quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Diga-me com quem andas...

Dilma é ligada a José Dirceu, aquele acusado de ser o chefe do mensalão
Dilma é ligada a Palloci, aquele que violou o sigilo de um simples caseiro
Dilma é ligada a Erenice, aquela da Casa Civil
Dilma é ligada a grupos que tinham “dossies” de inimigos políticos
Dilma foi ligada a um grupo terrorista, que sequestrava e matava pessoas

Talvez Dilma não seja chefe de quadrilha, mas um de seus assessores é acusado disso. Talvez Dilma não viole sigilos fiscais e bancários, mas um de seus assessores já esteve metido nisso. Talvez Dilma não esteja envolvida nos escândalos da Casa Civil, mas seu “braço direito” está. Talvez Dilma não esteja ligada a quebra de sigilo de inimigos políticos, mas seus assessores tinham esses dados. Talvez Dilma não seja assassina, mas terrorista certamente ela já foi. Talvez Dilma não tenha sequestrado ninguém, mas o grupo terrorista do qual fazia parte esteve envolvido com sequestros e assassinatos.

Talvez poderíamos dizer que Dilma é o exemplo de uma freira num cabaré, mas freira ela não é: freiras não pertencem a grupos terroristas e nem defendem o aborto. Além do mais, é muito maldade comparar um nobre cabaré com os amigos que cercam Dilma. Diga-me com quem andas....

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Dilma e o Estado de Direito

Liberdade de imprensa: estamos mais seguros com Dilma?
Sigilo bancário e fiscal: estamos mais seguros com Dilma?
Segurança jurídica: estamos mais seguros com Dilma?
Aparelhamento do Estado: estamos melhor com Dilma?
Capacidade gerencial: estamos melhor com Dilma?
Invasões de terra: estamos melhor com Dilma?
Manutenção das instituições: estamos melhor com Dilma?

Essa lista pode continuar, mas a resposta é sempre a mesma: com Dilma no poder estaremos sempre pior.

Dilma é o passo em direção a ditadura de partido. A vitória de Dilma nas eleições nos obrigará a torcer no futuro pelo PMDB (o único partido forte e mau o suficiente para combater a ditadura petista). Isso nos dá uma amostra de como nossa liberdade esta em risco.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Mais uma Vitória de Chávez

A grande imprensa comemora a derrota de Chávez. Segundo os especialistas, os 64 deputados eleitos pela oposição na Venezuela são em número suficiente para barrar as reformas constitucionais propostas pelo presidente venezuelano.

Este é um equivoco perigoso. Chaves não foi derrotado, ele venceu. Chávez teve a prova cabal de que a comunidade internacional ACEITA seus métodos inconstitucionais. PIOR: o povo venezuelano não tem mais como reagir aos métodos chavistas. O importante nessas eleições não era eleger deputados, mas sim combater o método chavista. Se isso não é possível, ter deputados eleitos de nada valerá para a oposição venezuelana.

Em fevereiro de 1934, Hitler não conseguiu a maioria necessária para alterar a Constituição alemã. Mas durante a campanha eleitoral ficou evidente a incapacidade do povo alemão em evitar e punir os métodos nazistas. Resultado: algum tempo depois Hitler colocou na ilegalidade o Partido Comunista Alemão, e prendeu seus deputados. Com essa manobra simples ele obteve a maioria de que necessitava para realizar suas mudanças.

Em breve Chávez fará o mesmo. Em breve Chávez irá colocar a oposição na ilegalidade, ou então irá prender os deputados da oposição (com acusações falsas), e assim, tal como Hitler, terá a maioria de que necessita para realizar suas mudanças. Chávez deveria estar preso, as eleições na Venezuela apenas mostraram a incapacidade do povo venezuelano de deter sua marcha para a escuridão.

Parabéns a Manuel Ayau

Pois é, até a Guatemala dá lição no Brasil...

domingo, 26 de setembro de 2010

Avaliação Trienal da CAPES

Participei da Comissão de Área de Economia durante a recente avaliação trienal promovida pela CAPES. Essa comissão sugeriu as notas que cada centro de pós graduação em economia deveria receber. Tais notas são importantes, pois além de serem usadas para distribuição de recursos públicos, também servem de sinalização referente a qualidade de cada centro de pós-graduação.

