terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Inflação, alimentos e oferta de moeda

Abaixo segue meu primeiro post publicado no site Ordem Livre. Até o final do ano estarei escrevendo mensalmente para esse grande expoente do pensamento liberal. Aproveito a ocasião para agradecer a toda equipe do Ordem Livre pela oportunidade de expor minhas idéias.

No momento, boa parte dos especialistas e da imprensa responsabilizam a elevação no preço dos alimentos como causa do aumento da inflação. Certamente, o item alimentação tem um bom peso nos índices de preço. Sendo assim, variações no preço dos alimentos conduzem a variações proporcionais na inflação.

Apesar de correto do ponto de vista contábil, o raciocínio do parágrafo acima esconde um truque: não há como todos os preços da economia subirem caso a oferta de moeda permaneça constante. Isto é, em última instância, é a oferta monetária a causa da inflação. Já no século XVI, o teólogo escolástico Martín de Azpilcueta (1493-1586) sugeria a relação entre escassez de dinheiro e preço das mercadorias. Seja na Roma antiga ou na Espanha da época colonial, existe farta documentação associando fenômenos inflacionários à descoberta e exploração de novas jazidas de ouro (a moeda padrão daquelas épocas). No século XX, expoentes da escola austríaca como Mises e Hayek sempre mostraram a relação entre oferta de moeda e inflação, ponto de vista esse compartilhado mais tarde pelo mais famoso dos monetaristas: Milton Friedman (prêmio Nobel de economia).

Num artigo recente no New York Times, Paul Krugman plota um gráfico mostrando a oferta de moeda e a inflação, concluindo daí que existe baixa relação entre essas variáveis. Apesar do gráfico do professor Krugman sustentar sua argumentação, temos aqui um truque de retórica. Quando economistas falam de inflação eles se referem a um aumento generalizado de preços. Isto é, é como se todos os preços da economia tivessem aumentado. É exatamente por isso que podemos entender inflação como perda de valor da moeda. Contudo, no mundo real, os índices de preço não captam TODOS os preços da economia, ao invés disso, tais índices captam um rol muito mais restrito de preços. Sendo assim, quando o professor Krugman diz que seu gráfico não mostra relação entre oferta de moeda e inflação, ele apenas constata uma baixa relação entre oferta de moeda e aquele determinado índice de preços. Mas isso de maneira alguma invalida o argumento mais geral de que: caso um índice de preços capturasse todos os preços da economia, tal índice só se alteraria de maneira recursiva em consequência de mudanças na oferta de moeda.

De uma maneira mais técnica, temos a seguinte identidade MV = PQ, onde M é a oferta de moeda, V é a velocidade de circulação do dinheiro, P é o índice de preços que captura todos os preços da economia, e Q é a produção. O que é inflação? Inflação é o aumento frequente em P. Um aumento frequente em P só pode ser explicado por aumentos frequentes em M ou V, ou quedas frequentes em Q. Mudanças esporádicas nessas três variáveis podem gerar mudanças no nível de preços, e consequentemente gerar inflação naquele respectivo intervalo de tempo. Contudo, apenas mudanças frequentes podem explicar fenômenos inflacionários de longa duração.

A evidência histórica sugere que quedas frequentes e prolongadas da produção não foram a regra no mundo nos últimos 500 anos. Pelo contrário, a produção da economia tem recursivamente aumentado. Sendo assim, devemos excluir quedas frequentes em Q como a origem da inflação dos últimos 500 anos. V, a velocidade de circulação da moeda, é uma das variáveis mais estáveis da economia. Ela pode aumentar ou diminuir ao longo dos anos, pode até ter uma tendência, mas mudanças em V são lentas, sendo incapazes de explicar mudanças em P para intervalos curtos de tempo como o mês ou o ano. Dessa maneira, fica evidente que a única variável capaz de alterar de maneira persistente e recursiva o índice de preços P, mesmo para intervalos curtos de tempo, é a oferta monetária M.

Inflação em qualquer época e em qualquer sociedade é sempre um fenômeno monetário. No Brasil não é diferente. A inflação atual aqui tem apenas duas causas: expansão da oferta monetária e do crédito associadas a um brutal aumento do gasto público.

54 comentários:

Anônimo disse...

Essa politica de internacionalização da moeda entaum teoricamente eh algo ruim, como o dolar e o euro, pois aumenta a oferta dessa moeda, jah no caso da libra esterlina que soh tem na Inglaterra eh mais valiosa que essas duas, aí vem a pergunta?
pq foi criado o euro entaum?
pq o eua quis colocar o dolar como moeda padrao mundial?

Anônimo disse...

Adolfo,

Parece que há um estudo de Robert Barro, apresentando evidências de que a velocidade da moeda sofreu fortes variações, entre meados dos anos de 1960 e final dos anos de 1980. Na verdade, na época, a velocidade da moeda se apresentava com o formato de U. Pelo que consta, muito disso pode ser explicado pelas inovações financeiras ocorridas no período.


Um abraço,

J. Coelho

PS: Tentarei resgatar o texto que faz o comentário sobre o comportamento da velocidade da moeda. Se não me engano, foi num artigo de 1993, de José De Gregorio, escrito em parceria com Patricio Arrau e publicado na Review of Economics and Statistics.

Paulo disse...

Mas há índices de preços amplos, que apesar de não incluirem TODOS os preços da economia são representativos da maioria dos preços, não? Se algum fenômeno provoca alta da inflação, é de se esperar que, se não a maioria dos preços, pelo menos um conjunto significativo e mensurável sofra esse fenômeno, certo? Não seria possível demonstrar essa correlação com outros índices de preços?

Anônimo disse...

Parabéns pelo artigo, Adolfo! O professor Paul Krugman, a despeito de sua fama, tem se mostrado mais um ideólogo do que um teórico da economia. Sua defesa do ObamaCare bem com as tentativas de ligar o atentado no Arizona às manifestações do Tea Party de maneira absolutamente forçada são uma mancha indelével em seu currículo.
Fernando José - SP

Anônimo disse...

