terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Não podemos ter medo do crescimento econômico!!!

Em fevereiro de 1945 a situação na frente russa era desesperadora. Como medida extrema, Hitler nomeia Heinrich Himmler (líder da SS) para comandar o contra-ataque. Tão logo chega ao quartel general, Himmler ordena: “Iniciar o contra-ataque imediatamente”. Incrédulos, os oficiais de estado-maior perguntam: “Como?”. Ao que ele, com ares de um iluminado, responde: “Pelos flancos!”.

Ora é evidente que atacar pelos flancos costuma ser mais vantajoso do que um ataque frontal. Mas a pergunta não se referia a isso. Os oficiais queriam saber quais unidades incluir no ataque, como tais unidades seriam desengajadas do combate para preparar o efetivo do contra-ataque, se haveria um ataque diversionário, se haveriam reservas, etc.. É evidente que Himmler, antigo criador de galinhas, não fazia a menor idéia do que estava fazendo.

No Brasil costumamos ouvir vários economistas do governo dizendo: “não podemos ter medo do crescimento!!!” ou ainda “este país precisa crescer”. Eles me lembram Himmler... é evidente que ninguém discorda de suas afirmações, mas, tal como no caso do criador de galinhas, se esquecem de dizer como pretendem fazer isso. Tais sábios afirmam que o Estado precisa gastar mais, investir mais. Contudo, se esquecem de dizer de onde virão os recursos para isso.

A verdade é que ninguém sabe com absoluta certeza o que gera crescimento econômico. Existem sim teorias, algumas fazendo mais sentido do que outras. O que sabemos com certeza é como não gerar crescimento econômico: a) impostos altos atrapalham a eficiência de uma economia; b) burocracia costuma ser um obstáculo ao crescimento econômico; c) investimentos públicos em empresas “promissoras” (tal como os realizados pelo BNDES) costumam ser um mau negócio; d) altos impostos de importação também não costumam ajudar; e) maquiar dados para esconder desequilíbrios fiscais parece não funcionar (vide o caso Grego); f) limitar a liberdade econômica dos indivíduos e empresas certamente não é a solução; etc.

Da próxima vez que você ver um arauto do desenvolvimento, proclamando aos 4 cantos do universo que “temos que crescer”, pergunte a ele se, e como, iremos abaixar impostos, diminuir a burocracia, aumentar a liberdade econômica, reduzir o gasto público, etc.. Caso ele fique calado, ou gagueje, pode apostar que você encontrou mais um criador de galinhas, metido a sabichão, a proclamar “Pelos flancos!”.

5 comentários:

Sentilavras disse...

Gostei da analogia... Belo texto!

Anônimo disse...

Meus caros,
Esta questão é extremamente curiosa. Concordo com o post e faço meus comentáriozinhos. Como qualquer estudante de economia deve saber, a produção requer insumos e fatores de produção para se realizar. Infelizmente, os cursos de economis no Brasil não são bons e este fato, muitas vezes, não ganha a devida atenção. Ou seja, o necessário para se ter produção é se ter os fatores de produção e não o desejo de consumir esta suposta produção.
Quando trabalhamos com o país como um todo, podemos decompor o crescimento econômico observado pelo crescimento do estoque dos diversos fatores de produção e também da produtividade (entra tudo aqui). Como esta produção é consumida, é irrelevante (ao contrário do que nos bombardeia os jornais), pelo menos para os objetivos que aqui temos. É errado dizer que o produto cresceu porque o consumo das famílias cresceu. Isto não tem sentido. O correto é dizer que o crescimento do produto permitiu o crescimento do consumo das famílias (sempre lembrando, consumir é bom, produzir é ruim ou gera desutilidade).
Assim, a pergunta correta em relação ao crescimento do país se divide em três: "como aumentar a taxa de investimento; como aumentar a acumulação de capital humano; como aumentar a produtividade da economia brasileira". É engraçado que as respostas a estas perguntas são péssimas, mas mesmo assim tem gente otimista (o aumento do salário mínimo aumentará a demanda e o produto, etc). Por fim, devido ao FUNDEF do FHC, o estoque de capital humano ainda vai aumentar muito, garantidno até 2030, pelo menos 1,5% de crescimento ao ano de nosso produto per capita (o que é uma excelente notícia). A má notícia é que o FUNDEF foi o último grande esforço efetivo que fizemos para aumentar nosso estoque de capital humano.
Um grande abraço.

Anônimo disse...

Me lembrou a história da vizinha gostosa:

O marido dela trabalha em plataforma e todos mês passa 15 dias fora de casa, o resto é contigo...

JGould disse...

Taxa de juros!!! mais precisamente; "derrubem a Selic". É resposta clássica dos "dummies" desenvolvimentistas.

Alex disse...

Excelente Adolfo!

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