. Ora permitindo uma fusão que vai contra o princípio da competição, e que nitidamente concentra o mercado de cervejas, ora tirando do ar comerciais de potenciais competidores.

A retirada do ar do comercial da Devassa é mais do que a exploração do poder de uma agência de que ninguém nunca ouviu falar (Secretaria de Proteção a Mulher), é também a prova de que quebrar oligopólios existentes, muitas vezes fortalecidos e criados pelo governo, não é uma tarefa trivial. Ao governo, ao CONAR e a Ambev só existe uma resposta a ser dada: DEVASSA neles!!!! Eu tomei minha atitude, até o final do mês eu só bebo DEVASSA. Essa será minha humilde contribuição à liberdade.

Aqui Paris Hilton e a Devassa. Nunca gostei muito dessa patricinha, mas cá entre nós: ser censurada por sensualidade num país onde Xuxa é a rainha dos baixinhos, Carla Peres apresenta programas infantis e Mara Maravilha é pastora evangélica não é pra qualquer um. E deixo claro que eu sou fã da Xuxa, adoro a Carla Peres e acho a Mara Maravilha demais.

domingo, 14 de março de 2010

Inflação, Contas Públicas e o Banco Central Brasileiro

Interessante notar a recente mudança de opinião dos analistas econômicos referente a inflação no Brasil. Até dezembro de 2009 era consenso entre tais analistas que a inflação não seria um problema. Durante uma sessão de conjuntura econômica, ocorrida em dezembro de 2009, no Encontro de Economia (que ocorreu em Foz do Iguaçu-PR) perguntei aos palestrantes por que os mesmos não endereçavam a inflação como um problema. As respostas foram variadas, mas todos foram unânimes em afirmar que num horizonte de médio prazo a inflação não era problema.

Os leitores desse blog sabem que eu venho alertando a tempos sobre o problema da volta da inflação no Brasil. Aconselhei com todas as letras que se façam dívidas em juros pré-fixados, essas dívidas com a volta da inflação serão um ótimo negócio para o devedor. Disse com todas as letras que em 2011 teremos problemas com a inflação. Só não entendo o motivo da relutância de tantos analistas de enxergaram um problema tão simples. Existem duas razões bem claras que sinalizam para o problema inflacionário. A primeira razão é que a política monetária, ao contrário do que é alardeado, não é tão restritiva no Brasil. Em segunda lugar a política fiscal tem sido mais frouxa ainda que a política monetária.

Os dados referentes a expansão do M1 (fornecidas pelo Banco Central) deixam meu ponto claro: de janeiro de 2003 a janeiro de 2007 (o primeiro mandato de Lula) a oferta de moeda (M1) cresceu 68,34%. De janeiro de 2007 a janeiro de 2010 o M1 já creceu em 45,36%. Isto é, entre janeiro de 2003 e janeiro de 2010 a oferta de moeda cresceu em incríveis 144,7%, sendo que só entre janeiro de 2009 e janeiro de 2010 esse crescimento foi de 15,37%. Cedo ou tarde esse incrível aumento de moeda vai ser transformado, pelo menos em parte, em aumento de preços.

Do ponto de vista fiscal, o panorama também não é melhor, os recursivos aumentos salariais concedidos a funcionários públicos aliado a contratação de cada vez mais servidores pressiona o orçamento público. Um ano eleitoral também não apresenta o melhor ambiente para se acreditar que o gasto público será reduzido. Resumindo, o panorama para as contas públicas em 2011 não parece ser dos melhores. Isso indica que o caminho fácil da inflação para sanar contas públicas pode voltar ao cenário nacional. Não custa lembrar que para Dilma uma inflação de 10% ao ano não é grande problema.

Não bastasse tudo isso, o governo é cheio de “especialistas” prontos a apoiar uma intervenção governamental na taxa de câmbio. Fixar a taxa de câmbio, para controlar artificialmente a desvalorização cambial, é outra daquelas soluções que só tendem a piorar ainda mais o cenário econômico.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Por que Lula diz que presos políticos e presos comuns são iguais?

A recente afirmação do Presidente Lula, dando a entender que presos políticos se equivalem a presos comuns, chocou o mundo civilizado. Em sua ânsia de defender a ditadura sanguinária cubana, Lula não mediu esforços e deixou claro que para ele preso político (aquela pessoa que foi presa apenas por ter opinião diferente da opinião oficial do governo) se equivale a um preso comum (aquele que foi detido por roubo, seqüestro, assassinato ou outro crime desse tipo).

