quarta-feira, 30 de março de 2011

Batalha do Rio de Janeiro

Logo no começo do filme "Batalha de Los Angeles", informa-se que outras cidades ao redor do mundo também estão sendo invadidas. Entre elas está o Rio de Janeiro. Vamos agora fazer uma reconstrução fictícia dessa batalha.

05 da manhã: aliens começam a surgir na praia

07 da manhã: finalmente alguém nota a invasão (previamente confundida com algum bloco carnavalesco)

07:30: surge a primeira confusão burocrática. A invasão é problema da prefeitura, do estado ou do governo federal?

08:00: o governo do Rio manda o representante da ONG Viva Rio negociar com os aliens. Estes são informados dos planos de ataque, e recebem uma rota de fuga segura. Ao mesmo tempo o governo do Rio informa que instalará UPP's nas praias tão logo estas sejam recuperadas.

09:00: todo o Rio de Janeiro já está ocupado. O prefeito do Rio culpa o governo do estado. O governo do estado diz que ainda tem esperanças no diálogo. Decide-se que o governo federal irá cuidar do assunto.

09:10: descobre-se que a força naval estacionada no lago Paranoá, em Brasília, não poderá apoiar as forças cariocas.

09:15: o governador do Rio Grande do Sul anuncia que está formando um novo país pró-alien, que a revolução farroupilha será vingada, e se recusa a mandar reforços para o Rio de Janeiro.

09:20: o Ministro da Ciência e Tecnologia afirma que aliens não existem, logo não existe ataque nenhum.

09:30: alguém se lembra de que o Ministro da Defesa deve ser informado da situação.

10:00: o alto comando determina ataque maciço da aeronáutica, marinha e exército contra os aliens às 11:00 da manhã

11:00: nem o exército, nem a marinha, e nem a aeronáutica estão prontos para o ataque que fica postergado para as 12:00 horas.

12:00: começa o ataque das forças brasileiras.
12:01: acaba o ataque das forças brasileiras.

17:00: com a cidade do Rio completamente dominada pelos aliens, e em completo desespero, o governo federal nomeia Zeca Pagodinho comandante-em-chefe das forças armadas brasileiras.

17:01: o ardiloso novo comandante anuncia rendição geral e irrestrita. O general alien é convidado para assinar o termo de rendição brasileiro no Acarajé da Rosa (barzinho agradável na Lapa).

20:00: já são três horas sem ter contato com o general alien que assinou o termo de rendição brasileiro.

22:00: o exército alien responsável pela área de copacabana deixa de se reportar pelo rádio.

23:00: relatos de deserções generalizadas nas fileiras aliens

24:00: o alto comando alien manda suas reservas para tentar restabelecer contato com suas forças adiantadas localizadas no Recreio, Barra e Rocinha

03:00: todo contato por rádio é perdido com os comandos aliens

05 da manhã: 12 horas após a invasão ainda pode-se ver alguns aliens saindo do morro do Alemão, outro grupo dançando na Lapa, outros com prostitutas em copacabana, e alguns vestindo a camisa do flamengo e fazendo tatuagem do Che Guevara. O outrora orgulhoso exército invasor não foi páreo para a mulata brasileira, a feijoada e a caipirinha. Tudo regado a cerveja e à música do maquiavélico Zeca Pagodinho.

Os jornais matinais ainda tem tempo de colocar em suas manchetes "Liderança firme garante vitória brasileira". Numa nota ao pé da página, os deputados em Brasília anunciam que a invasão retardou as obras da Copa e das Olimpíadas. Sendo assim, pelo bem do Brasil, tais obras serão feitas sem licitação e sem auditoria do TCU.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Batalha de Los Angeles

Acabei de assistir "Batalha de Los Angeles", boa diversão. Agora entendo a revolta, e o despeito, dos intelectuais em relação a esse filme. O maior mito da intelectualidade é implodido nesse longa-metragem: o materialismo histórico.

O materialismo histórico é doutrina dominante nos intelectuais de esquerda: a idéia de que o indivíduo é refém da época e da sociedade em que vive. Para esses gênios, simplesmente não há espaço para um indivíduo fazer diferença nos rumos da história. "Batalha de Los Angeles" mostra o óbvio: um indivíduo, sempre, pode fazer a diferença.

Não bastasse chutar sem dó nem piedade o materialismo histórico, o filme ainda joga pra longe as idéias de Freud e Adler. Mostrando que mesmo quando o ambiente é inóspito, e sem esperança de sexo ou poder (ou qualquer outro tipo de recompensa), ainda assim muitos de nós não se comportam como animais. Mantemos, mesmo em situações extremas, nossa humanidade não por questões de recompensa, mas simplesmente porque é o certo a ser feito.

