sexta-feira, 25 de março de 2011

A difícil tarefa de valorizar o mérito individual

Num mundo ideal os melhores, os mais produtivos, os mais esforçados e trabalhadores, são recompensados e promovidos. Os desleixados, preguiçosos e parasitas recebem de acordo com seu esforço e mérito, e não de acordo com seu padrinho político. Infelizmente, essa realidade está cada vez mais distante no Brasil. Pior do que isso, com o tempo passamos a aceitar tal realidade como normal.

O PT escandalosamente aparelha todos os órgãos públicos com apadrinhados políticos. Não bastasse isso, o PT quer agora aparelhar também as empresas privadas (como o exemplo da Vale deixa claro). Bancos, institutos de pesquisa, ministérios e empresas privadas, tudo é objeto de apadrinhamento político para o PT. O desprezo ao mérito individual está tão espalhado pela sociedade que para os mais novos é difícil de acreditar que algum dia já foi diferente. Hoje o emprego mais estável no Brasil é ser filiado do PT. Para esses não há crise, pouco importa sua qualificação desde que seu viés ideológico agrade a esquerda.

Vejam o caso do Banco PanAmericano. A presidente da Caixa Econômica Federal (CEF), que é ligada ao PT, autorizou uma operação de compras de ativos do PanAmericano que resultou em pesadas perdas para a CEF. O que aconteceu com a presidente que autorizou tão desastrada operação? Nada, ela continuou no cargo como se nada tivesse acontecido. Nem ao menos uma declaração sobre o desastre da operação que autorizou. Hoje a presidente da CEF pediu demissão. Hoje a ex-presidente da CEF já foi anunciada como indo trabalhar no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), por indicação do governo brasileiro. Difícil considerar isso uma punição severa. Das duas uma: a) a ex-presidente da CEF não tem competência alguma, e autorizou a operação da CEF com o PanAmericano. Nesse caso, não há razão para o governo brasileiro indicá-la para o BID; ou b) a ex-presidente da CEF é muito competente, e foi obrigada por pressão política a autorizar a operação CEF-PanAmericano. Nesse caso, cabem duas perguntas: 1) quem pressionou a ex-presidente da CEF a autorizar tão desastrada operação?; e 2) Por que?

Triste ver um país tão cheio de talentos afundar na lama do aparelhamento político. Triste ver tantos talentos desperdiçados. Triste ver tantos imbecis promovidos. Pobre do país que promove imbecis e pune talentos.

6 comentários:

Anônimo disse...

E mesmo depois de tudo isso, ser indicada e aceita pelo BID, torna tudo muito mais estranho ainda. Aparelhar até organizações multilaterais já começa a ficar mais do que danoso.

Anônimo disse...

Just accept the world the way it is...

Agostinho Lopes disse...

Fico com a segunda opção para a "demissão" e, em seguida o "cala-boca", tirando-a, inclusive, do país!

Realmente estamos fud... e mal pagos!

j.a.mellow disse...

Se o motivo alegado para a saída do presidente da Vale fosse aquilo que se falou, da mesma não ter atendido à solicitação do presidente Lula em criar mais siderúrgicas no País, a coisa poderia embolar, não de todo, por que mesmo assim não seria a forma correta de se tratar o caso de uma Empresa S/A, que tem seus estatutos e regras a cumprir inclusive com o conselho representante dos grupos de acionistas. Mas, considerando-se aí o lado estratégico do Brasil em relação a essas exportações exageradas de matérias primas e comodities agrícolas, já me deixaria espaço para outros “bons pensamentos”.
Se isso não fosse cortina de fumaça, o motivo até seria nobre, mas por que não fazê-la pelos tramites normais? Por que usar o Bradesco? Será para não parecer que é o Estado?
Agora, como não acredito que eles queiram intervir nessa política com a China que está sendo o nosso maior comprador de minério de ferro, volta tudo à estaca zero!
A preocupação deve ser mesmo com a insistente volta à estatização da Vale, como de todas as possíveis Empresas e negócios de porte que sejam lucrativas aqui no Brasil.

Anônimo disse...

Isso mostra porque temos um país tão ineficiente em quase tudo. Pior, no Brasil não é apenas questão de apadrinhamento...
é que o brasileiro baixo de valores e muito hipócrita... só dá oportunidade pra quem se parece igualmente com ele... isto é, pessoas de baixo valor moral e que não querem nada com nada... exceto, bajular para obter proveitos. Falo isso não por alguem ter dito ou visto... falo por experiência própria!!! Na empresa pública onde trabalho... constituída a pouco tempo, funciona da seguinte forma... uns pouquíssimos (5 - 10%) são competentes e fazem bem seu trabalho.. mas são covardes e não ligam para o resto. o restante todo (uns 90%) é gente despreparada... que não sabe sequer ler ou escrever direito e está ocupando cargos de chefia e gerência. Então.. veja bem... vc me perguntaria, como essas empresas continuam existindo? bom, primeiro... são empresas que no geral não possuem concorrência e operam de forma bastante ineficiente. Nestes lugares, quase nada funciona. Segundo, são pagos muitos treinamentos e cursos caros em institutos e fundações. Embora, verdade seja dita, não adianta muito pois o pessoal não quer aprender. Terceiro... a maioria dos serviços mais técnicos e que exigem conhecimento são terceirizados. Hoje.. é possível terceirizar praticamente tudo em uma empresa. O resultado... , muito dinheiro jogado fora... muito talento desperdiçado... muita gente hipócrita que faz destes lugares verdadeiros feudos.

Anônimo disse...

Eu vivo na prática isso, tem até um lema no meu órgão.
Não precisa ter eficiência, tem que ter paciência pra puxar beeem o saco.

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