domingo, 10 de abril de 2011

Armas de Fogo e Violência

A recente tragédia de Realengo fez voltar à mídia o debate entre violência e armas de fogo. Novamente, segmentos específicos da sociedade pedem pelo banimento das armas. Na economia, o debate entre armas de fogo e violência é antigo, onde se destaca o importante artigo de Lott Jr. (1998) “More Guns, less crime”, onde o autor sugere que (ao contrário do senso comum) com mais armas de fogo a criminalidade diminui. O argumento é simples: numa população desarmada o bandido fica livre pra agir. Já numa população onde as armas de fogo estão presentes o custo do bandido aumenta, pois este tem que enfrentar uma situação mais adversa. Na direção oposta temos o estudo de Duggan (2001) “More Guns, more crime”, sugerindo que a presença de armas de fogo aumenta a violência.

Quando da tragédia de Columbine, nos Estados Unidos, quando vários setores culpavam as armas de fogo pela tragédia, Charlton Heston (o famoso ator holywoodiano) argumentou: “se todos estivessem armados isso nunca teria acontecido”. Sim, o debate é carregado de ideologias e de visões pré-concebidas sem embasamento técnico.

Em 2009, eu e dois colegas publicamos um artigo numa importante revista nacional sobre a relação violência e armas de fogo: “An Empirical Examination of Firearms Users in Brasilia, DF”. Nesse estudo nós dividimos os usuários de armas de fogo em dois grupos: os que usam armas de fogo APENAS dentro de casa; e os que usam armas de fogo FORA de casa. Os resultados são de extrema importância para políticas públicas, pois mostram que indivíduos que demandam armas de fogo APENAS dentro de casa estão preocupados com sua segurança e a de seu patrimônio. Ou seja, uma maneira efetiva de reduzir o número de armas de fogo DENTRO de casa é melhorar a segurança pública. Por outro lado, indivíduos que andam armados FORA de casa são indivíduos (na média) mais propensos à violência, e respondem a incentivos distintos das pessoas que possuem armas apenas DENTRO de casa.

Em termos de políticas públicas, nossa sugestão é óbvia: se a sociedade quer fazer um plebiscito sobre armas de fogo, então a população deve optar entre: a) permitir armas de fogo APENAS dentro de casa; b) permitir que as pessoas tenham armas de fogo em casa e que possam andar armadas nas ruas; e c) não permitir armas de fogo. Notem que agora temos a possibilidade de impedir que as pessoas saiam de casa armadas, mas não é necessário banir as armas de fogo de DENTRO de casa (até porque esta responde muito mais a um desejo de proteção familiar e patrimonial do que ao comportamento violento dos indivíduos).

Para finalizar, um detalhe estatístico importante: a probabilidade de uma criança morrer afogada na piscina de casa é maior do que a mesma morrer devido a um acidente com armas de fogo. Mais importante do que banirmos as armas de fogo é banirmos a ignorância que ronda o debate sobre desarmamento.

19 comentários:

VITINHO disse...

Neste mundo capitalista a morte não é bemvinda para nenhum humano, quando morre alguém ; deixa de ser consumidor ,o governo não arrecada impostos médicos,industrias comerciantes deixam de lucrar.
Quanto mais pessoas vivas no mundo é ótimo para o capitalismo não tenha medo da explosão demográfica EXISTEM INFINIDADES DE PLANETAS PARA SEREM COLONIZADOS.
ARMAS DE FOGO SÃO FEITAS PARA MATAR PESSOAS,CAUSAR DOR,TRISTEZAS,INFELICIDADES POR LONGO TEMPO.AS PESSOAS TEM QUE ESTAREM VIVAS E FELIZ.

Chutando a Lata disse...

Eu não sei em que categoria fico, porque quero ter arma de fogo principalmente pra não ser escravizado pelos politicos bandidos e mandar bala pra quando vierem pra cima de mim.

Anônimo disse...

Caro,

O plebiscito já foi feito e a população se manifestou contrária ao banimento das armas de fogo. Fazer vários plebiscitos até a população votar de acordo com o que o governo quer é chavismo (agravado pela comoção da sociedade), sou contra. Neste momento todos que dão valor a democracia devem ser contra qualquer plebiscito a este respeito, independente de posição pessoal quanto ao uso de armas. Se for dado ao governo o poder de fazer plebiscitos até conseguir o que quer estaremos dando mais um passo em uma estrada perigosa.

Abraço,

Roberto

Anônimo disse...