Um indivíduo, sempre e em qualquer sociedade, pode fazer a diferença. A história de nosso mundo já demonstrou isso.

sexta-feira, 25 de março de 2011

A difícil tarefa de valorizar o mérito individual

Num mundo ideal os melhores, os mais produtivos, os mais esforçados e trabalhadores, são recompensados e promovidos. Os desleixados, preguiçosos e parasitas recebem de acordo com seu esforço e mérito, e não de acordo com seu padrinho político. Infelizmente, essa realidade está cada vez mais distante no Brasil. Pior do que isso, com o tempo passamos a aceitar tal realidade como normal.

O PT escandalosamente aparelha todos os órgãos públicos com apadrinhados políticos. Não bastasse isso, o PT quer agora aparelhar também as empresas privadas (como o exemplo da Vale deixa claro). Bancos, institutos de pesquisa, ministérios e empresas privadas, tudo é objeto de apadrinhamento político para o PT. O desprezo ao mérito individual está tão espalhado pela sociedade que para os mais novos é difícil de acreditar que algum dia já foi diferente. Hoje o emprego mais estável no Brasil é ser filiado do PT. Para esses não há crise, pouco importa sua qualificação desde que seu viés ideológico agrade a esquerda.

Vejam o caso do Banco PanAmericano. A presidente da Caixa Econômica Federal (CEF), que é ligada ao PT, autorizou uma operação de compras de ativos do PanAmericano que resultou em pesadas perdas para a CEF. O que aconteceu com a presidente que autorizou tão desastrada operação? Nada, ela continuou no cargo como se nada tivesse acontecido. Nem ao menos uma declaração sobre o desastre da operação que autorizou. Hoje a presidente da CEF pediu demissão. Hoje a ex-presidente da CEF já foi anunciada como indo trabalhar no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), por indicação do governo brasileiro. Difícil considerar isso uma punição severa. Das duas uma: a) a ex-presidente da CEF não tem competência alguma, e autorizou a operação da CEF com o PanAmericano. Nesse caso, não há razão para o governo brasileiro indicá-la para o BID; ou b) a ex-presidente da CEF é muito competente, e foi obrigada por pressão política a autorizar a operação CEF-PanAmericano. Nesse caso, cabem duas perguntas: 1) quem pressionou a ex-presidente da CEF a autorizar tão desastrada operação?; e 2) Por que?

Triste ver um país tão cheio de talentos afundar na lama do aparelhamento político. Triste ver tantos talentos desperdiçados. Triste ver tantos imbecis promovidos. Pobre do país que promove imbecis e pune talentos.

quarta-feira, 23 de março de 2011

As Placas das Empresas

Bem poucas coisas são capazes de ilustrar tão bem o atual estado do capitalismo brasileiro quanto as placas das empresas. Não bastasse o governo interferir nas regras de contratação, regras de alocação, regras de localização das empresas, agora interfere-se também nas placas das empresas.

Uma das primeiras providências a serem tomadas quando se abre um negócio é providenciar uma placa bonita de identificação para a nova empresa. Simples não? Infelizmente não. Hoje o governo interfere diretamente nisso. Por exemplo, na cidade de Londrina-PR, as autoridades municipais obrigaram todos os comerciantes a trocarem suas placas antigas por placas novas, mais adequadas a um ambiente com menor poluição visual. A idéia como sempre é nobre: diminuir a poluição visual. Contudo, tão logo a idéia foi implementada, descobriu-se que as antigas placas, que eram maiores, escondiam a marca do tempo em vários edifícios do centro. Outras vezes as placas antigas escondiam a fiação horrorosa de vários estabelecimentos. Em resumo, tiraram-se as placas antigas e a sujeira escondida debaixo do tapete apareceu. Pior do que isso, micro e pequenos comerciantes tiveram que alterar a fachada de seus negócios. Essa despesa, apesar de pequena para grandes empresários, representou significativas perdas para os pequenos comerciantes.

