segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Mais Inflação menos desemprego???

Uma das relações mais estudadas da macroeconomia refere-se a curva de Phillips. Isto é, sobre a possível existência de uma correlação negativa entre inflação e desemprego. Se tal relação existir, então um aumento da inflação pode diminuir as taxas de desemprego, aumentando assim a produção e a riqueza da economia.

Apesar de ser objeto de intensa atenção entre os pesquisadores, a curva de Phillips continua a despertar dúvidas. Existe, entretanto, um consenso: no longo prazo a curva de Phillips é vertical. Em palavras, no longo prazo mais inflação não diminui o desemprego. Sendo assim, se for válida, a curva de Phillips vale apenas para o curto prazo.

No Brasil, uma boa parte dos economistas do governo gosta de acreditar que um pouco de inflação não faz mal a ninguém. Acreditam que uma inflação ao redor de 7 ou 8% ao ano não é um grande problema. Daí sua insistência em ir contra o aumento das taxas de juros (realizadas pelo Banco Central) para combater a inflação. Segundo tais economistas, se o Banco Central não aumentasse os juros teríamos um pouco mais de inflação, mas também teríamos mais empregos. Ou seja, eles apostam em alguma versão da curva de Phillips.

Na prática, para o Brasil, os resultados sobre a curva de Phillips variam consideravelmente dependendo das variáveis utilizadas, do período de tempo analisado, e sobretudo da metodologia econométrica adotada. E não é incomum encontrarmos indícios de não-linearidade: isto é, a curva de phillips valeria no estado A da natureza, mas não no estado B. Isto implica que o ambiente institucional (econômico, externo, etc.) também influencia o resultado.

Particularmente, sou contrário a idéia de que mais inflação pode ser benéfico. Acredito ser este um caminho errado, e que rapidamente pode nos levar a situações difíceis de longo prazo. Contudo, quando vejo a atitude do governo não consigo imaginar como ele pretende combater a inflação. Pelo contrário, a cada dia que passa me convenço ainda mais de que a inflação será o remédio, adotado erroneamente pelo governo, para corrigir a situação fiscal brasileira.

16 comentários:

Cristiano disse...

Ola Professor,
Em primeiro lugar, parabens pelo seu blog.Em segundo lugar, o Sr. nao acha que a estabilizaçao de preços esta correndo um serio risco de ser perdida?
Enquanto paises comprometidos com a estabilizaçao de preços como o Canada que tem um meta de inflaçao de 2%, o governo brasileiro "brinca" com o teto da meta dizendo que a inflaçao esta sob controle.
Devido aos volumosos gastos que precisarao ser empreendidos para a Copa e as Olimpiadas, o Sr. nao acha que a inflaçao pode sair do controle?

Anônimo disse...

Adolfo, tem sido recorrente as demonstrações de desatualização em teoria econômica do senhor. Pena maior, que elas não sejam reconhecidas.
Comumente o senhor falha ao mencionar algum suposto consenso. Lembro-me quando o senhor afirmou que a inflação era um fenômeno puramente monetário no curto e longo-prazo; ou quando afirmou que choques monetários só afetavam a atividade econômica se fossem uma completa surpresa.
Dessa vez o senhor erra ao afirmar que "Existe, entretanto, um consenso: no longo prazo a curva de Phillips é vertical."
Convido a olhar, por exemplo,Etienne Lehmann (2011), A Search Model of Unemployment and Inflation. The Scandinavian Journal of Economics: This paper introduces money into the standard labor-matching model. A double-coincidence problem makes money necessary as a medium of exchange. In the long run, a rise in the growth rate of money leads to higher inflation and higher unemployment, such that the long-run Phillips curve is not vertical. The optimal monetary growth rate decreases with greater worker bargaining power, the level of unemployment benefits, and the payroll tax rate.

Anônimo disse...

Olá Adolfo,
Fiz alguns comentários em seu blog, mas não sou economista (minha formação acadêmica é engenharia e filosofia). Espero que os "chutadores" também tenham espaço aqui.
Vamos testar isso: Penso que a inflação é maléfica em qualquer caso, pois ela é a depreciação de nossa moeda em relação às demais, e nós vivemos num mercado globalizado. Cada vez que ocorre inflação, o Brasil como um todo perde poder aquisitivo, e isso não pode ser bom. Ademais, ela é concentradora de renda, pois somente os setores empresariais ganham com ela, já que eles têm o retorno imediato, pelos preços praticados. Os assalariados e o setor público perdem. Os primeiros por receberem reajustes periódicos; o segundo por receber atrasado. Esse "lucro maior" num primeiro momento anima os setores empresariais a investir, criando emprego. Mas numa situação permanente isso não se sustenta, pois a concentração de renda que a inflação provoca sufoca o mercado interno, diminuindo a demanda.
Se o governo pode aumentar os juros para valorizar a moeda isso é bom, dentro de certos limites, claro. Só não entendo, se isso dá certo no Brasil, por que os EEUU não faz isso também? Qual o problema de aumentar os juros nos EEUU? Será por que o endividamento das pessoas e das empresas é muito alto lá? Ou o mero aumento provocaria uma crise global no mercado financeiro?
Saudações.
João

Blog do Adolfo disse...