A EPGE e a USP receberam a nota máxima (nota 7), e a mereceram. A FGV-SP também mereceu a nota 7, mas ficou com 6. Basicamente isso ocorreu pois na avaliação anterior a FGV-SP tinha nota 5, e pulos de 2 níveis são reservados apenas a situações excepcionais. Eu não sou um grande fã da UFRJ (basicamente por divergências ideológicas), mas seguindo os critérios da CAPES eles mereceram a nota 6. Temos então que, de acordo com os critérios da CAPES, dois dos melhores centros residem em São Paulo e outros dois no Rio de Janeiro. Mais importante: dois deles são privados. Isto mostra a importância do setor privado para a pesquisa econômica de alto nível no Brasil.

Numa avaliação pessoal, eu teria colocado a PUC-RJ com nota 7. Acontece que SEGUINDO AS NORMAS da CAPES, a nota 5 para a PUC-RJ está correta. O problema da PUC-RJ reside no baixo número de doutores formados por esse centro. Não vou entrar aqui no mérito se isso está correto ou não. Mas a PUC-RJ conhecia as normas da CAPES, e optou por manter um número baixo de doutores formados. A PUC-RJ é um excelente centro, mas as regras da CAPES estão dadas, se você opta por não seguí-las, também não adianta reclamar depois. Mas ressalto que acho legítma decisão da PUC-RJ.

Quanto ao mestrado profissionalizante, temos que os únicos centros notas 5 (nota máxima para mestrados) são centros privados: FGV-RJ, FGV-SP, IBMEC-RJ e INSPER. Novamente ressaltando a importância da iniciativa privada na formação de capital humano de alto nível no Brasil.

De maneira geral, a avaliação trienal da CAPES concluiu o que alguns acadêmicos já haviam apontado: a qualidade da pesquisa em economia no Brasil tem aumentado significativamente. Para a próxima avaliação trienal resta um grande desafio: discutir e aprimorar o QUALIS (ranking de periódicos que recebem pontuação na área de economia). Desnecessário dizer que o grosso da nota de um centro depende do formato do QUALIS.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Quem Julga os Julgadores?

Para começar esse texto quero deixar claro que até o momento tenho 35 artigos aceitos/publicados (15 internacionais e 20 nacionais). Dado que terminei meu doutorado em dezembro de 2000, isso implica numa média superior a 3 artigos aceitos por ano. Na área de economia essa média é excelente. Em relação a participação em congressos, já tive tantos aceites que nem os incluo mais no meu cv lattes. Para cada um desses artigos aceitos devo ter tido uns dois (ou mais) rejeites. Isto implica que já devo ter recebido umas 70 rejeições (também já parei de contar). Isto é, de artigos aceitos e rejeitados eu entendo.

Um detalhe que tem me chamado a atenção é a queda gigantesca de qualidade dos pareceres em revistas nacionais nos últimos dois anos. Quando se submete um artigo para uma revista, dois pareceristas (julgadores) emitem um parecer (sua opinião técnica) sobre a qualidade do artigo, e dizem se o mesmo deve ou não ser publicado. Dando minha opinião pessoal, noto que a qualidade desses pareceres têm caido muito. O exemplo mais claro é aquele parecerista que rejeita um paper com base em testes de raiz unitária (como se só ele conhecesse esses testes), mas se esquece que em análises bayesianas este não é um problema sério. Outro caso é daqueles pareceristas que nitidamente não leem e rejeitam o artigo.

Mas por que a qualidade dos pareceres tem caido tanto nos últimos anos? Uma hipótese plausível bota a culpa no governo. Isto é, a CAPES aumentou a pontuação das revistas nacionais frente a revistas internacionais. Ao mesmo tempo, ter artigos publicados passou a ter cada vez mais peso tanto em pedidos de recursos, como na contratação de professores, ou na avaliação dos centros. Em resumo: passou a ser muito vantajoso passar a submeter artigos para revistas brasileiras, ao invés de submeter artigos para revistas no exterior. Esse movimento intensivo em direção a revistas nacionais esgotou o números de pareceristas disponíveis. Isto é, esta cada vez mais difícil encontrar alguém para julgar artigos. Com essa escassez de pareceristas, os editores das revistas são obrigados a recorrer, cada vez mais, a pareceristas de qualidade duvidosa.

