terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Considerações sobre o Relativismo Cultural

Abaixo segue meu artigo publicado ontem no Ordem Livre.

Relativismo cultural é a idéia de que não podemos julgar outras sociedades com base em nossos próprios valores. Sendo assim, não poderíamos julgar os costumes das sociedades antigas (romana ou grega, por exemplo) com base em nossos valores morais atuais.

Apesar de poder fazer sentido a primeira vista, a idéia do relativismo cultural esconde uma hipótese implícita: a necessidade de falta de contato com sociedades mais desenvolvidas. Claro que não podemos cobrar das sociedades antigas um padrão moral mais atual. Afinal, na época das mesmas tais padrões morais não existiam.

Torna-se importante ressaltar que a idéia do relativismo cultural não se aplica a sociedades que tem contato com outras. A partir do momento que se tem contato com outro conjunto de valores, torna-se uma opção de cada sociedade qual desses padrões seguir. Sendo assim, me parece incorreta a idéia de que não podemos classificar determinadas sociedades como sendo moralmente superiores a outras. Sociedades que defendem a liberdade individual – os direitos civis, que abominam regimes totalitários, e que de maneira alguma usam o poder do Estado para impor coercitivamente determinadas crenças religiosas – são claramente superiores às demais. E acredito que esteja na hora de tais sociedades se orgulharem disso.

De minha parte, acredito que quando um homem, que foi criado numa sociedade machista, espanca uma mulher ele deve ser punido. E isso independe do país onde ele esteja, seja isso no Brasil, nos Estados Unidos ou no Irã. Relativismo cultural não se aplica a partir do momento que você teve contato com valores mais elevados. Você pode até preferir continuar seguindo seu antigo conjunto de valores, mas isso será escolha sua: com todos os benefícios e custos associados.

3 comentários:

Anônimo disse...

Todas as sociedades tem falhas, e muitas delas só são vistas no futuro
todas as sociedades tem algo a evoluir, e todas aprendem com os próprios erros, pq na teoria muitos pensamentos, culturas ou formas de governo são uma, mas na prática apresentam graves falhas que não estavam previstas, isso se deve ao fato que experimentos não são possíveis nesse contexto, já que os agentes são os seres humanos, os mais imprevisíveis possíveis, e esses experimentos não são testados em laboratórios, são simplesmente aceitos e absorvidos pelas pessoas, ou maioria delas, e mantendo-se em prática enquanto dá certo.A história nos mostra isso, ou alguém tem dúvida que daqui a 100 anos os erros e equivocos, e as influencias relevantes de nossa sociedade atual vao estar em qualquer livro de história?
Sociedade perfeita não existirá, enquanto houver maldade, ganancia e corrupção por parte do homem...

Urban Demographics disse...

até quem conhece um pouco de introdução a antropologia se assusta com o seu texto. como diriam os anglo-saxões "it is not even wrong!".

para ser breve, relativismo cultural não serve para se justificar as ações, mas para compreender o contexto delas.

Anônimo disse...

É a ideologização que molda o relativismo cultural.
Esse conceito, cumpre o papel de tentar anular aspectos culturais de uma dada sociedade, fazendo prevalecer conceitos ideologizados de sociedades de fora dos centros mais desenvolvidos. Ou seja, as sociedades antigas da Amárica Latina seriam melhores e mais desenvolvidas que as da Europa e assim por diante.
Apesar da maneira simplista abordada aqui no comentário, a partir disso, criam-se condições para o desenvolvimento de táticas que levem à vitórias eleitorais e por ai, ao domínio de setores decisórios do Estado.
Inicia-se, então, a aceleração de processos de demonização e exclusão de "culturas indesejadas", segundo a ideologização relativista.
É uma prática de setores atrasados e autoritários.

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