Como não poderia deixar de ser, o governo do Distrito Federal também dá sua contribuição negativa para esse tema. Entrará em vigor uma nova lei, no Distrito Federal, que obriga os comerciantes a colocarem o telefone do PROCON nos letreiros da empresa. Sim leitor, você leu certo: todos os comerciantes do Distrito Federal serão obrigados a alterarem o design de seu letreiro para incluir o telefone do PROCON. Notem ainda que, no Distrito Federal, os comerciantes já são obrigados a: 1) afixar em local visível, dentro do estabelecimento, o telefone do PROCON; 2) ter um exemplar do código de defesa do consumidor disponível; e 3) incluir na nota fiscal o endereço e o telefone do PROCON.

Pobre das pequenas e micro empresas brasileiras. Não bastassem os impostos, a insegurança, e a burocracia, agora têm que lidar também com letreiros.

quinta-feira, 17 de março de 2011

I Encontro Nacional dos Blogueiros de Economia

Está chegando a hora!!! Esse encontro vale a pena!!!

Quero deixar registrado aqui meu muito obrigado a toda a comissão organizadora. Vocês estão de parabéns por essa iniciativa fantástica. Em especial quero agradecer ao Cristiano Costa por todo apoio.

quarta-feira, 16 de março de 2011

O Desastre no Japão e os Títulos da Dívida Pública Americana

O desastre que se abateu no Japão pode causar sérios problemas ao governo americano. Boa parte das companhias japonesas (incluindo seguradoras) mantinham em suas carteiras expressivas somas de títulos públicos americanos.

Para reconstruir os estragos no Japão, é bem provável que as companhias japonesas, e o governo japonês, vendam parte substancial dos títulos públicos americanos que possuem. Esse comportamento pode sugerir maiores dificuldades para o governo americano financiar seu déficit. Ou seja, juros maiores deverão ser pagos. Mas se o governo americano aumentar a taxa de juros de seus títulos isso obriga outros países, Brasil incluso, a fazer o mesmo.

Desastres, ao contrário do que pensa o Ministro do Trabalho brasileiro, costumam prejudicar a todos.

Mudança no Sistema de Metas de Inflação

Segue meu artigo publicado ontem no Ordem Livre.

Em 1999 o Banco Central do Brasil adotou o mecanismo de metas de inflação. A idéia básica desse regime é de anunciar uma inflação esperada para o ano e usar a taxa de juros para manter a inflação dentro da meta. Vários países adotam o regime de metas de inflação, outros países tais como os Estados Unidos não possuem um regime explícito de metas (mas é senso comum que eles perseguem alguma meta). O sistema de metas depende fundamentalmente da credibilidade do Banco Central.

No Brasil o sistema de metas tem uma peculiaridade: as metas são ajustáveis, ou seja, as metas podem ser revistas na presença de choques adversos na economia. Isto simplesmente vai contra a idéia de uma regra. Se uma regra pode ser ajustada ao estado da economia então isso não é uma regra, é sim uma política discricionária. Políticas discricionárias têm péssimo desempenho no combate à inflação.

Opiniões pessoais à parte, vários estudos acadêmicos têm defendido o sucesso do regime de metas de inflação no Brasil. Contudo, fatos estranhos estão ocorrendo. Sem grande alarde, o Banco Central começou a dar ênfase na estabilidade de preços, e na convergência da inflação para o centro da meta, em 2012. Isso só pode significar uma coisa: o BC está se preparando para mudar o sistema de metas de inflação no Brasil. Atualmente, o BC persegue uma meta anual de inflação. O que os últimos acontecimentos parecem sugerir é que o BC pretende alargar o horizonte temporal da meta (para dois anos por exemplo).

Do ponto de vista teórico existem argumentos defensáveis para se perseguir uma meta de inflação para horizontes mais longos de tempo. Contudo, o que não fica claro é se o BC está alongando o horizonte do sistema de metas por razões teóricas ou por questões políticas. Se o BC tem argumentos teóricos para realizar a mudança, nada mais justo do que discutir isso com a comunidade. Ao se furtar dessa discussão, e optar pelo silêncio, o BC levanta dúvidas quanto ao seu compromisso com o combate rigoroso da inflação. O resultado óbvio disso é a recorrente piora das expectativas de inflação que tem marcado o ano de 2011.

O BC não tem legitimidade para sozinho alterar o horizonte do sistema de metas. Se o BC quer falar sobre convergência da inflação, para o centro da meta, em horizontes superiores a 1 ano, ele deve informar claramente à sociedade que está alterando o horizonte de tempo do regime de metas. Caso contrário, cabe ao BC explicar à sociedade as causas da inflação não convergirem para a meta no horizonte de tempo estabelecido (anual).

terça-feira, 15 de março de 2011

O Problema das Crianças Abandonadas

No Brasil temos um dos maiores paradoxos do mundo civilizado: de um lado ruas repletas de crianças abandonadas, e de outro uma fila enorme de pais querendo adotar crianças. Exatamente por que é tão difícil de se adotar uma criança no Brasil? Minha resposta é simples: existe toda uma estrutura de ONG’s, funcionários públicos, e burocracia que só existe enquanto existir o problema de crianças abandonadas. Isto é, quanto mais dificuldades criam para a adoção de crianças, mais importantes se tornam. É o exemplo clássico de rent seeking (sugadores).

