domingo, 30 de maio de 2010

Lista dos que já assinaram a carta ao próximo Presidente

Segue a lista dos que já assinaram a carta ao próximo Presidente da República. Se você ainda não assinou, ainda dá tempo. Mande seu nome (e filiação) para sachsida@hotmail.com. Você é aluno de economia? Então pergunte ao seu professor se ele já assinou a carta, e se não assinou pergunte a razão de sua discordância. Esse debate precisa vir a tona em nosso país.

Está na hora dos líderes intelectuais desse país deixarem claro seus pontos de vista.

Lista dos que já assinaram:

1) Adolfo Sachsida (IPEA)
2) Pedro H. Albuquerque (University of Minnesota Duluth)
3) Roberto Ellery Jr. (UnB)
4) Alex Luiz Ferreira (FEA-RP/USP)
5) Alexandre Schwartsman (Banco Santander)
6) Tito Belchior S. Moreira (UCB)
7) Luciano Nakabashi (UFPR)
8) Marcio Bruno Ribeiro (IPEA)
9) Carlos Eduardo Gasparini (UFPB)
10) Claudio Shikida (IBMEC – MG)
11) Ari Francisco de Araujo Junior (IBMEC – MG)
12) Ricardo Coelho de Faria (UCB)
13) Leonardo Monasterio (IPEA)
14) Rodrigo Constantino
15) Rodrigo M. Pereira (IPEA)
16) Jose Ricardo da Costa e Silva (BACEN)
17) José Carneiro da Cunha Oliveira Neto (UnB)
18) Celso Vila Nova de Souza Júnior (UCB)
19) Diego Baldusco (Universität Konstanz)
20) Helton Saulo (UFRGS)
21) Paulo Roberto Almeida (Diplomata, professor)
22) Diogo Costa (OrdemLivre.org)
23) Washington Martins da Silva (Analista Econômico Financeiro)
24) Henrique Dolabella (ANAC)
25) Igor Coura de Mendonça (SEDESE-MG)
26) José Luiz Pagnussat (ENAP)
27) Nilo de Souza Campos (UCB)
28) Aline Amaral Amaral (UCB)
29) Áurea Regina E.S.F.Carvalho (Especialista em Políticas Públicas Minas Gerais)
30) Demetrio Carneiro
31) Tony Volpon
32) Rainer Erkens (Friedrich Naumann Foundation for Freedom)
33) Pedro Erik Arruda Carneiro
34) Henrique de Mello Franco
35) Carlos Wagner Mesquita
36) Sérgio Ricardo de Brito Gadelha
37) Leandro Nunes Moreira (IBMEC – MG)
38) José Luiz Cordeiro Cruz (Secretaria de Segurança Pública)
39) Gilberto Fraga (PPGEA/USP)
40) Alejandro C. García Cintado (Universidad Pablo de Olavide)
41) Daniel Machry Brum (PUC-Rio)
42) Alessandra Santos
43) Philipe Berman
44) Mario Jorge Cardoso de Mendonça (IPEA)
45) André Sousa Ramos (Banco do Brasil)
46) Aurelio G. Martins(Petrobras e UERJ)
47) Maria Andrade Pinheiro (PPGEA-ESALQ/USP)
48) Igor de Aguiar Martins (UCB)
49) Erik Figueiredo (PPGE-UFPB)
50) José Coelho Matos Filho (UFC)
51) Henrique Felix de Souza Machado (Faculdade de Direito - UnB)
52) Antonio Cunha Borges (Faculde de Direito - UnB)
53) Rodrigo Pedrosa Lyra (Departamento de Sociologia - UnB)
54) Marcio Guerra Amorim
55) Sérgio Ricardo da Silva Farias
56) Danilo Regis da Cunha (Universidade Federal da Paraíba)

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Carta ao Futuro Presidente da República

Sempre podem ocorrer discordâncias acerca das melhores políticas econômicas a serem implementadas. Tais discordâncias são saudáveis e fazem parte do processo democrático. Anos eleitorais são propícios às discussões de temas econômicos, pois nos obrigam a uma confrontação com nossa realidade. Quais políticas deram certo? Quais fracassaram? O que precisa ser mudado?

