segunda-feira, 26 de março de 2012

A Condenação do Aborto NÃO É Baseada num Argumento Religioso

De maneira simples, objetiva e direta: a questão do aborto não está diretamente relacionada com a religião.

Devemos lembrar que a lei atual permite o aborto em dois casos: a) estupro; e b) quando a gravidez põe em risco a vida da mãe. Dessa maneira, ser favorável, ou contrário, a uma lei que permita o aborto em outras circunstâncias, diferentes das mencionadas acima, depende fundamentalmente de uma resposta individual a seguinte pergunta: quando começa a vida?

Se fosse possível provar que a vida começa com o nascimento do bebê, então acredito que a esmagadora maioria da população seria favorável ao aborto. Por outro lado, se fosse possível provar que a vida começa com a concepção, me parece improvável que os que defendem mudanças na lei do aborto hoje continuassem a fazê-lo. Como ninguém sabe quando começa a vida, surgem as divergências sobre o aborto. Será que a vida começa com o surgimento do sistema nervoso central? Ou será que começa antes disso?

Na impossibilidade de responder estas perguntas, as pessoas procuram pistas em suas crenças. Os mais religiosos se baseiam na religião, daí sua resistência a mudanças na lei do aborto. Mas não se enganem, aqueles que são favoráveis a mudanças na lei do aborto são igualmente crentes, ou seja, desprovidos de argumentos científicos em que basear sua opinião. A posição de uma pessoa frente a mudanças na lei do aborto é desprovida de argumentos científicos, simplesmente porque estes não são capazes de provar quando começa a vida.

Dessa maneira, é ilusória a idéia de que o aborto é uma questão religiosa. O aborto é uma questão que se refere ao início da vida. Na impossibilidade de se determinar tal resposta, procura-se o apoio de crenças. O católico não é contra o aborto por ser católico, ele é contra o aborto por acreditar que isso equivale a assassinato.

Claro que existem aqueles que, mesmo sabendo que um ser humano está vivo, são favoráveis à matança. Os nazistas, por exemplo, achavam ser uma questão humanitária exterminar os deficientes físicos ou mentais. Afinal, dado que estes não poderiam sobreviver sozinhos, matá-los seria um ato de piedade. Os argumentos desse post não se aplicam a esse grupo de pessoas.

Por fim, chega ao absurdo da lógica a afirmação de que “a religião está se intrometendo em assuntos de Estado” quando condena o aborto. Devemos lembrar que é direito de qualquer clube (que não tenha associação obrigatória, e nem poderes especiais concedidos pelo Estado) determinar regras de comportamento para seus sócios voluntários. Se associa ao clube quem quer, com a religião (no mundo ocidental) também é assim.

3 comentários:

Aluízio Couto disse...

Sachsida, é controverso que a posição quanto ao aborto em ocasiões diferentes das mencionadas dependa da resposta à pergunta ''quando começa a vida?''. Muitos filósofos consideram que o mero fato de haver vida não atribui ao ser que está vivo, por si, qualquer relevância moral. A idéia é que são características como, por exemplo, a capacidade de perceber-se como entidade distinta ao longo do tempo, que atribuem tal coisa ao ser. Uma das consequências de fazer com que a relevância moral de um dado ser seja uma função de certas características é que a espécie a qual o ser pertence torna-se irrelevante.

Filósofos como Peter Singer não aceitam que a mera pertença à uma espécie é moralmente relevante. De fato, é difícil ver como um determinado arranjo genético poderia demarcar algo de moralmente importante. Desse ponto de vista, as características relevantes de um feto de duas semanas e de um girino são são muito diferentes, pelo que lhe são equivalentes moralmente. Se a afirmação parece absurda, é o caso de explicar a razão pela qual o pertencimento à espécie é relevante.

Portanto, é possível se posicionar na discussão sobre formas de aborto não permitidas pela lei sem precisar responder à pergunta proposta e sem se incomodar com o fato de a vida em questão ser humana.

Thais Sousa disse...

, ou seja, o governo gastaria muito dinheiro e aumentaria o conflito com a bancada religiosa.

Thais Sousa disse...

A legalização do aborto desencadearia problemas não apenas religiosos, mas também econômicos, pois o governo teria que investir em estrutura hospitalar e a maioria das pessoas não fariam uso de camisinhas gerando um aumento significativo de portadores de doenças sexualmente transmissíveis, ou seja, o governo gastaria muito dinheiro e aumentaria o conflito com a bancada religiosa.

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