segunda-feira, 26 de julho de 2010

O Retrato de um Desastre

Peço aos leitores desse blog que arquivem esta postagem. Peço também que a divulguem em suas listas de e-mail e amigos.

A crise americana assustou o mundo. Mas parece que o Brasil não aprendeu a lição. Tudo que deu errado nos Estados Unidos no passado recente está sendo posto em prática pelas autoridades brasileiras. Expansão do crédito acima da capacidade da economia, crédito abundante para pessoas com capacidade de pagamento duvidosa, operações financeiras que alavancavam o desastre, mudança nas garantias de empréstimo das empresas, juros subsidiados, e uma política monetária frouxa para estimular o crescimento do setor imobiliário. Tudo isso está sendo feito no Brasil.

Vamos começar pela seguinte matéria: “Em janeiro, o Conselho Monetário Nacional (CMN) autorizou as estatais federais a incluir ativos reais (como terrenos e prédios) nas garantias, dispensando os serviços das seguradoras. No mês passado, o CMN anunciou uma medida similar. Os fundos de pensão que integram as SPE foram autorizados a oferecer garantias em obras de infraestrutura. Anteriormente, os fundos eram proibidos de contribuir com as garantias, e as ofertas tinham de ser cobertas pelos demais sócios do projeto”. Pergunto: quem impedirá as estatais de inflar o valor das garantias? Veja agora que temos aqui um fato curioso: o mercado quer o dinheiro das estatais, as estatais querem investir, e o governo que deveria fiscalizar a operação é parte interessada no aumento dos empréstimos. Notaram? Todos os entes envolvidos têm estímulo para inflar a garantia. Com as garantias infladas projetos que antes não seriam economicamente viáveis tornam-se agora artificialmente viáveis. Dando uma noção equivocada da eficiência econômica, estes projetos alocam erradamente os recursos distorcendo e diminuindo a produtividade da economia.

Segunda matéria: “A securitização consiste na transformação da carteira de crédito em um ativo financeiro. A instituição divide a carteira em partes e as vende como títulos no mercado”. Os recursos para financiamento da casa própria estão acabando. Qual a solução do governo? Aumentar ainda mais o crédito para pessoas com dificuldade de pagamento. O que a Caixa Econômica Federal está fazendo é muito similar ao lançamento dos títulos sub-prime nos Estados Unidos. Nada contra uma empresa privada financiar a compra de imóveis para pessoas com capacidade de pagamento duvidosa. Isso é mercado, arrisca-se nessa operação quem quiser. O problema aqui é que essas operações estão sendo feitas por um banco que tem garantia de solvência dada pelo Tesouro Nacional. Ou seja, esta conta inevitavelmente será paga pelo contribuinte brasileiro.

Por fim, a pérola: “De um lado, o Banco Central deverá reduzir os depósitos compulsórios incidentes sobre a caderneta de poupança. De outro, o Ministério da Fazenda dará isenção do Imposto de Renda nas aplicações realizadas por pessoas jurídicas em Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI)”. Notem que a remuneração desses títulos já está entre 7,5% e 11% mais IGP-M, exatamente por que o governo acredita que precisa estimular ainda mais esse mercado? Temos aqui a união da política monetária com a política fiscal para estimular um mercado que já está extremamente aquecido. A conseqüência óbvia disso é a explosão de preços no mercado imobiliário.

Para o desastre ficar ainda maior, e atingir também o setor financeiro como um todo, só faltam duas medidas: a) o governo autorizar que o setor financeiro receba Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) como garantia de empréstimos. Ao fazer isso o governo estará autorizando empresas a investirem em CRI para os usarem como garantias na aquisição de empréstimos (devolvendo assim o CRI para dentro do setor financeiro); e b) a CEF dar garantias de recompra automática de CRI.

