quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Mensagem de Fim de Ano: Jasão e os Argonautas

Para recuperar seu trono, Jasão deveria obter a lã de ouro. Para concluir tão perigosa missão, há aproximadamente 3.000 anos atrás foi reunida, pelo menos na mitologia, o maior grupo de homens que já haviam existido. Esse grupo foi denominado de Argonautas e constituíam-se de 50 heróis. Entre os argonautas estavam Hércules (o maior dos heróis da antiguidade), Calais (semi-deus do vento), Poriclimeno (tinha o poder de se transformar em qualquer animal marinho), Talau (rei de Argos) e Teseu (que matou o minotauro). Jasão conseguiu a lã de ouro e recuperou seu reino.

Minha interpretação dessa lenda versa sobre a valorização do mérito individual, sobre a importância de se cercar de pessoas de valor, de valorizar a inteligência, a coragem, a destreza e a lealdade. Já imaginaram a honra de poder fazer parte de um grupo tão nobre quanto os argonautas? O sucesso de Jasão não se deveu apenas a sua liderança e capacidade, mas sobretudo por ser capaz de se juntar a um grupo tão distinto de homens.

Que o exemplo de Jasão seja um guia para nossas vidas, que coloquemos ao nosso lado sempre pessoas de bem, que lutem conosco nossas batalhas, que nos apoiem em momentos difíceis e que, juntos em nossa busca pelo velocino de ouro, possamos retornar para casa vitoriosos. Que nossas vitórias sejam duradoras, pois estaremos lutando sempre ao lado de gigantes.

Um feliz natal, e um ano novo repleto de realizações para todos, são os votos do Blog do Sachsida.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Os anos 70 estão de volta...*

Abaixo segue meu artigo publicado ontem no Ordem Livre.

Na primeira metade dos anos 70, logo após o primeiro choque do petróleo, o mundo desacelerava seu ritmo de crescimento econômico. Enquanto isso, o Brasil ia na direção oposta. Fortes gastos públicos, estímulo governamental ao endividamento das empresas, e slogans do tipo “Ninguém segura este país” eram a marca registrada desse período. As consequências desse tipo de política econômica foram vistas nas duas décadas seguintes, quando o PIB per capita brasileiro cresceu, em média, insignificantes 1% ao ano.

Quatro décadas se passaram e parece que não aprendemos a lição. Vários países economicamente importantes estão em crise. O que o bom senso nos sugere? Sugere que é hora de gastar menos, poupar mais, fazer ajustes nas contas públicas e, acima de tudo, termos prudência e não iniciarmos grandes projetos que demandem excessivos recursos públicos. Ou seja, o governo brasileiro deveria fazer exatamente o contrário do que está fazendo.

Infelizmente, parece que o espírito da década de 70 está de volta ao Brasil. O governo está se aproveitando da queda da taxa de juros internacional, que abre espaço para quedas na taxa de juros doméstica, não para ajustar as contas públicas, mas sim para gastar mais dinheiro ainda. Cedo ou tarde o mundo sairá da crise, e quando isso acontecer a primeira preocupação dos Estados Unidos e da Europa será aumentar a taxa de juros para combater a inflação nesses países. Isto fará com que o Brasil seja obrigado a aumentar a taxa de juros doméstica, e com as contas públicas bagunçadas isso será um desastre do ponto de vista econômico e social.

O governo brasileiro segue hoje o mesmo tipo de política econômica que adotou na década de 70. O desastre subsequente, das décadas de 80 e 90, parece não ter sido o suficiente para nos ensinar a lição. Uma pena.

*: Este texto foi fruto de várias conversas com meu amigo, e professor da UnB, Roberto Ellery Jr.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Os 10 melhores filmes de guerra segundo o SB, comentados por Reblochon

Recentemente publiquei meu ranking com os 10 melhores filmes de guerra. O Selva Brasilis discordou inteiramente do post, então eu o desafiei a elaborar seu ranking. Abaixo segue o ranking do Selva Brasilis sobre os 10 melhores filmes de guerra. Em parênteses ficam os comentários do intelectual desconstrutivista francês Dr. Reblochon.

10) Capitao Corelli. (Excelente escolha. Um filme de guerra sensível que contrapõe o amor à guerra. Verdadeira obra de arte)

9) Top Gang (mais uma boa escolha do SB!!! Enquanto muitos consideram esse filme uma comédia, ele no fundo é uma violenta crítica à guerra e ao consumismo pós-moderno)

8) A Branca de Neve e os Sete Anões (verdadeiro clássico da luta do bem contra o mal, com a luta de classes como pano de fundo. A maneira como Branca de Neve explora os anões é a verdadeira trama psicológica desse clássico de guerra)

7) Treinando Papai (Escolha perfeita!!! Esse filme de guerra produzido pelos estúdios Disney retrata a luta de um pai para não cuidar da filha. A filha aqui representa a humanidade, e o pai é a figura do Criador. O filme explora o sentimento de vazio e a guerra interior da humanidade em busca da aceitação do Criador que lhe virou as costas)

6) Os Trapalhões na Mina do Rei Salomão (SB mostra um excelente conhecimento do cinema mundial, escolhendo um filme fora do eixo hollywoodiano ele demonstra conhecer a fundo as tribulações da alma. Os trapalhões mostram a luta de operários guerreando contra o capitalismo, aqui representado pelo rei)

5) Quando um Homem ama uma Mulher (Na mosca!!! Este clássico de guerra é o primeiro a explorar a guerra interna de um homossexual e sua constante batalha de negação de seu eu interior. Filme profundo, para ser assistido mais de uma vez)

4) Marcelinho pão e vinho (SB inclui esse filme na lista depois de uma conversa com o intelectual e livre pensador espanhol (da ilha de Canárias) Leon de Ledes. Marcelino representa na realidade a inocência do homem que luta para se libertar da dominação da igreja. É comovente a cena do sótão, quando Marcelino vê a luz que nada mais é do que o amanhecer atômico da humanidade)

3) Ghost, do outro lado da vida (Escolha que não pode faltar! Ghost representa a batalha entre a vida e a morte, entre o certo e o errado. Patrick Swayze está lindo no filme!!!)

2) 101 dálmatas (M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-O, primeiro filme que retrata a guerra desferida pelo homem contra a natureza, presença obrigatória em qualquer lista)

1) O Espelho tem duas Faces (suprema escolha!!!! Só um verdadeiro conhecedor da sétima arte para apreciar a fundo esse drama ambientado na guerra estética. Barbara Streiser e Nick Nolte estão deliciosos nessa trama que discorre sobre a mais antiga das guerras: a guerra pelo que é esbelto, pela forma perfeita. SB sabe tudo de cinema!!!)

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

"Uh, sai do chão, é o trem-bala do Peixão!” (Neymar)

"Uh, sai do chão, é o trem-bala do Peixão!” frase do grande intelectual, livre pensador e filósofo Neymar!!!!

Num mundo justo e racional, o Barcelona meteria 4 a 1 no Santos... mas quem disse que o mundo eh justo???? O blog do Sachsida faz uma fezinha que o espírito vencedor de Pelé vai contaminar o time santista no Domingo, e o Santos vai meter 4 a 2 no Barcelona.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Previsões do Sachsida para 2012

O ano de 2012 será uma dura provação para as contas públicas. O desastre, mais que anunciado, começa com o reajuste do salário mínimo que deve colocá-lo num patamar próximo a 620 reais por mês. Esse valor gera dois problemas automáticos: aumento no déficit da previdência social, e dificuldades gigantescas para prefeituras de cidades pequenas (que pagam um salário mínimo para boa parte de seus funcionários). Indiretamente, esse valor deve significar o desemprego para pessoas pouco qualificadas e jovens (os segmentos mais impactados pelo salário mínimo). As eleições municipais também serão um elemento a mais de pressão para o aumento do gasto público. A estratégia de gastar mais para tentar eleger mais prefeitos vai permear prefeituras, governos estaduais e governo federal. Pensam que acabou? Nada disso, com a justificativa de evitar os efeitos da crise, o governo federal vai aumentar ainda mais o gasto público federal. Em resumo, 2012 vai ser um ano de fortes gastos públicos.

Se o lado fiscal da economia vai mal, pior ainda vai o lado monetário: a moda agora é falar de medidas alternativas de combate à inflação. Bom, a maneira alternativa de combater a inflação (que não seja aumento dos juros) é a restrição ao crédito. Contudo, o governo já deixou claro que não irá restringir o crédito em 2012, pelo contrário adotará medidas para expandí-lo. Uma política monetária frouxa, associada a um gasto público em alta, sugerem uma inflação alta para 2012. Não será surpresa alguma termos uma taxa de inflação superior a 6% no próximo ano.

No que se refere ao crescimento da economia, a pior equipe econômica de todos os tempos continua acreditando que o gasto público é a resposta certa para a crise. E o que é pior, boa parte deles acredita que a carga tributária brasileira não é alta. Assim, não se espante se ao longo de 2012 você ouvir o governo sugerir novos impostos. Com o governo gastando muito, e tributando muito, é de se esperar um crescimento abaixo de 4% para 2012.

Em resumo, para 2012 espero uma inflação acima de 6% e um crescimento econômico abaixo de 4%. Mas fiquem tranquilos, 2013, 2014 e 2015 serão piores. Em 2013 teremos que corrigir os estragos de 2012, mas além disso os gastos públicos para a Copa deverão sair do papel. Como tais obras estão atrasadas, é evidente que a pressa em finalizá-las implicará num custo bem superior ao originalmente estimado. Em 2014, teremos os evidentes aumentos de gastos públicos decorrentes desse ano ser marcado por eleição presidencial. Pobre de quem assumir em 2015, esse será o ano do inevitável ajuste.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

O que eu disse em 2010 sobre 2011...

Em 24 de novembro de 2010, eu escrevi o post abaixo sobre o ano de 2011. Na época, a imprensa ressaltava que o país cresceria perto de 5% em 2011, e que a inflação não seria problema.

Sem falsa modéstia: credibilidade é construída assim.

2011: O Começo de um Longo Pesadelo

2011 será um ano ruim tanto do ponto de vista econômico como político. Do lado político teremos as quatro grandes forças éticas do país brigando entre si: PT e PMDB pelo controle do governo, PSDB brigando consigo mesmo para nada fazer, e o que sobrar do DEM tentando fazer alguma oposição (o que parece ser a única boa notícia no campo político).

Do lado econômico teremos a volta da inflação. Em 2011 a inflação começará sua escalada sob aplausos de boa parte dos que deveriam lutar para detê-la. As contas públicas continuarão bagunçadas, e a situação fiscal brasileira ficará cada vez mais deteriorada. Cedo ou tarde as operações parafiscais entre Tesouro e BNDES começarão a dar resultados: isto é, piorar ainda mais a situação fiscal. O petróleo do pré-sal (caso único no mundo onde uma empresa descobre petróleo e perde valor acionário) cobrará seu preço. O fracasso do trem bala (que o governo insiste em construir) se encarregará de mostrar a dura realidade: dinheiro não cai do céu.

O cenário externo também será um duro golpe: a crise americana (que por aqui os gênios julgam águas passadas) vai lembrar ao mundo (e ao Brasil) que o aval do governo NÃO É capaz de eliminar os custos de decisões erradas, ele é capaz apenas de transferir esses custos. O custo fiscal que vários países incorreram para salvar seus bancos irá começar a pressionar negativamente o crescimento econômico. Ajustes mundo afora terão que ser feitos, ajustes esses que marcarão 2011 como um ano difícil.

Mas, para o Brasil, a desgraça vai vir mesmo quando o governo, sob o aplauso dos especialistas, desvalorizar o câmbio por medidas artificiais. Esse erro gigantesco que será feito terá duas consequências imediatas: aumento dos juros e mais inflação. Mas fiquem tranquilos, com ministros da categoria de Guido Mantega e Miriam Belchior não temos o que temer...