Argumentos instigantes. Mas, também, por conterem aspectos intrigantes, permita-me discordar. O plebiscito sobre o desarmamento já foi realizado: a população disse não ao desarmamento nos moldes propostos. O que está se propondo, agora, em meio ao aturdimento pelo ocorrido no Rio de Janeiro, seria "a revisão do plebiscito", ou seja, dá para entender como realização de outro, segundo ouvido de políticos. Outros já chegaram a colocar "a revisão do resultado do plebiscito". Ou seja, o resultado do anterior poder ser alterado. Como ambas propostas, salvo algum engano interpretativo de quem ouviu, são confusas e até mesmo carregam algo perigoso institucionalmente, seria ótimo que nenhuma das propostas valessem o risco de carregá-las para frente. Deveriam ser devidamente deixadas de lado. O açodamento, tem sido mau conselheiro em termos de elaboração e implementação de leis no Brasil. Assim, melhor considerar o que já existe em termos de lei para enquadrar o traumático caso recente.
Dawran Numida

Anônimo disse...

Discordo, eh uma ilusão achar que ter arma de fogo em ksa traga segurança principalmente pela provavel falta de preparaçao e treinamento do possuidor e ainda o perigo de furto ow acidente em ksa, isso eh o q a maioria dos espiecialistas no assunto dizem.Eu sou mais radical, pra mim a soluçao eh fechar a indústria bélica, arma de fogo deveria ser artigo soh para policial ow alguem q trabalhe na area de segurança e soh produziria a quantidade suficiente a eles, e soh aos mais confiáveis.Mas msm assim pra mim tinha que parar com a produçao GERAL de armas.

Romulo de Negreiros Guimaraes disse...

Creio existir cem motivos para uma mudança cabal no tocante a concessão
para fabricação e uso das armas.

Contudo, entendo que apenas a adoção de algumas medidas seriam suficientes
para mudar radicalmente o quadro atual.

1) Campanhas internacionais de concientização para não proliferação de
armas "convencionais", nos moldes das campanhas de não proliferação de
armas químicas, biológicas e nucleares, promovidas pela comunidade
internacional, com sanções efetivas aos países que não controlem a sua
indústria de armas, notadamente a de pequeno porte, visando, a médio
prazo, padronização, controle e fiscalização por comitê internacional, em
razão da violência em contraste aos direitos humanos;

2) Limitações mil a fabricação de armas e munições, com responsabilização
pessoal aos que concedem as licenças e aos que fabricam, em razão do mau
uso dessas armas;

3) Pena severa aos que portem armas sem o respaldo da lei (tipo 3 anos de
prisão efetiva pelo simples porte ilegal; 5 anos se de grosso calibre ou
automática), com blitz regulares, amplas e geral, para prisão dos
criminosos, e apreensão e destruição pública das armas;

4) Restrição ao uso de armas pelos promotores da "segurança" (adoção de
armas não letais), com a condenação e imposição de penas exemplares aos
que se utilizarem de armas letais contra pessoas desarmadas (tipo 10 anos
de prisão, sem conversa, caso as consequências não exijam prisão por mais
longo prazo);

*) Além da contextualização jurídica necessária, em razão dos
desdobramentos gerados pela adoção das medidas acima.

Demetrio Carneiro disse...

Acho que é um debate que deve ser feito, mas e infelizmente um psicopata como aquele se não tivesse armas de fogo mataria com faca, pedra, dinamite ou até com as mãos. Discutir que arma de fogo é mais "eficiente" e se ele não as tivesse teria matado menos crianças não é um fato, pois ele poderia ter usado dinamite ou outros explosivos cujas receitas estão na internet e teriam morrido muito mais crianças.
A questão toda é o incontrolável que é a psicopatia adormecida ou oculta. Acho que é isso que realmente apavora a todos. Até aqui nossos psicopatas ou produziam crimes na família & amigos ou inimigos diretos ou eram traficantes. Agora é o "cidadão comum", e digam o que disserem é como ele era visto pela comunidade. Isso era atributo das sociedades mais avançadas e suas avançadas neuroses. Agora chegou a nós. Isso assusta e muito.

Anônimo disse...

Os argumentos oficiais são de uma desonestidade gritante. Figem que fazem alguma coisa e deixam como está. Esse papo de campanha de desarmamento é mais uma daquelas conversas flácidas prá ruminante cochilar. Quando acordarem (se acordarem) para o problema da falta de combate à violência, talvez seja tarde.

Chutando a Lata disse...

Concordo com o Roberto: é chavismo!

rodrigo disse...

O que achei interessante no artigo foi o mesmo não ter mencionado a permissão do porte de armas e o controle que isso pode trazer, desde que bem realizado.

Anônimo disse...

Talvez se houvesse um policial militar na escola teria evitado pelo menos a metade das mortes.

Não sou a favor do uso de armas de fogo, acredito que se produzissem menos, menos armas parariam nas mãos dos bandidos.

Qto a rediscusão...
Ele não estava nada bem, mataria com qlqr outra coisa. Tanta gente morrendo por consequencia de ferimentos com armas de fogo e agora querem reabrir o debate que já estava encerrado, até p mim isso é demais!