Ninguém aqui quer negar a relevância da relação M x P, mas dizer que V é uma das variáveis mais estáveis está longe da realidade.
A propósito, o senhor jogou outra questão para de baixo do tapete. Como mensurar M? Qual agregado usar?
Abraços
Daniel

Anônimo disse...

E mais, o senhor precisaria responder duas perguntas que o Alexandre Schwartsman fez:

"Ainda assim, Adolfo: (1) você tem que mostrar um índice de preços que se mova em linha com a quantidade de moeda; (2) explicar porque alguns preços presumivelmente (porque você ainda não mostrou) com a oferta de moeda e outros (preços de bens em geral) não."

Anônimo disse...

Adolfo,

A respeito do meu comentário anterior, cometi um erro. Na verdade, nos EUA, considerando o agregado papel-moeda em poder do público, a velociade da moeda teve um crescimento consistente entre 1890 e meados da I Guerra Mundial (de V=11 para V=17), quando houve uma queda brusca, para V=12). A partir de 1919, voltou a crescer consistentemente até 1929 (V=20), quando caiu bruscamente para V=9. Em 1945 atingiu V=5 e voltou a subir consistentemente chegando a V=16 na década de 1980.

No entanto, considerando M1, a coisa não foi tão dramática, embora tenha havido um movimento em forma de U (uma queda de V=4 em 1890, para V=2 em 1945, subindo a partir daí até V=4,5 na década de 1980).

Fonte: O livro Macroeconomics, do R. Barro.

Um abraço,

J. Coelho

Anônimo disse...

O Adolfo está falando de estabilide temporal da variável V e não de sua constância. É claro que a medida da velocidade depende do agregado que se concebe. Pelo que consta, quanto maior for o agregado monetário, menor V (a velocidade de M1 é maior do que a de M2, que por sua vez é maior do a de M3 e assim sucessivamente). No limite, conceitualmente, há um agregado em que cada unidade monetária circula uma vez. Nesse sentido, supondo que ele esteja falando de M1, creio que o Adolfo tem razão.

Anônimo disse...

By Mao Visivel

"Sobre liberal falando besteira...
O texto do Sachsida é realmente um monte de bobagens. Mas é absolutamente inofensivo. O máximo que pode ocorrer é um quermesseiro, no seu mix de ignorância e má fé, citar e dizer que a visão dele é a visão do "mainstream".

Já o problema com os quermesseiros é que eles estão numa posição onde podem não só falar besteira, como também fazê-la. Então, não creio que haja benevolência do Alex, mas sim questão de foco.
E o mais curioso em relação ao Sachsida é que, embora a análise seja totalmente equivocada, a solução de agora seria a correta, ou seja, apertar a política monetária."

Blog do Adolfo disse...

Caro Anonimo,

O Brasil eh realmente um pais curioso. Quando um professor de macroeconomia de cursos de mestrado/doutorado, com publicacoes nacionais e internacionais na area de politica monetaria, escreve sobre politica monetaria ele eh acusado de ser " imbecil". Sera ele mesmo o imbecil? Ou sera imbecil os que nunca estudaram o tema e emitem opinioes?

Quanto ao mainstream, bom nao ha discussao: para o mainstream inflacao EH UM FENOMENO MONETARIO. Sao os pos-keynesianos e os marxistas que nao aceitam essa visao.

Assim, quando alguem negar que inflacao seja um fenomeno monetario, ele provavelmente sera um pos-keynesiano.

Adolfo

Anônimo disse...

Adolfo, o senhor perdeu seu tempo respondendo (com argumento de autoridade) um comentário mal educado em vez de debater questões pertinentes.
Ratifico algumas questões:
1)Como mensurar M? Qual agregado usar?
2)"você tem que mostrar um índice de preços que se mova em linha com a quantidade de moeda"
3)"você tem que explicar porque alguns preços presumivelmente (porque você ainda não mostrou) com a oferta de moeda e outros (preços de bens em geral) não."

E mais, o senhor usa o argumento de que mudanças em V podem até ocorrer, mas são muito lentas, "sendo incapazes de explicar mudanças em P para intervalos curtos de tempo como o mês ou o ano".

Mas mudanças em M também são incapazes de explicar mudanças em P para intervalos curtos de tempo como o mês ou o ano! Aqui cabe novamente as questões 2 e 3 acima.

A evidência de V para várias medidas de M não corroboram sua afirmação:

Daniel

Blog do Adolfo disse...

Caro daniel,

voce tem razao, argumentos de autoridade nao tem validade cientifica. Contudo, estranho que determinados anonimos, as vezes se dizendo professores, recorrem a esse metodo.

Sobre seus postons:

1)M em minha opiniao deve ser M1 (mas aqui claramente existe discussao sobre qual agregado eh o mais adequado)

2)nao isso nao eh necessario. Eu gosto muito do Alex, mas discordo dele nesse ponto. Meu ponto eh justamente que os indices de preco representam sub-grupos (importantes eh verdade) de bens, mas nao todos eles. Essa criticia nao eh minha, e eh uma critica comum na literatura sobre indices de preco. Por exemplo, qual o efeito de desvalorizacoes cambiais sobre o IPCA? Praticamente nenhum, nao porque isso nao importa, mas porque o IPCA geralmente nao capta isso. Sao outros indices de preco que respondem mais fortemente a desvalorizacoes cambiais.

3)esse ponto eh amplamente conhecido na literatura. Por exemplo, suponha que voce ganhe na mega-sena: sua demanda por feijao nao ira aumentar, mas sua demanda por casas de luxo sim. Ou seja, se voce jogar dinheiro na economia alguns bens terao sua demanda aumentada numa magnitude muito maior que a de outros.
O exemplo claro no Brasil eh o mercado imobiliario que tem aumentado de preco numa magnitude assustadora (lembre-se de que os pesos desse mercado no IPCA nao mudam em decorrencia disso).

Por fim, te faco uma pergunta: ja que imprimir moeda NAO gera inflacao (como alguns dizem), entao por que nao aumentar a oferta monetaria????