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Perspectivas para 2012

‎2012 vai ser um ano difícil: 1) O BC já mostrou que nao combate a inflacao; 2) o governo ja anunciou que vai gastar mais pra combater a crise externa; e 3) cedo ou tarde a pior equipe econômica de todos os tempos vai querer controlar o cambio.... ai ferrou de vez.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Palhaçada na USP

Até quando vai continuar essa palhaçada na USP???

Ontem a diretoria do DCE deu um golpe para continuar no poder. Hoje, um professor foi agredido por dar aulas.... o que acontecerá amanhã?

Até quando o Reitor da USP vai continuar com sua leniência e covardia? Não existem mecanismos disciplinares nessa Universidade??? Picaretas podem promover badernas impunemente para atrapalhar o estudo dos alunos que querem aprender?

Até quando as autoridades públicas de São Paulo, aí incluído o governador, assistirão a essa baderna como se o problema não fosse com eles? Será que irão esperar pela morte de alguém para tomarem alguma decisão???

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Minha experiência no movimento estudantil

Abaixo segue meu artigo publicado ontem no Ordem Livre.

Nesses tempos de golpe no Diretório Central dos Estudantes da USP, nada melhor do que reavivar minhas memórias de quando participei do movimento estudantil, no Centro Acadêmico de Economia da Universidade Estadual de Londrina. Fui dirigente do CA de economia por dois mandatos, primeiramente como Primeiro-Tesoureiro, e depois como Primeiro-Secretário.

Estávamos em 1990 e eu era calouro na universidade. Então uma greve de alunos foi convocada. Não satisfeitos com a aprovação da greve, o movimento estudantil decidiu votar pela invasão da reitoria. Essa proposta foi colocada em votação e foi derrotada. Contudo, a assembleia não terminou por ai. Vieram discursos e mais discursos, todos salientando a falta de credibilidade da reitoria e do governo. Então veio a surpresa: a proposta de invadir a reitoria foi novamente colocada em pauta. Dado que muitos alunos contrários a essa idéia já tinham ido embora, a proposta tinha boas chances de ser aprovada. Nesse momento, me levantei e pedi a palavra: “Nós estamos aqui criticando a falta de credibilidade do reitor e do governador, mas estamos agindo igual a eles. Essa proposta já foi derrotada, votá-la novamente sugere pouca credibilidade de nossa parte”. Fui voto vencido, e a reitoria foi invadida naquela mesma noite. Eu fui pra casa.

Alguns meses depois, participei de uma chapa para concorrer ao CA de economia. Eu sempre ia as reuniões, e participava ativamente da divulgação dos eventos. Qual foi minha surpresa quando fui informado de que numa reunião, a qual eu não havia sido convidado, eu havia sido indicado para participar do conselho (e não da Primeira-Tesouraria). Como tenho personalidade forte, imediatamente ameacei me retirar da chapa, só assim fui reconduzido a posição original. Com o tempo, vim a saber que a pessoa que ocuparia meu lugar era filiada ao PT (aliás ele está em Brasília, num cargo alto do governo, atualmente). No meu segundo mandato no CA foram tantos desentendimentos que tive que pedir para sair. Basicamente, como nunca fui de esquerda, havia uma resistência enorme a projetos de minha iniciativa. Conheci bons amigos no meu tempo de CA, mas outros estavam ali apenas para marcar território para partidos socialistas.

De maneira geral, os engajados politicamente no movimento estudantil seguem sempre o mesmo ritual: reuniões, reuniões e mais reuniões. Basta que você não vá a uma delas para que propostas com as quais você nunca concordaria sejam automaticamente aprovadas. Outro truque é a série infindável de discursos: antes da votação das propostas existe algo como 3 a 4 horas de pessoas falando os prós e os contras da proposta. Ao contrário do aparente caráter democrático, essa embromação enorme tem outro propósito: fazer tantos discursos quanto os que forem necessários para o esvaziamento da plateia. Tão logo o aluno comum se canse de ouvir tantas besteiras (ou tenha que ir embora para trabalhar), e restem apenas uns poucos alinhados na plateia, a proposta é posta em votação. Em resumo, a sequência infindável de discursos tem como objetivo não o esclarecimento da plateia, mas sim o esvaziamento da mesma para que propostas mais radicais possam ser aprovadas em nome dos alunos.

Particularmente, acho pouco saudável que alunos possam intervir nas decisões de uma universidade. Universidade é lugar de meritocracia, universidade só é universidade porque uns estão lá ensinando e pesquisando, enquanto outros estão lá para aprender. Submeter a vida, e o destino, de professores e funcionários de uma universidade a um grupo passageiro de estudantes me parece uma decisão pouco inteligente.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

A Comunidade Econômica Européia e os Estados Brasileiros

Até a aprovação da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), os estados brasileiros eram livres para gastarem o que quisessem. Além disso, se os mesmos se tornavam insolventes (incapazes de pagarem suas contas) era obrigação da União socorrê-los. Na minha opinião, o melhor mesmo era que cada estado fosse livre para assumir dívidas mas sabendo que a União não iria socorrê-los em caso de necessidade. Como isso não foi possível, a LRF foi a segunda melhor opção (mesmo que no final os estados continuem a burlá-la).

A comunidade econômica européia é exatamente igual aos estados brasileiros pré aprovação da LRF: todos os países por lá são livres para gastar como bem entendem, mas quando vão à falência os outros países são obrigados a ajudá-los. Alguma dúvida de que esse desenho institucional não vai funcionar? Se a comunidade européia quer ter alguma chance de sucesso, então está na hora de deixar países como a Grécia irem a falência. Ajudar a Grécia só vai aumentar o estímulo para que outros páises, tal como a Itália, continuem sua trajetória fiscal irresponsável.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

O que você acharia se a polícia reforçasse o policiamento em seu bairro?

O que você acharia se a polícia reforçasse o policiamento em seu bairro? Você ficaria feliz se mais policiais, e mais viaturas, fizessem a ronda no bairro onde você mora?

Num país violento como o Brasil, só existe um lugar onde mais policiais não são bem vindos: a USP. Por que será que a minoria dos estudantes da USP quer distância da polícia? Será pela mesma razão de que traficantes não gostam da polícia na favela?

Que tal sugerirmos para esses valentes alunos que a polícia pare de fazer a ronda nos bairros onde eles moram? Afinal, se não querem a polícia na universidade também não devem querê-la perto de suas casas....

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Lula, o SUS, e o Almirante George Bowyer

Durante a batalha naval conhecida por Glorioso Primeiro de Junho (armada da Grã-Bretanha contra a armada Francesa), o Almirante George Bowyer foi ferido e perdeu a perda. Ao chegar a enfermaria para receber tratamento ele insistiu que se respeitasse o protocolo tradicional: aqueles feridos antes dele deveriam receber atendimento primeiro. A isso dá-se o nome de nobreza, honra. Será que podemos dizer o mesmo de nosso ex-presidente?

Acredito que todos nós fazemos escolhas na vida, e certamente somos responsáveis por elas. No Brasil, devido a precariedade do sistema público de saúde, é evidente que quem tem recursos prefere se tratar em hospitais privados. Então por que critico Lula? Critico Lula pois esse bufão era o mesmo que enobrecia o sistema público de saúde no Brasil. Esse bufão fez campanhas eleitorais enaltecendo as melhoras que ele providenciou na saúde pública. Era esse bufão que afirmava que "a saúde é quase perfeita", ou ainda que as Unidades de Pronto Atendimento (UPA) eram tão boas que "até da vontade de ficar doente para usar". Pois aí está sua chance para usá-las senhor ex-presidente.

Toda pessoa tem direito a fazer escolhas. Não se questiona o direito do bufão de escolher ser atendido no setor privado de saúde. Mas se questiona aqui seu comportamento moral: se o sistema público de saúde era tão bom para os outros, então por que ele mesmo não o usa? A resposta é simples: Lula não é o Almirante George Bowyer, honra e dever não são suas maiores preocupações.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

A Notícia Mais Importante do Ano

Semana passada ocorreu, com pouca atenção da imprensa, o fato mais importante do ano para o Brasil: a vitória da chapa Aliança pela Liberdade para o Diretório Central de Estudantes da Universidade de Brasília. Pela primeira vez na história os alunos da UnB elegeram uma chapa não vinculada a partidos políticos. Em vez disso, escolheram uma chapa com nítido viés liberal. Viés liberal que foi pejorativamente taxado de conservador pelos adversários derrotados. Liberal no sentido de lutar pela UnB, e não contra a dominação americana. Liberal no sentido de brigar por melhores banheiros, e não contra a dívida externa. Liberal no sentido de propor melhorias na UnB, e não dar sugestões de política econômica.

Por que esse foi o fato mais importante do ano para o Brasil? Simples, pois ele sugere que até mesmo os alunos de universidades públicas já estão cansados da baderna esquerdista. Os alunos da UnB que votaram numa chapa anti-esquerdista semana passada, serão os mesmos que não votarão em candidatos de esquerda nas próximas eleições. As lideranças que venceram a eleição talvez sejam as mesmas que vencerão outras eleições no futuro. Esse é o recomeço, é a volta dos ideais de liberdade e responsabilidade individual. Toda grande mudança começa com um primeiro passo, a vitória desse valente grupo na UnB é o presságio de novos tempos. Tempo em que a esquerda perdeu o absurdo monopólio de ser considerada portadora da verdade e da bondade. O que foi demonstrado na UnB é que defender idéias de liberdade individual – contrárias ao agigantamento do Estado e em prol da validade da lei e do estado de direito – é uma bandeira que rende votos, é uma causa a ser defendida por nossa sociedade.

Quem sabe os partidos políticos aprendam com a lição da UnB. Quem sabe os políticos aprendam a lição: liberdade individual, propriedade privada, e manutenção do estado de direito, são as grandes bandeiras da sociedade brasileira em prol do desenvolvimento econômico, em prol de uma sociedade mais justa e menos desigual.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

O que nos espera em 2012?

Segue meu artigo publicado no Ordem Livre.

Os últimos acontecimentos referentes ao Banco Central do Brasil deixa claro que o combate a inflação deixou de ser prioridade. Quando um país estabelece uma meta de inflação de 4,5% ao ano, podendo chegar até 6,5%, isso parece aquele time de futebol que se coloca como meta perder “apenas” de 3 a 0. E o pior, o BACEN sequer consegue esse objetivo. Alguém duvida que, para 2012, a mesma leniência ao combate a inflação irá continuar? Alguém dúvida que, para esse governo, uma inflação de 6% não é problema?

Se o lado monetário da política econômica vai mal, o que dizer do lado fiscal? Truques, enrolação, equipe formada por viés ideológico (e não por talento ou capacidade), são a regra no que diz respeito aos Ministérios da Fazenda e Planejamento. Quando um time tem Pelé e Garrincha, você sabe que pode vencer a qualquer momento. Quando seu time tem Guido Mantega e Miriam Belchior você sabe que é questão de tempo para uma catástrofe acontecer. Alguém pode justificar a recente medida referente ao IPI elaborada pela equipe econômica? Esses são os talentos que estão a frente da política fiscal.

Existe uma fantasia sendo disseminada nos jornais: o lado fiscal da economia vai bem, prova disso seriam os superávits primários do governo. Nada mais equivocado do que tal análise. O lado fiscal do governo está em frangalhos, está se sustentando única e exclusivamente por causa das arrecadações tributárias recordes que estão ocorrendo. Ao contrário do que diz a boa prática, o ajuste fiscal brasileiro está sendo feito a base de aumentos da arrecadação, e não devido à reduções no gasto do governo. Adivinhem o que irá ocorrer quando a economia der uma “engasgada”, e os recordes de arrecadação desaparecerem. Inclua aqui o aumento do salário mínimo para vigorar em 2012, a necessidade de mais recursos públicos para as obras da Copa e das Olímpiadas, e o aumento tradicional dos gastos públicos que antecedem as eleições.

