quarta-feira, 28 de setembro de 2011

A Crise Grega

Abaixo segue meu artigo publicado no Ordem Livre.

As bolsas de valores ao redor do mundo sobem e descem continuamente. A rigor, ninguém deveria ser capaz de explicar movimentos de sobe e desce no curto prazo. Afinal, se fosse capaz de se antecipar a isso o investidor faria uma fortuna sem risco. Quando uma bolsa despenca 10% num dia, a probabilidade de alta no dia imediatamente seguinte é alta. Espertamente, os especialistas em mercado financeiro atribuem tal alta não a um fato normal de mercado, mas sim à expectativa de aprovação de pacotes de ajuda governamental.

Em determinado dia as bolsas caem, caíram porque um número grande de empresas fez escolhas erradas. Novamente, espertamente, os especialistas do mercado (os mesmos que perderam bilhões de dólares) atribuem a queda nas bolsas não às más decisões tomadas no passado, mas sim à não aprovação de pacotes de ajuda financeira.

Notaram o artifício? Existe uma pressão enorme para aprovar a qualquer custo o pacote de ajuda a governos e empresas que foram irresponsáveis no passado. A bolsa subiu, então é porque o mercado acredita que o governo (ou a comunidade internacional) vai ajudar. Ou seja, se o FMI ou a União Europeia não ajudarem, o caos voltará a imperar.

Se a comunidade internacional não ajudar a Grécia o mundo não irá acabar. O lado financeiro de determinados países é o rato que ruge. Faz muito barulho, mas não tem tanto poder assim para gerar uma crise mundial. Mesmo a ideia de que a crise grega pode se espalhar pela Europa é confusa.

Vejamos: será mesmo que ajudar a Grécia irá evitar que outros países tenham problemas? Claro que não. Ajudar a Grécia significa apenas transferir o ônus do ajuste grego para o resto da Europa. Isso não elimina o prejuízo, apenas o reparte entre os países.

Quando muitas pessoas, por muito tempo, cometem erros sistemáticos sempre existe um custo a ser pago. Empurrar esse ajuste para a comunidade internacional não elimina o prejuízo, apenas o redistribui. Pior do que isso: gera a sinalização errada para todos os governos. Isto é, sinaliza que a irresponsabilidade fiscal compensa.

5 comentários:

Anônimo disse...

Adolfo, acho que o fato dos índices das bolsas caírem ou subirem não é que as empresas fizeram escolhas erradas. O grande dilema aqui no Brasil é: grandes fundos e investidores estrangeiros quando a "bolsa" cai é porque eles estão desfazendo as suas posições, que não necessariamente estão perdendo, podem também desfazer suas posições para colocar o lucro no bolso. E quando a "Bolsa" sobe eles estão entrando em posições compradas. Se tem muita gente vendendo a bolsa cai, e se tem muita gente comprando a bolsa sobe. Mas não necessariamente eles estão em prejuízo, ouso dizer que na maioria das vezes estão em lucro. Então concluindo, a BM&FBOVESPA está nas mãos dos gestores dos grandes fundos de investimentos e dos investidores estrangeiros.

Anônimo disse...

O risco moral está em alta.

Wéberson disse...

Boa noite Adolfo, estava fazendo uma pesquisa sobre investimento em "Renda Fixa" e encontrei seu Blog, muito bom e me ajudou bastante! Te enviei uma dúvida que estou tendo para tomar minha decisão no seu e-mail que esta no Blog, caso você possa me responder eu ficaria muito grato!
Parabéns pelo Blog!

Abçs!

Breno Lima disse...

Caro Adolfo,

Não conheço fatos que comprovem esta manipulação dos mercados que você aponta. No entanto, ela faz de todo o sentido, apesar de também não acreditar que a Grécia enquanto país e sociedade que faz parte de uma sociedade maior, a UE, seja um ator ingênuo neste episódio. Talvez ela seja mais uma bola da vez, que como outros países que cotidianamente gozam da livre-participaçào no mercado internacional. Novamente, talvez a falha esteja no fato de que como em outros países que adotam princípios correlaciolacionados ao livre-mercado, são frequentes as discrepâncias entre a implementação de políticas pública e os reais mecanismos de mercado, bem como a aprovação destas medidas dentro dos princípios de cada uma das nações. Em momentos de crise acabam por tornarem tudo imperioso e de última hora. Parece que o berço da democracia também tem problemas democráticos. (risos) O que diriam os filósofos gregos? Lembro a luta do Bill Clinton pelo Fast Track nos EUA. O Congresso Americano negou alegando que seria poder demais para o Presidente e nem o 11 de setembro alterou isso, pelo contrário, parece ter recrudecido. No Brasil temos as MP. A única justificativa seja a vontade de atribuir um caráter mais criativo ao poder executivo do Poder Executivo, que cada vez mais precisa agir rápido, a falha talvez seja o tamanho da distância que separa nossas recentes democracias. A solução parece a criação de instituições independentes que permitam traçar uma fronteira eficiente entre governos e mercados.

Breno Lima disse...

Caro Adolfo,

Não conheço fatos que comprovem esta manipulação dos mercados que você aponta. No entanto, ela faz de todo o sentido, apesar de também não acreditar que a Grécia enquanto país e sociedade que faz parte de uma sociedade maior, a UE, seja um ator ingênuo neste episódio. Talvez ela seja mais uma bola da vez, que como outros países que cotidianamente gozam da livre-participaçào no mercado internacional. Novamente, talvez a falha esteja no fato de que como em outros países que adotam princípios correlaciolacionados ao livre-mercado, são frequentes as discrepâncias entre a implementação de políticas pública e os reais mecanismos de mercado, bem como a aprovação destas medidas dentro dos princípios de cada uma das nações. Em momentos de crise acabam por tornarem tudo imperioso e de última hora. Parece que o berço da democracia também tem problemas democráticos. (risos) O que diriam os filósofos gregos? Lembro a luta do Bill Clinton pelo Fast Track nos EUA. O Congresso Americano negou alegando que seria poder demais para o Presidente e nem o 11 de setembro alterou isso, pelo contrário, parece ter recrudecido. No Brasil temos as MP. A única justificativa seja a vontade de atribuir um caráter mais criativo ao poder executivo do Poder Executivo, que cada vez mais precisa agir rápido, a falha talvez seja o tamanho da distância que separa nossas recentes democracias. A solução parece a criação de instituições independentes que permitam traçar uma fronteira eficiente entre governos e mercados.

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