Nos últimos anos a base de política econômica brasileira sustentou-se no tripé: metas de inflação, responsabilidade fiscal e taxas de câmbio flutuante. Claro que entre especialistas existem discordâncias quanto a efetividade, e a melhor operacionalização, de cada uma dessas idéias. Contudo, concordamos que apesar de talvez tais políticas não representarem o ideal, elas são efetivas o bastante para garantir a estabilidade econômica de nosso país.

Assim, os signatários dessa carta deixam claro que antes que mudanças sejam propostas no tripé econômico, outras reformas devem ser realizadas: reforma tributária, reforma fiscal, reforma trabalhista e reforma da previdência são temas muito mais urgentes para o debate nacional. De maneira alguma dizemos que o tripé econômico atual seja isento de imperfeições. Alegamos apenas que reformas muito mais urgentes devem ser implementadas antes que mudanças no tripé econômico atual sejam levadas a cabo.


PS: caso você queira assinar essa carta, mande seu nome (se quiser inclua sua titulação e/ou seu empregador) para o e-mail: sachsida@hotmail.com

domingo, 23 de maio de 2010

Até Quando?

Até quando o MST irá agir impunemente?

Membros do MST agora ateiam FOGO em plantações.

Por que tanta bondade para com esse movimento ilegal que é organizado em forma de guerrilha?

Qual será a postura de Serra frente ao MST? Qual será a postura de Dilma, a ex-terrorista, com esse movimento nitidamente terrorista? E Marina, o que tem a dizer sobre o MST?

Está mais do que na hora da imprensa pedir respostas claras dos candidatos a presidência sobre esse movimento que prega a violência e a ilegalidade no campo.

O MST SEQUESTRA, o MST MATA, o MST DESTRÓI propriedades privadas. Este movimento ILEGAL precisa ser contido. Seus líderes DEVEM RESPONDER CRIMINALMENTE por seus atos de ilegalidade. CADEIA para os líderes do MST é o que o respeito as leis do país demandam.

Lula usa o boné do MST, um movimento ilegal, FHC pouco fez para coibir o MST. Está na hora de mudarmos essa realidade.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Patrulha Estelar

Hoje é sexta-feira, então para relaxar vamos fazer aqui uma homenagem ao meu amigo Shikida.

Patrulha Estelar foi um desenho que marcou minha infância. Na versão brasileira a nave de guerra tinha o nome de Argo (ao passo que o nome original da nave na versão japonesa era Yamato).

Então se vocês querem saber o que eu assitia quando era pequeno, querem saber qual desenho eu não perdia episódio e era fã de carteirinha, ai segue um trecho da Patrulha Estelar. Vale a pena ver.

Aqui segue o link para mostrar que o público feminino também tinha vez no seriado.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

A Questão Iraniana

Alguma novidade no caso iraniano? Não. Tudo corre como o previsto: os iranianos aceitam o acordo proposto por Lula. O Irã ganha mais tempo para desenvolver sua bomba nuclear. Minha dúvida refere-se ao que ganha Lula? Certamente não ganha prestígio internacional, mas ganha prestígio interno. Lula ganha uma arma política, capitaliza seu fracasso como sucesso para as eleições de outubro.

Em 1 mês o Irã irá descumprir tudo que prometeu e restará aos embaixadores brasileiros duas alternativas: admitir que foram feitos de bobos ou dizer que tudo esta ok e manter as aparências. Evidente que o Itamaraty irá optar pela segunda alternativa: dando ainda mais tempo ao Irã para desenvolver sua arma nuclear.

O Brasil quer um assento no conselho de segurança da ONU: não vai conseguir. Anos de política internacional respeitável foram jogadas no lixo pelo governo Lula e por Celso Amorim. A cada dia que passa o Brasil se aproxima de ditadores e se afasta de democracias. Esse é o resultado da política internacional do governo Lula.

O Brasil tentou se aproximar da China para conseguir um assento no Conselho de Segurança da ONU. Aos iluminados brasileiros não surgiu a questão mais óbvia de todas: se o Brasil entrar no Conselho de Segurança o Japão também entra, coisa que a China não irá permitir tão cedo. Logo é perda de tempo contar com o apoio chinês para a ampliação do Conselho de Segurança.