Inflação alta e situação fiscal deteriorada, isso é o que nos espera em 2012. Como um país nessa situação espera ter um crescimento sustentável no longo prazo?

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

A Europa do Cerrado, escrito por Rodrigo M. Pereira

Texto escrito por Rodrigo M. Pereira

A revista The Economist elaborou recentemente um mapa do Brasil, onde compara os estados brasileiros a países, considerando o PIB, o PIB per capita, e a população. Em termos de PIB, temos no Brasil uma Polônia (estado de São Paulo), uma Cingapura (RJ), ou uma Swazilândia (Roraima). Fica bem claro que a distribuição regional do PIB brasileiro ainda é incrivelmente desigual, com o PIB de São Paulo sendo quase três vezes o PIB do Rio de Janeiro, o segundo estado mais rico da federação, e dezenas e até centenas de vezes maior que o PIB dos estados mais pobres.

Em termos de população temos dentro do Brasil por exemplo uma Argentina (estado de São Paulo), um Paraguai (Santa Catarina), ou uma Mongólia (Distrito Federal). A heterogeneidade na distribuição da produção parcialmente se explica pela heterogeneidade na distribuição da população sobre o território. Parcialmente, porque o resto da diferença vem de uma enorme desigualdade da renda per-capita. De fato, o que mais impressiona no mapa da The Economist são os dados de PIB per capita. Temos no Brasil uma Tonga (Maranhão, com US$3.327 per capita por ano), e uma Geórgia (Piauí, com US$2.929), mas também uma Rússia (RJ, US$11.786), ou uma Polônia (SP, US$13.331). As desigualdades regionais são naturais e existem em qualquer economia, mas no Brasil as diferenças são gritantes. Nos Estados Unidos, por exemplo, os 11 estados do sul do país que formaram a confederação tiveram suas economias devastadas pela guerra civil. Historicamente sempre foram mais pobres, mas houve um processo de convergência. Hoje, a renda média familiar nesses 11 estados corresponde a 90% da renda média familiar do país como um todo. No Brasil isso ainda está longe de acontecer.

Então eis que se destaca o incrível Distrito Federal, com US$ 25.062, uma mini-Europa dentro do terceiro mundo. Comparável a uma nação desenvolvida como Portugal, com renda-per-capita de US$23.844. Inexplicável, certo? Um enigma. Como uma unidade da federação que não possuiu parque industrial, não possui vasta produção agrícola pode ter indivíduos com uma renda média de quase duas vezes a renda média do estado mais rico da federação? A chave do enigma tem duas palavras: Governo Federal. A verdade é que o governo no Brasil é um Robin Hood ao contrário. Ele tira dos pobres para dar para aos ricos. Ele tem uma mão pesada que agarra 40% de tudo que é produzido em Tonga, na Geórgia e demais recantos desafortunados do país, inundando nossa mini-Europa do cerrado com dinheiro farto. Esse dinheiro vai remunerar um funcionalismo público, sobretudo um legislativo e um judiciário, com rendas vergonhosamente desalinhadas com a realidade do país. É também esse dinheiro que faz com que os melhores engenheiros, médicos e economistas do país abandonem suas ocupações na iniciativa privada pra virar improdutivos funcionários públicos.

Mas uma parte desses 40% do PIB brasileiro que o Estado toma vai alimentar os inúmeros esquemas de corrupção e desperdício de dinheiro público que ocorrem em Brasília. É o nosso Karma. Cada país tem o seu. Nos Estados Unidos, por exemplo, o Karma de desperdício de dinheiro público são os gastos militares. A diferença, contudo, é que gastos militares são por definição, gastos. Eles dinamizam a economia, geram empregos, produção, via o que se conhece como multiplicador keynesiano. No Brasil, o dinheiro que alimenta a corrupção não é gasto, em geral é entesourado em contas na Suíça. Seu efeito sobre a prosperidade do país é nulo. Na melhor das hipóteses, ele dinamiza as economias dos países que exportam os Porsches, Ferraris, Camaros e outras maravilhas tecnológicas que despontam cada vez mais na paisagem de nossa Europa do Cerrado.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

As previsões do Sachsida pro Brasileirão

Candidatos ao título: 1) Corinthians que desde que copiou o São Paulo e passou a comprar a arbitragem é sempre um adversário perigoso; 2) Flamengo é time de chegada, tem ótimas chances; e 3) Fluminense é campeão, e sempre devemos respeitar um campeão. Além disso, tem a sequência de jogos mais leves de todos os postulantes ao título.

Candidatos a libertadores: 1) Vasco é um bom time, mas chegou aonde dava, tem a sequência mais difícil de todos os times que estão na ponta; 2) Botafogo, por alguma razão ainda vai arruinar sua temporada. Afinal, é o Botafogo; 3) São Paulo, contas antigas sempre valem alguma coisa....

Esqueçam: Palmeiras e Internacional. Vão ficar aonde estão, fora da libertadores.

Rebaixamento: 1) América sem discussão. 2) Avaí por merecimento. 3) Atlético paranaense (se houver justiça no mundo... sem sombra de dúvidas é o time mais mala do brasileirão, merece a segunda ou terceira ou quarta divisão). 4) Cruzeiro... o time do Cruzeiro é o caso clássico da passada de mão... alguém passou a mão em alguém ali e o time descambou...

Surpresa
: Atlético mineiro não vai ser rebaixado. Vai escapar na última rodada vencendo o Cruzeiro.

domingo, 16 de outubro de 2011

Mais sobre o 11 de setembro

O tempo passa, mas ao invés de esclarecimento vejo vários colegas indo na direção oposta... passeando pelo facebook, blogs e chats, vejo manifestações que diminuem a gravidade dos ataques terroristas de 11 de setembro. De maneira geral, beira o absurdo o nível de estupidez (pra não dizer maldade) dos que querem diminuir a tragédia. Os argumentos dessas pessoas são quase sempre os mesmos, e de maneira geral podem ser divididos nos seguintes tópicos: os EUA usaram bombas atômicas no Japão, os nazistas mataram muito mais gente, o imperialismo americano mereceu, esse não foi o maior atentado terrorista da história, e 3.000 pessoas não são tantas pessoas assim.

Quanto ao argumento de que os EUA usaram bombas atômicas no Japão, devemos lembrar que isso ocorreu em tempo de guerra declarada. Comparar isso com ataques a civis em tempos de paz é maldade pura. Certamente, para estes “bravos” não faz diferença atacar covardemente pelas costas....

Argumentar que os nazistas mataram mais gente, daí o 11 de setembro não ser tão importante, esconde uma ignorância profunda: tenta mostrar que nazistas e terroristas são de estirpes distintas. ERRADO. Os terroristas são exatamente iguais aos nazistas: querem impor sua vontade à força aos outros. A única diferença entre eles é que os nazistas tiveram mais recursos a sua disposição. De a terroristas os mesmos recursos que a Alemanha Nazista tinha e o desastre será o mesmo.

O imperialismo americano mereceu é certamente o argumento que funciona num bar, para impressionar a gatinha lesada da cabeça, mas não resiste a perguntas simples. Que imperialismo? Desde quando os EUA tem colonias? Outro detalhe, os países vizinhos do Brasil nos acusam de imperialista. Será que isso justifica um ataque a nossos civis?

Esse não foi o maior atentando terrorista da história... 3.000 inocentes não são tantas pessoas assim. Argumento estúpido, imbecil, e cruel. Usando a definição padrão de ataque terrorista (que os “gênios” deveriam conhecer), o 11 de setembro foi sim o maior ataque terrorista da história. Por fim, a esses “gênios” tenho uma pergunta, qual é o número? 50? 200? 600? Quantos inocentes precisam morrer para vocês classificarem esse ato como bárbaro?

domingo, 9 de outubro de 2011

Gênio é gênio!!!

"A escravidão é uma condição humana tão vil e deplorável, tão diametralmente oposta ao temperamento generoso e à coragem de nossa Nação, que é difícil conceber que um inglês, muito menos um fidalgo, tomasse a sua defesa". (John Locke)

Mas se a escravidão é tão deplorável ao espírito humano, então por que a ela tem sido a regra na história da humanidade? Por que é tão difícil para muitos compreenderam que nenhuma conquista humana está a salvo?

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Perdas em bolsas são perdas reais?

O presidente do Banco Central enfatizou que as perdas nas bolsas de valores, nos últimos quatro meses, foram de aproximadamente 10 trilhões de dólares. Isso daria uma magnitude do tamanho da crise internacional. Contudo, tenho uma dúvida: perdas nos mercados financeiros são perdas reais? Em que magnitude tais perdas podem afetar o lado real da economia?

Quando os investidores perdem 10 trilhões nas bolsas de valores isso tem um efeito direto na capacidade futura de investimento. A queda de valor nas companhias implica em menor rentabilidade para quem investiu nelas, o que diminui o estímulo a novos investimentos. Como as companhias passam a valer menos, sua capacidade de obter empréstimos também diminui, o que novamente afeta negativamente seu investimento. A expectativa de lucros menores no futuro também é outro fator a diminuir o investimento da companhia.

Sim, existem argumentos suficientes para se inferir que perdas no setor financeiro podem impactar negativamente no setor real da economia. Contudo, uma distinção importante deve ser feita: uma coisa é uma bomba (ou um terremoto) destruir 10 trilhões de dólares de ativos, outra bem diferente é essa perda se dar em bolsa de valores. No primeiro caso, o estoque de capital da economia se reduziu. A capacidade de produção diminuiu, a riqueza real foi diretamente afetada. No segundo caso a perda pode ser revertida. Ou ainda podemos dizer que o mercado apenas passou a precificar corretamente um desvio do passado. Ou seja, não é tão claro que a capacidade de produção da economia tenha se encolhido nesses 10 trilhões de dólares.

No final do dia o que vale é quanto uma economia é capaz de produzir em bens e serviços. Chamar isso de 1 bilhão ou 10 trilhões de dólares só faz diferença se a quantidade efetivamente produzida for diferente.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

A Crise Grega

Abaixo segue meu artigo publicado no Ordem Livre.

As bolsas de valores ao redor do mundo sobem e descem continuamente. A rigor, ninguém deveria ser capaz de explicar movimentos de sobe e desce no curto prazo. Afinal, se fosse capaz de se antecipar a isso o investidor faria uma fortuna sem risco. Quando uma bolsa despenca 10% num dia, a probabilidade de alta no dia imediatamente seguinte é alta. Espertamente, os especialistas em mercado financeiro atribuem tal alta não a um fato normal de mercado, mas sim à expectativa de aprovação de pacotes de ajuda governamental.

Em determinado dia as bolsas caem, caíram porque um número grande de empresas fez escolhas erradas. Novamente, espertamente, os especialistas do mercado (os mesmos que perderam bilhões de dólares) atribuem a queda nas bolsas não às más decisões tomadas no passado, mas sim à não aprovação de pacotes de ajuda financeira.

Notaram o artifício? Existe uma pressão enorme para aprovar a qualquer custo o pacote de ajuda a governos e empresas que foram irresponsáveis no passado. A bolsa subiu, então é porque o mercado acredita que o governo (ou a comunidade internacional) vai ajudar. Ou seja, se o FMI ou a União Europeia não ajudarem, o caos voltará a imperar.

Se a comunidade internacional não ajudar a Grécia o mundo não irá acabar. O lado financeiro de determinados países é o rato que ruge. Faz muito barulho, mas não tem tanto poder assim para gerar uma crise mundial. Mesmo a ideia de que a crise grega pode se espalhar pela Europa é confusa.

