segunda-feira, 27 de junho de 2011

Choques Monetários e Recuperação Econômica

O que diria Bernanke, professor de economia, se tivesse que opinar sobre Bernanke, presidente do Banco Central americano? É evidente que o professor de economia teria sérias restrições sobre o comportamento do policy-maker.

Verdade seja dita, economia monetária é aquela área em que ainda discutimos porque usamos moeda. Certamente é uma das áreas mais nebulosas, e com menos certezas, dentro das ciências econômicas. Contudo, algumas certezas existem. A principal delas: choques monetários só afetam a atividade econômica, no curto prazo, se não forem antecipados pelos agentes.

Vamos repetir: choques monetários SÓ AFETAM a atividade econômica se forem uma completa surpresa. Em resumo, quando o presidente do Banco Central Americano anuncia que pode fazer uso de uma política monetária mais expansionista, para fortalecer a atividade econômica, ficamos em dúvida do modelo econômico que ele tem em mente. Afinal, se ele anuncia que irá aumentar a oferta de moeda, então onde está a surpresa? Sem surpresa não há ganhos no produto, apenas um repique inflacionário.

Eu estou longe de acreditar que choques monetários podem ser benéficos a economia. Estou entre aqueles que acreditam que alterar a oferta de moeda para obter benefícios de curto prazo na produção nunca é uma boa idéia. Contudo, confesso que nunca vi (na literatura novo-clássica ou novo-keynesiana) alguém defender choques antecipados de moeda como um instrumento válido de combate a crises. Na literatura austríaca isso é simplesmente impensável. Sendo assim, só posso crer que Bernanke seja um pós-keynesiano. Verdade seja dita, os pós-keynesianos possuem argumentos (apesar de eu discordar deles) que justificam isso.

Quem diria, o Presidente do poderoso Banco Central americano é discípulo da New School.

28 comentários:

Demetrio Carneiro disse...

Acho que o problema não é de teoria, mas de prática de poder e a prática de poder indica que "gastar é bom", para quem está no poder, principalmente se for alguém que disse que o papel do Estado é tirar a economia do buraco...

Anônimo disse...

Ele deve ter tido aulas com o Oreiro. Ou foi o contrário?

Anônimo disse...

E ainda chamam economia de ciência exata. Pra mim economia nem ciência eh, eh pura interpretação, por um lado eh um dos ramos que possui mais divergências de opiniões, por outro nada pode ser afirmado, pq nada pode ser provado!
Que matéria mais contraditória, algumas horas me fascina outras pareçem discussões sem sentido ow objetivo, que nunk serão resolvidas.
Algumas vezes eh o assunto mais polemico de uma mesa de bar, outras o mais inútil. Discutir economia eh quase como discutir religião, ninguem tem certeza de nada, mas todos tem uma opinião quase definitiva.

Anônimo disse...

Adolfo, está na cara que você não estudou nada que foi feito em macro nos últimos 30 anos. A idéia que choques monetários têm que ser inesperados para afetar a atividade econômica foi completamente desacreditada no começo dos anos 80 e removida dos currículos pelo menos uns 20 anos atrás.

Ricardo disse...

Adolfo, releia o Woodford. Ele nitidamente faz um modelo que ele chama de clássico em que somente choques não antecipados da política monetária afetam a atividade. Nesse modelo as firmar precificam em t o produto de t+1. Logo em seguida ele faz um modelo com precificação do tipo Calvo, que gera o seguinte resultado: choques antecipados de política monetária afetam a atividade econômica.

Ok? Por favor, confira isso.

Você pode discordar desse resultado, mas dado o tamanho da literatura novo-keynesiana e a posição na academia de seus representantes, acho difícil você insistir na certeza que você mencionou acima.

Sobre a questão empírica, esses autores fazem modelos deste tipo justamente para que suas FRI (função de resposta ao impulso) assemelhem-se a de VARs.

Entendo sua opinião, mas acho que sua afirmação no post está errada. Dado que não é a literatura que lhe apetece, acho uma boa você dar uma conferida nesse resultado.

Anônimo disse...

Adolfo, tenha bom senso. Você é um grão de areia ao lado do Bernanke. Pense 30 vezes antes de concluir que ele está errado e você certo.
No caso em questão, você não tem o conhecimento básico da literatura monetária moderna. Esse resultado que você citou é do Lucas de 1972! O próprio Lucas já tem outros resultados.
Faça uma auto-critica e estude mais.

Anônimo disse...

Choques antecipados também geram efeitos reais de curto prazo, já que não há ajustamento automático das variáveis nominais (tipo calvo) ou das expectativas (mankiw-reis).