O argumento tradicional para se financiar os gastos do governo com divida publica e NAO com emissao de moeda se baseiam no fato de que financiamentos do gasto via expansao monetaria geram inflacao, mas se isso nao eh verdade, entao por que nao imprimir mais moeda????

Anônimo disse...

Adolfo, obrigado pelas respostas.

Antes quero deixar claro nossa divergência. O senhor acredita que a inflação é explicada APENAS por mudanças em M. De maneira mais específica, o senhor acredita que a inflação se deve fundamentalmente por movimentos em M1.

Já eu não acho que a inflação é um fenômeno puramente monetário, ainda que crescimentos da quantidade de moeda ceteris paribus gerem inflação.

Sobre as respostas:

1)Com o desenvolvimento de novos mecanismos de transação, M1 perdeu grande parte da sua relevânica. A respeito: http://www.chicagofed.org/digital_assets/publications/economic_perspectives/2005/ep_1qtr2005_part4_teles_zhou.pdf

2)Nesse ponto, sua resposta, assim como sua justificativa para a versão puramente monetária da inflação, são "não-científicos" no sentido de que não podem ser falsificados. Como a verdadeira inflação não é observável, nunca poderemos refutar sua tese! Nesse sentido ela é quase irrelevante.

No entanto, aceitando que os índices de preços são uma boa aproximação, sua tese se enfraquece.
Da mesma forma, se mostrarmos que V não é estável enfraquecemos outro pilar fundamental do seu argumento.
Veja:
http://research.stlouisfed.org/fred2/graph/?&chart_type=line&graph_id=&category_id=&recession_bars=On&width=630&height=378&bgcolor=%23B3CDE7&graph_bgcolor=%23FFFFFF&txtcolor=%23000000&ts=8&preserve_ratio=true&fo=ve&id=M2V,M1V,MZMV&transformation=lin,lin,lin&scale=Left,Right,Left&range=Max,Max,Max&cosd=1959-01-01,1959-01-01,1959-01-01&coed=2010-07-01,2010-07-01,2010-07-01&line_color=%230000FF,%23FF0000,%23006600&link_values=,,&mark_type=NONE,NONE,NONE&mw=4,4,4&line_style=Solid,Solid,Solid&lw=1,1,1&vintage_date=2011-01-18,2011-01-18,2011-01-18&revision_date=2011-01-18,2011-01-18,2011-01-18&mma=0,0,0&nd=,,&ost=,,&oet=,,&fml=a,a,a&fq=Quarterly,Quarterly,Quarterly&fam=avg,avg,avg&fgst=lin,lin,lin

3)Tendo a concordar.

Quanto a sua pergunta, ela já está respondida. Aumento de moeda ceteris paribus gera inflação.
Agora minha pergunta: O senhor é favorável de uma regra de controle monetário? Defende a regra ótima de Friedman (que ele mesmo reconhecer não ser "ótima")?

Abraços
Daniel

Chutando a Lata disse...

Existem alguns artigos de nobéis que devem ser relembrados. Cito aqui o de Lucas que trata de mostrar que o conceito do que é moeda não é trivial. Lembro outro do mesmo autor em parceria com um de seus discipulos que mostra que não há nada de defintivo em regras de controle de juros. Enfim, vale ainda citar do mesmo autor o artigo que diz que em teoria econômica o que temos de razoável é a TQM que só vale para o longo prazo - cerca de quarenta anos.
Claro, as teorias econômicas são frágeis e aparentes preciosismos metodológicos só revelam limitações. Os que acreditam em demasia nos seus modelos acabam refém do seu formalismo. A intuição econômica é insubstituível.
Nas questões presentes, para mim, o ponto o essencial é que juro é um "preço" e controlar preço não faz muito sentido para muitos economistas. Para os Keynesianos até o preço do petróleo afeta a taxa de inflação. E aproveito a ocasião para protestar contra o Bacen, não tanto pelo aumento dos juros e sim pela forma absurda que o fazem: atrelando os juros selic à dívida pública. O fim da indexação é minha meta política!

Anônimo disse...

Adolfo,
o argumento novo-keynesiano coloca a produtividade e as expectativas no cerne da determinação da inflação, o que é muito razoável, pelo menos no curto e médio prazo. As expectativas, por exemplo, podem fazer os agentes migrarem entre os agregados monetários e a produtividade impacta diretamente sobre os custos. Outra coisa, o peso do mercado imobiliário no IPCA muda no tempo. O argumento válido é que esse segmento é subestimado por, basicamente, aluguel e taxas.
Abs

Blog do Adolfo disse...

Daniel,

1) a discussao sobre qual agregado olhar eh longa. Eu prefiro M1, outros preferem M4. Mas esse eh um ponto em aberto.

2) meu argumento eh falseavel sim. Ele eh um argumento teorico, e como tal pode ser falseavel dentro da logica usada (ele nao pode ser falseavel com estatistica, apenas isso).

3) concordamos.

Num mundo que comecasse do zero, talves a regra de friedman fosse boa. Hoje, NAS CIRCUNSTANCIAS ATUAIS, eu sou contra alteracoes no mecanismo de metas de inflacao. Em minha opiniao nao eh o momento para isso.

Contudo, acredito que deveriamos permitir a circulacao de moedas privadas.

Adolfo

Blog do Adolfo disse...

Caro Anonimo,

Um choque negativo de produtividade diminui a producao. Com M constante, isso implica num aumento do nivel de precos. Ou seja, tal como colocado no texto essa explicacao eh valida apenas para periodos curtos de tempo. No longo prazo, a experiencia dos ultimos 500 anos nao mostra isso.

Por fim, volto a repetir: novo-classicos e novo-keynesianos atribuem a inflacao a fenomenos monetarios. Sao os pos-keynesianos e marxistas que refutam essa ideia.

Adolfo

Anônimo disse...

"Um choque negativo de produtividade diminui a producao. Com M constante, isso implica num aumento do nivel de precos. Ou seja, tal como colocado no texto essa explicacao eh valida apenas para periodos curtos de tempo. No longo prazo, a experiencia dos ultimos 500 anos nao mostra isso."

