segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Uma boa notícia para Brasília

Semana passada surgiram especulações a respeito de uma missão da UNESCO a Brasília. O objetivo de tal missão seria verificar o enquadramento da cidade às normas do patrimônio histórico. É extremamente improvável, mas com um pouco de sorte (não custa sonhar) Brasília poderia perder o status de patrimônio da humanidade.

Em termos objetivos: qual a vantagem de Brasília ser considerada patrimônio da humanidade? Na melhor das hipóteses, tem-se apenas duas vantagens: turismo e memória. Uma breve reflexão nos mostra a pouca expressividade de tais vantagens. Em primeiro lugar, alguém acredita que turistas vêm a Brasília por causa de seu status de patrimônio da humanidade? Os turistas visitam a CAPITAL do Brasil, pouco importa seu status em relação a patrimônio da humanidade. Em relação a preservar a memória da cidade, que tal dar uma olhada no site: http://whc.unesco.org/en/list/. Aqui estão listados os lugares considerados patrimônios da humanidade. Fica evidente que na maioria absoluta dos lugares se preservam obras individuais, e não uma cidade inteira.

Apenas para dar um exemplo, manter a Vila Planalto (local logo atrás da Esplanada dos Ministérios) impedida de realizar obras que vão contra as normas da UNESCO é condenar uma área nobre da cidade a estagnação econômica e social. Manter toda uma cidade engessada à um plano de urbanização de 60 anos atrás é condenar sua população ao caos. Manter o status de patrimônio da humanidade não traz benefício algum a população de Brasília, ao contrário traz enormes custos econômicos e sociais a cidade. Quando se impedem novas construções, quando se limitam a possibilidade de aproveitamento de áreas antigas, o que temos é uma cidade com um setor privado que sofre para abrir empresas, um setor privado que é esmagado pelos custos astrônomicos associados à locação dos imóveis, um setor privado que é obrigado a se comprimir em espaços minúsculos. Daí que trabalhar, ou empreender, no setor privado da capital do país é uma atividade de extremo risco.

Manter o status de patrimônio da humanidade só é bom para os burocratas de Brasília, que tem seus empregos diretamente ligados a essa atividade. Para o resto da população, tal status serve apenas para pagarmos uma das moradias mais caras do país, e por termos tão poucas opções de trabalho fora do setor público.

5 comentários:

Chutando a Lata disse...

Discordo do começo ao fim do seu post. Basta reparar a desgraça em que transformaram as capitais brasileiras. A razão? A pura e simples especulação imobiliária que corre frouxa, porque os políticos são corruptos e o tempo todo desrespeitam ou alteram os planos diretores. Vamos lembrar a nova área habitacional criada perto da Casa Parque. Não está dentro de nenhuma configuração urbanistica. Está apenas no interesse do empreiteiro que conseguiu alterar o plano diretor. Certamente, comprou barato o terreno que tinha destinação para certas obras e , pela alteraçao do plano diretor, obteve lucro bilionário.

Não gosto do projeto urbanistico de brasilia; mas é o que temos. Se perdermos o status de patrimonio da humanidade, para mim, é certo que o caos urbano irá se tornar realidade e o mais rápido possível. Quanto a vila planalto, não entendo que está impedida para o que lá deveria ter: residencias, comercio e trabalho. Não fazem a regularizaçao da propriedade dos terrenos, porque os PA da vida ganhariam pouco com isso.

Anônimo disse...

Tambem discordo, não quero que brasília vire uma nova São Paulo ou Rio, lá mesmo tendo prédios de 20, 30 andares, o preço do m2 é em média maior que o daqui, ou seja, essa não pareçe ser a solução, todos sabem que esses prédios estariam nas mãos de poucas pessoas e a especuláção iria continuar existindo, só que com mais transito, que já tá começando a ficar caótico...Do jeito que tá é ruim, mas ficaria pior sem ele, essa não pareçe ser a solução.
E Adolfo, um conselho, tente ver as coisas por uma ótica mais geral, e não somente pela ótica econômica.

Luciano disse...

Olá, gostaria de fazer um comentário em relação ao Anônimo 21:13: se não se pudesse fazer prédios mais altos em Rio e São Paulo, o preço do metro quadrado nas regiões seria muito mais caro. É somente a lei da oferta e demanda que parece funcionar bem em muitos mercados. É só ver quanto custa o m2 na Urca, se é que existe algum imóvel a venda lá. Um abraço! Luciano

Anônimo disse...

Luciano mas a relação custo-benefício valeria a pena ou seria proporcional?
Eu penso que n, que o m2 abaixaria bem pouco e daqui a uns tempos voltaria a crescer a absurdamente denovo, em um situação bem menos favorável. Em brasília onde empresários compram prédios inteiros,existe uma grande falha na lei da oferta e demanda, em aguas claras onde a oferta é bem grande, o m2 de fato é menos que do plano, mas aumenta mais e mais cada dia, daqui uns tempos vai chegar ao msm preço daqui, só que em aguas claras...
Imóvel infelizmente virou um mercado especulativo...

Anônimo disse...

Águas Claras NUNCA custará o mesmo que o Plano, por uma simples questão de distância dos maiores pagadores de salário... simples aplicação da teoria da produtividade da Terra do Ricardo.

Leo

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