Os burocratas argumentam que sem um controle rígido das regras de adoção as crianças poderiam ser adotadas por maus pais. Sim, isso é verdade. Mas por acaso ser criado num orfanato pobre é uma alternativa melhor? Além disso, devemos lembrar que pais que querem adotar crianças geralmente serão bons pais, uma vez que tiveram o claro benefício da escolha. Mas mesmo que isso não fosse verdade, ser criado sem família e sem amor num orfanato seria uma alternativa melhor?

Os burocratas argumentam que precisam ter certeza de que os novos pais terão condições financeiras e emocionais para criar a criança. Sim, isso é importante. Mas por acaso a criança abandonada está numa situação melhor num orfanato? O orfanato providencia condições financeiras e emocionais tão boas para crianças?

Os burocratas argumentam que precisam ter certeza de que os novos pais não irão explorar sexualmente as crianças e nem vender seus órgãos no mercado negro. Sim, isso é importante. Mas desde quando comerciante de órgãos, ou exploradores sexuais, colocam seu nome e sua documentação num formulário oficial? Esse tipo de pessoa pega as crianças diretamente nas ruas, e falsifica a documentação delas. Eles não vão até um órgão do governo, dão seus dados e assinam documentos que podem incriminá-los.

Ao final do dia parte expressiva do aparato estatal que controla a adoção de crianças serve apenas para dar emprego à burocratas e fornecer recursos a ONG’s. Num país pobre como o Brasil não faz sentido termos tantas famílias querendo adotar crianças tendo que esperar na fila da adoção, enquanto as ruas estão cheias de crianças desamparadas. Não faz sentido ter que esperar dois anos numa fila de adoção. Não faz sentido que pais carinhosos sejam humilhados pelos burocratas responsáveis pela verificação das regras de adoção.

O mundo não é um arco-íris. A pergunta sensata a ser feita é: esses pais dão melhores condições de vida para essa criança do que as ruas? Se a resposta for sim, então deve-se permitir diretamente a adoção. Uma lei de adoção que siga esse conselho tem o potencial de acabar com o problema da criança abandonada em poucos anos. Qualquer coisa diferente disso serve apenas para dar emprego a sugadores de recursos públicos.

quarta-feira, 9 de março de 2011

A Situação Fiscal Americana

O governo brasileiro tem dado mostras de sua capacidade quase ilimitada de maquiar nossa péssima situação fiscal. Situação essa que se deteriora muito quando se inclui na conta considerações demográficas (interessante notar que, com honrosas e poucas exceções, essa questão extremamente importante tem passado despercebida no Brasil). Mas, verdade seja dita, o governo americano também tem se destacado nessa nada saudável prática de enganar a população.

Trapaças contábeis não melhoram as contas públicas, mas enganam a população. Isso diminui a pressão para que o ajuste fiscal seja feito. Contudo, esse tempo extra não é isento de custos: quanto mais se espera maiores se tornam os déficits, e mais drásticos se tornam os ajustes necessários. Apesar da sociedade americana ter um longo histórico de transparência nas contas públicas, parece que nos últimos anos essa transparência tem ido por água abaixo. Já há um bom tempo o governo americano presta mais atenção a seu déficit público sem incluir nele despesas militares. Sim, existem várias questões técnicas para isso. Contudo, no final do dia, dívida é dívida, pouco importando sua origem. Em estudos acadêmicos, os pesquisadores também costumam retirar o gasto militar americano do orçamento. Sim, novamente existem razões para isso. Mas devemos lembrar que quando olhamos para o tamanho do ajuste fiscal necessário, é fundamental lembrarmos que o orçamento militar deve ser incluído na conta.