Vejamos: será mesmo que ajudar a Grécia irá evitar que outros países tenham problemas? Claro que não. Ajudar a Grécia significa apenas transferir o ônus do ajuste grego para o resto da Europa. Isso não elimina o prejuízo, apenas o reparte entre os países.

Quando muitas pessoas, por muito tempo, cometem erros sistemáticos sempre existe um custo a ser pago. Empurrar esse ajuste para a comunidade internacional não elimina o prejuízo, apenas o redistribui. Pior do que isso: gera a sinalização errada para todos os governos. Isto é, sinaliza que a irresponsabilidade fiscal compensa.

domingo, 25 de setembro de 2011

Mais sobre a recente desvalorização cambial

O real sofreu uma razoável desvalorização. Qual o motivo disso? Evidentemente, qualquer resposta esta sujeita a críticas, e involve uma certa parcela de crenças. Abaixo segue minha resposta.

O primeiro motivo reside no ambiente de instabilidade internacional. Questões referentes a crise grega, e seus desdobramentos, lançam incertezas na economia. Para se proteger, os investidores procuram um ambiente seguro, isto é, títulos da dívida pública americana. Esse movimento fortalece a posição da moeda americana.

O segundo motivo reside na queda dos juros no Brasil. É natural que juros nominais mais baixos, associados a uma inflação mais alta, diminuem a atratividade de aplicações em reais. O que por sua vez gera uma perda de atratividade da moeda doméstica em relação ao dólar.

Por fim, temos a questão da inflação. Uma inflação nacional mais alta do que a inflação internacional também pressiona por uma desvalorização do real. Essa última explicação, apesar de evidente nos livros texto de economia, parece estar sendo negligenciada por boa parte dos analistas. Se é verdade que desvalorizações cambiais tem impacto na inflação, também é verdade que taxas de inflação elevadas pressionam por desvalorizações do câmbio.

Acredito que a recente alta do dólar vai se estabilizar. Por hora não vejo grandes problemas. Contudo, o que a recente desvalorização do real mostrou é que nossa economia não caminha tão bem como muitos suponham.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Mais impostos para as pessoas de sucesso

O presidente americano, Barack Obama, parece ser favorável a aumentar a taxação dos ricos, e deve enviar proposta ao Congresso Americano nesse sentido. Tal idéia, que é antiga, ganhou força com o bilionário Warren Buffet argumentando que pagava pouco imposto. Em minha opinião, taxar grandes fortunas, ou taxar pesadamente os salários mais altos, é uma má idéa. Esse post tenta endereçar os problemas associados a esse imposto.

Em primeiro lugar, devemos lembrar que Buffet paga pouco imposto porque gasta muito dinheiro tentando se livrar de tais impostos. Já que ele acha que paga pouco imposto, então ao invés de sugerir que o governo cobre mais dos outros deveria ele mesmo pagar mais impostos. Uma maneira simples de fazer isso era determinar a seu contador que evitasse fazer uso das deduções legais.

Em segundo lugar, devemos nos lembrar da questão moral: qual é o argumento moral para se cobrar mais impostos de quem teve mais sucesso? Deveríamos cobrar mais impostos dos mais bonitos? Afinal, eles também se beneficiam dessa vantagem. Devemos lembrar que o sucesso, na grande maioria das vezes, é consequência de escolhas passadas: estudar mais, trabalhar duro, se esforçar nos finais de semana, evitar virar a noite na farra, etc. Ora, por que deveríamos cobrar mais impostos de quem fez escolhas sensatas no passado? Por que preguiçosos e bebuns no passado teriam o benefício de pagar proporcionalmente menos impostos?

Em terceiro lugar, devemos olhar a questão dos incentivos: pessoas de sucesso costumam ter jornadas intensivas de trabalho. Seu sucesso, na maior parte das vezes, é consequência de sua produtividade mais alta. Isto é, temos pessoas de alta produtividade trabalhando muito. Isso aumenta a produtividade e a eficiência da economia. Taxar a mais tais pessoas equivale a reduzir sua oferta de trabalho e, em última instância, reduz a produtividade e o crescimento de toda economia.

Em quarto lugar, devemos lembrar que taxar grandes fortunas tem um problema adicional: desestimula a poupança na economia. Afinal, pra que poupar se o governo vai taxar isso? Melhor ir pra praia e gastar mais com lazer. Em resumo, como diria Abraham Licoln: não se melhora a situação do pobre piorando a situação do rico.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Apagando a luz do fim do túnel

Texto escrito por Rodrigo M. Pereira.

O decreto 7.567 publicado hoje no Diário Oficial da União apaga definitivamente a luz que se acendia no fim do túnel do mercado de automóveis no Brasil. O decreto, é na verdade uma costura da ANFAVEA junto com o Ministério da Fazenda para mais uma vez lesar o consumidor brasileiro, e defender os interesses do cartel das montadoras. Com ele, aumenta-se muito o IPI sobre os carros das fábricas asiáticas. Carros que pela primeira vez na história da indústria automobilística brasileira conseguiram incomodar as montadoras tupiniquins, sempre protegidas da concorrência externa. O imposto de importação, por exemplo, é de 35% e já está no limite máximo permitido pela Organização Mundial do Comércio (OMC). Aumentá-lo traria retaliações comerciais ao Brasil. É aí que entra a inventividade do cartel tupiniquim: basta aumentar o IPI para todas as marcas, com cláusulas de isenção desenhadas na medida para beneficiar os associados do cartel. E continuar a vender Milles, Kombis, Celtas e Ka´s sem ser incomodado por esses veículos moderninhos que vêm do oriente. Um detalhe: dos pouco mais de 400 mil carros importados que entraram no Brasil em 2011, mais de 300 mil foram importados pelo cartel tupiniquim, basicamente de suas fábricas mexicanas e argentinas. Esses serão isentos do aumento de IPI.
As quatro grandes montadoras locais (Fiat, VW, GM e Ford) são um grande monopólio: elas têm juntas 73% do mercado. Em qualquer outro grande mercado automobilístico do mundo as quatro maiores empresas sequer chegam perto de ter tamanha fatia do mercado. Como em todo monopólio, os preços ao consumidor são altos. Nesse caso, muito altos. A diferença de preços dos carros brasileiros para modelos idênticos vendidos no resto do mundo é grotesca, absurda. Qualquer carro produzido no Brasil custa entre duas a três vezes o que custa no resto do mundo. Bastam alguns minutos para entrar em sites da Ford Norte-Americana, da Nissan Sul-Africana, da Renault francesa, da VW Mexicana, ou da GM Chilena, e comparar os preços de modelos idênticos aos vendidos no Brasil. Isso quando a comparação é possível, porque muitas carros brasileiros são tão ruins, com projetos tão defasados, que não têm mercado em nenhum lugar do mundo, exceto o Brasil. A diferença de tributação não explica a diferença de preços. A explicação está no lucro, o chamado Lucro Brasil (conforme artigo recente de um renomado jornalista automotivo). E esse lucro é tão alto, que mesmo com uma enorme barreira à entrada na forma de um imposto de 35%, vem atraindo os concorrentes asiáticos.
Ainda é possível que o decreto seja considerado ilegal, uma vez que ele tem efeito imediato, inclusive para automóveis que já foram embarcados para o Brasil, com contratos fechados. Ou então que as empresas lesadas recorram à OMC, pois trata-se claramente de um aumento do imposto de importação disfarçado de aumento de IPI. Em todo caso, é incrível como ainda no Brasil um grupo consegue defender tão bem seus interesses ao custo de uma piora do bem-estar de milhões de consumidores. Ou alguém duvida que uma vez aniquilada a concorrência asiática as montadoras locais vão voltar a aumentar preços? E assim vai se apagando a luz no fim do túnel.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Desvalorização Cambial e Inflação

Nos últimos dias o real sofreu uma expressiva desvalorização frente ao dólar americano (desvalorização de 8,7% em 10 dias). Com isso surgiram especulações sobre o efeito dessa desvalorização cambial sobre a inflação no Brasil. O nome técnico disso é pass-through, isto é, o grau de repasse aos preços domésticos de uma desvalorização cambial.

A idéia de que uma desvalorização cambial pode afetar a inflação é simples: boa parte dos bens consumidos no Brasil ou vem de fora do país ou são produzidos com insumos externos (ou ainda tem seus preços definidos no mercado internacional). Dessa forma, uma desvalorização cambial aumenta o preço de tais bens, e em última instância, afeta a inflação.

Apesar de fazer muito sentido, devemos lembrar que nem toda desvalorização cambial é repassada aos preços domésticos. Existem diversas razões para isso não ocorrer (sendo a existência de contratos a principal delas). Outro detalhe importante é que nem toda desvalorização cambial é uma tendência, muitas vezes o câmbio desvaloriza hoje mas volta a se valorizar no mês seguinte. Alguns estudos técnicos também afirmam que o grau de pass-through depende do estado da economia, ou seja, em ambientes de estabilidade econômica esse efeito é baixo. Também cabe ressaltar que o IPCA (que é o índice utilizado pelo Banco Central no regime de metas de inflação) costuma ser rígido a mudanças cambiais. Vários estudos técnicos têm, inclusive, dificuldade de encontrar efeitos significativos de desvalorizações cambiais sobre o IPCA para horizontes curtos de tempo.

De maneira geral, acho ser pouco provável que a atual desvalorização cambial afete diretamente a taxa de inflação para 2011. Contudo, tal desvalorização pode ter efeitos mais severos em 2012. Sobretudo por um canal indireto: a desvalorização cambial pode afetar as expectativas de inflação, e estas sim tem impacto forte e rápido sobre a taxa de inflação.

domingo, 11 de setembro de 2011

Lembranças do 11 de setembro

Me lembro bem do dia 11 de setembro de 2001. Estava trabalhando na home page do Departamento de Economia da UCB quando recebi a noticia. Imagens tristes de um ataque covarde. Mas, mais forte do que essas imagens, o que mais me surpreendeu foi a desprezível reação de alguns colegas a tão trágico evento.

Na semana seguinte ao ataque, era comum ver professores da UnB felizes com esse fato. Também tive a lastimável oportunidade de ver uma pessoa usando uma camisa com a foto estampada de Bin Laden. De maneira geral, tive a impressão de que muitas pessoas não entenderam que mais de 3.000 civis foram mortos nesse episódio.

No começo de outubro de 2001 estive nos EUA. Foi aí que notei algo que seria impensável em outro lugar do mundo: visitando a Universidade do Texas em Dallas me deparei com uma exposição sobre a beleza do islã. Isso mesmo, 3 semanas após o ataque, havia dentro da universidade um enorme movimento para mostrar que o islã é uma religião pacífica e, mais do que isso, ninguém se opunha a isso. Pelo contrário, os americanos demonstravam respeito. Alguém consegue imaginar outro lugar no mundo onde isso seja possível? Imaginem se um bando de argentinos malucos explodem covardemente 3.000 brasileiros. Seríamos magnânimos o bastante para ter a mesma atitude da Universidade do Texas?

É difícil entender o crescimento do antiamericanismo no mundo. De minha parte, digo apenas que temos que admirar um país que cresceu pelo trabalho de seus habitantes, e onde a norma máxima é: todos são capazes de realizar seus sonhos. Sim, é um pelo ideal. Sim, existem problemas nos EUA. Mas, acima de tudo, temos que respeitar um país cuja população acredita que um homem pode sempre se fazer sozinho.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Regime de Metas de Inflação?

Recentemente o Banco Central anunciou a decisão de baixar a taxa de juros para 12% ao ano (um corte de 0,5 pontos percentuais em relação a antiga taxa). Muitos analistas se mostraram chocados com tal decisão. O motivo é simples: a inflação atingiu 6,9% no acumulado dos últimos 12 meses, isto é, acima do teto da meta de inflação (que é de 6,5%). Dessa forma, esperava-se que o BACEN mantivesse uma agressiva política de juros para combater o processo inflacionário.