Onde estão os grandes embaixadores brasileiros? Não é possível que no Itamaraty só restem esses desqualificados. O Itamaraty tem uma longa tradição de produzir bons diplomatas, não merecia esse fim.

domingo, 16 de maio de 2010

Adeus a UCB

Semana passada falei com o reitor, e com o pro-reitor de extensão da UCB, já havia conversado antes com o diretor da graduação. Após 10 anos chegou o momento de deixar o barco, a partir do próximo semestre não estarei mais fazendo parte dos quadros da Universidade Católica de Brasília.

Deixo lá ao menos três contribuições importantes: a consolidação do mestrado, a implantação do doutorado (podem falar o que for, mas fui EU o responsável pelo doutorado em economia da UCB, essa contribuição é minha e ninguém tasca), e o índice de custo de vida (incluindo o índice de bolha imobiliária) do Distrito Federal.

Nesses 10 anos foram diversas vitórias: fui diretor da graduação e do mestrado em economia (um dos únicos três diretores de toda a universidade a acumular cargos de direção na graduação e na pós-graduação); fui homenageado pelos alunos em cerimonias oficiais; fiz parte do conselho superior da universidade (CONSEPE); criei e fui o primeiro editor da Revista Brasileira de Economia de Empresas (RBEE); quando cheguei o mestrado não era sequer reconhecido, hoje o doutorado tem nota 5 na CAPES (a mesma da PUC-RJ por exemplo); orientei a primeira defesa de doutorado em economia da UCB; entre outros bons momentos. Deixo uma derrota importante: não consegui criar o Centro de Estudos de Cidades, projeto pessoal antigo que tinha como objetivo realizar pesquisas e capitalizar o programa de economia.

Dia 31/05 (segunda-feira), às 19:30 horas no auditório do Bloco M da UCB, farei um grande evento com a presença de várias autoridades divulgando os índices de custo de vida e imobiliário. Será uma despedida com chave de ouro.

Eu só tenho a agradecer a esta maravilhosa universidade. A UCB faz parte de minha história, e eu espero ter feito parte da história dessa grande instituição.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

FHC tem culpa na parada

Fernando Henrique Cardoso foi um presidente razoável, não mais do que isso. Ficou famoso e ganhou a presidência por causa do Plano Real, plano feito e implementado sob a presidência de Itamar Franco.

FHC gastou seus primeiros quatro anos de presidência lutando pela reeleição. Se tivesse se esforçado assim pelas outras reformas o Brasil seria hoje um país muito melhor. Reforma da previdência, trabalhista, tributária, tudo foi relegado a segundo plano. O primordial foi a reeleição. Legado terrível que abriu a seu sucessor, Lula, a possibilidade de pedir por um terceiro mandato. Afinal, se FHC mudou as regras e se aproveitou disso por que Lula não poderia fazer o mesmo? Felizmente o PT, por enquanto, não se utilizou dessa manobra.

FHC nunca recusou recursos ao MST, FHC também não combateu e nem puniu os líderes desse movimento ilegal. Na época de FHC eu passava um dever de casa para meus alunos: assistam 1 hora de televisão EM QUALQUER CANAL e em QUALQUER HORÁRIO, anotem quantas propagandas de estatais e do governo irão aparecer. Era a verdadeira farra do boi. Essa prática deu a brecha necessária para que o PT fizesse o mesmo atualmente. Esse excesso de propaganda das empresas estatais e do governo feito hoje pelo PT começou no governo de FHC.

FHC é um homem culto, inteligente, mas como um bom representante do PSDB preferiu o muro ao invés das reformas. FHC tinha a legitimidade, a inteligência, para realizar as grandes reformas. Mas não as fez. Devemos debitar também na conta de FHC o gigantesco crescimento da dívida interna durante seu primeira mandato, herança direta dos juros altos decorrentes da absurda política de taxa de câmbio fixa. Política essa que tinha fins claramente eleitorais: bastou terminarem as eleições e, em janeiro de 1999, veio a desvalorização cambial.