Anônimo disse...

Meus caros,
As vezes eu fico assustado com estas afirmações fortes do Adolfo (que só uma profunda ignorância das coisas pode justificar). Monetária não é minha área, mas pelo que acompanho nos jornais, o objetivo básico desta expansão monetária é gerar inflação e diminuir as taxas de juros reais, não? É até engraçado, mas neste caso o FED quer que o choque seja antecipado e repassado para os preços, não? A discussão básica é como tornar crível que o FEd vai inflacionar a economia de qualquer jeito.
Saudações

Anônimo disse...

Uma vez Keynesiano, sempre Keynesiano. Novo, pós, neo, bastardo, who cares?

A única crítica sobre a frase "apenas choques monetários não antecipados possuem efeitos reais" é que nem mesmo choques monetários antecipados possuem efeitos reais. Se alguém mostrar onde Lucas reconheceu que choques antecipados possuem efeitos reais que eu vou fazer o curso do Oreiro. Enquanto procuram, para não cansar, vão ver o que o Lucas está dizendo sobre a crise atual, sobre QE e coisas do tipo.

O próprio Mankiw parece não levar muito a sério que choques antecipados possuem efeitos reais. Basta ver o que ele anda falando por aí.

Ah mas o Woodford disse. É verdade, podemos até enunciar um teorema com base no que o Woodford disse: Em uma economia sem moeda inflação esperada tem efeitos reais. Depois é o Adolfo que prcisa estudar mais...

Raphael Martins disse...

Não é verdade que autores pós-keynesianos defendam que aumentar a oferta monetária possa gerar benefícios de curto prazo. Na verdade, há muito tempo estes autores descobriram que moeda é endógena, algo que somente recentemente foi incorporado aos modelos novo-keynesianos. O fato é que para autores PK, se não há demanda por crédito, inundar o mercado de liquidez não terá efeito, o que foi exatamente o observado no caso americano. O máximo que se conseguiu foi diminuição nas taxas de longo prazo. Concluindo, pelo lado PK havia muito ceticismo quanto ao quantitative easing do FED.

Anônimo disse...

Vai recomeçar a lenga-lenga de sempre. Que tal apresentar fundamentos microeconômicos no que vocês dizem, senhores?

Anônimo disse...

Disse Adolfo: "choques monetários só afetam a atividade econômica, no curto prazo, se não forem antecipados pelos agentes."
Pensando eu, algumas condições teriam que ser satisfeitas, tipo alta velocidade de informações de toda a nação; contratos comerciais e outros de curto e médio prazo que não podem ser alterados; corrida dos consumidores,e outras coisas mais.

De qualquer forma, imagino que moeda, no futuro será substituída por chips. Aí o sistema pode ser o do capitalismo do estado. (sem revisão)

Anônimo disse...

Disse Adolfo: "choques monetários só afetam a atividade econômica, no curto prazo, se não forem antecipados pelos agentes."
Pensando eu, algumas condições teriam que ser satisfeitas, tipo alta velocidade de informações de toda a nação; contratos comerciais e outros de curto e médio prazo que não podem ser alterados; corrida dos consumidores,e outras coisas mais.

De qualquer forma, imagino que moeda, no futuro será substituída por chips. Aí o sistema pode ser o do capitalismo do estado. (sem revisão)

Kleber S. disse...

ADOLFO


O Ben NAO e' ignaro. Ele e' somente um bandidinho fazendo o servico xujo para seus patroes "financialistas".

Inflacionar tem sido sua meta nao-oficialmente declarada.

Um grande abraco

Kleber S.

Anônimo disse...

Aos Anônimos que, acima, defendem os efeitos reais de choques monetários antecipados, uma pergunta básica, sem a qual não prospera qualquer discussão: no modelo que vocês defendem, há espaço para uma curva de oferta de mão de obra em que os agentes reagem a mudanças dos saláirios reais, ou a oferta de mão de obra é inelástica a preços?

Luciano disse...

A literatura novo-keynesiana aceita que choques antecipados causem efeitos reais devido à existência de rigidez nominal (com fundamentos microeconômicos), pelo menos no curto prazo. Isso está bem claro no manual de macro do Romer e em alguns artigos dos novos keynesianos. Um abraço, Luciano.

Ricardo disse...

Aos defensores de Adolfo vou esclarecer o que eu quis dizer. Não importa se o Adolfo ou vocês acreditam que choques antecipados de política monetária não têm efeito real, por o que foi dito aqui é que essa opinião é um CONSENSO. E nitidamente NÃO É! Só isso! Pelo contrário, a corrente acadêmica de maior tamanho e expressão e com maior influência na formulação de política acha o contrário.