Particularmente, nunca fui um grande fã do sistema de metas de inflação. Contudo, acredito que seja melhor mantê-lo do que ir para algum regime sem rumo. O objetivo desse post não é discutir se a decisão do BACEN (de baixar os juros) foi correta ou não. O objetivo aqui é mostrar o óbvio: o regime de metas de inflação só existe no papel, na prática deixou de existir.

Existem motivos para justificar a decisão do BACEN: possível retração da economia, a redução dos juros melhora a situação fiscal, entre outros, são alguns bons argumentos que podem sustentar a queda dos juros. Ou seja, existem motivos honestos que justificam a decisão do BACEN. Contudo, é difícil aceitar tais motivos DENTRO de um regime de metas de inflação. O regime de metas de inflação depende, em larga escala, de sua habilidade de ancorar as expectativas futuras de inflação. Mas, nas circunstâncias atuais, a redução dos juros atua justamente na direção oposta: diminui a credibilidade do BACEN, fazendo deteriorar as expectativas futuras de inflação.

Tal como esse blog já alertou há um bom tempo atrás, o regime de metas de inflação deixou de operar no Brasil. Desnecessário dizer que José Serra, aquele que deveria ser o líder da oposição no Brasil, aprovou a decisão do BACEN. Com uma oposição como essa, fica difícil ao BACEN manter uma posição de independência. Afinal, parece que tanto o governo quanto a oposição querem o mesmo: mais inflação e menos rigor no combate do processo inflacionário.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

O Brasil e a Crise

Abaixo segue meu artigo publicado no Ordem Livre.

Estados Unidos e Europa parecem estar sofrendo os efeitos de uma crise que insiste em não chegar ao Brasil. Ledo engano. Os economistas do governo alardeiam por todos os cantos que o Brasil está pronto para enfrentar a crise. Estão errados. O objetivo deste artigo é explorar o porque da crise ainda não ter chegado ao Brasil, e a razão pela qual a mesma deixará estragos consideráveis em nossa sociedade.

A crise atual nas economias desenvolvidas resulta de um grave desequilíbrio fiscal: vários países usaram de artifícios contábeis para maquiar problemas graves de déficits públicos. Além disso, vários desses países aumentaram exponencialmente o gasto público com a justificativa de combater a crise financeira de 2007-09. O resultado dessas ações pode ser visto na crise atual. A solução para essa crise não é aumentar os gastos do governo, mas sim reduzí-los.

A primeira pergunta que nos propomos a responder é: por que a crise ainda não chegou ao Brasil? Não chegou ainda, pois aqui a situação fiscal de curto prazo não é das piores. Bem ou mal, o governo brasileiro tem conseguido manter o endividamente público dentro de cifras razoáveis. Contudo, aos poucos o governo brasileiro vem se distanciando desse comportamento prudente (herdado ainda da época de FHC) para se aventurar em situações, no mínimo, inusitadas. Os constantes aportes do Tesouro para o BNDES financiar empresas é apenas um dos inúmeros erros de política fiscal que estão sendo cometidos. Erros que com o tempo irão cobrar seu preço. Ou seja, ao analisarmos as perspectivas de finanças públicas no longo prazo, fica evidente o desastre que está por vir para a nossa sociedade.

A segunda pergunta: estamos preparados para crise? A resposta é não. Olímpiadas, Copa do Mundo, Previdência, Usina de Belo Monte, Trem Bala, relação Tesouro-BNDES, entre outros temas, são políticas erradas que pressionam demais o erário público, e que irão comprometer a situação fiscal brasileira no longo prazo.

A crise vai chegar ao Brasil, e irá chegar pelo mesmo canal que hoje afeta os países desenvolvidos: deterioração das contas públicas.



segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Mais Inflação menos desemprego???

Uma das relações mais estudadas da macroeconomia refere-se a curva de Phillips. Isto é, sobre a possível existência de uma correlação negativa entre inflação e desemprego. Se tal relação existir, então um aumento da inflação pode diminuir as taxas de desemprego, aumentando assim a produção e a riqueza da economia.

Apesar de ser objeto de intensa atenção entre os pesquisadores, a curva de Phillips continua a despertar dúvidas. Existe, entretanto, um consenso: no longo prazo a curva de Phillips é vertical. Em palavras, no longo prazo mais inflação não diminui o desemprego. Sendo assim, se for válida, a curva de Phillips vale apenas para o curto prazo.

No Brasil, uma boa parte dos economistas do governo gosta de acreditar que um pouco de inflação não faz mal a ninguém. Acreditam que uma inflação ao redor de 7 ou 8% ao ano não é um grande problema. Daí sua insistência em ir contra o aumento das taxas de juros (realizadas pelo Banco Central) para combater a inflação. Segundo tais economistas, se o Banco Central não aumentasse os juros teríamos um pouco mais de inflação, mas também teríamos mais empregos. Ou seja, eles apostam em alguma versão da curva de Phillips.

Na prática, para o Brasil, os resultados sobre a curva de Phillips variam consideravelmente dependendo das variáveis utilizadas, do período de tempo analisado, e sobretudo da metodologia econométrica adotada. E não é incomum encontrarmos indícios de não-linearidade: isto é, a curva de phillips valeria no estado A da natureza, mas não no estado B. Isto implica que o ambiente institucional (econômico, externo, etc.) também influencia o resultado.

Particularmente, sou contrário a idéia de que mais inflação pode ser benéfico. Acredito ser este um caminho errado, e que rapidamente pode nos levar a situações difíceis de longo prazo. Contudo, quando vejo a atitude do governo não consigo imaginar como ele pretende combater a inflação. Pelo contrário, a cada dia que passa me convenço ainda mais de que a inflação será o remédio, adotado erroneamente pelo governo, para corrigir a situação fiscal brasileira.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Cotas e Censura: A Nova Legislação da TV por Assinatura no Brasil

Cotas e Censura: A Nova Legislação da TV por Assinatura no Brasil .

Em dezembro de 2007 este blog já havia se manifestado contra, mas a nova legislação para a TV por assinatura acabou sendo aprovada.

Duas são minhas discordâncias: 1) exige-se uma cota para programas nacionais; e 2) tem cheiro de censura.

Exatamene por que as TV's devem ser obrigadas a exibir produções nacionais? E exatamente por que a ANCINE terá tanto poder assim? Aliás, o poder dado a ANCINE parece ser inconstitucional.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

De onde vem a crise atual?

Europa, Estados Unidos, e vários países mundo afora passam por problemas econômicos. As bolsas de valores demonstram desempenho fraco, e a taxa de desemprego parece não diminuir. Mas, afinal de contas, de onde veio essa crise?

A resposta é simples: a crise atual nada mais é do que o resultado da política econômica adotada por vários países para “combater” a crise de 2007-09. No auge da crise financeira, governos mundo afora aumentaram e muito os gastos públicos com o argumento de “combater” a crise. A idéia era simples: basta o governo gastar, e adotar políticas de estímulo a demanda, que a crise desapareceria. ERRADO. Como este blog cansou de avisar: quando muitas pessoas, por muito tempo, cometem erros de magnitude elevada, sempre existe um preço a se pagar. A entrada do governo apenas transfere os custos do ajuste dos maus investidores para o resto da sociedade. Em palavras, as políticas públicas de ajuda governamental, entre 2007 e 2009, a bancos (e empresas) em dificuldade apenas transferiu os custos do ajuste: agora quem paga o pato é toda a sociedade (e não apenas quem cometeu os erros).

A crise atual é uma crise fiscal causada pelas enormes transferências de recursos públicos para ajudar empresas privadas em dificuldades. Mas os problemas não terminam por ai. As massivas impressões de moeda, adota por vários governos, vai ter impactos inflacionários. Gastar mais dinheiro público, e imprimir mais moeda, não é o caminho para evitar crises. É o caminho para agravá-las.

A políticas de expansão dos gastos públicos, defendida por muitos, mostra agora seu lado perverso e inevitável: a entrada do governo não faz com que os prejuízos desapareçam, apenas transfere os custos do ajuste de um grupo pequeno (porém politicamente forte) para o resto da sociedade.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

O caminho errado da regulação sobre os planos de saúde

O governo intervém fortemente no mercado privado de planos de saúde. Recentemente foi aprovada a Resolução Normativa no. 262 (que atualiza o rol de procedimentos mínimos que devem ser ofertados pelas seguradoras). O impacto direto dessa nova resolução é evidente: o custo dos planos de saúde irá aumentar, com parte disso sendo repassado aos preços. Planos de saúde mais caros implicam em menos famílias sendo capazes de arcar com tal seguro privado, sendo portanto obrigadas a recorrer ao atendimento público. Dessa maneira, um dos impactos indiretos da resolução é pressionar ainda mais a já debilitada estrutura de saúde pública.

Certamente os reguladores estatais são movidos por nobres motivos. Certamente é triste ver pessoas que pagam planos de saúde terem suas demandas negadas pela falta de cobertura do plano. Contudo, pergunta-se: aumentar os custos das operadoras de planos de saúde é a melhor alternativa para evitar esse problema? Por mais samaritanos que sejam os reguladores estatais, eles devem entender que suas regulações implicam em custos, e custos implicam em preços mais altos, e preços mais altos significam menos famílias cobertas com seguro de saúde privado.

Em vez de aumentar a cobertura mínima dos planos de saúde os reguladores deveriam se preocupar com duas outras frentes: a) aumentar a concorrência no mercado de planos de saúde; e b) fazer valer os contratos assinados. Aumentando a concorrência no mercado de seguro de saúde privado teríamos uma melhora na qualidade, na cobertura e no preço dos planos de saúde. Mas para aumentar a concorrência nesse mercado é fundamental antes diminuir a regulação do mesmo. Mercados extremamente regulados (como é o caso dos planos de saúde) implicam em altos custos de entrada de novas firmas, o que diminui a competição. Sendo assim, a resolução normativa 262 tem ainda mais um péssimo efeito indireto: diminui a concorrência no mercado de planos de saúde. Outro passo importante seria um rigor severo em relação aos contratos: seguradoras e clientes tem que seguir o contrato. Se uma seguradora não cumprir o contrato deve ser severamente punida. Contudo, também não é justo que um indivíduo que paga pelo seguro mais barato, e com menos cobertura, depois ingresse na justiça e receba o direito de ter a cobertura do seguro mais caro (e com cobertura maior). A justiça tem que fazer valer a letra dos contratos tanto para as seguradoras quanto para os indivíduos.

Aumentar a cobertura mínima dos planos de saúde (tal como faz a resolução normativa 262) não melhora a situação da saúde no Brasil. Pelo contrário, tal medida implica em aumentos de preço dos seguros de saúde, menos famílias com recursos para arcar com seguros de saúde privados, mais famílias tendo que recorrer a estrutura pública de saúde, e por fim, implica num menor grau de competição no mercado privado de planos de saúde. A redução na competição, causada pela interferência estatal, gera, no longo prazo, planos de saúde ainda mais caros e ainda mais ineficientes.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

TPM, ponto G e uma sugestão de política pública

Quinta-feira me reuni com meus amigos num barzinho para celebrar a publicação de um artigo. Depois de horas de profunda reflexão filosófica chegamos as seguintes conclusões:

1) TPM é uma invenção feminina para ganhar um passe livre, que varia de 3 a 25 dias, todo mês, para azucrinar a vida de todos ao redor. Já notaram alguma mulher com TPM mandar o chefe a merda? TPM só existe para a mulher detonar com subordinados, amigos, namorados, familiares, etc.. Mas na frente de superiores que podem prejudicar sua carreira a TPM da mulher simplesmente desaparece. Já viram alguma mulher com TPM no dia do pagamento do marido? TPM só existe quando não é dia de pagamento.
2) Ponto G é outra invenção feminina pra sacanear o sexo masculino. Já notaram que apesar de você apertar todos os centímetros possíveis do corpo da mulher nunca acha tal ponto? Não acha porque ele não existe!!! É outra criação feminina para dizer: nem pra isso você presta!!!!

