quarta-feira, 23 de março de 2011

As Placas das Empresas

Bem poucas coisas são capazes de ilustrar tão bem o atual estado do capitalismo brasileiro quanto as placas das empresas. Não bastasse o governo interferir nas regras de contratação, regras de alocação, regras de localização das empresas, agora interfere-se também nas placas das empresas.

Uma das primeiras providências a serem tomadas quando se abre um negócio é providenciar uma placa bonita de identificação para a nova empresa. Simples não? Infelizmente não. Hoje o governo interfere diretamente nisso. Por exemplo, na cidade de Londrina-PR, as autoridades municipais obrigaram todos os comerciantes a trocarem suas placas antigas por placas novas, mais adequadas a um ambiente com menor poluição visual. A idéia como sempre é nobre: diminuir a poluição visual. Contudo, tão logo a idéia foi implementada, descobriu-se que as antigas placas, que eram maiores, escondiam a marca do tempo em vários edifícios do centro. Outras vezes as placas antigas escondiam a fiação horrorosa de vários estabelecimentos. Em resumo, tiraram-se as placas antigas e a sujeira escondida debaixo do tapete apareceu. Pior do que isso, micro e pequenos comerciantes tiveram que alterar a fachada de seus negócios. Essa despesa, apesar de pequena para grandes empresários, representou significativas perdas para os pequenos comerciantes.

Como não poderia deixar de ser, o governo do Distrito Federal também dá sua contribuição negativa para esse tema. Entrará em vigor uma nova lei, no Distrito Federal, que obriga os comerciantes a colocarem o telefone do PROCON nos letreiros da empresa. Sim leitor, você leu certo: todos os comerciantes do Distrito Federal serão obrigados a alterarem o design de seu letreiro para incluir o telefone do PROCON. Notem ainda que, no Distrito Federal, os comerciantes já são obrigados a: 1) afixar em local visível, dentro do estabelecimento, o telefone do PROCON; 2) ter um exemplar do código de defesa do consumidor disponível; e 3) incluir na nota fiscal o endereço e o telefone do PROCON.

Pobre das pequenas e micro empresas brasileiras. Não bastassem os impostos, a insegurança, e a burocracia, agora têm que lidar também com letreiros.

7 comentários:

Anônimo disse...

Quem inventou o "Cidade Limpa" em São Paulo foi o liberal, hoje dilmista, Kassab.

Aliás, dizem que quando ele, passeando de helicóptero, viu que pintaram o letreiro do Itaú que há no Conjunto Nacional, ficou furioso. O letreiro só estava ali por um favor do Kassab, porque não se encaixava na lei, mas o prefeito graciosamente deixava passar essa. Não gostou nada que o pintaram sem ter pedido a permissão dele.

Anônimo disse...

Alguém desavisado, como o Anônimo aí de cima, pode sugerir que a crítica é aos governos vermelhos. Não. A crítica, eu creio, é a todos os governos que tentam dirigir a vida de todos. Comunas ou não.

Anônimo disse...

Jura que vc acha errado promover a recuperação das fachadas, ao invés de tapar com uma placa gigante?
O setor publico que deveria pagar pela recuperacao das fachadas?
É Adolfo, voce nos surpreende a cada dia.

Anônimo disse...

Desculpa Adolfo concordo inteiramente com vc quando diz da burocracia e dos alto impostos, acho que o país tem de facilitar o processo de abertura de novos empreendimentos e nao dificultar, mas tem que pensar no consumidor tbm, se a empresa se garante na qualidade de seu produto ow serviço nao vejo nada demais essa medida, e outra da trabalho quase nenhum neh, nenhum empresário vai desistir de abrir um negócio por causa disso.

Anônimo disse...

Adolfo,

Vai para Taguatinga. Cidade poluída visualmente que, sem dúvida, reflete negativamente no funcionamento do comércio local. Existe endogeneidade. Ambiente, bem estar e uma boa atividade se reforçam. Se deixarem para o comércio local a iniciativa para mudanças, você acha que existe incentivos para melhoras?

Alberto Cavalcanti disse...

É Adolfo, muitos ainda veem somente o óbviu por tras dessa medida. Mas infelizmente se esquecem de olhar nas entre-linhas. Tenho uma empresa e sei qual o custo de trocar uma placa dessas. Para quem é grande talvez não haja problema, mais pra quem está começando, é a diferença entre obter lucro ou prejuizo.

É uma política bem brasileira passar por cima da iniciativa privada em prol de algum "nobre benefício". Pena que muitos não observam que lucro ou prejuizo pra quem é pequeno significa ficar no mercado ou não, gerar empregos ou não, e, cada vez que se dificulta mais a atividade, mais se contribui pra termos menos empresarios nela. O governo se esqueceu que somos nós consumidores que escolhemos onde compramos e o que queremos. Bem, no fim dessa história eu só vejo o fortalecimento de alguns poucos e o enfraquecimento de muitos. Uma pena pros consumidores.

Anônimo disse...

meus caros,
O post não é feliz mas contém uma questão muito relevante. O caso da poluição visual nas cidades é um caso típico de dilema dos prisioneiros. Daí que alguma regulação pública sobre isto (está começando no Brasil) não é absurda e aumenta o bem-estar. Esta discussão deve ser técnica e não ideológica. Este é um exemplo de intervenção benígna. Porém, o controle sobre o governo é sempre imperfeito (e no caso brasileiro, parece ser bem pior). As regulações citadas podem ser fruto exclusivo de lobby de algumas empresas que produzem estas placas (e eu tenderia a apostar alto que foi isto). No caso de Londrina (que não conheço), periga existir só uma empresa deste ramo na cidade (o que torna bastante indecente o exemplo).
Então é isto. A discussão é complexa porque: (1) Nem toda intervenção pública é ruim ou contraproducente - nem todos os graves problemas de coordenação social podem ser sanados livremente entre os indivíduos (como pensam nossos poucos liberais "religiosos"); (2) Nem toda ação pública busca maximizar algum bem-estar social (como pensam nossos muitos estatistas "religiosos"). Agora, as coisas ficam complicadas. Não existe bonzinho de um lado e malvado de outro. Estado e mercados se interagem de forma complexa determinando os resultados finais em termos de bem-estar social.
Saudações.

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