Quanto que o Tesouro Americano gastou para ajudar os bancos na recente crise financeira? Este dinheiro está incluso na contabilidade do déficit? Quem sabe onde está esse volume imenso de recursos e quando este será pago de volta ao Tesouro? Como foram incluídos os orçamentos da Fannie May e Freddie Mac nas contas públicas? O ajuste fiscal americano, tal qual o brasileiro, terá que ser feito mais cedo ou mais tarde. Esconder o tamanho do déficit só ajuda políticos fracos a postergarem o que deve ser feito.

sábado, 5 de março de 2011

Uma Homenagem ao Prof. Nelson Lehmann

Faleceu essa semana o Prof. Nelson Lehmann. Eu não tive a oportunidade de conhecê-lo bem, mas no breve tempo que conversamos aprendi muito com ele. Liberal convicto, o Prof. Nelson Lehmann foi minha escolha para ser o palestrante do I Encontro de Pensadores Liberais que organizei em Brasília. Ele proferiu, brilhantemente, a palestra "Fundamentos Liberais nas obras de Platão, Aristóteles e Santo Agostinho".

Abaixo a foto do Professor Lehmann (de barba) após o evento. Fica aqui registrada minha homenagem ao grande professor, e minhas sinceras condolências à família. Nesta semana o liberalismo brasileiro está de luto com tão grande perda.

quinta-feira, 3 de março de 2011

O Pacote Fiscal do Sachsida

Quando se conhece a estrutura do gasto público no Brasil, o primeiro detalhe que chama a atenção é a impossibilidade de se fazer grandes cortes de gasto num único ano. Assim, qualquer pacote fiscal deve ter em mente um horizonte mínimo de 3 a 4 anos. Grandes ajustes dependem de consistentes alterações ao longo dos anos. Essa é a única maneira de se produzir um ajuste fiscal sério no país. Junto com a redução do gasto público deve ser realizada uma reforma que reduza a carga tributária no Brasil (deixaremos a questão tributária para outra postagem).

1) A mais fácil medida a ser tomada para o ajuste fiscal é o fim imediato das operações entre Tesouro Nacional e BNDES. Tais operações geram pesados ônus ao erário público, e ao mesmo tempo fragilizam a situação fiscal do país.

2) Reduzir, e muito, os gastos com investimento público. Essa é a maneira mais efetiva de se diminuir gastos no curto prazo.

3) Acabar com a regra atual de reajuste do salário mínimo. Tal regra terá um impacto terrível nas contas públicas em 2012.

4) Desistir de sediar a Copa do Mundo de 2014. Os recursos podem ser melhor usados numa série outra de programas, tal como na melhoria da educação básica. Quando o governo diz que irá gastar R$ 1 bilhão na reforma da Fonte Nova (Bahia) não tem como não ficar assustado.

5) Desistir de sediar as Olimpíadas de 2016. O investimento é muito alto, e num país sem esgoto e sem água encanada isso não pode ser prioridade.

6) Projeto de Lei que aumente a idade mínima para aposentadoria para 67 anos, com uma regra de transição, tanto para homens como para mulheres. Além disso, finalizar a opção de se aposentar por tempo de serviço (a não ser na presença de redutores salariais).

7) Não elevação dos gastos com o bolsa família e implementação de uma regra compulsória de saída. O problema do bolsa família não está na falta de recursos e nem em sua abrangência (com quase 13 milhões de famílias atendidas). O problema do bolsa família está na ausência de uma regra de saída.

8) Concursos públicos: cada caso deve ser analisado separadamente. Reajuste do salário dos servidores: cada caso deve ser analisado separadamente. A regra de ouro aqui é, gradativamente, diminuir parte da excessiva atratividade do setor público. Salários altos, e risco, são características do setor privado. Quem quer ir para o setor público terá menos risco, mas ao custo de um salário menor.

9) Forte redução com gastos de publicidade, incluindo redução desse gasto nas empresas estatais e nos bancos públicos.

10) Proibição do Banco do Brasil e da CEF de comprarem participação em bancos privados. Se isso não for legalmente possível, então é melhor vendê-los.

11) Forte redução na quantidade de Ministérios, com imediata redução do número de funcionários comissionados não concursados.

12) Imediata auditoria nos repasses para todas as ONG´s, abrindo inclusive processo judicial quando se fizer o caso. Inclui-se aqui também o fim do repasse para qualquer ONG ligada a movimentos ilegais (tal como as ligadas ao MST).

13) Regra para o “Restos a pagar”. Em grande parte das ocasiões, o “restos a pagar” é uma maneira do governo enganar a opinião pública (dizendo que economizou um dinheiro que na verdade gastou).

14) Abandonar, pelos próximos 4 anos, os grandes projetos tais como o trem de alta velocidade, o programa Minha Casa Minha Vida, e a usina de Belo Monte.