Em vista dos pontos acima, proferimos a seguinte sugestão de política pública: a criação do ATPM, ou simplesmente o anti-TPM. Isso é, vamos criar uma doença masculina!!!! Nos mesmos moldes da TPM, o ATPM só ataca homens na sexta-feira e se prolonga durante todo final de semana!!!! Algumas frases de impacto para o homem dizer para sua companheira:
a) “Nem eu estou me aguentando hoje!!!! Vou me isolar em Goiânia no final de semana”.
b) “Dessa vez o ATPM pegou bravo!!! Não falem comigo, estou no bar”.
c) “Eu te amo muito, mas o ATPM tá difícil. Pra salvar nosso casamento vou ficar o final de semana fora”.
d) “Eu só viajei porque te amo muito!!! Não queria por nossa relação em risco!!!”.

terça-feira, 26 de julho de 2011

O Receituário Liberal e o Brasil

Como liberal convicto acredito que as idéias liberais, caso implementadas no Brasil, gerariam um grande aumento de bem estar em nosso país. Mas, enquanto cientista, não posso deixar de fazer a pergunta óbvia: e se estiver errado? Será mesmo que o receituário liberal é adequado ao Brasil?

A idéia liberal repousa num fundamento sólido: os indivíduos sabem o que é melhor para eles melhor do que um burocrata em Brasília. Em teoria é extremamente difícil rejeitar tal proposição. Para rejeitar tal proposição precisaríamos não só argumentar que um bom número de indivíduos é imbecil (não sabem o que é melhor pra eles), mas pior do que isso, deveríamos aceitar que um burocrata em Brasília é capaz de uma escolha mais sensata. Sendo assim, o receituário liberal prescreve um Estado pequeno, aliado a um forte grau de liberdade econômica.

O que não aparece no parágrafo acima é um detalhe sutil: uma economia de mercado depende fundamentalmente de confiança. A maioria esmagadora das transações econômicas não é baseada em contratos, baseia-se exclusivamente na confiança que as partes honrarão o que foi combinado. Quanto menos confiança menos transações, e quanto menos transações menos eficiente é tal sociedade. Em palavras, para determinado nível de desconfiança é bem provável que uma economia de mercado (liberal) produza resultados fracos em termos de bem estar.

Quais são os fatores que afetam o grau de confiança na honestidade das pessoas? Certamente instituições são importantes, outras variáveis tais como religião e boa educação familiar também. Mas de onde vem instituições fortes? Qual a origem da boa educação familiar? É aqui que a cultura de um povo faz a diferença. Então a grande pergunta que devemos nos fazer é: a cultura do brasileiro propicia o ambiente adequado para que uma economia liberal prospere? A cultura de nosso país gera um nível de confiança necessário para que o receituário liberal seja a resposta adequada?

Honestamente não sei responder com certeza as perguntas acima. Mas gostaria de ver pesquisas sólidas nessa área. Como liberal eu acredito que as idéias que defendo serão importantes para melhorar o Brasil. Mas, enquanto cientista, confesso que tal preocupação me assola.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

18 + 25 = 43

Meus Caros,

Hoje recebi a confirmação de que meu artigo "Do Central Banks affect Tobin's q?" (em conjunto com João Faria, Andre Mollick e Le Wang) foi aceito para publicação na International Review of Economics and Finance.

Agora tenho 43 artigos aceitos/publicados (18 internacionais e 25 nacionais), o que na área de economia é uma marca relevante. Como de praxe estarei pagando a cerveja numa data futura (dado que a maioria de meus colegas está de férias agora). Mas como publicar internacionalmente é igual a marcar um gol, estarei comemorando reservadamente hoje (afinal, a gente nunca sabe quando vai conseguir outra publicação internacional).

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Choques Monetários e Recuperação Econômica

O que diria Bernanke, professor de economia, se tivesse que opinar sobre Bernanke, presidente do Banco Central americano? É evidente que o professor de economia teria sérias restrições sobre o comportamento do policy-maker.

Verdade seja dita, economia monetária é aquela área em que ainda discutimos porque usamos moeda. Certamente é uma das áreas mais nebulosas, e com menos certezas, dentro das ciências econômicas. Contudo, algumas certezas existem. A principal delas: choques monetários só afetam a atividade econômica, no curto prazo, se não forem antecipados pelos agentes.

Vamos repetir: choques monetários SÓ AFETAM a atividade econômica se forem uma completa surpresa. Em resumo, quando o presidente do Banco Central Americano anuncia que pode fazer uso de uma política monetária mais expansionista, para fortalecer a atividade econômica, ficamos em dúvida do modelo econômico que ele tem em mente. Afinal, se ele anuncia que irá aumentar a oferta de moeda, então onde está a surpresa? Sem surpresa não há ganhos no produto, apenas um repique inflacionário.

Eu estou longe de acreditar que choques monetários podem ser benéficos a economia. Estou entre aqueles que acreditam que alterar a oferta de moeda para obter benefícios de curto prazo na produção nunca é uma boa idéia. Contudo, confesso que nunca vi (na literatura novo-clássica ou novo-keynesiana) alguém defender choques antecipados de moeda como um instrumento válido de combate a crises. Na literatura austríaca isso é simplesmente impensável. Sendo assim, só posso crer que Bernanke seja um pós-keynesiano. Verdade seja dita, os pós-keynesianos possuem argumentos (apesar de eu discordar deles) que justificam isso.

Quem diria, o Presidente do poderoso Banco Central americano é discípulo da New School.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

O Completo Descontrole Fiscal Brasileiro

Numa democracia existem alguns deveres do governante para com a sociedade. Entre tais deveres, o dever de responsabilidade tem papel central. O dever de responsabilidade diz que o governante deve prestar contas à população. No que tange aos gastos públicos, uma das maneiras mais fáceis do governo manter a sociedade informada é por meio da divulgação do déficit primário, ou pela divulgação da evolução da dívida.

Em teoria, o déficit primário deveria refletir tudo o que o governo arrecada menos o que ele gasta, exceto despesas com juros. Tal indicador, apesar de limitado e deficiente, ao menos mostra à sociedade se o governo esta conseguindo poupar ou não recursos. Contudo, nos últimos anos do governo Lula, foram tantas manobras contábeis que hoje o déficit primário não serve para absolutamente mais nada. Atenção pesquisadores e jornalistas: não faz mais sentido adotar o déficit primário como medida de austeridade fiscal do governo. Este blog já alertou para este fato antes. Mas agora surgiu mais uma mágica contábil: os projetos da Copa e das Olimpíadas dificilmente irão aparecer no déficit primário. Como funciona essa mágica? Simples, em vez de executar diretamente os gastos, o governo cria uma empresa para administrar as obras. O Tesouro Nacional entra em cena e capta recursos no mercado, e os transfere ao BNDES, que por sua vez os transfere para essa empresa de fachada. A empresa de fachada executa então os gastos. Esse tipo de manobra NÃO AFETA O DÉFICIT PRIMÁRIO. Então, toda vez que o governo comemorar algum sucesso, baseado no déficit primário, pode apostar que isso não vale nada, é PURO TRUQUE CONTÁBIL. O governo esta enganando a população, e está gastando muito mais do que os indicadores fiscais levam a crer.

A segunda maneira de verificar a situação fiscal do governo é analisar a dívida pública. Novamente, o governo aplica outro truque: o truque da dívida líquida. O argumento do governo é simples: deve-se olhar tudo o que o governo deve MENOS tudo que ele tem a receber. Ou seja, em vez de se olhar a dívida bruta, o governo sugere que se preste atenção à dívida líquida. O problema com isso é que as operações entre o Tesouro Nacional e o BNDES NÃO AFETAM A DÍVIDA LÍQUIDA. Isto é, gastos exorbitantes (acima de 200 bilhões de reais) simplesmente não aparecem na dívida líquida. Aliás, o truque contábil descrito no parágrafo anterior também se aplica aqui: os gastos da copa e das olimpíadas não irão aparecer na dívida líquida do governo.

A situação fiscal brasileira é péssima, acreditar em manobras contábeis para esconder o tamanho do caos fiscal é coisa para devotos e insensatos, não para técnicos e pesquisadores treinados. O Ministério da Fazenda tem excelentes técnicos, eu mesmo conheço vários deles, está na hora de tais técnicos terem voz ativa na discussão.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

O Desastre está chegando......

Esse blog é contra a realização da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016 no Brasil. O vexame vai ser grande: simplesmente não temos recursos suficientes para isso. Além do mais, existem prioridades mais urgentes em nosso país. Educação, saúde, segurança pública, entre outros são problemas que demandam mais atenção do governo do que projetos esportivos que se transformarão em verdadeiros elefantes brancos.

Para piorar a situação, e como esperado, o governo enrolou para começar as obras. O objetivo do governo era claro: atrasando as obras conseguiria abrandar as regras do processo licitatório... Bingo!!! Foi exatamente isso que acabou de acontecer: a roubalheira esta oficialmente declarada no Brasil!!! E notem o trem da alegria: a brecha na Lei de Licitações não se refere apenas as cidades sede de eventos!!! Nada disso, cidades até 350km das sedes terão direito de bicar a lei de licitações. Vai ser a verdadeira farra do boi.

A conta vai sair cara, adivinhem quem vai pagar....

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Opinião Radical: Prender Bandidos Reduz Criminalidade!!!

Sim amigos, a pobreza intelectual do debate no Brasil está tão grande que dizer que prender bandidos combate a criminalidade é uma opinião radical. Pergunte aos intetectuais de plantão como reduzir a taxa de crimes de uma sociedade. Eles responderão: aumentar a qualidade da educação, diminuir a desigualdade de renda, descriminalizar as drogas, tratamento humanitário aos presos, etc.. Em resumo, eles dirão tudo, menos o óbvio: para os intelectuais prender bandidos não combate a criminalidade.

Em qualquer sociedade, todo combate de sucesso ao crime partiu de uma observação simples: prender bandidos reduz a criminalidade. Por que é tão difícil reconhecer isso? Prender bandidos tem dois efeitos. Efeito direto: bandido preso tem menos chance de cometer crimes. Efeito indireto, também conhecido por efeito demonstração, sinaliza que infratores prestam muita atenção na probabilidade de serem pegos. Quando a probabilidade de ser preso aumenta, vários potenciais criminosos desistem de cometer crimes. Com efeito, a literatura sobre crimes indica que essa é a variável mais importante para diminuir a taxa de criminalidade de uma sociedade. Em português claro: a maneira mais eficiente de se reduzir a criminalidade é prendendo os bandidos.

A literatura internacional está repleta de exemplos: prender bandidos combate o crime. No Brasil, o exemplo mais evidente disso é o estado de São Paulo. O aumento de encarceramento no estado levou a uma redução expressiva nas taxas de crime. Por que é tão difícil reconhecer isso? De maneira alguma argumento contra a importância da educação e de outras variáveis no combate ao crime. O que argumento é que não são necessárias grandes mudanças na sociedade para se reduzir a violência em nosso país.

sábado, 11 de junho de 2011

A constante redução do espaço do debate

Segue meu artigo publicado essa semana no Ordem Livre:

Um dos pilares do sistema democrático é a liberdade de expressão. Esta está sempre entre as primeiras vítimas dos regimes totalitários. Os inimigos da sociedade aberta se destacam por sua luta contínua contra o direito de manifestação dos indivíduos. Em sociedades democráticas, não é tão fácil cercear essa liberdade. A Constituição sempre protege tal direito, e as instituições e a opinião pública estão alertas contra tentativas de limitar o direito à livre expressão. Contudo, uma nova arma tem aparecido no campo de batalha: o comportamento politicamente correto.