Eu entendo a afirmação de Lula. Afinal, qual a base de comparação que Lula tem? A base de comparação de Lula são seus assessores mais próximos: DILMA entre eles. Tanto Dilma como vários dos presos políticos que Lula conhece roubaram e seqüestraram em nome da implantação de um regime autoritário no Brasil. Ou seja, quando Lula olha para seus assessores ele vê ladrões e assassinos vestidos de revolucionários. Assim, com base em sua própria experiência, Lula identifica crimes políticos como atrelados a roubo, assassinato e seqüestro. Afinal de contas vários dos presos políticos com quem Lula conversa eram também seqüestradores, assassinos e ladrões.

A afirmação de Lula de que presos políticos se assemelham a presos comuns tem por base a experiência de Lula com seus assessores.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Apenas para dizer que tenho vergonha do Presidente do Brasil

Eu tenho vergonha do Presidente do Brasil.
Eu tenho vergonha de Lula,
Vergonha de um presidente que apóia o Irã e sua política nuclear e de negação do holocausto.
Tenho vergonha de um presidente que apóia a ditadura que está sendo implantada na Venezuela
Vergonha de um presidente que recebe recursivamente ditadores em visitas oficiais
Vergonha de um presidente que prendeu e devolveu cubanos que se abrigaram no Brasil
Vergonha de um presidente que se orgulha de ser analfabeto
Vergonha de um presidente que diz que nunca sabe de escândalo algum ao seu redor
Vergonha de um presidente que é capaz de afirmar qualquer mentira para proteger seus aliados
Vergonha de um presidente que afirma que pessoas presas exclusivamente por manifestarem suas opiniões são semelhantes a presos comuns
Mas sinto mais vergonha ainda por ver que tal presidente tem o apoio de milhares de professores universitários. Grande parte dos professores brasileiros, inclusive os de primeiro e segundo grau, tem responsabilidade por esse processo vergonhoso que ocorre em nosso país. Foram esses “intelectuais” que transformaram vergonha em orgulho nacional.

Que fique bem claro para as gerações futuras: eu tenho vergonha de Lula. Não compartilho de seus valores morais, se é que ele os têm. Lula deveria estar preso e deveria sofrer o impeachment. Preso pelas falcatruas que ocorreram em seu governo. E sofrer o impeachment por causa de sua política internacional de aproximação do Brasil com ditaduras sanguinárias ao redor do mundo. Que fique registrado: eu enfrentei das maneiras que pude, e nunca me calei frente a besta.

“No final, nós iremos nos lembrar não das palavras de nossos inimigos, mas do silêncio de nossos amigos” (Martin Luther King Jr.)
“Uma pessoa pode causar o mal a outros não apenas por suas ações, mas também por sua falta de ação, e em ambos os casos ele é corretamente responsável por isso” (John Stuart Mill).

terça-feira, 9 de março de 2010

"Outra vitória como essa e estaremos todos perdidos" (Pirro)

Existem vitórias que são verdadeiras derrotas. O caso recente onde a OMC autoriza o Brasil a retaliar comercialmente os Estados Unidos é prova disso. Os EUA dão um subsídio aos produtores de algodão que a Organização Mundial do Comércio (OMC) considerou incorreto, autorizando assim o Brasil a retaliar as importações dos EUA em um valor aproximado de U$ 800 milhões.

A racionale dos retaliadores brasileiros é a seguinte: punindo as exportações americanas, o lucro de determinadas empresas americanas irá cair. Sendo assim, essas empresas pressionarão o governo americano para que este reduza o subsídio dos produtores de algodão. No papel a idéia faz algum sentido. Mas, esse sentido logo desaparece quando lembramos que o governo americano não tem autorização para retirar o subsídio dos produtores de algodão. Essa autorização só pode ser dada pelo Congresso Americano (ao contrário do Brasil, lá o presidente não tem direito a editar Medidas Provisórias). Também devemos lembrar que as exportações americanas para o Brasil representam menos de 3% das exportações totais dos EUA, ou seja, o impacto da retaliação brasileira tem boa chance de fazer mais barulho do que estrago. Além disso, acredito que os americanos ainda dispõe de um certo orgulho e também fazem considerações dos impactos de longo prazo de suas negociações. Isto é, se eles cederem a uma ameaça tão pequena como essa do Brasil, como seus diplomatas poderão ter credibilidade para sustentar posições que são, determinadas vezes, bem mais controvertidas?