Ajuste fiscal é isso. Ajuste fiscal dói no bolso, ajuste fiscal corta gastos e corta projetos que talvez sejam importantes (mas que não são urgentes). Ajuste fiscal deixa as pessoas tristes e descontentes com o governo. Se quando o governo anuncia um ajuste fiscal as pessoas ficam felizes, então pode apostar que tem algo errado.

terça-feira, 1 de março de 2011

Será um longo ano

Quando seu time tem Pelé e Garrincha você sabe que pode vencer a qualquer momento. Quando seu time tem Mantega e Belchior você sabe que é questão de tempo até alguém entregar o ouro. Vejam, por exemplo, o vexame associado ao ajuste fiscal anunciado pelo governo. É simplesmente inaceitável tanta confusão envolvendo os dois principais ministros da área econômica.

Logo depois de anunciar os cortes que integrariam o ajuste fiscal, o governo foi vergonhosamente desmentido. Alguns especialistas, esse blog entre eles, deixaram claro que o ajuste anunciado pelo governo não era factível. Não satisfeito, o governo tentou novamente convencer a todos detalhando os cortes do orçamento. Dessa vez é difícil dizer se a equipe econômica foi confusa ou maldosa. Três detalhes devem ser levados em conta para se analisar o corte de R$ 50 bilhões proposto pelo governo.

Em primeiro lugar, o governo simplesmente mentiu ao dizer que gastos sociais e investimentos do PAC não seriam atingidos pelo corte. Será que a equipe econômica realmente acreditou que ninguém iria notar o truque de falar uma coisa e fazer outra? Exatamente o que se passa na cabeça de ministros de Estado que se contradizem recursivamente no mesmo assunto?

Em segundo lugar, o governo não detalhou os cortes de maneira a deixar claro o que efetivamente será cortado.

Em terceiro lugar, o corte é simplesmente de mentira. Quando se anunciou o ajuste fiscal, a maneira efetiva de fazer isso é reduzindo os gastos do governo em 2011 em relação a 2010. Ou seja, espera-se que o governo gaste menos esse ano do que gastou no ano passado. Mas não, o governo quer basear o ajuste fiscal não no volume de recursos efetivamente gastos em 2010, mas sim no orçamento aprovado para 2011. Só pra dar uma idéia desse absurdo, notem que o governo gastou em 2010 R$ 657 bilhões (sem entrar a capitalização da Petrobras). Dessa maneira, um ajuste fiscal sério nos levaria a crer que em 2011 o governo iria gastar menos do que isso. Contudo, mesmo após o corte de R$ 50 bilhões, se o governo gastar o restante do orçamento ele terá gasto em 2011 R$ 717 bilhões. Ou seja, deve ser o primeiro caso no mundo de um ajuste fiscal que aumenta os gastos do governo.

Para finalizar, vou repetir o que já disse antes, o ajuste fiscal no Brasil será feito por dois canais: volta da CPMF e aumento da inflação (para algo entre 7% e 8% ao ano).

I Encontro Nacional dos Blogueiros de Economia

EXCELENTE a iniciativa dos pesquisadores Cristiano M. Costa, Carlos Eduardo Gonçalves e Cláudio D. Shikida. Infelizmente não terei como estar presente, mas fico honrado em participar do evento mesmo que a distância.

Data: 25 de março
Local: FEA-USP
Inscrições: http://www.surveymonkey.com/s/enbeco

Abertura (13:30)
Carlos Eduardo Gonçalves , Cláudio D. Shikida, Cristiano M. Costa

Painel Temático I (13:40)
O Papel dos Blogs no Debate sobre Política Econômica
Carlos Eduardo Gonçalves, Alexandre Schwartsman, Felipe Salto
Vídeo: Adolfo Sachsida

Coffee-Break (15:00)

Painel Temático II (15:10)
A Blogosfera e o Jornalismo Econômico: Complementares ou Substitutos?
Cristiano M. Costa, Leonardo Monasterio, Silvio Crespo, Thais Herédia
Vídeo: Rodrigo Constantino

Coffee-Break (16:20)

Instituto Millenium (16:35)

Painel Temático III (16:50)
Os Blogs na Sala de Aula: A Disseminação do Conhecimento
Cláudio D. Shikida, Ronald Hillbrecht, Márcio Laurini, Mauro Rodrigues
Vídeo: Roseli Silva

Encerramento (18:00)
Carlos Eduardo Gonçalves , Cláudio D. Shikida, Cristiano M. Costa

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