Do que o senhor disse eu concluo que concorda que no CP a inflação pode se dar pelo canal das expectativas e custos marginais. Mas se seu ponto é o LP, então você está em contradição. Seu texto afirma que [a velocidade da moeda] " pode aumentar ou diminuir ao longo dos anos, pode até ter uma tendência, mas mudanças em V são lentas, sendo incapazes de explicar mudanças em P para intervalos curtos de tempo como o mês ou o ano." Afinal, seu ponto é o CP ou LP?!

Disso concluo que V não poderia explicar a inflação no CP (olhou o link com os gráficos de V?), mas pode no LP. A consequência disso tudo é:
No CP a inflação não é puramente determinada por M, mas por outros fatores como expectativas, custos marginais e outros choques.
No LP a inflação vai depende tanto de M como de V. Logo, a inflação não é nem no curto nem no longo prazo um fenômeno puramente monetário!

Sobre seu argumento ser falseável por ser teórico, tenho que discordar totalmente. Sem entrar numa discussão epistemológica mais profunda,ressalto que um modelo ou argumento científico deve resultar em proposições que possam ser desmentidas por observações empíricas, ou, na linguagem
de Popper, possam ser falsificadas.
Do ponto de vista (radical) Friedmaniano sua teoria torna-se ainda mais absurda.

Apenas para citar um exemplo teórico não falseável, pasmem: RACIONALIDADE

Não há teste empírico que possa
rejeitar esta hipótese.

Abraços
Daniel

Anônimo disse...

" Agora minha pergunta: O senhor é favorável de uma regra de controle monetário? Defende a regra ótima de Friedman (que ele mesmo reconhecer não ser "ótima")?"

Onde Friedman falou tal coisa sobre a sua propria regra?

Francis

Anônimo disse...

Os keynesianos de todos os tipos infestaram o blog liberal. Querem a todo custo fazer valer o targeting inflation brasileiro

Anônimo disse...

Caro,

Estou acompanhando esta discussão e resolvi botar lenha na fogueira.

Os modelos monetários são todos muito ruins, por isto não trabalho com nenum deles. O ponto é simples, moeda é meio de troca (pode até ter outras funções, mas é primordialmente meio de troca) e nos modelos macro não ocorrem trocas!!! Desta forma em todos os modelos macro (me refiro a modelos de agente representativo e/ou modelos de um único bem) a moeda é necessariamente artificial, normalmente colocada de forma ad-hoc e, muitas vezes, absurda. A literatura de moeda na função de utilidade é um exemplo disto. Mesmo nos modelos de gerações superpostas, a moeda tende a ser mais um ativo que um meio de troca mas existe espaço para discussão.

Para tratar de moeda é preciso admitir heterogeneidade de agentes e a existência de três ou mais bens. Mas nem isto é suficiente, seria preciso também retirar a hipótese de leiloeiro walrasiano, ninguém precisa de meio de troca se todas as trocas são feitas por um leiloeiro. Até onde eu acompanhei, a literatura que tenta fazer isto gerou modelos muito complexos com pouca aplicabilidade no dia a dia da política monetária e menos ainda para fazer previsões. Talvez tenha evoluido para modelos mais aplicáveis, não sei, torço para que sim.

Por tudo isto, creio que a única coisa razoável a fazer quanto a política monetária é controlar a oferta de moeda (ou os juros, tanto faz) pois esta é a única variável que sabemos que controla a inflação.

Abraço,

Roberto

P.S. É favor apresentar a definição de moeda em uma economia sem trocas antes de sugerir base de dados, gráficos e artigos sobre o tema.

P.S. Uma pergunta. Se o problema é a amplitude das cestas utilizadas para medir preços, por que não utilizar o deflator implícito do PIB como índice de preços?

Blog do Adolfo disse...

Caro Daniel,

Muitas das predicoes da fisica nao podiam ser falseadas quando de sua elaboracao. Voce vai dizer que isso nao eh ciencia???

O fato de voce nao ter a capacidade de falsear algo hoje nao quer dizer que tal hipotese nao seja falseavel.

Adolfo

Chutando a Lata disse...

Pois então Roberto, pelo que entendi você é também um monetarista, porque keynesiano é que não pode ser.

Anônimo disse...

Este tal de Daniel,um verdadeiro picareta do blog do Mão Visivel, é um Keynesiano muito do mequetrefe. Achar que choques de oferta afetam a inflação é o fim da picada. Pergunto ao debil mental: se o preço da soja subir aos píncaros no mercado internacional isto afetaria a inflação tupiniquium? E mais. Isto seria necessário para um ajuste de juros pelo modelo de targeting inflation?
Francis

Anônimo disse...

QUe chato é esse Daniel. Um keynesiano mutio do pendelho que acha que a curva de Phillips representa verdadeiramente o lado da oferta agregada.

Anônimo disse...

Só vou concordar que a inflação não é um fenômeno puramente monetário quando alguém definir inflação em uma economia não monetária. Simples assim, se não tem moeda não tem inflação!!!

Roberto

José Carneiro da Cunha disse...