Mesmo que a idéia do governo brasileiro funcione, mesmo que amanhã o governo americano volte atrás e suspenda o subsídio do algodão, a lição que fica desse episódio é o total desrespeito do governo brasileiro com seus cidadãos. Por curiosidade, será que o governo lembrou que ao se aumentar as alíquotas de importação o preço dos produtos iria subir? Será que ele levou em conta que aumentar o imposto de importação de remédios torna a vida do doente mais difícil? Será que alguém se lembrou de que o aumento do imposto de importação sobre gêneros alimentícios torna a vida do pobre mais difícil? Claro que todos no governo sabiam disso. Eles apenas agiram como sempre agem: desrespeitando os pobres e doentes de nosso pais em prol de um grupo específico de interesse. Afinal, são os fabricantes nacionais que irão se beneficiar de mais essa barreira a competição. Com menos concorrentes, os fabricantes nacionais irão vender mais. Mas se irão vender mais, isso só aconteceu porque o governo brasileiro deu um jeito de tirar da competição os produtos importados. Com menos competição o preço sobe, e os consumidores brasileiros pagam a conta de mais essa política irresponsável do governo brasileiro.

Outro detalhe: como o governo brasileiro aumentou também o custo de importação de diversos insumos da economia, devemos esperar uma queda na produtividade de nossa economia. Por exemplo, ao se aumentar o imposto de importação do sêmen, importa-se menos sêmen e prejudica-se a competitividade brasileira no longo prazo, fazendo com que exportemos menos carne e que paguemos mais para ter carne na mesa.

Quando te falarem que o mercado concentra renda, lembre-se que são as medidas de políticas públicas implementadas por governos populares os maiores instrumentos de transferência de renda dos pobres para os ricos. Essa medida de restringir a importação de determinados produtos americanos é apenas mais uma política pública que irá favorecer um grupo seleto de empresários a custa de toda a sociedade. Desnecessário dizer que a FIESP apóia a medida.

Discriminação e o Dia Internacional da Mulher

Segunda-feira foi o Dia Internacional da Mulher, na imprensa não faltaram notícias sobre a discriminação sofrida pelas mulheres. Quase todos os jornais estamparam a notícia, fornecida pelo IBGE, de que mulheres ganham ao redor de 75% do salário dos homens.

O fato da mulher ganhar menos do que o homem não é indicativo de discriminação contra a mulher. Mesmo que os estudos separem entre pessoas de mesma idade e de mesmo nível educacional, ainda assim o diferencial de salário a favor do homem pode indicar ao menos três coisas distintas de discriminação. Em primeiro lugar, suponha que a mulher seja mais eficiente do que o homem trabalhando em casa. Mas sendo ambos igualmente produtivos trabalhando fora de casa. Ou seja, a mulher é tão boa quanto o homem no mercado e melhor do que ele em casa. Neste cenário, a teoria das vantagens comparativas faria com que os empresários promovessem os homens (pois estes teriam um maior custo de oportunidade de sair da empresa). Ou seja, as promoções se concentrariam entre homens e isto nada tem de discriminatório por parte do empresário.

Em segundo lugar, devemos lembrar que é entre os 25 e 40 anos que se dá a maior evolução salarial (tanto para homens quanto para mulheres). Contudo, este também é o período em que boa parte das mulheres se ausenta do mercado de trabalho para ter filhos. Neste caso, o diferencial de salários em favor do homem estaria apenas refletindo o fato de que ele permaneceu no mercado de trabalho por mais tempo durante essa fase de aceleração salarial. Além disso, devemos lembrar que o salário atual depende de decisões passadas. Quando jovens, quantas mulheres estão realmente dispostas a cumprirem jornadas extensivas de trabalho (12 a 14 horas diárias)? O número de homens disposto a tal jornada é em muito superior ao de mulheres (seja porque a sociedade assim impõe, ou porque as mulheres dão mais valor a estabelecer uma família, ou qualquer que seja a explicação). Isto implica que o número de homens em posição de chefia deverá ser maior que o de mulheres e isso nada tem de discriminação.

Em terceiro lugar, o que importa para o empresário é o custo de contratação. O empresário iguala o custo de contratação do homem com o custo de contratação da mulher. Mas o salário é apenas uma parte desse custo de contratação. Dentro do custo de contratação devemos incluir também: a) o número de faltas decorrente de consultas médicas; b) o número de faltas decorrentes de se levar os filhos ao médico; c) custos associados a licença maternidade; d) custos de processo associados a denúncias de assédio sexual; e) outros. É evidente que os custos “a”, “b”, “c” e “d” sejam superiores ao se contratar uma mulher. Vamos supor que o item “e” não apresente diferenças entre homens e mulheres. Sendo assim, o salário do homem será maior que o da mulher e isso nada terá de discriminatório. Estará apenas refletindo o fato de que os custos associados a contratação de uma mulher são superiores ao de se contratar um homem, a diferença de salário em favor do homem estaria apenas refletindo esse fato. Dessa maneira, políticas públicas que aumentem os custos de contratação de mulheres (tal como a licença maternidade de seis meses) tendem a aumentar o diferencial de salários em favor do homem, e isso não é discriminação.