Ficou claro?

Anônimo disse...

Luciano,

Como é determinado o nível de emprego no modelo (com fundamentos microeconômicos) desenvolvido no manual de maro do Romer?

Anônimo disse...

Ricardo,

Mostra aí a lista dos novos-keynesianos que ganharam prêmio Nobel.

Ricardo disse...

Como o prêmio nobel afeta o argumento que fiz acima? Sério, estou esperando uma resposta séria.

Anônimo disse...

Uma corrente acadêmica que se apresenta como de maior expressão e influência não deveria ter pelo menos um prêmio Nobel? O que é um ganhador de prêmio Nobel se não alguém que fez uma contribuição considerada expressiva e influente? Como uma corrente pode ter tal status se ninguém que nela trabalhe teve o reconhecimento máximo de seu trabalho?

Em miúdos, qual a contribuição desta corrente para que ela tenha tal status? Quem fez esta contribuição? Por que este não recebeu o prêmio o Nobel? Desenhando: quem deu o atestado de teoria mais influente e mais expressiva para os novos-keynesianos?

A proposta dos novos-keynesianos parecia interessante, o mundo é racional (como nos modelos novo-classicos/rbc) porém existem várias fricções que fazem com que a economia não se comporte como previsto nos modelos RBC. A agenda de pesquisa é encontrar e modelar tais fricções. O foco principal é na política monetária e seus mecanismos de transmissão.

Se Krugman e demais revisionistas keynesianos estiverem certos a proposta novo-keynesiana já era. Em tempo, este pessoal afirma que a economia americana encontra-se em armadilha de liquidez, conceito keynesiano. Armadilha de liquidez não é resultado de fricções ou de uma ou outra rigidez (claro que alguém pode tentar salvar a lavoura tentado modelar desta forma, tudo é possível em equilíbrio geral) nominal. Uma explicação honesta para armadilha da liquidez, no sentido keynesiano, teria de recuperar o animal spirit o que definitivamente não faz(ia) parte da agenda novo-keynesiana.

O desenrolar da economia americana vai dar o veredicto. De um lado Lucas e sua turma batendo no QE e, mais importante no momento, batendo no estímulo fiscal enquanto aponta para existência de incentivos ruins (eropeização dos EUA). Do outro lado Krugman e sua turma recuperando a velha macro keynesiana que não depende de racionalidade dos agentes. Nos lembrando que, em armadilha da liquidez, apenas a política fiscal resolve o problema.

Onde estão as fricções? Tudo indica que a escola novo-keynesiana vai naufragar antes de atingir a velocidade de cruzeiro, em outras palavras, antes de gerar pelo menos um prêmio Nobel.

Anônimo disse...

Ricardo,

Que há algum tempo o pensamento novo-keynesiano é o mainstream em economia monetária, não há o que contestar. Mas isso não significa que ela seja uma abordagem correta, apenas porque a evidência aponta nessa direção. Por exemplo, se for perguntado a um indivíduo iletrado (e sem qualquer conhecimento prévio) se ele acha que o Sol gira em torno da Terra e ele disser que sim, segundo a perspectiva científica novo-keynesiana, ele estará correto, embora saibamos que ele está errado.

A propósito, hoje há uma corrente de pensamento econômico, chamada novo-monetarismo, que aponta resultados bem consistentes com os fatos, mas sem recorrer aos truques novos-keynesianos (rigidez de preços, curva de Phillips, etc). Talvez seja bom você ler o que esse pessoal escreve e, quem sabe, parar com essa lenga-lenga de superioridade.

Anônimo disse...

Uma abordagem é boa quando apresenta bons resultados. Nesse contexto a abordagem novo-keynesiana é boa. No entanto, outras abordagens conduzem a resultados igualmente bons. Em política monetária, os mesmos resultados podem ser alcançados usando taxa de juros ou agregado monetário como instrumento. (Há um artigo, publicado na AER [Alvarez, Lucas e Weber (2001)] que mostra equivalência entre os dois instrumentos).

A aparente superioridade novo-keynesiana resulta do fato de que ela é mais simples do que a abordagem monetarista, já que abre mão do rigor formal, do rigor lógico, para deduzir conclusões empiricamente constatadas. Para isso recorre a truques como preços rígidos, como se isso fosse a regra. A que concolusões chegaria a abordagem novo-keynesiana se os preços fossem flelxíveis? É como se a teoria novo-keynesiana não fosse generalizável, só valendo em casos particulares.