FHC teve sem dúvidas vários méritos: a estabilidade econômica sendo a principal delas. Mas quando olhamos para esse intelectual não há como negar que dele se esperava muito mais.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Dunga, o gênio

Tem gente demais reclamando dos jogadores convocados para a seleção. Mas o Blog do Sachsida apóia Dunga: tem que sacanear mesmo. O Brasil não é o país que apóia o mérito individual, então nada mais justo do que a seleção refletir isso. Sugiro que as próximas convocações ocorram por concurso público: jogador vai ter que mostrar que sabe direito administrativo pra poder jogar na seleção.

Num mundo em que somos obrigados a votar em Serra faz todo sentido do mundo sofrer com a seleção canarinho. Mas fiquem tranquilos, o manto sagrado da camisa amarela transforma cabeças de bagre em craques, a amarelinha joga sozinha. Aliado a isso ainda teremos os cabeças de bagre de sempre se machucando e abrindo oportunidades para outros jogadores.

Por fim, defendo a escalação do craque Elano. Elano é um caso de livro texto: normalmente esse jogador razoável não faz muita coisa, mas basta ter a seleção argentina pela frente que Elano come a bola. Elano é a certeza que indo bem ou mal a selação brasileira não vai perder da Argentina.

domingo, 9 de maio de 2010

Um Pedido a José Serra

Eu votarei em José Serra para Presidente do Brasil. O motivo é simples: eu não voto em terrorista. Não voto em assassinos ou sequestradores. Dilma é terrorista, tramou roubos e sequestros. Nunca se arrependeu disso.

Serra parece ter feito um bom trabalho em São Paulo, ponto para ele. Contudo, existe uma grande diferença entre ser prefeito, ser governador e ser presidente. Na prefeitura, ou no governo do estado, demanda-se muito de microeconomia: desenho de contratos, incentivos, projetos de viabilidade, etc.. Contudo, é na presidência da república que torna-se possível o uso de políticas macroeconômicas. E a política macroeconômica de Serra é EXTREMAMENTE similar a de Dilma!!!! A equipe econômica de Serra vem do mesmo local da equipe econômica de Dilma: o departamento de economia da UNICAMP.

Então faço um pedido a Serra: TROQUE SUA EQUIPE ECONÔMICA. Abandone as idéias da CEPAL, abandone as idéias da UNICAMP. Dê uma chance ao modelo que pode tornar o Brasil um país melhor, o modelo de liberdade: liberdade cambial, liberdade comercial, liberdade individual. Serra, o seu eleitor te pede: MUDE SEUS CONSELHEIROS MACROECONÔMICOS.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Considerações sobre o superávit primário

Políticos, acadêmicos, policy-makers e jornalistas estão sempre falando sobre a importância do governo gerar superávits primários. Os experts são rápidos em responder que superávit primário é o montante que o governo arrecada menos o que ele gasta, sem considerar a conta de juros. Contudo, essa definição esconde uma série de truques.

Primeiro, e mais importante, devemos lembrar o objetivo básico do superávit primário: poupar receitas para abater a dívida pública. Contudo, aproximadamente metade do superávit primário é obtida por meio de receitas vinculadas. O que isso quer dizer? Receitas vinculadas são receitas com destinação específica, isto é, o governo é proibido por lei de gastar esses recursos para abater a dívida pública. Ou seja, um montante expressivo do superávit primário só serve para fazer volume, uma vez que não pode ser usado para abatimento da dívida pública.

Segundo, nem todos os gastos públicos são computados na hora de se contabilizar o superávit. Quem define quais gastos entrarão na conta do superávit é a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). Por exemplo, no ano que vem teremos um superávit que NÃO LEVA em consideração os gastos com infra-estrutura ou os gastos do PAC considerados prioritários. Quais gastos públicos entram, ou não, na contabilidade do superávit pode mudar de ano para ano. Assim, é importante que os economistas acadêmicos prestem muita atenção nesses truques contábeis.