Prezado Daniel,

sobre falsear, já que citou Popper, o ponto do Adolfo é completamente coerente com o discurso de método científico do Popper.
É útil lembrar que para o desenvolvimento do paradigma, Popper usou a Relatividade de Einstein, que na época não era empiricamente testável, mas propunha experimentos que, um dia, com o desenvolvimento da ciência, poderiam ser usados para refutar momentaneamente a teoria. Em momento algum ele afirmou que a Física não era ciência por aceitar a Relatividade.
Você insistiu na questão da base, como resposta foi posto que não há, dado o atual desenvolvimento da economia no tratamento de agregados monetários, como se refutar a teoria, mas ela:
i) coloca um problema: relação entre oferta de moeda e inflação;
ii) propõe conjecturas sobre o problema em questão: aumento da oferta de moeda é causa primária da inflação;
iii) as conjecturas podem ser alvo de tentativas honestas de refutação.
Portanto, diferente daquilo que afirmou, não há conflito algum entre esta formulação e a abordagem científica do Popper.
O ponto central é a inexistência de mediadas adequadas de agregados monetários e índices de preços. O debate então é outro, não a adequação científica da teoria (dúvidas sobre isso são mais desconhecimento do que ponderações razoáveis), mas sim se a ciência atual teria os métodos necessários à refutação honesta das hipóteses.
Agora, retornando a TQM e ao que interessa: QP = MV. Das quatro variáveis, apenas uma é diretamente influenciada pela autoridade monetária (ou por alguém) e sempre que a autoridade perdeu o controle de M, P disparou. Isso vale para Espanha, Alemanha, Argentina, Brasil etc. Diferentes países, diferentes momentos históricos e realidades culturais, diferentes tecnologias. P só voltou a patamares razoáveis quando os governos reorganizaram suas bases monetárias.
Meu exemplo não corrobora a hipótese de forte relação entre oferta monetária e inflação (é impossível), mas refuta a de não vinculo entre elas e lança dúvidas sobre se as mudanças estocásticas em V e Q poderiam ser o fator mais relevante para dinâmica de P.
Um possível exemplo testável de evolução da inflação x agregados monetários seria a relação M1/M4. Hipótese: durante um processo inflacionário, os agentes econômicos buscam proteger suas disponibilidades, o leva a uma queda na razão M1/M4. Então, se com M1 crescendo essa razão aumentar ou não se alterar, teríamos a possibilidade de refutar, temporariamente, a relação como inicialmente proposta. Assim, evita-se o problema dos índices de inflação e nos basearíamos na “sensação inflacionária revelada” pelos próprios agentes econômicos. Porém, há alguns problemas sérios nessa proposta.
Abs

José Carneiro

Anônimo disse...

O ponto de vista metodologico nos ja concordamos em discordar.
Os outros pontos que coloquei o senhor se absteve de comentar (sua contradição com o CP e LP, e o gráfico de V).
Tomo isso como aceitação.
Só mais um ponto que antes tinha preferido deixar de lado: para novos-keynesianos a inflação não é um fenômeno (puramente) monetário. Inclusive os modelos dessa corrente sequer incluem moeda! Capítulo 2 (se não me engano) do livro do Galí.
Abraços
Daniel

Anônimo disse...

Por que as pessoas acham que a sua teoria é melhor do que a dos outros. Nâo há nada de definitivo que possa garantir que os novos keynesianos estejam certos, tanto quanto os velhos monetaristas.

Anônimo disse...

Francis: se eu pudesse me enquadrar em alguma matiz teórica, seria de fato keynesiana, mais especificamente, novo-keynesiana (diga-se, assim como o Schwartsman).

"Pergunto ao debil mental: se o preço da soja subir aos píncaros no mercado internacional isto afetaria a inflação tupiniquium? "

Respondo ao débil mental: O Brasil é o segundo maior exportador mundial de soja. Um aumento nos preços da soja, ceteris paribus, gera aumento da renda nacional. A depender da magnitude do aumento (e supondo tudo o mais constante) isso vai gerar aumento na demanda em geral com impactos inflacionários (mesmo que pequenos). Se você quis fazer referência ao pass-through, o efeito provavelmente será irrelevante dada a alta relação de cointegração inversa entre preços de commodities e taxa de cambio no Brasil.

Quanto a sua suposição de que um choque de oferta não é capaz de afetar a inflação, eu sinto até vergonha alheia. Primeiro porque, seja em modelos de RBC ou novo-keynesianos, choques de oferta tem impacto inflacionário trivialmente. Segundo, pois na minha escola fui ensinado a pensar na oferta e na demanda, na sua não ensinaram a pensar.

"QUe chato é esse Daniel. Um keynesiano mutio do pendelho que acha que a curva de Phillips representa verdadeiramente o lado da oferta agregada."

O senhor tem algum palpite de onde saia a curva de phillips novo-keynesiana? Deu pra ver que você não tem a mais vaga idéia do que está falando.

José Carneiro, obrigado pelo comentário. O que nos separa é que acho um evento mais provável Jesus voltar à Terra do que um dia conseguirmos ter dados populacionais sobre a inflação. E a afirmação do Adolfo (a despeito da contradição com CP e LP) foi de que a inflação é um fenômeno PURAMENTE monetário. Portanto, a hipótese levantada não é que a moeda seria a causa primária, mas sim que ela é a única causa.

Eu acho o assunto muito interessante, mas esse monetarismo hard-core é de um reducionismo absurdo.

Abraços
Daniel

Anônimo disse...

Os keynesianos são dogmáticos: só vale a sua teoria e quem não a considera em seus argumentos é porque não a conhece e assim não merece ser doutor. QUem a despreza, este é um estúpido. Xo keynesiano bastardo!
Francis

Anônimo disse...

O Adolfo diz que para Novo Keynesianos e ortodoxos em geral inflação é sempre um fenomeno monetário e que apenas marxistas e pós keynesianos dizem o contrário. Me parece consensual que expansões monetárias sejam fortemente explicativas da inflação, contudo vários economistas do mainstream têm estudado a inflação a partir de outras variáveis. Em especial pode se citar os modelos que atribuem ao poder dos sindicatos um papel importante no processo inflacionário. Alguns dos textos de referência neste sentido são CALMFORS, L. E J. DRIFFILL (1988), HANCKÉ, B. e SOSKICE, D. (2003), SOSKICE, D. (2000) dentre outros.

Anônimo disse...

Daniel,

Gostei muito das suas colocações, respeitosas e com segurança.

Continue contribuindo para o debate.

Francis,

Vá estudar e pare de reclamar! Esse debate é para gente grande!!!

Anônimo disse...

Roberto,

Seu comentário sobre a má qualidade é quase perfeita, exceto por um ou dois detalhes. Primeiro, tais modelos são os únicos que geram demanda por moeda mensurável: tanto os modelos MIUF, quanto os modelos TC e CIA, são modelos dos quais são derivadas equações quantificáveis de demanda por moeda, apesar de serem ad hoc. Em outros modelos, como os de gerações superpostas, nem mesmo uma equação de demanda por moeda pode ser derivada, já que, para a moeda ser um ativo valorizável, o modelo impõe que haja deflação igual ao crescimento da população. Ora, isso implica que a moeda não seria demandada em um ambiente inflacionário, o que parece absurdo.