Outra explicação possível refere-se a questões políticas: revistas de determinados centros teriam menos incentivo para aceitarem artigos de outros centros (pois isso pode afetar a nota relativa do centro). Além disso, os pareceristas entendem que ao aceitarem um artigo para uma revista nacional, sobra-se menos espaço para ele e seus colegas nessa mesma revista.

Para resolvermos os problemas acima existem duas soluções: exigir que os artigos sejam escritos em inglês (pois isso aumenta o pool de pareceristas disponíveis); e/ou aumentar o número de revistas nacionais. De qualquer maneira, esse é um problema que me parece sério.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Urna Eletrônica: Tô Fora

Dados sigilosos da Receita Federal foram violados. Dados bancários sigilosos de um caseiro foram violados. Escutas telefônicas clandestinas não faltam no país. Funcionários da Agência Brasileira de Informação (ABIN) aparecem em operações não autorizadas (para não dizer ilegais). Exatamente por que devemos confiar na urna eletrônica?

Quem fiscaliza se a programação da urna eletrônica está correta? Resposta: o mesmo governo que violou sigilos fiscais e bancários de seus oponentes. Exatamente por que devo confiar mais na urna eletrônica do que na Receita Federal? Por que devo confiar mais na urna eletrônica do que na ABIN? Por que devo confiar num governo que faz dossies ilegais contra adversários políticos? Por que confiar num governo que está envolvido em tantos escândalos sem fim? Nada me leva a confiar nesse governo, exatamente por que deveria confiar na honestidade da urna eletrônica?

Vou repetir o que já disse: urnas eletrônicas que seguem o padrão das brasileiras SÃO PROIBIDAS em alguns estados americanos. Essas urnas não fornecem a segurança necessária para garantir a lisura do processo eleitoral. Não sou eu que digo isso, são especialistas em segurança digital. Vamos a perguntas simples: quem tem acesso ao código de programação das urnas? Aposto que isso é sigiloso. Quem audita as urnas eletrônicas? Aposto que é o próprio governo. Notaram: simplesmente não é possível questionar o resultado fornecido pela urna eletrônica.

Na Alemanha Nazista, os nazistas usavam marcas de leite nas cédulas eleitorais para saber quem votava a favor ou contra o governo. Quem me garante que a urna eletrônica não faça o mesmo? Aliás, ISSO JÁ FOI FEITO. Foi exatamente por violar o sigilo da votação no Congresso Nacional que os Senadores Arruda e ACM tiveram que pedir a conta. Ou seja, já há alguns anos a votação no Congresso Nacional já foi violada. Se no Congresso Nacional não se garante o sigilo, exatamente como se pretende garantir o sigilo no interior do país?

domingo, 19 de setembro de 2010

O Nascimento de um Monopólio

Uma parte considerável da população é constantemente enganada com o seguinte argumento: o desenvolvimento de novas tecnologias torna cada vez mais caro para uma empresa operar num mercado, com isso as pequenas empresas fecham e só restam as grandes. Esse argumento implica que a tecnologia diminui a competição entre empresas, ou seja, desenvolvimento tecnológico favorece o aparecimento de monopólios. ESSE ARGUMENTO É COMPLETAMENTE FALSO.

A rigor é justamente o contrário. Isto é, o desenvolvimento tecnológico combate monopólios. A tecnologia diminui o custo de entrada nos mercados, aumentando assim o número de empresas e a competição. Vamos aos exemplos: nos ANTIGOS livros texto de economia assumia-se que distribuição de energia elétrica era um monopólio natural (o número de empresas ótimo desse mercado se dava com apenas uma única empresa). O tempo passou, novas tecnologias surgiram e hoje já existe competição nesse segmento (onde eu morava no Texas haviam 3 empresas que competiam nesse mercado). Outro exemplo: telecomunicações. No passado esse mercado era um monopólio, hoje (apesar dos “esforços” do governo) temos competição aqui.