Infelizmente a academia brasileira não presta muita atenção na maneira como os dados de finanças públicas são produzidos no Brasil. Estudos de macroeconomia são recorrentemente viesados pelos erros, mudanças de definições, mudanças de regras, e omissões presentes nos dados do governo brasileiro. O superávit primário é um caso de livro texto sobre como o governo pode manipular DENTRO da LEI uma informação tão importante para a sociedade. Hoje o superávit brasileiro é uma peça de ficção científica, ele simplesmente não serve para verificarmos a responsabilidade fiscal de um governo. E também não serve para abatermos a dívida pública no montante que a sociedade acredita que estaria ocorrendo.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Sachsida Ajuda o Reino Unido

O Reino Unido, outrora berço do liberalismo econômico, é hoje um baluarte das regulações, intervenções do governo e impostos. Evidentemente um local como esse não pode prosperar, e logo se vê envolto em problemas econômicos. Essa é exatamente a situação atual dessa outrora majestosa ilha. A recente crise financeira ainda não mostrou o pior de sua face nas terras de sua majestade, mas isso logo logo irá ocorrer. Sabendo desse problema crônico, o parlamento britânico acaba de me pedir ajuda. Abaixo segue, em primeira mão para os meus leitores, o Plano Sachsida para o resgate do Reino Unido.

1ª Parte: Torrar o dinheiro público
O resgate do Reino Unido começa com um maciço pacote de gastos do governo. Se gastar uma libra é bom para estimular a demanda, então gastar 10 bilhões deve ser melhor ainda. O fundamental é gastar muito, mas ao mesmo tempo devemos retirar da contabilidade os gastos emergenciais, os gastos prioritários, os gastos com saúde, os gastos com educação, os gastos militares, os gastos com infra-estrutura, e os gastos com pagamento de juros. Após isso, o Reino Unido (apesar de executar gastos monstruosos) apresentará ao público uma aparência impecável de responsabilidade fiscal.

2ª Parte: Inundar o mercado com crédito barato
Usando a experiência de sucesso do BNDES brasileiro, criaremos no Reino Unido o BNDES inglês. Sua principal tarefa seria captar compulsoriamente recursos dos trabalhadores e destiná-los a projetos gigantescos, que por alguma miopia de mercado não encontra financiadores no setor privado. Ao mesmo tempo o BNDES inglês faria operações de empréstimo junto ao Tesouro britânico (similar ao que já ocorre no Brasil), visando aumentar ainda mais os recursos (com juros subsidiados) postos a disposição de projetos ousados que necessitam de ajuda estatal (afinal os empresários privados não estão preparados para terem lucros apenas no longo prazo).

3ª Parte: Criação da Caixa Econômica Federal da Inglaterra
Para dinamizar o mercado imobiliário iremos criar um banco com o objetivo de usar recursos do Tesouro, e dos trabalhadores, para expandir o crédito subsidiado para a compra de imóveis. Crédito que será usado também para financiar pessoas que não tem condição de pagar tal empréstimo. Campanhas como “Imóvel nunca perde valor” e “Imóvel é 100% seguro” serão vinculadas na mídia para estimular a demanda por imóveis. Bancos privados serão pressionados a extender crédito imobiliário a todos, sob ameaça de processos judiciais.

4ª Parte: A contribuição das Organizações Não-Governamentais
Atenderemos todas as demandas das organizações não-governamentais referentes ao meio ambiente. Isto é, limitaremos ao extremo a quantidade de terrenos livres para a construção. E limitaremos também o tamanho das construções. Essa medida preserva a beleza arquitetônica do Reino, ao custo de aumentar o preço dos imóveis. Tal medida irá requerer ainda mais crédito para a compra de imóveis.

5ª Parte: Banco Central sem medo do desenvolvimento econômico
Não podemos ter um Banco Central com medo do desenvolvimento econômico. Assim, as taxas de juros serão mantidas artificialmente baixas durante todo o período (independentemente das enormes pressões por mais crédito).

Seguindo esse plano simples teremos, em uns 4 ou 5 anos, uma bolha imobiliária gigantesca no Reino Unido, aliada a enormes fragilidades no setor financeiro, e uma situação fiscal insustentável. Assim que o caos se instalar, basta o primeiro ministro fazer o seguinte pronunciamento: “O mercado mostrou sua verdadeira face... confiamos demais no liberalismo econômico e agora estamos arruinados. Isso é culpa dos ganaciosos especuladores. Ou o FMI, o Banco Mundial, os EUA, o Japão, a Alemanha e a Comunidade Européia nos ajudam, ou teremos uma crise financeira de proporções mundiais, com o temível efeito contágio levando todo o mundo civilizado para a ruína”. Após 3 dias de intensos debates, sem ouvir os contribuintes, o resto do mundo decide enviar uma ajuda emergencial de 10 trilhões de euros para o Reino Unido para evitar o colapso financeiro a nível mundial.

