sábado, 11 de junho de 2011

A constante redução do espaço do debate

Segue meu artigo publicado essa semana no Ordem Livre:

Um dos pilares do sistema democrático é a liberdade de expressão. Esta está sempre entre as primeiras vítimas dos regimes totalitários. Os inimigos da sociedade aberta se destacam por sua luta contínua contra o direito de manifestação dos indivíduos. Em sociedades democráticas, não é tão fácil cercear essa liberdade. A Constituição sempre protege tal direito, e as instituições e a opinião pública estão alertas contra tentativas de limitar o direito à livre expressão. Contudo, uma nova arma tem aparecido no campo de batalha: o comportamento politicamente correto.

O comportamento politicamente correto implica uma separação clara da sociedade: os que o adotam são bons e corretos, os demais são os homens maus. Esse tipo de separação implica uma dramática redução do espaço do debate, e um verdadeiro empecilho à livre circulação de ideias. O debate recente em torno do código florestal é um exemplo claro: as pessoas favoráveis ao código eram imediatamente taxadas de defensores do desmatamento. Na mesma situação temos uma série de outros assuntos e se posicionar contra o consenso do politicamente correto é quase um crime.

Essa constante limitação do debate, imposta pelo padrão politicamente correto, tem gerado custos enormes para a sociedade. Veja a questão das cotas. Verificar a eficiência das cotas deveria ser motivo de pesquisas acadêmicas sérias, afinal, os dados existem para isso. Contudo, tal debate no Brasil não ocorre. Enquanto isso mais dinheiro público vai indo numa direção que não se sabe se é a correta. A nível global, temos a questão do aquecimento do globo terrestre: por mais que as evidências disso sejam questionáveis, ainda assim parece ser proibido questioná-lo.

Reduzir o espaço do debate é o mesmo que limitar o fluxo de ideias e as consequências disso nunca serão boas para a sociedade. Pior do que isso, o padrão do politicamente correto impõe barreiras similares a uma proibição formal da liberdade de expressão. Isso é simplesmente uma maneira de burlar a lei e tirar da democracia uma de suas maiores armas de defesa.

5 comentários:

Demetrio Carneiro disse...

Muito bem colocado Adolfo. Realmente o debate do Código parece que dividiu o mundo entre os "bons" e os "ruins" e foi transformado num debate entre o "povo" e os grandes proprietários rurais, no melhor estilo MST. A maioria dos ambientalistas caiu na armadilha e fez um debate completamente equivocado.

Sentilavras disse...

Só pra avisar que já comecei a acessar freneticamente... rs
Beijos!

Chutando a Lata disse...

Concordo. Politicamente correto é o catso!

Anônimo disse...

Parabéns pelo seu brilhantismo!!! Pessoas como você, com a mente aberta e a visão além do mediano, é que fazem o mundo evoluir. Este artigo é perfeito. Fire

Anônimo disse...

Adolfo, por gentileza, vc poderia fazer um comentário em relação a taxa de desemprego publicada pelo IBGE. Não tenho certeza, mas acho que os cidadãos que procuram emprego até um certo período não entram no cômputo dos índices publicados. Não obstante, conheço muitas pessoas que estão procurando emprego faz anos e não conseguiram, dessa forma, desde o início que a pessoa inicia a procurar do emprego deveria fazer parte do índice de desemprego. Não tenho muito conhecimento nesta área, mas acho uma maquiagem dos dados. Agradeço se puder fazer um comentário.
Charles.

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