Mesmo os modelos de search, ao estilo Jones (1976) e Kiyotaki & Wright (1991, 1993), apesar de mostrarem que existe um equilíbrio monetário com demanda positiva por moeda, tal demanda não é quantificável.

Assim, eu diria que apesar de ruins, os modelos monetários são úteis.

Um abraço,

J. Coelho

PS: Concordo com você em um ponto: trabalhar com modelos monetários é muito complicado. Tem um conhecido nosso que diz que tais modelos são como amante argentina, que dá um trabalho danado e na hora H não é lá uma brastemp.

Anônimo disse...

Daniel,

Até voce afirmar que o Gali usa modelo sem moeda para falar de inflação eu fico calado, não que eu acredite, mas também não vou me dar o trabalho de checar. Outros autores que trabalham com rigidez nominal e/ou artifícios do genêro para forçar a inclinação da OA e assim conseguir efeitos reais em deslocamentos da DA certamente não chegam a este ponto de loucura. Mas, por favor, não meta o pessoal de RBC na história. O "R" em RBC vem de Real, contraposto a nominal, a idéia é deixar claro que a literatura de RBC não está preocupada em explicar fenômenos nominais, como, por exemplo, a inflação. A opinião geral destes autores (conheci vários, fui aluno de alguns e tenho amigos que foram alunos de outros tantos) é que modelos agregados, deste tipo que hoje chamam DSGE, não são úteis para estudar moeda.

Ao Anônimo do dia 22/11

Pode ser que um dia todos nós passemos a concordar que a fonte da inflação é o conflito distributivo, não acho provável, mas quem sabe? Entretanto o fato é que está é uma hipótese de autores marxistas e que costuma ser utilizada por pós-keynesianos. A César o que é de César, por uma questão de justiça.

Coelho,

Véi, não vou defender modelos OLG para moeda, apenas disse que cabe uma discussão, nesta você não me pega. No mais concordo que os modelos possam ter alguma utilidade, assim como modelos IS-LM também podem ter alguma utilidade, vai saber... Mas o fato é que eles são muito fraquinhos e cheios de hipóteses ad-hoc.

Abraço,

Roberto

Anônimo disse...

Roberto, amigão,

Não foi pegadinha. Na verdade, foi uma defesa, meio envergonhada, dos modelos MIUF, TC e CIA. Quanto serem ad hoc, não vejo isso como algo muito ruim. Os modelos iniciais da física quântica, pelo que sei, são ad hoc. Nem por isso são ruins.

Um abração,

J. Coelho

Anônimo disse...

Roberto,
"a idéia é deixar claro que a literatura de RBC não está preocupada em explicar fenômenos nominais, como, por exemplo, a inflação."

A literatura de RBC procura explicar as flutuações econômicas sem referência a fatores monetários. Daí dizer que essa literatura não se preocupa com a inflação por ser um fenômeno nominal é hilário.
Primeiro porque a inflação ou deflação podem advir de choques REAIS. Logo, a inflação não é necessariamente um fenômeno nominal. Ou você discorda?!? Segundo porque qualquer literatura que ignorasse um dos principais problemas macroeconômicos que as economias enfrentaram seria no mínimo esquizofrênica. Obviamente, nesse caso o esquizofrênico não são os autores de RBC...
Sobre não acreditar que o modelo básico novo-keynesiano não inclui moeda, se não gostar do Galí, pode procurar no livro de um tal de Wooldford (conhece?). Esses dois são as principais referências. Mas se estiver com preguiça de pensar, então pelo menos não atrapalhe.

Abraços
Daniel

Anônimo disse...

Roberto,

Desculpe-me por voltar a esse ponto. É que acho que você está tirando sarro, quando compara o modelo IS-LM com os modelos monetários em que a moeda é introduzida nas funções de utilidade, apenas por classificá-los como ad hoc. Embora eu concorde com você sobre esse ponto, os modelos ao estilo IS-LM têm muito mais defeitos do que o modelo MIUF, pois, pelo menos em prazo curto, a moeda pode ser considerada um ativo (Hicks considerava sua posse como uma forma de compensar possíveis perdas na conversão de ativos em moeda; Friedman, pura e simplesmente, a considerava um ativo). Nesse caso, parece não ser um pecado mortal introduzi-la nas funções de utilidade como se fosse um bem qualquer. Claro que cabe perguntar qual é o valor intrínseco de uma unidade monetária? A resposta é um sonoro NENHUM. Mas, ainda assim, há uma rationale por trás dos modelos com moeda na função de utilidade: a moeda é um bem valorizável, com as restrições usuais. Nesse ponto pergunto: qual é a rationale que norteia os modelos ao estilo IS-LM? Em minha opinião, cabe uma única resposta: os modelos IS-LM são assim por que são assim.

Abraço,

J. Coelho

Anônimo disse...

Grato pela geladeira Adolfo, mas não sei bem qual é a diferença entre débil mental e Função de Distribuição de Probabilidade. Mas vamos aos pontos.

O nanico quer impor seu keynesianismo bastardo e não quer que eu imponha o meu monetarismo lúdico. Fiz a pergunta sobre a soja e ele confirma, usando seu monetarista caboclo, que não sabe a diferença entre mudanças de preços absolutos e inflação. O modelo keynesiano incorpora ad hoc choques na equação de ajustamento – curva de Phillips (essa é a sua função básica nesses modelos de desequilíbrio) e acha que isso é válido. O nanico não consegue perceber o absurdo de se ter que aumentar a taxa de juros (provavelmente não sabe por que) e daí levar a uma recessão pelo fato do preço da soja ter subido. Poderia ser o petróleo ou qualquer outra coisa.Pra piorar as coisas ainda fala em câmbio. Resumindo, ao engenheiro Daniel: vá professar sua religião em seu oratório keynesiano, no dos monetaristas estaremos sempre alerta.
Resumindo: você de fato não pode entender ajustes de preços relativos, porque vai sempre querer gerar uma recessão para evitar os ajustamentos óbvios do mercado. Por isso que não entende a ênfase na diferença entre mudança de preços absolutos e inflação.
Por fim, vá reler de novo a teoria do RBC – choques tecnológicos que geram ciclos.

