segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Perdas em bolsas são perdas reais?

O presidente do Banco Central enfatizou que as perdas nas bolsas de valores, nos últimos quatro meses, foram de aproximadamente 10 trilhões de dólares. Isso daria uma magnitude do tamanho da crise internacional. Contudo, tenho uma dúvida: perdas nos mercados financeiros são perdas reais? Em que magnitude tais perdas podem afetar o lado real da economia?

Quando os investidores perdem 10 trilhões nas bolsas de valores isso tem um efeito direto na capacidade futura de investimento. A queda de valor nas companhias implica em menor rentabilidade para quem investiu nelas, o que diminui o estímulo a novos investimentos. Como as companhias passam a valer menos, sua capacidade de obter empréstimos também diminui, o que novamente afeta negativamente seu investimento. A expectativa de lucros menores no futuro também é outro fator a diminuir o investimento da companhia.

Sim, existem argumentos suficientes para se inferir que perdas no setor financeiro podem impactar negativamente no setor real da economia. Contudo, uma distinção importante deve ser feita: uma coisa é uma bomba (ou um terremoto) destruir 10 trilhões de dólares de ativos, outra bem diferente é essa perda se dar em bolsa de valores. No primeiro caso, o estoque de capital da economia se reduziu. A capacidade de produção diminuiu, a riqueza real foi diretamente afetada. No segundo caso a perda pode ser revertida. Ou ainda podemos dizer que o mercado apenas passou a precificar corretamente um desvio do passado. Ou seja, não é tão claro que a capacidade de produção da economia tenha se encolhido nesses 10 trilhões de dólares.

No final do dia o que vale é quanto uma economia é capaz de produzir em bens e serviços. Chamar isso de 1 bilhão ou 10 trilhões de dólares só faz diferença se a quantidade efetivamente produzida for diferente.

5 comentários:

Anônimo disse...

Os PTnomistas se referiam a uma contração da demanda, derivada das perdas nas bolsas de valores. O problema é que eles sugerem (maldosamente?) que essa é uma redução da oferta de bens.

JGould disse...

Perfeito! E basta olhar o caixa das maiores empresas americanas e tbm nacionais para constatar sua análise.

Anônimo disse...

Investir na bolsa é uma aposta, quase como uma corrida de cavalos ou em loteria, só que baseado no atual momento e na perspectiva de crescimento das empresas, ou seja, na informação, mas não deixa de ser uma aposta, e se as pessoas não apostam é porque não acreditam, ou preferem meios mais seguros, ou seja o Brasil tá um país inseguro, se não apostam nem no real vao apostar a bolsa?

Anônimo disse...

O presidente do BC, quando quantifica o ralo do crescimento (US$ 10 trilhões), está sendo coerente com a estratégia do governo: a inflação não existe; o crescimento é pujante; para estimular o crescimento, a redução de juros é melhor do que redução de impostos... Logo se vê a ideologia dominante: o que explica crescimetno é a demanda. Afinal, o longo prazo é coisa de neoliberal.

nilo disse...

Desses 10 trilhões, vamos supor que pelo menos 7 são fruto de alavancagem e ainda temos o fato da não realização dos prejuízos, que para mim, não são prejuízos.Também deve-se levar em conta as "entidades" que lucram, e lucram muito com as quedas nas bolsas com vendas descobertas, aluguéis entre outras operações, fato comum. Então não acredito nem um pouco nessa informação.

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