segunda-feira, 7 de novembro de 2011

A Comunidade Econômica Européia e os Estados Brasileiros

Até a aprovação da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), os estados brasileiros eram livres para gastarem o que quisessem. Além disso, se os mesmos se tornavam insolventes (incapazes de pagarem suas contas) era obrigação da União socorrê-los. Na minha opinião, o melhor mesmo era que cada estado fosse livre para assumir dívidas mas sabendo que a União não iria socorrê-los em caso de necessidade. Como isso não foi possível, a LRF foi a segunda melhor opção (mesmo que no final os estados continuem a burlá-la).

A comunidade econômica européia é exatamente igual aos estados brasileiros pré aprovação da LRF: todos os países por lá são livres para gastar como bem entendem, mas quando vão à falência os outros países são obrigados a ajudá-los. Alguma dúvida de que esse desenho institucional não vai funcionar? Se a comunidade européia quer ter alguma chance de sucesso, então está na hora de deixar países como a Grécia irem a falência. Ajudar a Grécia só vai aumentar o estímulo para que outros páises, tal como a Itália, continuem sua trajetória fiscal irresponsável.

13 comentários:

Pedro H. Albuquerque disse...

Disse tudo Adolfo.

Anônimo disse...

Uma coisa é emprestar, outra é dar.

samuel disse...

O que já se está discutindo é se vale a pena salvar o Euro.
1. Argumento do Mão Visível: A imobilidade da mão de obra por motivos da natureza da estrutura da produção e da economia de cada país, por motivos culturais, lingüísticos, com seus reflexos em sua moeda comum vai ao cerne da questão do Euro no longo prazo.
2. Argumento do Blog do Kleber S. O efeito China. Os Baixinhos PIIG compram bagulhões (carros, aviões) dos chamados países "centrais", mas estes compram bagulhinhos da China, não dos Baixinhos. Isto gera déficit em CCI, o que força o endividamento continuo daquelas nações.
3. The euro has helped both to create and sustain the crisis in Europe. First, it caused interest rates to plunge in southern Europe, encouraging countries such as Italy and Greece to go on a borrowing binge.
The EU bail-out fund – or even to the IMF – there simply may not be enough money to meet its needs. It would be like an elephant getting into a life raft.
Rather than insisting that the break-up of the euro is unthinkable, Europe’s leaders need to start planning for it. (Gideon Rachman, Financial Times).

O mais interessante é que estas três análises servem muito bem para compreender a relação do Brasil com seus estados, o MERCOSUL com relação ao Brasil como também o de outros mercados associados.

Pedro H. Albuquerque disse...

Um erro comum que tem sido cometido nessas análises, por desconhecimento das instituições europeias ou simples má fé, é o de querer ver uma crise monetária no lugar de uma crise fiscal.
O euro não está em crise. Alguns estados membros da zona euro estão (merecidamente) em crise. E a crise é necessária para que os estados sejam contidos nos seus excessos.
Se o governo de Alagoas estiver falido fiscalmente, a probabilidade de que isso cause o desaparecimento do real é praticamente nula.
Quem vive na Europa sabe que a chance hoje de que os países centrais queiram abandonar a zona euro é nula, ou seja, não há crise do euro.
Como "talk is cheap", vamos ver se os mercados "put their money where their mouth is": o euro continua sendo negociado em plena crise por US$1,38.
Se há um fenômeno monetário relevante hoje, trata-se da depreciação do dólar em relação às demais moedas.

samuel disse...

Samuel tomou nota dos comentários do Pedro Albuquerque. Com auxílio do Adolfo, voltaremos ao tópico daqui a 06 meses.
Contudo, ignorância de instituições ou de outra não existe na era do GOOGLE e, como "talk is cheap", nada a comentar sobre A SUA COMPRA de títulos soberanos da GRÉCIA e ITÁLIA.
Avec mes meilleurs voeux de profit, au revoir Mr.

Pedro H. Albuquerque disse...

Samuel, como boto meu bolso onde está minha boca, declaro que não carrego títulos de *nenhum* governo hoje, dadas as taxas de juros nominais e reais ridículas que os títulos governamentais estão pagando, e a perspectiva de que somente caiam de preço. E se tivesse acesso isolado a títulos de países como Itália, talvez comprasse, pois relativamente não estão caros. Infelizmente, as regras do meu portfolio não me permite fazê-lo isoladamente.
Mas porque não fazemos assim então Samuel: assumo o compromisso de lhe pagar 1000 dólares se você assumir o compromisso de me paga 1000 euros em 10 de janeiro de 2012. Estamos combinados? Afinal, de acordo com o que você está sugerindo, dois meses deverá ser tempo suficiente para que essa crise se aprofunde e o euro perca grande parte do seu valor, não?

Breno Lima disse...