Não é a tecnologia que cria monopólios, é o governo. É o Estado, através da legislação, que cria a quase totalidade de monopólios em uma sociedade. A grande maioria dos monopólios não ocorre por motivos econômicos, ocorre por motivos legais (intervenção do governo proibindo a competição). Os exemplos mais óbvios são o caso do petróleo e dos correios.

Fui lavar meu carro, onde moro era comum que em quase toda quadra tivesse um lavador de carros (isto é, havia competição). O governo do Distrito Federal, “preocupado com o meio ambiente”, aprovou uma lei PROIBINDO lavagem com água em minha região. Agora lavagem por aqui só se for a seco. Resultado: os pobres lavadores de carro foram expulsos do mercado, e hoje apenas uma única empresa oferta esse serviço por aqui. Não foi a tecnologia que gerou a expulsão dos pobres lavadores de carro. Quem expulsou os pobres para dar o mercado de bandeja para uma única empresa foi o Estado. Assim ocorre no mercado de lavagem de carros, assim ocorre quase sempre: um grupo se apropria do Estado para impedir a competição em seu mercado, e obter lucros exorbitantes. A justificativa para impedir a competição varia: às vezes é para proteger o meio ambiente, às vezes é para o bem do país... mas no fundo no fundo a razão é uma só: proteger um grupo da concorrência e manter seus lucros em patamares artificialmente altos.

sábado, 18 de setembro de 2010

Brasileiro não entende de corrupção

Caras, vocês já notaram o absurdo que esta aparecendo nos jornais e na televisão???

Dizem que Dilma continua na frente nas pesquisas pois "o brasileiro não entende de corrupção, o brasileiro não consegue entender os casos de propina que afetam o governo federal"... cá entre nós, desde quando brasileiro não entende de corrupção???

O problema não é que o brasileiro não entenda de corrupção, o problema é que o brasileiro NÃO LIGA para corrupção. Nossos padrões morais estão tão ruins que sequer nos importamos mais com isso. Claro que existem exceções, claro que existem indignados, mas a verdade é que boa parte da sociedade não liga muito para isso.

Acontece que o Brasil NÃO É um país com liberdade econômica. Aqui quase tudo é feudo ou cartório. Num ambiente tão pouco competitivo como esse, as pessoas tem enorme dificuldade para vencer por conta própria. Resultado: a grande maioria das pessoas é obrigada a se associar a grupos. Ou seja, o sucesso individual acaba atrelado ao sucesso do grupo a que se pertence. Logo, ao invés de valorizar o mérito individual, o brasileiro (mesmo o honesto) é obrigado (por questões de sobrevivência) a lutar pelo grupo.

Quando a sociedade não se baseia em mérito individual, mas em grupos de poder, temos que o sucesso de um grupo implica em menos recursos para outro grupo. Dessa maneira, manobras ilícitas dos grupos acabam sendo toleradas por amplas fatias da sociedade. Afinal, todos os grupos lutam entre si por um volume de recursos limitados.

Em resumo, a falta de competição, o excesso de regulação e de cartórios, acabam tendo como efeito uma ampla tolerância da sociedade em relação a corrupção. Além de efeitos econômicos deletérios, a falta de competição, a falta de liberdade econômica, gera também efeitos morais adversos.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Agora é oficial: Adeus Serra

Quem me conhece sabe que me esforcei. Tentei mesmo. Fiquei firme ao lado de Serra. Mas tudo tem limite. Não dá mais. Não bastasse os absurdos que ele já falou em matéria de economia, acabo de ver mais uma proposta de Serra: salário mínimo de 600 reais. Isso representa um aumento de 17,6%. Não dá. Isso é populismo barato.

Um salário mínimo desse valor implica de cara num rombo nas contas da previdência. Implica em desemprego no setor formal da economia. Implica que pessoas com menor qualificação (geralmente os mais pobres) irão amargar o desemprego. Em sã consciência não posso compactuar com um crime desses contra a parcela menos favorecida da população.

Adeus Serra. De agora em diante eu vou de Eimael... podem rir, mas dado que ele promete abaixar impostos, e pelo que entendi é a favor da redução do gasto público, pelo menos sei que entre os candidatos ele é o que irá nos custar menos.

Dá-lhe Eimael!!!!