Francis

Anônimo disse...

Francis, esse é um blog de economia. As pessoas, em geral, sabem identificar argumentos cretinos escondidos numa retórica de ensino médio. Procure um blog de sociologia ou política...Assim você coloca esses seus "argumentos" econômicos, envolvidos de uma verborragia desconexa e todos vão pensar que é um gênio.
Aqui, no entanto, você se sujeita a humilhação pública. Vamos a mais um capítulo dela:

"O modelo keynesiano incorpora ad hoc choques na equação de ajustamento – curva de Phillips (essa é a sua função básica nesses modelos de desequilíbrio) e acha que isso é válido."

Essa frase é um show de horror. Todo o modelo novo-keynesiano é micro-fundamentado. Não há inclusões ad hoc (a menos que não alterem o resultado e facilitem o entendimento). Portanto, a curva de Phillips não é uma equação de ajustamento (seja lá o que isso signifique), ela é uma relação estrutural! Segundo, esses modelos não são de DESequilíbrio!! São modelos DSGE (Dinâmicos, estocásticos e de EQUILÍBRIO GERAL). Triste.

"você de fato não pode entender ajustes de preços relativos, porque vai sempre querer gerar uma recessão para evitar os ajustamentos óbvios do mercado. Por isso que não entende a ênfase na diferença entre mudança de preços absolutos e inflação."

Francis, tente entender. Mudanças de preços absolutos significa obviamente alterações na inflação. Mudanças de preços relativos, em geral, também provocam alterações de preços (inflação ou deflação), a menos no caso PARTICULAR onde as alterações se compensem. Por exemplo, imagine que a economia tenha dois bens. Se um aumenta em 10% e o outro diminui em 10% (supondo que tem participações iguais na cesta de consumo) então temos o caso raro em que alterações nos preços relativos não provocam inflação (aumento geral de preços). Nesse sentido, sua distinção super erudita não tem a menor relevância.
Ademais, burrinho, a política monetária só deve intervir em movimentos de preços que sejam permanentes ou persistentes. Se for apenas uma alteração once for all, isso não é objeto para ação do BC (seja preço relativo ou absoluto)!

Agora, tenha orgulho próprio e vá estudar.

Daniel

JOÃO MELO disse...

Caro Adolfo,

Alem da sua aula no post, eh muito interessante ler argumentos pro e contra nos comentarios, alguns com conhecimento dos dois lados da moeda, outros nem tanto. Mas eh importante este embate.
Parabens pelo seu post no Ordem Livre e que venha mais discussoes por aqui.

Abraco,
Joao Melo

Anônimo disse...

Bom, esse Daniel é um insano. O cara não sabe o que é um penduricalho. Ele escuta alguma ladainha em algum lugar e a repete aqui na maior cara de pau. O fato dos modelos neokeynesianos serem microfundamentos não invalida o penduricalho que colocam na equacao que representa a curva de philips - que é uma equaçao que faz o ajuste (ele não entende isso o que demonstra que não sabe que tem uma rigidez no modelo neokeynesiano). O penduricalho são os chamados choques de oferta, tipo preço do petroleo e coisas do genero.Vou parar por aqui, porque estou conversando com um debil mental que dá provas recorrrentes de sua imbecilidade. A maior foi a de falar que pode haver inflaçao sem que haja moeda.Inflacao é um fenomeno nominal. Por isso que falamos em juros nominais e juros reais. Os nominais só podem aparecer num mundo com moeda. Gostaria de ver um prostibulo sem prostituta. Quem acreditaria? Vou repetir, este é um blog monetarista e por isso resolvi meter minha colher pra espantar um keynesiano maluco. Já estou arrerpendido.
Francis

Anônimo disse...

Mudanças de preços relativos, em geral, também provocam alterações de preços (inflação ou deflação), a menos no caso PARTICULAR onde as alterações se compensem.

Primor de burrice! Definição de inflação é que todos os preços sobem.

Anônimo disse...

Francis,
você é masoquista?
A menos que se conheça o processo gerador de dados, toda equação quando posta a prova dos números terá um choque (erro). Você já estudou econometria? Isso não tem nada a ver com inclusão ad hoc!! Novamente, todas as variáveis (sabe a diferença de uma variável e o resíduo?) que aparecem na curva de phillps vem de um problema de maximização micro-fundamentado. Você sabe o que é uma relação estrutural? Aquilo apenas representa possíveis choques aleatórios...
Sobre a equação ser de "ajustamento", burrinho, trata-se de um modelo de equilíbrio geral. Vou repetir, equilíbrio GERAL. Todas variáveis de todas equações estão se ajustando. Isso independe de haver rigidez ou não! Novamente, sua vergorragia é de um vazio irritante. Você não conhece a literatura nem de perto (já ficou evidente), mas pelo menos você poderia raciocinar um pouco mais.

Por fim, estou vendo que a frequência não anda muito boa: "Primor de burrice! Definição de inflação é que todos os preços sobem."

O cara não sabe nem o que é inflação!! Ele deve ter ouvido que é o aumento geral no nível de preços e entendeu esse "geral" como se todos os preços tivessem que subir. Veja só, em 2010 o Brasil não teve inflação (apesar do IPCA ter subido 5,9%), afinal alguns preços tiveram deflação! Avisem o BC!!!

Daniel

Anônimo disse...

Anônimo de 22:51.
Então, pela sua brilhante definição, não há inflação no Brasil, pois o preço da lâmpada fria caiu no Brasil...

Anônimo disse...