O comportamento politicamente correto implica uma separação clara da sociedade: os que o adotam são bons e corretos, os demais são os homens maus. Esse tipo de separação implica uma dramática redução do espaço do debate, e um verdadeiro empecilho à livre circulação de ideias. O debate recente em torno do código florestal é um exemplo claro: as pessoas favoráveis ao código eram imediatamente taxadas de defensores do desmatamento. Na mesma situação temos uma série de outros assuntos e se posicionar contra o consenso do politicamente correto é quase um crime.

Essa constante limitação do debate, imposta pelo padrão politicamente correto, tem gerado custos enormes para a sociedade. Veja a questão das cotas. Verificar a eficiência das cotas deveria ser motivo de pesquisas acadêmicas sérias, afinal, os dados existem para isso. Contudo, tal debate no Brasil não ocorre. Enquanto isso mais dinheiro público vai indo numa direção que não se sabe se é a correta. A nível global, temos a questão do aquecimento do globo terrestre: por mais que as evidências disso sejam questionáveis, ainda assim parece ser proibido questioná-lo.

Reduzir o espaço do debate é o mesmo que limitar o fluxo de ideias e as consequências disso nunca serão boas para a sociedade. Pior do que isso, o padrão do politicamente correto impõe barreiras similares a uma proibição formal da liberdade de expressão. Isso é simplesmente uma maneira de burlar a lei e tirar da democracia uma de suas maiores armas de defesa.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Palocci finalmente fora!!!

Palocci está fora do governo. Foi demitido. Que tal lerem o que esse blog disse sobre Palocci em Novembro de 2010. Alguma dúvida?

Professores, Cidadãos e a Questão do Crivo Moral

Tendo lecionado em diversas universidades, por muitos anos, observei um fenômeno curioso: quanto pior o professor mais ele criticava abertamente a qualidade dos alunos. Por mais de uma vez vi professores fazendo chacota sobre respostas de alunos, mas tenho minhas dúvidas se tais professores saberiam responder o que cobravam. Um ditado antigo dizia que “todo professor deveria ser obrigado a saber responder sua própria prova”. Disso tiramos uma lição importante: devemos aplicar a nós mesmos os crivos que aplicamos aos outros.

Noto numa parcela significativa de pessoas preocupações com a pobreza e com o meio ambiente. Contudo, elas parecem mais interessadas num papel midiático do que propriamente de ação. Na frente das câmeras desfilam um discurso, mas na prática agem de maneira diferente. Num regime capitalista a maneira de dizer que se importa é simples: paga-se. Você dá valor ao meio ambiente? Ótimo, pague por um shampo mais caro no supermercado. Quer ajudar aos pobres? Contribua na igreja. Se você tem resistências a pagar 2 reais a mais por um produto que preserva o meio ambiente, então você não valoriza tanto assim este bem.

Noto também pessoas aplicando um crivo moral a outras, mas se aplicassem esse mesmo crivo a elas mesmas estariam em sérios apuros. Pessoas estacionando o carro em vagas de deficiente físico, professores que não cumprem seus horários de aula, alunos que mentem para obter vantagens, entre outros, são exemplos simples de como vários membros de nossa sociedade estão mais interessados em regular o comportamento alheio do que em liderar pelo exemplo.

Antes de você xingar seu namorado(a), mandar seu chefe para aquele lugar, reclamar de seu professor, ou esculhambar um político, pergunte-se: se eu aplicar esse mesmo crivo a mim mesmo, como eu me sairei? Cuidado, sua resposta pode indicar que você não é assim tão diferente dos que você critica.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Questões para reflexão sobre o terrorismo

O terrorismo está se infiltrando no Brasil. Pouco após os ataques às Torres Gêmeas, em 11 de setembro de 2001, o governo americano alertou o Brasil sobre a presença de grupos extremistas na região da tríplice fronteira. Tal notícia foi recebida com ceticismo e pouco caso em nosso país. Quase 10 anos se passaram e, cada vez mais, fica evidente a existência de grupos terroristas operando no Brasil. Por enquanto não executam seus ataques aqui, mas usam solo brasileiro como base. Notem que não me refiro as constantes invasões de fronteira realizadas pelas FARC, refiro-me a região entre Brasil, Argentina e Paraguai. Como esse será um problema futuro de nosso país, que mais uma vez não recebe atenção alguma das autoridades, me adianto e forneço alguns detalhes sobre a atividade terrorista.

1) Terrorismo custa dinheiro: treinamento, viagens, alimentação, manutenção de sedes e equipamento, armas, entre outros custos. Até meados de 1990 era o governo soviético o maior financiador do terrorismo mundial. Com a queda desse Império a rede terrorista teve que procurar apoio financeiro em outras fontes. A FARC, por exemplo, encontrou esse apoio na venda de drogas e seqüestro de inocentes.

2) É impossível vencer o terrorismo sem combater as suas fontes de financiamento. Assim, chama a atenção o completo despreparo brasileiro para combater grupos terroristas. Aqui sequer temos legislação específica que trate do tema. Sendo assim, não é de se estranhar que terroristas entrem e saiam do Brasil em completa tranqüilidade.

3) Até antes de 1990 os grupos terroristas se caracterizavam por claras reivindicações socialistas (não é a toa que eram financiados pela União Soviética). Os grupos terroristas que operaram na Itália e Alemanha foram claros exemplos disso. Atualmente existem grupos terroristas que lutam pela independência de suas regiões. Eles se denominam patriotas, e comparam-se aos revolucionários americanos em sua luta pela independência. Os rebeldes chechenos são o exemplo mais claro desse grupo (mas existem vários outros).

4) Após 1990 ganha força um novo tipo de terrorismo: o religioso. Fundamentalistas islâmicos buscam criar uma grande nação do Islã. Notem que esse grupo tem reivindicações políticas transnacionais, o que é uma diferença importante em relação aos grupos que operavam antes de 1990.

5) Todo grupo terrorista procura ter um braço político, as ramificações políticas de grupos terroristas precisam ser mapeadas e tornadas claras para a sociedade.

6) Grupos terroristas podem ter considerável grau de sucesso em obter suas reivindicações, eles não devem ser subestimados.

Terrorismo é um mal perigoso, combatê-lo é fundamental para preservarmos nosso modo de vida e nosso direito à liberdade.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

A Questão Indígena

Um dos grandes desastres sociais de nosso país, também é o de mais fácil solução. A questão indígena só é um problema devido ao enorme número de indigenistas, isto é, pessoas que vivem basicamente da desgraça do povo indígena. Estes “especilistas” acreditam, sinceramente, que sabem o que é melhor ao povo indígena do que o próprio índio.

O povo indígena no Brasil é miserável (abaixo de pobre), vive em condições horrorosas pelos padrões de nossa sociedade: passam fome, frio, tem baixo nível educacional, péssimas perspectivas de crescimento futuro, e são assolados por doenças. Não bastasse isso, as taxas de homicídio entre os indígenas também é alta. Exatamente por que os indigenistas querem manter o status quo do povo indígena? Para que alguém quer manter o povo indígena em tal estado de miséria?

A maneira mais simples de resolver a questão indígena é permitir que os índios vendam suas terras. Vejam o caso da Reserva Raposa do Sol, os indigenistas geraram miséria. Como mudar isso? Simples, basta permitir que os índios vendam parte de sua propriedade. Com direitos de propriedade bem estabelecidos, o próprio mercado se encarregaria de trazer as oportunidades de volta a região. Os agricultores e pecuaristas poderiam comprar ou arrendar a terra dos índios, e se beneficiariam com a renda da terra (o que simplesmente não ocorre hoje).

Outro exemplo é o setor Noroeste em Brasília. Essa região é super nobre, os imóveis (ainda por construir) estão avaliados em valores superiores a R$ 10 mil o metro quadrado. Nessa região havia um grupo indígena. Qual era a solução óbvia? Simples, permitir que eles mesmos vendessem sua parte no terreno, e ganhassem alguns milhões. Mas a solução encontrada foi outra: realocaram os índios para outra região, mantendo-os na mesma miséria.

Propriedade privada implica no direito de venda. Qual o problema de permitir que os índios vendam suas propriedades e usem seu dinheiro em benefício próprio? Aliás, 500 anos de convivência com o homem branco já se passaram, não está na hora de permitir que os índios se beneficiem das vantagens da civilização? Que tal, ao invés de perguntarmos a “especialistas”, perguntarmos diretamente aos índios o que eles querem? Será que os índios querem mesmo viver isolados da civilização?

domingo, 29 de maio de 2011

Palocci e a Questão da Consultoria

Semana passada Palocci se complicou bastante para explicar os 10 milhões de reais que recebeu entre novembro e dezembro de 2010. Aqui vão algumas considerações sobre o mercado de consultoria.
1) Parte significante das empresas de consultoria não prestam consultoria, servem apenas para indivíduos receberem como pessoa jurídica (e pagarem menos impostos), por serviços de aula e palestras. Ex-ministros podem cobrar facilmente 10 mil reais por palestra. Uma média de 3 palestras por mês gera uma receita de 30 mil/mês, ou quase 400 mil/ano. Desnecessário dizer que parte dessa receita não é declarada. Essa é uma explicação parcial para a evolução do patrimônio de Palocci: ele estava usando a empresa para “lavar” parte do dinheiro que não havia declarado antes. Sim, essa é uma explicação possível e implica que o Ministro cometeu crime fiscal.
2) Por mais que dar palestras seja interessante, tirando ex-presidentes é difícil cobrar valores que justifiquem um faturamente de 20 milhões. O dinheiro grande esta no mercado de consultorias, onde um ex-ministro pode cobrar 1.000 reais/hora (o próprio Banco Mundial pode chegar a pagar algo como 500 dólares/hora). O problema é que nesse mercado é necessário trabalhar para valer. Ao contrário de uma palestra, onde se fala por 1 hora e vai se almoçar com a platéia, no cado de consultorias é necessário apresentar relatórios e justificá-los.
3) Consultorias seguem uma regra geral: recebe-se em partes. Só se recebe o valor parcial da consultoria mediante a apresentação de relatórios parciais. Isso é definido em contrato: contratos anuais costumam cobrar relatórios bimensais ou trimestrais. E é mediante a aprovação desses relatórios que se recebe a parcela parcial. Esse detalhe é um duro golpe na apresentação do Ministro Palocci: ele argumenta que recebeu dinheiro referente a antecipação do contrato. Esse mecanismo simplesmente não ocorre no mercado de consultorias. Você recebe o dinheiro no ato da aprovação do relatório parcial, ninguém manda um relatório parcial, tem ele aprovado, e fica sem receber a parcela.

4) Não adianta o ministro argumentar que fez apenas parte do trabalho, não apresentou o relatório parcial, mas como já tinha algo feito recebeu por essa parte já feita. Não existe isso num trabalho de consultoria: você recebe APENAS mediante a apresentação do relatório parcial. Até porque quando se é contratado para um consultoria, tipo verificar a viabilidade de determinado empreendimento, não adianta você dizer: já gastei 100 horas estudando o problema, mas terei que parar, logo voce tem que me pagar essas horas. Ou você apresenta o relatório ou não tem pagamento. E, como ficou claro no item 3 acima, se você já teve o relatório aprovado seu dinheiro já foi liberado (não existe isso de antecipar um pagamento por um trabalho já feito, o trabalho é pago na medida em que é entregue).