A Grande Escolha de Nero

Nero foi um controverso imperador romano, mas em uma coisa ele acertou: escolheu um cavalo para cônsul. Na Roma imperial, repleta de conspirações, ao menos o cavalo não tramaria para assassinar o imperador.

A escolha de Nero por um cavalo para ocupar o segundo mais importante cargo público romano, abaixo apenas do imperador, me parece ainda mais sensata quando vejo a escolha de Lula para o segundo cargo mais importante do governo: Erenice Guerra (antes dela Dilma, e antes de Dilma José Dirceu). Cá entre nós, sou mais o cavalo.

Lendo os jornais me deparo com o igualmente competente Ministro da Fazenda, Guido Mantega, dizendo que o governo tomará medidas contra a valorização excessiva do real. Desnecessário perguntar o que é excessiva, já que esse valor é puramente arbitrário. Será que não aprendemos ainda que fixar a taxa de câmbio não é uma boa idéia? Câmbio é preço e qualquer manual de economia é unânime em afirmar que preços devem ser flexíveis. Não bastasse isso devemos lembrar que, para evitar a valorização do real, o governo precisa comprar dólares. Mas isso é feito vendendo-se títulos públicos, e usando esses recursos para comprar dólares. Como a dívida pública é remunerada a uma taxa superior às reservas internacionais, isso implica num custo fiscal dessa operação. Existem outras distorções geradas por essa operação, mas deixemos isso para outro post. O que quero dizer aqui é mais simples: entre Mantega e o cavalo, fico com o cavalo.

Tô achando que vai faltar cavalo no mercado.... esse Nero era um gênio.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Tiririca e a Urna Eletrônica

Não confio em urna eletrônica. Se os países mais desenvolvidos do mundo não usam, é porque deve haver uma boa razão. Aliás, o tipo de urna eletrônica usada no Brasil foi PROIBIDA em estados americanos, motivo: impossibilidade de conferência e margem para alteração de resultados. Claro, o Estado brasileiro garante que a urna eletrônica é inviolável. Também é verdade que o Estado garante sigilo dos dados na Receita Federal, parece que não está funcionando bem. Além de achar que a urna eletrônica pode manipular votos, também tenho sérias dúvidas que ela garanta o sigilo (anonimato) do voto.

Mas este post tem outro objetivo: mostrar um efeito não intencional da urna eletrônica. No passado, quando votávamos em cédulas de papel, era possível fazer o voto de protesto. Foi assim, que o glorioso Macaco Tião teve seu auge. Em todos os lugares do Brasil, um macaco, um cavalo, ou cachorro, ganhava votos dos eleitores indignados com o nível dos candidatos. Hoje, com a urna eletrônica, este tipo de voto não é mais possível. Resultado: ao invés de votarmos no Macaco Tião votamos no Tiririca. O problema é que, ao contrário do Macaco Tião, Tiririca pode mesmo ser eleito. Alguns podem argumentar que é possível anular o voto. Sim, isso é verdade. Contudo, anular o voto não tem as mesmas características pejorativas que tanto atraíam os eleitores do macaco.

Em resumo, a urna eletrônica além de vários questionamentos referentes a segurança, tornou possível também a eleição de candidatos fantasia. Candidatos que ao final irão votar projetos que irão alterar nossas vidas. De maneira alguma culpo Tiririca ou seus eleitores. Afinal, não creio que Tiririca seja pior do que vários dos membros de nosso Congresso. Culpo sim a estrutura política brasileira que possibilita que pessoas sem qualquer preparo, e não raras as vezes sem qualquer escrúpulo, tenham tanto poder de interferir em nossas vidas. Não adianta reclamarmos de Tiririca: a solução está em diminuirmos o poder do Estado.

sábado, 11 de setembro de 2010

Uma data triste: 11 de setembro de 2001

Eu me lembro de 11 de setembro de 2001. Estava trabalhando quando alguém me avisou para olhar a internet. Fatos chocantes, mais de 5 mil pessoas inocentes: pais de família, bebes, crianças, idosos, mulheres. Cinco mil vidas deixaram de existir.