Talvez as mulheres sejam discriminadas, mas é importante lembrar que o que os estudos mostram é que existe um diferencial de salários não explicado em favor dos homens. Tal diferencial de salários é consistente com diversas teorias, sendo a discriminação apenas uma das várias explicações possíveis.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Uma Crítica Construtiva a Reinaldo Azevedo

Gosto muito de ler os textos de Reinaldo Azevedo. Contudo, vejo neles uma tremenda diferença de qualidade entre os seus textos políticos e os de fundo econômico. Quase sempre concordo com a argumentação de Azevedo em seus textos de política. Mas, em frequentes ocasiões, discordo dele quando o tema é economia.

Eu espero que esse texto chegue a Reinaldo Azevedo, pois acredito que ele esta comentendo um equivoco grave num assunto econômico importante. Concordo com Azevedo quando ele deixa claro que o PT gostaria de implementar uma ditadura política no Brasil. Mas discordo quando ele acredita que o PT aprendeu a aceitar uma economia de mercado. O PT não aceita uma economia de mercado, ele apenas tolera o que no momento não tem forças para mudar.

Interessante que o argumento político de Azevedo é: o PT não aceita a democracia, ele apenas a usa para chegar a seus fins totalitários. Concordamos plenamente nesse ponto. Mas quando chega o momento de se fazer a mesma conclusão no campo econômico, Azevedo prefere optar pela opinião de que o PT não pretende acabar com a economia de mercado. Discordo dele. Tal como o PT usa a democracia para destruí-la, o PT usa também a economia de mercado para implementar uma ditadura econômica. É um equivoco grave acreditar que o PT tem apreço pela propriedade privada, e não há como existir economia de mercado sem propriedade privada.

Dada a força das instituições brasileiras, o PT ainda tem que tolerar a democracia e a economia de mercado. O Plano Nacional de Direitos Humanos III, aprovado por Dilma e com claro conhecimento de Lula, é uma afronta clara tanto a democracia quanto a economia de mercado. O PT trabalha para solapar a democracia em nosso país, e trabalha também para criar o caos econômico (seja minando a instituição da propriedade privada, seja matando o setor privado com cada vez mais burocracia e mais impostos).

Uma ditadura política, por pior do que seja, nunca concentra tantos poderes quanto uma ditadura econômica. Pior do que ficar sem votar é ficar economicamente dependente do Estado. Uma ditadura econômica, operacionalizada por uma economia planificada, é o sonho de todo ditador. Numa economia planificada criticar o governo é o mesmo que decretar sua morte por inanição.

No Brasil, a economia de mercado é mais sólida que nossa recente democracia. Esse é o único motivo pelo qual o PT ainda não conseguiu reduzí-la as cinzas. Mas é um erro acreditar que o PT faça isso por acreditar nas benesses do mercado. O PT espera apenas o momento para fazer com a economia de mercado o que esta prestes a fazer com a democracia.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Entrevista com Nilton Franzoni

Nilton Franzoni é um dos talentos brasileiros no campo das artes. Sua página na internet pode dar uma melhor dimensão de seu talento.


1) Como você avalia sua obra? Você se considera pertencente a algum movimento?

A forma totalmente natural como despontou a minha vocação para a pintura me deixa bastante seguro para dizer que não pertenço a nenhum movimento em particular. Na verdade, somente depois de vários anos após iniciar a minha produção artística é que fui notar a grande similaridade do meu estilo atual com aquele empregado nos desenhos da infância distante. Enfim, se for necessário classifica-los, os meus quadros podem ser facilmente enquadrados na linha abstracionista. No que tange à técnica empregada, com aproveitamento reflexivo da luz a partir da combinação de tintas e materiais diversos, posso garantir que os meus resultados visuais são surpreendentes e singulares.

2) Alguns artistas se concentram mais em chocar as pessoas do que em apresentar uma obra visualmente agradável, a que você atribui isso?

A minha proposta atual é a de proporcionar imagens que agradem ao olhar e à imaginação das pessoas, acrescentando beleza e bem estar aos ambientes. Isto não significa que eu não valorize obras que contenham mensagens de outros teores, e que se prestem a outros fins. A arte é apenas mais uma forma (especial) de expressão, que é essencial ao ser humano e pode ser abrangente a qualquer tipo de sentimento. Já a apreciação da arte, esta depende do gosto e do momento de cada observador. Eu mesmo possuo trabalhos com outros conteúdos diversos, que talvez possam vir a ser oferecidos ao público em fases futuras.