Quando esta bomba estourar, não adianta dizer que foi a ganância do mercado a responsável. O governo brasileiro é quem está conduzindo nossa nação para o precipício. A idéia do governo é boa: ajudar a população carente a ter casa própria. Contudo, os instrumentos adotados para tanto estão completamente equivocados.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Doutrinação na UnB

A doutrinação socialista na UnB não é nenhuma novidade. Novidade é que agora um grupo de corajosos alunos resolveu encarar o desafio de frente.

Olha só o que os professores da UnB andam ensinando....

"A independência ou autonomia do BC em relação ao governo é, portanto, incoerente com a chamada soberania popular"

"(...)o imperialismo na atualidade baseia-se em, de um lado, controlar as políticas econômicas nacionais, para deter o controle da repartição da renda e redirecioná-la para o centro da acumulação, utilizando, especialmente o expediente da dívida pública. Por conseqüência, o endividamento empurra o Estado para a crise fiscal. De outro lado também, promover as reformas, cujo sentido é desonerar o Estado das despesas sociais, liberando recursos financeiros para sustentação do mecanismo do endividamento público. É fácil perceber que esses fatores conjugados podem conduzir à deslegitimação do Estado e, ao mesmo tempo, indicam a possibilidade de uma saída autoritária."

Leia mais pérolas sobre essa aula referente ao Banco Central aqui.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Indio da Costa e Sarah Palin

Nas eleições presidenciais americanas ocorreu um fato curioso: a imprensa cobrava do candidato a vice-presidente o que não cobrava do candidato a presidência. Sarah Palin, vice na chapa de McCain, era questionada sobre sua experiência. Mas a mesma crítica não era feita a Obama. Sarah Palin era criticada por colocar o dedo na ferida: questionando sobre o passado de Obama. Independentemente de se gostar ou não de Sarah Palin, era evidente que boa parte das críticas que recebia eram apenas porque ela se opunha ao candidato da imprensa.

Nessas eleições presidenciais brasileiras vemos o mesmo fato se repetir: Índio da Costa, vice na chapa de Serra, é criticado por sua falta de experiência. Mas se experiência é importante para o candidato a vice deveria ser ainda mais importante para o candidato a presidente. Não seria hora da imprensa criticar a falta de experiência de Dilma? Índio da Costa também bota o dedo na ferida: as ligações do PT com as FARC. Por essa observação Índio da Costa foi massacrado na imprensa, mas por acaso o PT não tem ligação com as FARC? Será isso alguma novidade?

O que ocorreu nos Estados Unidos e está ocorrendo agora no Brasil não são fenômenos independentes. São parte de uma rotina: a aliança entre segmentos da imprensa com o discurso anti-mercado. Candidatos identificados como pró-mercado são demonizados, ao passo que candidatos com viés intervencionista e estatizante são aplaudidos.

Existe uma corrente que defende que campanhas eleitorais sejam feitas com base apenas em propostas. Propostas são importantes, mas tão importante quanto as propostas são as competências dos candidatos, seu passado, seu histórico de realizações, e também a discussão de seus defeitos. Se você anda de mãos dadas com terroristas é justo que os eleitores saibam disso ao votar.

Eu não apostava muito em Indio da Costa, mas ele começou a campanha muito bem.

domingo, 11 de julho de 2010

A Melhor Frase da Copa

"O Brasil não faturou a copa de 2010, mas certamente irá superfaturar a de 2014"
(Autor Desconhecido)

Espanha e o Aquecimento Global

Espanha campeã da copa do mundo... só tem uma explicação: é o aquecimento global!!!

quinta-feira, 1 de julho de 2010

15 + 18 = 33

Meu artigo "Demographic Dynamics in Poor Countries: Labor Market Conditions and Gender Inequalities" acabou de ser aceito para publicação no Journal of Development Studies.

Agora tenho 33 artigos publicados (ou aceitos para publicacação), sendo 15 deles em revistas internacionais e outros 18 em revistas nacionais.

Para celebrar essa conquista estarei pagando a cerveja hoje, a partir das 21:00 horas, no Fausto e Manoel do sudoeste.

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