Nas próximas semanas teremos um embate legal percorrendo o Brasil: a proibição de contas no Twitter destinadas a avisar sobre locais de blitz de trânsito. Atualmente existem contas no Twitter que avisam aos motoristas os locais das blitz. Tal informação pode ser usada por motoristas bêbados – ou sem habilitação, ou com carros fora das condições de rodagem, ou mesmo por bandidos – para evitar a fiscalização.
Do ponto de vista moral, me parece condenável esse tipo de conta no Twitter. Afinal, elas equivalem a informar ao potencial infrator como escapar da fiscalização. Contudo, devemos lembrar que esse tipo de comportamento não é novo no Brasil. Nas estradas brasileiras é muito comum o “sinal de luz”, que um carro passa a outro para avisar que existem policiais a frente.
Certamente, todos entendem a motivação que levam os órgãos de trânsito a pedirem o fechamento das contas de Twitter que se dedicam a tal atividade. Contudo, a pergunta relevante aqui é outra: operacionalmente tal medida tem algum efeito? Isto é, proibir contas no Twitter que se dedicam a informar os locais das blitz de trânsito irá evitar que essa informação seja disponibilizada ao público? E a resposta me parece ser negativa.
Em primeiro lugar, sempre é possível dizer “A Dona Maria está na rua X” ao invés de dizer “A blitz está na rua X”. Ou seja, essa pequena alteração torna virtualmente sem efeito qualquer decisão judicial que bloqueie as antigas contas no twitter. Em segundo lugar, exigir que o Twitter faça essa fiscalização também me parece inviável (até porque isso equivaleria a dar a um controlador central o direito de bloquear contas). Em terceiro lugar, existem uma infinidade de redes sociais e blogs que podem fazer o mesmo serviço. Me parece operacionalmente inviável tentar proibir a todos.
Novas tecnologias trazem consigo novas realidades, tentar lutar contra elas me parece perda de tempo e de recursos. Em vez de tentar barrar as contas no Twitter as autoridades de trânsito deveriam se ajustar a elas. Por exemplo, sabendo que a existência de uma blitz na rua X será colocada no twitter, a polícia poderia se antecipar e montar um segundo bloqueio na rua Y (que seria o desvio natural seguido pelos infratores). Claro que a blitz na rua Y teria vida curta, pois logo seria descoberta. Outra estratégia, seria a idéia de blitz com curta duração e móveis. Isto é, ao invés de passar a 2 horas num único local, fica-se ali por 30 minutos e depois vai-se para outro local. Uma terceira possibilidade seria acessar as contas do Twitter com informações falsas, sinalizando a existência de blitz onde elas inexistem. Esse é um caso curioso, pois tem o potencial de ser altamente eficiente (pois as pessoas que olham a existência de tantas blitz no twitter são desistimuladas a cometer a infração) a um custo baixo (afinal nada foi gasto naquela blitz).
Por fim, que tal mudar toda a idéia de blitz? Nos Estados Unidos é muito comum que carros de polícia fazendo a ronda (ou escondidos em determinados pontos estratégicos) parem motoristas suspeitos. Ou seja, não é necessário mobilizar uma estrutura tão grande, como ocorre no Brasil, para tentarmos fazer a lei ter eficácia.
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
Assinar:
Postar comentários (Atom)
5 comentários:
Adolfo, o problema é que isso daria MUITO trabalho pros policiais que ficam rondando a cidade sem, de fato, trabalhar... Mas achei todas as ideias mto boas.
A ideia das informações falsas plantadas me parece boa,isso seria bastante fácil mesmo.
A__Regeicao__da__populacao__a__este__tipo__de__fiscalizacao__acontece_____porque___nao__existe__quase__nenhuma__intencao__de__prender__bebados__ao___volante___ou bandidos mais sim apreender veiculos o que pra mim e falta de etica(pra mim e para milhares de pessoas que seguem essas contas no twiter)
Pra que twitter quando temos o blitzbuster.com, trapster, blitzer...
Adolfo , concordo com você nas ideias sugeridas , mas o ideal mesmo seria a população se conscientizar que o trabalho da policia está sendo executado de forma correta e que se ele fosse levado a sério evitaria muitos acidentes , que podem acontecer inclusive com alguém da família ou com a própria pessoa que passa essas informações facilitando para os motoristas imprudentes.
Postar um comentário