3) Em sua opinião quem foi o maior dos artistas brasileiros? Qual a influência dele sobre seu trabalho?

Pessoalmente, não acredito que se possa falar em “o maior artista brasileiro”. Atualmente, existem muitos artistas fazendo pintura de qualidade no Brasil; e não poucos deles são mais conhecidos lá fora do que no próprio país de origem. Para não cometer a injustiça de deixar alguns justos merecedores atuais de fora da minha lista dos melhores, prefiro citar os meus prediletos do rol dos clássicos da pintura brasileira, como Burle Marx, Aldemir Martins, Anita Malfatti, Candido Portinari e Alfredo Volpi . Todos estes exerceram alguma influência sobre a minha visão da arte de um modo geral. No caso das minhas pinturas, certamente a herança do uso generoso das cores e a simplicidade dos traços.

4) Investir em arte é um bom investimento? Qual dica você daria a alguém que pretende investir nesse mercado?

O comercio de arte funciona dentro dos princípios básicos de qualquer outro mercado. Talvez possa se considerar bastante acentuado o fator “informação assimétrica”, dados a grande subjetividade envolvida na formação do preço das obras presentemente menos notórias e o ainda baixo nível de profissionalismo que abrange uma grande parte dos agentes atuantes (vendedores ou compradores). Isso, contudo, para muitos pode ser considerado um grande atrativo, uma vez que torna possível ao comprador perspicaz e paciente a realização de altos lucros ao revender, no tempo certo, uma obra surpreendentemente valorizada. Neste sentido, minha dica é investir em artistas novos, ainda pouco difundidos no mercado formal, que apresentem originalidade e qualidade comprovadamente acima da média.

quarta-feira, 3 de março de 2010

A Vez dos Países

Os leitores de meu blog sabem que eu sempre me manifestei contra a ajuda dos governos a empresas ineficientes. Defendi arduamente que os governos deveriam deixar os bancos quebrarem. Sendo essa a maneira menos custosa de se evitar o prolongamento da crise.

Não contente em ajudar bancos, os governos passaram a ajudar também as empresas. Generosos pacotes de estímulo foram concedidos mundo a fora, sempre a custa do contribuinte, com o argumento de que deveríamos preservar empresas ineficientes. Por alguma lógica estranha, preservar incompetentes passou a ser uma política de governo para amenizar a crise.

Recentemente é a vez de governos de um país ajudarem outro país para evitar a “crise sistêmica”. O caso da vez é a Grécia. Países da União Européia, liderados por Alemanha e França, irão ajudar o governo grego. Pergunto: exatamente por que contribuintes alemães devem pagar pela irresponsabilidade de um governo estrangeiro? A Grécia, tal como Portugal, é o equivalente do Brasil no continente europeu. Mente na contabilidade pública, omite gastos, infla receitas, e faz todo tipo de malabarismo contábil para esconder o óbvio: a situação fiscal grega é muito ruim BEM ANTES da crise de 2008. Qual é a punição que a Grécia está recebendo? Nenhuma. Pelo contrário, ela está sendo beneficiada com um pacote de ajuda de outros países. O que está acontecendo na Grécia hoje irá ocorrer depois em Portugal, e assim por diante. Enquanto houver o papai Alemanha e a mamãe França para pagar a conta, a melhor política dos países pequenos é ser irresponsável do ponto de vista fiscal.

Interessante notar o argumento dos analistas da CBN. Segundo eles a “União Européia está salvando o Euro e não a Grécia”. Tal análise simplesmente carece de fundamentação econômica. Desde quando imprimir moeda valoriza a moeda? É justamente o contrário, ajudar a Grécia implica em transferir recursos para aquele país. Recursos esses que irão desfalcar os orçamentos nacionais, aumentando a dívida pública ou a oferta de moeda (euros). Esses movimentos apenas enfraquecem o euro.

Outro argumento, também presente na CBN, é que ajudar a Grécia evita uma crise sistêmica. Bom, se um país tão insignificante quanto a Grécia pode causar uma crise gigantesca no mundo todo, então creio que estamos todos perdidos. Deixar a Grécia quebrar, e seus cidadãos serem chamados a pagar a conta pelas más escolhas de seus governantes é a maneira mais simples, e menos custosa, de resolver o problema grego.

Para finalizar uma pergunta: os governos já se endividaram para salvar bancos, empresas, indivíduos e agora governos estrangeiros, o que vem depois? Será que é tão difícil notar que dinheiro não dá em árvore?

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