Caro Anonimo das 23:26,

Quando voce comecar estudar economia a serio, notara uma amplitude gigantesca de resultados sobre o mesmo tema.

Com a curva de Phillips eh o mesmo. Existem resultados para todos os gostos. Contudo, o consenso (ou seja, aquilo que a grande maioria aceita) refere-se a questao de longo prazo.

Outro detalhe, aprenda a questionar o ponto central da discussao. Voce notara que seus comentarios ganharao em relevancia.

Adolfo

Anônimo disse...

RECADO DO ALÉM

Falem para os PTnomistas do governo que o espírito do saudoso Roberto Campos manda avisar que UMA PEQUENA INFLAÇÃO SE ASSEMELHA A UMA PEQUENA GRAVIDEZ.

Anônimo disse...

"UMA PEQUENA INFLAÇÃO SE ASSEMELHA A UMA PEQUENA GRAVIDEZ"

Se queremos falar sério, não concordo.Uma pequena inflação assemelha-se mais a uma pequena febre. Como a febre, ela é indicativo de que algo está errado, e como a febre, ela tem também um fim terapêutico, pois ajuda a debelar uma pequena infecção, pois retira o calor da área infectada. No entanto, pode fugir do controle, como a febre. E sempre pode baixar, se for diagnosticado o que está errado. Já a gravidez....
João

Anônimo disse...

João,

Uma inflação de 8% ao ano, por pequena que pareça, é nociva, já que o aumento da variância dos preços relativos é alimentada por ela, mesmo que seja pequena. Como os preços relativos se desalinham, a busca de correção conduz a mais inflação. E o efeito final dessa sacanagem, que você e alguns PTnomistas conhecidos parecem não levar a sério é: os pobres são quem se danam. Esse é o verdadeiro caráter da inflação. Quanto a você não concordar... prefiro suspeitar que você não estudou economia ou não estudou a sério, como os marxistóides de plantão tão em voga.

Chutando a Lata disse...

Inflacao é neutra. É nisso que ponho minhas fichas. Claro, quando temos ditadura, vao logo culpar os salários.

Anônimo disse...

Se a inflação é neutra, qual é o sentido do esforço para controlá-la?

Anônimo disse...

"Uma inflação de 8% ao ano, por pequena que pareça..."

Uma inflação de 8% ao ano nem é pequena nem parece pequena.

Anônimo disse...

Para quem viu taxa de inflação de 83%, ao mês, inflação de 8% ao ano é quase nada, não é?

Anônimo disse...

Anônimo das 10:02 do dia 31/08,
A sua pressa em me classificar em seus esqueminhas medíocres mostra o quanto é profunda a sua consideração do mundo.
Saudações.
João

Chutando a Lata disse...

Não gosto de responder a anônimos, mas abrirei uma exceção porque a pergunta é relevante:
Anônimo disse...
Se a inflação é neutra, qual é o sentido do esforço para controlá-la?

Você está se referindo à prática de política econômica que considera as distorções presentes na economia, como a indexação assimétrica. Eu estou me referindo a um contexto de estado estacionário legítimo, em que todos conseguem recompor seus preços.

Anônimo disse...

João,

Parafraseando Roberto Campos, o problema dos PTnomistas é o seu (deles) desconhecimento desumano de economia. Só isso.

Anônimo disse...

Marcão,

Mesmo com indexação endógena, os agentes, por diferenças pessoais (elasticidades), teriam diferentes velocidades de reação aos movimentos de preços. Há um artigo de Nissan Liviatan, de 1983 (On equilibrium wage indexation and neutrality of indexation policy) que vai nessa direção. Nesse caso, parece que a neutralidade da inflação só ocorre no (equilíbrio de) longo prazo, quando todo mundo terá se ajustado.

Um abraço,

J. Coelho

Eduardo Rodrigues, Rio disse...

Trecho de um artigo de Ubiratan Iorio:

Assim, a inflação — ou seja, aquela quantidade adicional de moeda que entrou na economia sem lastro — acabará provocando o desemprego de fatores de produção. Como disse Hayek, não há escolha entre comer demais (emitir moeda sem lastro real) e ter indigestão (recessão), porque ambas são inseparáveis, a primeira acarretando a segunda. Essa conclusão — de que o desemprego é a consequência natural da inflação — mostra quão equivocadas são as análises keynesianas que ficaram conhecidas como a curva de Phillips, que postulavam a existência de um trade off ou dilema entre inflação e desemprego, de modo que, se algum governo desejasse combater a inflação, teria que aceitar uma taxa de desemprego de mão de obra maior ou, se quisesse reduzir o desemprego, seria forçado a aceitar uma taxa de inflação mais elevada.

http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1099

Saudações tricolores.

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