Ricardo disse...

Por favor, releiam meu comentário que está abaixo. Eu não disse que a corrente novo-keynesiana é superior. Nunca disse isso. Disse que ela é maior em tamanho e expressão e tem mais influencia em política. Basta olhar as principais publicações acadêmicas, um bom resumo é o novo handbook de monetary economics. Sobre influência em política monetária, basta ver as publicações de BCs pelo mundo e os papers que os membros de seus staffs escrevem (ou suas próprias atitudes mesmo). Não disse qu está certo ou é melhor.

Sobre Nobel, isso leva anos, décadas. Essa lieratura deslanchou só no fim dos anos 90, logo, isso definitivamente não é relevante.

Eu disse que é errado o Adolfo falar que " choques monetários SÓ AFETAM a atividade econômica se forem uma completa surpresa" é um dos poucos consensos que existem em economia monetária, por que, como vocês mesmos admitem, não é! E vocês nitidamente sabem disso pelos comentários.

Meu problema neste post não é com o que está certo em política monetária, é com o Adolfo divugando algo que está errado com essa naturalidade e sarcasmo todo.



"Aos defensores de Adolfo vou esclarecer o que eu quis dizer. Não importa se o Adolfo ou vocês acreditam que choques antecipados de política monetária não têm efeito real, por o que foi dito aqui é que essa opinião é um CONSENSO. E nitidamente NÃO É! Só isso! Pelo contrário, a corrente acadêmica de maior tamanho e expressão e com maior influência na formulação de política acha o contrário."

Anônimo disse...

"Anônimo disse...

Aos Anônimos que, acima, defendem os efeitos reais de choques monetários antecipados, uma pergunta básica, sem a qual não prospera qualquer discussão: no modelo que vocês defendem, há espaço para uma curva de oferta de mão de obra em que os agentes reagem a mudanças dos saláirios reais, ou a oferta de mão de obra é inelástica a preços?"

Isso me faz lembrar de Keynes: Você abandona o emprego quando há um aumento no nível geral de preços? Você deixa de procurar emprego quando há um aumento no nível geral de preços?
Dependendo da sua riqueza é melhor ter um trabalho a um salário real menor do que ficar procurando emprego. Especialmente em uma época de recessão. Será que essa situação não muda o salário de reserva do seu trabalhador representativo?

Anônimo disse...

Anônimo das 14:07,

O que acontece no mercado de trabalho quando os preços sobem? Pelo que se observa, os trabalhadores tentam repor as perdas de poder de compra, via negociação. Se não conseguem, entram em greve. Logo, se os salários reais caem, os trabalhadores trabalham menos (e o nível de emprego da mão de obra é menor).

Acorda amigão. Keynes é apenas uma lenda para apreciadores de HPE.

Anônimo disse...

Cara, isso não é nem uma questão de Keynes ou não. É simplesmente uma questão de economia positiva. Quando o desemprego é alto, você abandona seu trabalho quando a inflação sobe? Vc deixa de procurar trabalho por causa disso? Será que seu salário de reserva não muda, quando mudam as condições econômicas? Se a economia está em 10 anos de expansão, é razoável imaginar que o salário de reserva vá aumentando, mas quando ela está em recessão há 2 ou 3 anos, ele não pode cair? Será que não se pensa intertemporalmente: melhor ganhar menos hoje e mais amanhã, do que não ganhar nada hoje e talvez ganhar mais amanhã? As pessoas tem compromissos de curto prazo e nem todos tem estoque de riqueza pra se dar ao luxo do desemprego. Se seu modelo não replica isso, azar do seu modelo. Contrato de trabalho é algo de longo prazo, é uma forma de seguro contra adversidades.
Se vc vive só de FAPESP, CNPQ e CAPES talvez eu esteja falando grego pra você. Mas vá pra guerra de foice que é o mercado de trabalho, e depois conversamos.

Anônimo disse...

Caro amigo,

Achoi que você acabou de detonar a idéia keynesiana (e seguidores) da inexistência de desemprego voluntário. Vamos ver se eu entendi. Se um engenheiro não encontra emprego como engenheiro, mas tem vaga para motorista de taxi e se ele recusar a vaga o desemprego é voluntário. É isso?
Se for assim, concordo com você.

Quanto a ser ou não uma questão keynesiana, como você disse, quem primeiramente citou Keynes foi você. Eu apenas mostrei que os salários nominais não são tão rígidos como os keynesianos querem crer.

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