terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Previsões do Sachsida para 2012

O ano de 2012 será uma dura provação para as contas públicas. O desastre, mais que anunciado, começa com o reajuste do salário mínimo que deve colocá-lo num patamar próximo a 620 reais por mês. Esse valor gera dois problemas automáticos: aumento no déficit da previdência social, e dificuldades gigantescas para prefeituras de cidades pequenas (que pagam um salário mínimo para boa parte de seus funcionários). Indiretamente, esse valor deve significar o desemprego para pessoas pouco qualificadas e jovens (os segmentos mais impactados pelo salário mínimo). As eleições municipais também serão um elemento a mais de pressão para o aumento do gasto público. A estratégia de gastar mais para tentar eleger mais prefeitos vai permear prefeituras, governos estaduais e governo federal. Pensam que acabou? Nada disso, com a justificativa de evitar os efeitos da crise, o governo federal vai aumentar ainda mais o gasto público federal. Em resumo, 2012 vai ser um ano de fortes gastos públicos.

Se o lado fiscal da economia vai mal, pior ainda vai o lado monetário: a moda agora é falar de medidas alternativas de combate à inflação. Bom, a maneira alternativa de combater a inflação (que não seja aumento dos juros) é a restrição ao crédito. Contudo, o governo já deixou claro que não irá restringir o crédito em 2012, pelo contrário adotará medidas para expandí-lo. Uma política monetária frouxa, associada a um gasto público em alta, sugerem uma inflação alta para 2012. Não será surpresa alguma termos uma taxa de inflação superior a 6% no próximo ano.

No que se refere ao crescimento da economia, a pior equipe econômica de todos os tempos continua acreditando que o gasto público é a resposta certa para a crise. E o que é pior, boa parte deles acredita que a carga tributária brasileira não é alta. Assim, não se espante se ao longo de 2012 você ouvir o governo sugerir novos impostos. Com o governo gastando muito, e tributando muito, é de se esperar um crescimento abaixo de 4% para 2012.

Em resumo, para 2012 espero uma inflação acima de 6% e um crescimento econômico abaixo de 4%. Mas fiquem tranquilos, 2013, 2014 e 2015 serão piores. Em 2013 teremos que corrigir os estragos de 2012, mas além disso os gastos públicos para a Copa deverão sair do papel. Como tais obras estão atrasadas, é evidente que a pressa em finalizá-las implicará num custo bem superior ao originalmente estimado. Em 2014, teremos os evidentes aumentos de gastos públicos decorrentes desse ano ser marcado por eleição presidencial. Pobre de quem assumir em 2015, esse será o ano do inevitável ajuste.

3 comentários:

Anônimo disse...

Uns economistas falam que vai ser um desastre, outros dizem que o Brasil tende a só crescer mais, acho que a questão do problema não é o salário minimo, porque aí envolve várias coisas, 620 pra mim continua sendo salário de lixo, tinha é que cortat gastos publicos inúteis e diminuir pelo menos um pouco o salário exorbitante de alguns funcionários públicos. O Brasil ao passar por esses problemas que voçe tá citando, deve mudar suas atitudes, e daí a perspectiva é outra, nao to dizendo que vai ser boa ou ruim, mas preve o futuro para o ano que vem é uma coisa, pra daqui 2, 3, 4 anos é muita pretensão e puro chute.As decisoes e o rumo de um país não é linear, o que aconteçer ano que vem abre uma série de possibilidades para os próximos anos, que só aumentam. Cada decisão política, tanto do governo quanto do BC muda tudo, e a não ser que vc tenha uma bola de cristal, é impossível adivinhar todas elas, se economia fosse lógico e previsível assim, não seria economia, e não envolveria decisões de pessoas, que são altamente dinâmicas e mutáveis.

"O" Anonimo disse...

Que cenário otimista, Adolfo! Crescer "menos que 4%" não me parece uma opinião muito convicta que a nau está sem rumo.

Blog do Adolfo disse...

Oi O,

A nau esta completamente SEM RUMO. Acredito que todos concordamos com isso. Felizmente a economia consegue funcionar apesar da pior equipe economica de todos os tempos.

Adolfo

Google+ Followers

Ocorreu um erro neste gadget

Follow by Email