Com os 10 trilhões de euros, coletados do resto do mundo, sanearemos as finanças inglesas, daremos casas ao pobres, pagaremos enormes dividendos aos ricos, melhoraremos a infra-estrutura inglesa e diminuiremos os impostos cobrados da classe média. Ai esta o resultado do Plano Sachsida: após 4 anos de farra na Inglaterra o resto do mundo paga pelo ajuste. Claro que em alguns anos outros países irão a bancarrota, mas isso não é problema inglês.... quem mandou não serem fiscalmente responsáveis?

domingo, 2 de maio de 2010

A África e as Brigas de Classes

Conversando com uma menina do terceiro ano B descobri que sua classe era inimiga dos alunos do terceiro ano A. Intrigado perguntei de onde provinha essa inimizade, ao que ela me retrucou: “Eles se acham o máximo, por isso quando jogamos com eles temos que jogar duro”. Argumentei que ela e seus colegas estão na turma B apenas por uma questão aleatória, e que no próximo ano eles poderiam ser amigos de vários colegas considerados hoje inimigos. Não creio que eu a tenha convencido, mas ela é apenas uma criança. Com o tempo ela entenderá meu argumento.

Divagando sozinho refleti que boa parte da humanidade ainda pensa como uma garotinha do terceiro ano B, considerando a turma A seu inimigo. O fato é que durante nosso crescimento temos a turma A como inimiga; passados alguns anos nosso inimigo passa a ser o colégio rival; depois evoluímos para o conceito de cidade, e nosso rival passa a ser a cidade vizinha; depois será o estado vizinho; e finalmente atingiremos o conceito de nação, quando consideraremos outros países como nossos inimigos. Interessante que até o momento não conseguimos superar essa abstração, que é o conceito de nação. Tal como achamos a menina do terceiro ano B inocente, ao considerar a turma A como inimiga, um observador do espaço poderia nos fazer o mesmo questinaonamento que eu fiz a menina: por que ter como inimigo alguém cujo único crime é não estar na mesma sala que você? Exatamente por que você considera seu inimigo alguém que apenas nasceu num país diferente do seu? Afinal, o país de nascimento é tão aleatório quanto a sala de aula onde se estuda.

A verdade é que o conceito de nação é extremamente complexo e se leva muito tempo para se chegar a essa unidade. Talvez, com o tempo, consigamos superar o conceito de nação e evoluirmos para o conceito de continente; e depois para o de planeta. Note que tal conceito não implica em unidade política, isso não implica em vivermos todos sob o mesmo governo, mas sim que não odiamos estrangeiros apenas por terem nascido em outro país.

Refletindo sobre a África notei que tal continente ainda não evoluiu para o conceito de país. Na maior parte da África, por algum motivo, a unidade que importa é a tribo. Existe a tribo A e a tribo B, e não importa que elas habitem o mesmo país: elas são inimigas. Assim, tão logo uma tribo chegue ao poder, o principal objetivo é exterminar seus rivais. Surgindo ai a razão dos frequentes genocídios que ocorrem no continente africano. Neste ponto devemos perguntar: por que os africanos não incorporaram o conceito de país? TALVEZ a colonização européia tenha levado o conceito de país muito rápido ao povo africano, mas esta é apenas uma de muitas hipóteses.

Minha última reflexão foi sobre a importância de mobilidade: enquanto os alunos do terceiro ano B puderem se tranferir de turma – enquanto moradores de uma cidade puderem se mudar para outra; enquanto moradores de um estado puderem mudar para outro – teremos sempre um saudável intercâmbio, que mantém o nível de atrito restrito a grupos pequenos. Mas tão logo essa mobilidade, também conhecida por migração, seja restrita, pequenas disputas se transformam em feridas difíceis de serem cicatrizadas. Esse é o benefício invisível da migração, ela não apenas traz benefícios econômicos. A migração traz consigo benefícios morais.

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