Anônimo disse...

É muita pretensão achar que um estudo realizado em Brasília vai dar insights para uma política a
ser aplicada em todo o país.

Brasília é uma cidade muito peculiar em relação à distribuição espacial, segurança, renda, mercado de trabalho, acesso a serviços públicos e etc.

Anônimo disse...

Muitas coisas envolvem um caso como esse, segurança publica, porte de armas, o psicológico, bulling, nao quero pareçer pessimista, mas tem algo de muito errado no mundo, alguma razao ele teve para fazer isso, e isso nao eh comum, e vem acontecendo repetidamente, e enquanto nao se descobrir a raíz do problema, ow as raízes, nada vai resolver ow acabar com isso.

Anônimo disse...

Soh complementando nao quero nem acho possivel viver num mundo perfeito, mas isso tah muito fora do comum, pareçe até história de filme de terror ow seriado policial/sobrenatural.

Anônimo disse...

A lição que fica desse episódio nao é de segurança pública, é de saúde pública! A família tinha uma pessoa com distúrbios psiquiátricos e nao sabia como tratar.
Acho que a campanha a ser feita é: se você tem alguem com distúrbios na sua família, comportamento agressivo, sociopatia, depressão e etc, procure um psiquiatra na rede pública e faça um tratamento.
E do lado do governo, que tal arrumar as clínicas psiquiátricas que existem no país???

Anônimo disse...

"Campanha de desarmamento" é um termo perfeito! Desarma-se a população e, relativamente, aumenta-se o armamento de bandidos e criminosos, que jamais irão se juntar à campanha. Que tal o governo promover uma "campanha de aprisionamento de meliantes" (bandidos, assaltantes dos cofres públicos, armados ou não)? Aposto que assim poderíamos ter um debate mais honesto à respeito do assunto. A tática de desarmar e desproteger a população é típica de certos regimes autoritários. É um começo do processo de infantilização e de "bovinização" -- com todo o respeito aos bois -- das pessoas, tão a gosto desses regimes.

Takechi

Anônimo disse...

1) Olha, ter arma de fogo para sentar o dedo em quem vier para cima, foi o que o assassino fez na escola do Realengo.
2) Se houvessem outros com armas, a possibilidade de ocorrerem mais vítimas seria maior.
3) O atirador sabia atirar e queria matar.
4) Esvaziava o tambor do revolver, recarregava com artefato especial e descarregava outra vez.
5) Qual cidadão comum saberia operar uma arma em tal situação, em tal situação de stress?
6) E ao mesmo tempo tirar as crianças da linha de tiros?
7) Muito poucos.
8) O policial chamado soube como agir, era treinado e preparado.
9) Assim, o que deve ser combatido é a lentidão em adotar medidas de segurança mais efetivas.
10) E a extrema agilidade em propor plebiscito de revisão de outro plebiscito, aproveitando o trauma causado pelo acontecido.
11) Oportunismo puro e precedente perigoso.
Dawran Numida

gubasso disse...

Concordo com o Roberto, chavismo!

E existe ainda um outro ponto importante nessa discussão.

Os interessados pela não permissão das armas de fogo (governo) argumenta que tal restrição irá dificultar o acesso a essas armas por criminosos e assassinos em potencial.

Eles desconsideram a existência de um mercado paralelo, sem controle, que promove um acesso banalizado às armas de fogo, por qualquer cidadão, sem algum tipo de permissão específica.

Qual a efetividade de uma ação proibitória dessa? Questiono o real objetivo dessa proibição e um novo plebiscito em um contexto onde o apelo emocional, frente a um povo que já carece de discernimento, irá prejudicar ainda mais a decisão coletiva racional.

Anônimo disse...

Os efeitos do senso comum:

Creio que os comentários do anônimo acima traduzem o processo de lavagem cerebral que o governo petista realiza nas massas. Creio ser possível verificar o baixo grau de escolaridade do rapaz pelas palavras chulas, e abreviações toscas, como "ow" e "ksa", e considerar um ente fictício como "autoridades no assunto", sem ao menos as citar:

"Discordo, eh uma ilusão achar que ter arma de fogo em ksa traga segurança principalmente pela provavel falta de preparaçao e treinamento do possuidor e ainda o perigo de furto ow acidente em ksa, isso eh o q a maioria dos espiecialistas no assunto dizem."

Pra vermos que o Chavismo realmente é um perigo para a sociedade brasileira. É um passo no "caminho da servidão".
Dando pão e circo(projetos assistencialistas sem planejamento adequado e eventos esportivos [copa do mundo, olimpíadas]), a população geral se satisfaz e deixa o governo no poder continuar com seus planos de planificação e coletivismo.
Quero ver o que será quando nos tirarem a liberdade não pudermos nos defender...

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