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Pelo Impeachment de Dilma

1. Ministro de Estado envolvido em escândalo, com configuração de tráfico de influência, é apoiado publicamente pela presidente.
2. Ministro de Estado MENTINDO sobre cartilhas homossexuais (o popular kit gay) não é demitido.
3. E agora o BNDES dá uma ajuda de R$ 3,48 bilhões de reais para um doador de campanha da presidente.

Não custa lembrar que o ex-presidente Collor de Melo caiu por causa de um Fiat Elba. Dilma tem ministros envolvidos em escândalos e mentiras, chamou para compor seu ministério um conhecido violador de sigilo bancário, e agora o escândalo de mais de 3 bilhões de reais!!!! O que é que o BNDES quer com o JBS-Friboi? Aliás, exatamente por que o BNDES pagou quase 50% a mais que o preço de mercado pelas ações? Outro detalhe: "Entre subscrições de ações e financiamentos, o valor aportado à JBS pelo banco, em dois anos, chega a R$ 10 bilhões".

quarta-feira, 25 de maio de 2011

O Novo Código Florestal e a Estrutura do Congresso Nacional

Ontem foi aprovado o novo Código Florestal Brasileiro, e sua aprovação traz uma lição importante sobre a estrutura política do Congresso Nacional. O governo era claramente contrário ao Código Florestal, dada a enorme maioria governista na Câmara dos Deputados, seria de se esperar que o mesmo não fosse aprovado. Contudo, o que se viu na votação foi uma verdadeira goleada contra o governo: foram 410 votos a favor, 63 contra e 1 abstenção. Resumindo, o governo levou uma tremenda surra. Isso mostra que no Brasil não existem partidos políticos, existem bancadas.

Para reforçar meu ponto, vamos fazer um exercício simples: pegue um deputado petista mediano e o coloque no DEM, alguém vai notar a diferença? Faça agora o contrário, pegue um deputado que represente o pensamento mediano no DEM e o transfira para o PT, alguém vai notar algo estranho? Ou seja, a afiliação política no Brasil não se dá por afinidades ideológicas, mas pura e simplesmente por interesses de maximizar suas chances de eleição, ou de maximizar sua chance de ter um cargo no governo. Sim, este não é um fato novo. Sim, praticamente todos concordam que isso ocorre. Contudo, parece que poucos prestam atenção nas implicações disso. A implicação direta desse raciocínio é que o PT não tem essa maioria toda que acredita ter, o PT não tem essa força toda que seus adversários lhe atribuem. Barrar os projetos petistas é muito mais fácil do que parece, tal como a aprovação do Código Florestal mostrou.

Outro exemplo recente é a posição da presidente Dilma contrária a distribuição do polêmico kit anti-homofóbico (popularmente conhecido por kit gay). Bastou a bancada evangélica reclamar que o governo petista teve que retroceder nesse ponto. O Brasil é assim, não tem partidos políticos, tem bancadas. Dessa maneira, para derrubar o projeto petista de poder, não devemos nos basear na afiliação política (que pouco representa em termos de afinidade ideológica), mas focar esforços nas bancadas. São as bancadas que representam a coesão ideológica ou de propósitos. As bancadas evangélica e ruralista já infligiram importantes derrotas ao governo, e mostraram que o PT não tem essa força que muitos lhe atribuem.

A convergência ideológica, ou de interesses, no Brasil ocorre a nível de bancadas. Aqui reside o calcanhar de Aquiles petista. É aqui que a fraqueza do projeto de poder petista deve ser detido.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Brasileirão é no Selva Brasilis

O Selva Brasilis (SB)é um dos melhores blogs da internet: inteligente, irônico, e culto, se destaca por posts curtos e sempre afiados. Em 2011, o Selva Brasilis fará a cobertura do campeonato Brasileiro de futebol. Dois posts de especialistas já foram ao ar: o primeiro comentando a ida de Fórlan para o Ceará; e o segundo mostrando a força do América Mineiro. Na entrevista abaixo, eu converso com o Editor de Esportes do Selva Brasilis (SB). E não se esqueçam: Brasileirão 2011 é no Selva Brasilis, a melhor equipe de comentaristas esportivos!!!


1) Quais são suas previsões para esse brasileirão?

SB) Como você sabe o SB deu aula em vários MBA de porta de cadeia e sabe tudo de finanças. Portanto todas as previsões do SB são certeiramente erradas. O futebol brasileiro era a única coisa competitiva no Brasil. Mas o PT e a CBF num esforço monumental para acabar com a competição e competitividade do futebol brasileiro instituiram esse campeonato ridículo de pontos corridos. A tentativa de monopolização do campeonato brasileiro, levada adiante pelos clubes paulistas deu com os burros n´água porque os times cariocas aprenderam a jogar mal também e passaram a dominar a competição. Antes, na época em que futebol era futebol, a previsão era simples. Há 12 times de verdade no futebol Brasileiro, os 4 grandes do Rio e São Paulo e os 2 gaúchos e mineiros, portanto cada um tinha cerca de 8% de chances de ser campeão [o Flamengo, por causa da torcida, tinha 12%]. Com a italianização recente do futebol brasileiro apenas os clubes com estrutura para pagar a CBF e manipular sua comissão de arbitragem têm alguma chance de ser campeão. A única exceção é o Fluminense que contra todas as expectativas conseguiu ser campeão em 2010 jogando bola e sem comprar os juízes. Portanto, os favoritos ao título nesse modelo italiano são sempre os mesmos, o Corinthians, porque é o time oficial da bandidagem do PT e o São Paulo, porque é o único que consegue pagar a CBF em dia.


2) Sem Lula na presidência da república, os juízes continuarão roubando a favor do Corinthians? Ou irão migrar para outro time paulista?

SB) Qual o time da Dilma? Juiz no Brasil, seja da CBF ou do STF, sempre rouba pro governo. A única exceção são os juízes mineiros, que roubam para si mesmos. Política e historicamente o time que deveria se beneficiar com o PT no governo deveria ser o Botafogo. O Botafogo é o time predileto dos jornalistas. Como todo jornalista é ignorante, bandido, mau-caráter e essencialmente comunista, então o Botafogo é o time dos comunistas. Mas comunista é minoria em toda parte, exceto na USP, UnB, Unicamp e UFRJ, por isso a torcida do Botafogo é minúscula, mais ou menos do tamanho da inteligência do Emir Sáder.


3) Nosso Fluminense é sempre favorito ao título. Mas você acredita que poderemos ser campeões invictos? Afinal, até o Internacional conseguiu isso.

SB) É difícil comparar o Flu com um time que tinha Bira-Burro como centroavante. Quando o Internacional estava perdendo lá ia o Bira cabecear uma bola e levava junto a massa encefálica do zagueiro. O Inter foi campeão invicto jogando apenas duas partidas contra o Palmeiras do Telê que tinha Pires, Mococa e Jorge Mendonça no meio campo. Porra, na final contra o eterno vice, o Vasco, até Chico Espina parecia jogador de futebol! O Flu tem indiscutivelmente um grande escrete, mas enfrenta um trade-off violento entre futebol e trabalho. Os craques tricolores são vagabundos de primeira, detestam treinar e jogar bola. Mas com o Abelão de volta, a esperança é a de que ele distribua porradas `a la vonté para motivar o elenco. Essa é uma tática nova, criada pelo Ceará, um dos comentaristas convidados para fazer a cobertura do Brasileirão pelo SB. Ele sugeriu ao Joel Santana quando era técnico do Botafogo contratar o baiano de Okinawa Lyoto Machida para fazer discursos de motivação no vestiário do time. E funcionou! o discurso começava sempre assim: “ae, se vocês não jogarem bem hoje vão levar uma voadora no pé do ouvido”. Porra, aquele time horroroso conseguiu até ser campeão carioca!


4)Com quantas rodadas de antecedência o Bahia será oficialmente rebaixado?

SB) Pergunta dificílima de ser respondida. Há duas forças opostas a serem consideradas. Se deixarem o indomável espírito baiano dominar, a preguiça e picaretagem características vão sobressair e o Bahia será rebaixado antes do fim do mês, já na quarta rodada. Se, entretanto, o Bahia conseguir contratar novamente todas as mães de santo do recôncavo, aí meu amigo não tem para ninguém, o time está fadado ao campeonato brasileiro, oxalá mundial. Lembre-se da conquista de 1988, aquilo foi um milagre pois o time foi campeão com Bobo e Charles, vou repetir bem devagar, Bobo e Charles... imagina!? com a força de um macumbão desses até o Mercadante aprendia economia!


5) Montar a estrutura para a Copa do Mundo deve custar, por baixo, uns 10 bilhões de reais. Não seria mais fácil usarmos esse dinheiro para comprarmos a Espanha e realizar a copa lá?

SB) Com essa grana tu compra a Espanha e leva Portugal e Grécia de troco. Vão tentar te empurrar a Irlanda também, mas não aceite aquela merda verde de jeito nenhum. A Espanha sempre foi uma roubada, não tem condição fazer uma copa do mundo num lugar onde até o mascote é metrossexual. Lembra do Naranjito? Tu já viu laranja gay? Porra, aquela fruta era tão espanhola que fazia bronzeamento artificial. Como você sabe o SB é nacionalista e se orgulha do Brasil. Essa copa vai mostrar ao mundo nossa capacidade de trabalho e organização. Temos o melhor turismo sexual do planeta, nossas vagabundas são baratas e limpinhas. As nossas carrocinhas de cachorro quente são excepcionais, os fregueses podem comer um cheiroso e comprar pó made in chatuba com selo de qualidade das FARC. Last but not least lembre-se que o Brasileiro é um povo educado, limpo e honesto quando não está fazendo um arrastão.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Uma breve história tributária do Brasil*

Carga tributária bruta é tudo aquilo que pagamos de impostos (mais taxas e contribuições) dividido pelo PIB (que mede a riqueza do país). Em palavras, a carga tributária bruta mede o que o governo abocanha da riqueza da sociedade. Este post traz uma evolução histórica desse indicador da intervenção do governo em nossas vidas. Mostramos também alguns detalhes interessantes de sua composição atual.

Perído Carga Tributária Bruta
1900-05 12,5% do PIB
1905-07 15% do PIB
1916-25 7% do PIB
1926-30 8,9% do PIB
1931-35 10,2% do PIB
1936-40 12,5% do PIB
1941-45 12,7% do PIB
1946-50 13,8% do PIB
1951-55 15,4% do PIB
1956-60 17,4% do PIB
1961-64 17% do PIB
1966-70 24% do PIB
1971-75 25,3% do PIB
1976-80 25,1% do PIB
1981-85 25,2% do PIB
1986-88 24,7% do PIB
1990-94 27% do PIB
2000-10 ao redor de 34% do PIB

Você Sabia?
1) que em 1922 foi criado o Imposto sobre Vendas e Consignações (futuro ICMS) com alíquota de 0,25%
2) em 1843 o Imposto de Renda sobre vencimentos provenientes dos cofres públicos tinha alíqutotas entre 2% e 10%. Em 1922, o IR agora sobre todos os rendimentos tinha alíquotas entre 0,5% e 8% (com descontos de até 75% para pagamentos em dia).
3) o Imposto de Renda responde por quase 20% da carga tributária bruta; e a tributação sobre o capital é muito superior à tributação sobre o trabalho (exatamente o contrário do que sugere a teoria econômica!!!)
4) Se somarmos a PIS/COFINS + CSLL + IR pessoa jurídica teremos aproximadamente 70% da arrecadação federal
5) Se somarmos os impostos coletados junto a Petrobras + Vale + setor automobilístico + bancos teremos aproximadamente 50% da arrecadação

*: mais detalhes em Oliveira, F.A. (2010) “A Evolução da Estrutura Tributária e do Fisco Brasileiro: 1889-2009”. TD do IPEA, número 1469.

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