Mas outros fatos me chocaram naquela semana:

1) um número expressivo de professores universitários brasileiros parecia estar feliz com o acontecido;

2) pessoas honestas e de bem tentavam justificar aquele ato terrorista dizendo que os americanos finalmente tiveram o que mereciam;

3) numa academia um canalha usava uma camisa com a foto de Osama Bin Laden.

Alguns brasileiros estavam longe de estarem chocados com o ataque terrorista. Aproximadamente 6 meses após o 11/09 estive nos EUA. Andando pela Universidade do Texas vi algo incrível: uma manifestação mostrando o caráter pacífico do Islã. Nessa hora eu vi e admirei o caráter democrático e pacífico da sociedade americana. Em que outro país do mundo isso seria possível?

Esse blogueiro despreza terroristas. Desprezo assassinos que matam inocentes em nome de um "futuro melhor". Como se um futuro melhor pudesse ser construído a partir de um caminho criminoso como esse.

Este blog faz aqui uma singela homenagem a todos os inocentes e suas famílias que tiveram suas vidas destroçadas no dia 11 de setembro de 2001.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Onde está a crise americana?

Meus amigos, vocês notaram que de uma hora para outra a crise americana sumiu? Parece até que por um passe de mágica ela desapareceu. Para registro deixo claro aqui: quando muitas pessoas erram muito, por muito tempo e num volume de recursos altos, existe um custo a ser pago. A interferência do Estado NÃO ELIMINA esse custo, apenas o transfere e o posterga para o futuro. PIOR do que isso, a interferência do Estado distorce os incentivos, premia os piores, e estimula um comportamento que AUMENTA O TAMANHO E A DURAÇÃO da crise no longo prazo.

Pois bem meus amigos, a crise americana NÃO PASSOU. Os prejuízos ainda estão lá, os ajustes não foram feitos, e aconta terá que ser paga. Na surdina, estados americanos tomam medidas ridículas (tais como proibir o aluguel de casas), bancos continuam fazendo as trapalhadas de antes (contando com a ajuda financeira futura do governo), e nem de perto os consumidores reduziram seu consumo para suportar a perda de seu patrimônio (queda no valor das casas). Tal como os consumidores, o governo federal americano também não ajustou suas contas no volume necessário. Como diria o filósofo Capitão Nascimento (do filme “Tropa de Elite”): vai dar merda.

A ajuda fornecida pelo governo americano ao setor financeiro não acabou com a crise, apenas transferiu seus custos do setor financeiro para os contribuintes. Além disso, ao alterar o conjunto de incentivos da economia tornou uma crise passageira (tal como a esquecida crise de 1921) numa futura depressão (tal como a de 1929-33).

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Liberdade ou morte

Hoje, no dia de nossa independência, lembramos da famosa frase "Independência ou morte".

Acredito que hoje é o momento de todo brasileiro dizer "Liberdade ou morte". Temos que dar um basta no movimento de implementação de uma ditadura partidária que está se instalando no Brasil.

Já imaginaram o que estaria ocorrendo em nosso país se a eleição presidencial estivesse apertada, tipo 42% para Serra e 39% para Dilma? Já imaginaram o que pode ocorrer com nosso país se houver segundo turno para presidente? E mais ainda, se a disputa for acirrada?

Hoje só estamos observando eventos que ocorreram no ano passado, quando a disputa ainda parecia difícil. Se a disputa ainda estivesse apertada hoje, o que o PT e seus aliados (Lula incluído) não estariam fazendo?

Liberdade ou morte. Ditaduras partidárias não poupam ninguém.

domingo, 5 de setembro de 2010

O Genial Malandro

Há muito tempo atrás um comediante fez a seguinte piada durante uma entrevista de emprego: “Olhar o passado pra quê? Olhar currículo pra quê? Nós temos é que discutir minhas propostas para essa empresa!!!!”. Evidentemente o picareta nunca foi aceito para a vaga. Um malandro que ouvia a entrevista de emprego a contou para outro malandro, e de malandro em malandro essa idéia ganhou força não em entrevistas de emprego, mas em eleições para cargos públicos. Essa idéia cresceu tanto que hoje em dia é praticamente impossível se discutir sobre o passado de um candidato. Parece ser proibido perguntar o que o candidato já fez. Hoje é tudo na base do que ele irá fazer.