Acho que a comparação foi desproporcional. O Euro tem uma função bem maior do que a simples solução de problemas econômicos e bem diferente do federalismo brasileiro, bem como do norte-americando. Acredito que a aposta do Euro é a de conciliação de diferenças seculares ao passo que se institucionaliza algo comum, como a moeda, afinal estamos falando de uma comunidade e não de uma federação. O teste de fogo do Euro, acredito ainda não aconteceu! Não nos esqueçamos que os desequilíbrios econômicos da Europa, num passado não muito distante geraram guerras sangrentas (WW II) ou longos períodos de tensão como a Guerra Fria. Talvez o que falte as nossas unidades federativas é um pouco mais de autonomia, principalmente nos que diz respeito a seus recursos. Acho que são assuntos diferentes pacto federativo e acordo comunitário. Numa comunidade a igualdade não deve ser motivo de discordância, no federalismo sim.

samuel disse...

Pedro, Santé et prosperité!
Eu não vou apostar. A menos que transformemos o Adolfo em banqueiro.
O que estou dizendo é que o Euro vai desaparecer. A União Européia vai continuar existindo. Vai desaparecer por que é inviável. Pelos motivos elencados.
Uma das moedas de refúgio já está tomando providência: A Suíça aceita Euros para converter em FS na taxa de 1,25. Outro refúgio são os títulos Americanos e o dólar que estão em alta.
A extinção do Euro se fará num clic, necessariamente não em uma longa fase de desvalorização. Os alemães se preparam para sair do Euro:
http://not.economia.terra.com.br/noticias/noticia.aspx?idNoticia=201111150011_EFE_80484244

Pedro H. Albuquerque disse...

Samuel, a ideia é *exatamente* que o Adolfo sirva como nosso banqueiro. Funcionaria assim:
Cada um de nós dá US$1000,00 para o Adolfo, convertidos em reais.
O Adolfo deposita os valores em reais numa conta do BB (ou qualquer outra conta que ele tenha), metade num fundo em dólares, e outra metade num fundo em euros (assim os fundos estarão hedged contra variação cambial).
Em 18 de janeiro (dentro de dois meses) o Adolfo resgata os fundos, calcula o valor de 1000 euros em reais, me paga, e tudo o que restar é lucro seu! Se o euro desaparecer, você recebe tudo. Vamos lá cara, "put your money where your mouth is"... Topa?

Breno Lima disse...

Banqueiro ou não, o Adolfo. Não existe espaço para outra moeda forte no mundo ocidental? O problema não parece estar se tornando bem mais de "economia-política" e não mais de "política-econômica"? Seria possível medir soberania ou criarmos um modelo em que ponderássemos o risco-retorno de uma política internacional liberalizante dentro da UE num momento de fortes restrições políticas e financeiras?
Olha quando vejo toda esta tenção na Europa por conta do Euro e ainda as oscilações de pressão no mundo árabe fico naquela de que é melhor deixar quem já entrou e não entrar quem está de fora.

Kleber S. disse...

PEDRO

Em alguns dias o euro ja' caiu de 1.38 para 1.32. Mas esperar que ele desapareca ate' janeiro nao e' razoavel. O euro provavelmente nao vao desaparecer. O que certamente devera' mudar e' a composicao da Zona. Ja' esta' claro que o problema NAO e' conjuntural. Baixinhos e Grandoes NAO pertencem ao mesmo clube. Insistir nisso e' jogar dinheiro bom atras de dinheiro ruim.

Abracao


Kleber S.

Pedro H. Albuquerque disse...

@Kleber: variações em mercados de moeda desta ordem são mais que normais e naturais. De fato, o euro neste momento está subindo de valor. Se você conhece a história do euro, você sabe certamente que ele já atingiu valores muito mais baixos no passado em momentos de muita tranquilidade política e econômica. E não há nenhuma dúvida de que o euro está neste momento *apreciado* do ponto de vista de PPP.
O que é certo por outro lado é que o dólar é uma moeda que consolidou no longo prazo uma tendência de perda continua de valor em relação às demais moedas fortes do mundo (por causa de uma inflação mais elevada combinada com perda de competitividade relativa nos EUA e consequentemente dificuldades no setor externo de sua economia). Essa é uma tendência muito bem documentada que já dura 20 anos, e esta tendência certamente não cessará dados os problemas monetários e fiscais americanos correntes. Por outro lado, o Banco Central Europeu é um dos poucos bancos centrais no mundo que conseguiram preservar seu nível elevado de independência política através da crise (as outras exceções são também países da Europa continental, como a Suíça).
Mas você está certo ao reconhecer que o euro não vai desaparecer. De fato, sou a favor de regras de expulsão da zona euro, mas duvido muito que algum país venha a sair por vontade própria, pois não há nada a ser ganho por eles. Como foi provado duas vezes recentemente, e contra tudo o que os desinformados diziam, dois governos já caíram, mas os países não saíram do euro. Isso aí é evidente para quem realmente conhece a Europa.

Pedro H. Albuquerque disse...

@Samuel:
Pois é Samuel, enquanto você queria vender os títulos da Itália e da Grécia, o Soros comprou, e, adivinhe o resultado... Ficou ainda mais rico!
Enquanto isso os intelectuais do "Eurogeddon" e os investidores amadores bancaram os "suckers". O mercado financeiro definitivamente não perdoa o diletantismo. Aqui o artigo:
http://online.wsj.com/article/SB10001424052970204319004577086652040716704.html

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