Dá um nó na cuca tentar entender a noção de inflação sem moeda. Como é que se pensa em mudança real nominal? Ou seria mudança nominal real? Sei lá. Na minha opinião, na falta de moeda, se um bem passa a valer mais do que os outros, é porque os outros passaram a valer menos do que o um. Dá para chamar isso de inflação? Só se for num universo paralelo.

Anônimo disse...

O problema com esse Daniel é qie mão sabe o básico.
Francis

Anônimo disse...

Daniel,

Antes de citar Gali ou Wooldford ou quem seja, leia-os, pior do que usar a própria autoridade como argumento é usar a autoridade dos outros. Daí cite como quem estuda: autor, ano e revista. Coisas do tipo acho que está no capítulo X livro do Gali apenas demonstram que você não leu as pesquisas do autor e nem sequer estudou direito o livro.

Como todos que me conhecem sabem eu convivo bem com pensadores de várias escolas, de neoclássicos a marxistas, passando por todas as vertentes de keynesianismo e outras variações. Entre tantas pessoas com quem conversei ninguém mostrou um conhecimento tão raso aliado aquele tipo de arrogância que mal disfarça a insegurança e a falta de conhecimento como você. A seu respeito só uma coisa pode ser dita: Pede para sair Daniel, você é um fanafarrão.

É meu último comentário neste tópico (Coelho, conversamos depois). A conversa já degenerou a tal ponto que justifica a infeliz comparação entre disussões na internet e para-olimpiadas.

Roberto

Anônimo disse...

Meus caros,
Só alguns pontos:
1- Inflação, em essência, é sim um fenômeno monetário.
2- A TQM, entretanto, não é tão boa assim. Se esta foi utilizada no post para fins didáticos, tudo bem. Se se acha que esta é a atual discussão existente no campo da teoria monetária, tudo mal.
3- A relação (como nos mostram diversos modelos mais recentes ou nem tanto) entre oferta de moeda e inflação é não linear e não-monotônica.
4- Isto explica, por exemplo, a superioridade do regime de metas de inflação em relação a regime de controle da base monetária (qualquer que seja o conceito utilizado - esta discussão também é complexa). Ou seja, dadas as variações (não observadas) em todos os elementos já citados (no post e nos comentários), o BC observa a taxa de inflação e a taxa esperada no mercado e ajusta os agregados monetários para que esta taxa convirja para o centro da meta.
3- Apesar da inflação ser essencialmente monetária, esta tem suas raízes na política fiscal (como no caso brasileiro). É forçar muito a barra pensar em erros sistemáticos sendo implementados pelas autoridades monetárias (que gerariam inflação sem vinculação com a política fiscal vigente).
4 - Falar mal de índices de preços não tem sentido. Existe realmente outra discussão complexa sobre qual índice de preços utilizar em ambiente político com metas de inflação, mas esta é outra discussão.
5 - O ponto relevante aqui é outro. Suponhamos que o aumento da oferta de moeda modifique alguns preços e não outros. Neste caso, inflação NÃO SERIA um fenômeno monetário (uma vez que a moeda não seria capaz de modificar alguns preços na economia) e, pior ainda, A MOEDA NÃO SERIA NEUTRA (terrível, não?).
É isto.
Saudações,
(outro) anônimo (não sou professor de macro uma vez que não tenho a mínima idéia sobre o que é isto)

Anônimo disse...

Falando para o anonimo que não é professor de macro e não tem a minima ideia do que é isso. Ele diz:

2- A TQM, entretanto, não é tão boa assim. Se esta foi utilizada no post para fins didáticos, tudo bem. Se se acha que esta é a atual discussão existente no campo da teoria monetária, tudo mal.

Respondendo: Segundo Lucas (premio Nobel e considerado um dos maiores economistas vivos – leia o seu Nobel lectures e outros artigos pontuais sobre isto ) a melhor teoria para falar de inflação é a TQM . Claro, voce mesmo acha que macro não existe. Então diga qual é a outra teoria que explica inflação e que os macroeconomistas como Lucas, Prescott e outros a consideram tão testável quanto a TQM.

Depois esboça novamente o seu modelo e acha que ele é testável e que todos o aceitam, principalmente quem está fazendo ciência, como Lucas.

obs: o fato de um modelo agregativo ser microfundamentado não quer dizer que macroeconomia não existe.
Didaticamente: um modelo tem que ser usado para fins especificos. Se ele vai ser considerado "bom" o debate é longo entre os caras que fazem ciência - certamente não é aqui no blog.
Francis

Anônimo disse...

"Suponhamos que o aumento da oferta de moeda modifique alguns preços e não outros."

A menos que os bens que tiveram os preços modificados pelo aumento da oferta de moeda não tenham substitutos (difícil de acontecer), não consigo imaginar que os outros preços não serão modificados em algum momento no tempo. Nesse caso, mais dia, menos dia, a moeda será neutra. Talvez, por isso, a afirmação no início do omentário: "Inflação, em essência, é sim um fenômeno monetário."

Anônimo disse...

o que o anoninmo recente que não sabe nada de macro -rss - fala aparece em woodford 2006. Mas daí achar que esse modelo é melhor do que a TQM, vai uma distância muito grande.

Anônimo disse...

Li o paper de woodford que tanto da respaldo as bobagens ditas, aqui no blog monetarista, pela turma keynesiana, com viés matemtático. è uma porcaria do inicio ao fim´. Isso você identifica trivialmente quando ele afirma que neutralidade da moeda tem que ver com preços relativos.O básico é fundamental! matemática pode ajudar, não aos matemáticos.
francis

Mário Bizerra disse...

Somente hoje vi esse artigo.
Reputo importante, bom. Fiquei pensando em V (M1). Aí imaginei a população viciada, toda ela tudo consumindo cada vez mais rapidamente.
Tenho refletido sobre isso. Ora, o fluxo monetário termina sendo canalisado para algum lugar, ou lugares, ou bolsos, melhor dizendo, cofres, reaplicações. Quando, como e quanto é que volta para alimentar M?
Sem dúvida, é assunto fascinante...

Google+ Followers

Ocorreu um erro neste gadget

Follow by Email