Quando era estudante de economia, me candidatei com uns amigos para o Centro Acadêmico. Nós vencemos a eleição com a seguinte proposta: “as mesmas de sempre”. Para a eleição presidencial acredito que a idéia central permanece válida: combater o crime, acabar com a fome, gerar prosperidade, etc. No final do dia, as propostas são quase sempre as de sempre. O que muda de candidato para candidato é sua honestidade e sua capacidade de cumprir suas promessas. E é justamente isso que parece ser proibido de se discutir no Brasil.

Essa idéia de discutir apenas propostas ajuda enormemente os picaretas, os bandidos, os vagabundos e os sem caráter. Não é a toa que ela é tão popular entre os políticos brasileiros. Além de se discutir propostas é vital que se discuta o passado de cada candidato. Assim, estivesse eu num debate com Dilma minha primeira pergunta seria “O que tem a dizer para as vítimas inocentes do grupo armado a qual a senhora fazia parte? A senhora pretende se desculpar por ter participado de um grupo que assassinou chefes de família inocentes?”. Por que será que é tão difícil fazer perguntas sobre o passado?

Quando eu cursava o doutorado tinha um colega que sempre dizia “vou fazer isso, vou fazer aquilo”. Até que um dia sugeriram a ele que parasse de falar no que iria fazer e começasse a fazer algo. Nunca mais vi esse colega, deve ter virado político.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Aviso de utilidade pública

Meus caros,

Há um bom tempo eu critiquei a medida do governo que possibilitava o uso do FGTS para a compra de ações APENAS da Petrobras (basta procurar no blog que você encontra meus argumentos).

Pois bem, o tempo passou e para variar mostrou que eu estava certo. Mas escrevo agora para alertar TODOS que compraram ações da petrobrás com recursos do FGTS. Por favor, vá imediatamente procurar alguém que entende do assunto ou você corre o risco de perder muito dinheiro. Motivo: com o advento do pré-sal a Petrobras irá lançar ações para se capitalizar.

A operação de capitalização da Petrobras ainda esta confusa, mas pode apostar: se o minoritário bobear vai perder MUITO dinheiro. Aliás, já estava na hora da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) dar o ar da graça e se manifestar sobre esse assunto.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

As Eleições de Fevereiro de 1933

Em 31 de janeiro de 1933 Hitler assumiu como Chanceler da República alemã. Rapidamente aproveitou a chance para convocar novas eleições parlamentares para 25 de fevereiro. Hitler tencionava com essa manobra usar todo o aparato estatal para fazer propaganda em favor do Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães (ou simplesmente partido nazista) e obter maioria parlamentar. Goebbels, seu assessor para propaganda, vibrou com a notícia e escreveu em seu diário “agora será fácil”.

Os nazistas mobilizaram toda a estrutura do governo, associada com toda a estrutura das SA (tropas de assalto do partido), para ao mesmo tempo convencer e aterrorizar os alemães sobre os nazistas. Uma semana antes das eleições os nazistas botaram fogo no Parlamento e culparam os comunistas. Por esse episódio você nota como foi o nível da campanha. Mesmo com tudo isso, os nazistas alcançaram apenas 44% dos votos. Isto é, insuficiente para formar uma maioria parlamentar, o que obrigou os nazistas a fazerem coligações, e ao menos deu mais tempo a Alemanha (pouco tempo é verdade). Mas o ponto importante é que mesmo em março de 1933, com Hitler já Chanceler, ainda era possível deter os nazistas.

Brasil, 01 de setembro de 2010. Será o nível da campanha petista tão diferente da dos nazistas? Não estão eles usando o poder do Estado? Não estão eles usando suas próprias SA (tais como o MST) para nos intimidar? O que quero dizer é simples: ainda temos uma chance de deter esses vândalos. Ainda é possível deter o mal. Ainda temos chance de destruir o embrião dessa ditadura que está se formando em nosso país.

Apenas a título de curiosidade histórica: os nazistas destruíram todos os partidos da Alemanha, tanto os que se oposuram a eles como os que os apoiaram. Perseguiram tanto os indivíduos que de início os apoiaram como os que se lhe oposuram. Ninguém foi poupado.

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