terça-feira, 17 de abril de 2012

Dever de Casa e Doutrinação

Quem tem filhos em idade escolar, estudando em colégios privados, já constatou o óbvio: a carga de tarefa (dever de casa) tem aumentado brutalmente. As crianças são obrigadas a passar um bom tempo estudando em casa, por quê? A resposta mais óbvia seria de que o mercado está muito competitivo, demandando um preparo educacional cada vez mais intensivo em horas de estudo.

Eu tenho uma resposta alternativa para a pergunta acima: a carga de doutrinação ideológica nas escolas aumentou. Hoje se cobra cada vez mais que a escola ensine coisas que, tradicionalmente, são obrigações da família ensinar. Questões referentes a ética, por exemplo, pertencem à esfera familiar. Cabe à família formar os valores de seus filhos, e não às escolas. Cabe à família ensinar bons modos às crianças, cabe à família ensinar o respeito ao próximo, e bom comportamento. Contudo, tais tarefas estão sendo delegadas as escolas. Seja por relapso das famílias, seja por causa de currículos escolares “modernos”, a família vai perdendo espaço para a escola no ensino de valores morais.

Como o tempo dentro da escola tem permanecido constante, temos uma curiosa inversão de funções: a escola ensinando valores morais, e a família ensinando matemática. Afinal, como a escola passou a gastar preciosas horas com o ensino de questões morais, faltam horas para o ensino de matemática, português e ciências. O resultado é o consequente aumento das horas que a criança é obrigada a passar fazendo tarefas.

A regra é simples: mais matérias referentes a doutrinação na escola (sociologia, estudos que promovam o respeito a “diversidade”, etc.) representam menos horas gastas dentro do colégio com o ensino de português, matemática e ciências. Sendo assim, cada vez mais, a família é responsável a ensinar o que deveria ser responsabilidade do colégio. Pois o colégio está gastando o tempo ensinando temas que deveriam ser da alçada da família. Minha proposta para consertar ao problema é simples: deixemos à família o encargo do ensino dos valores morais; ao colégio cobra-se o ensino de português, matemática e ciências.

4 comentários:

Anônimo disse...

O ensino brasileiro ainda tem muito o que melhorar, os colégios hoje em dia pareçem muito mais pré-vestibulares do que colégio em si, tratam os alunos como referencia para uma boa educação, 1 lugar na unb, 5 dos 10 primeiros, 60% de aprovação, como se os méritos fossem todos do colégio, colégios esses que não vejo nada demais, muito professores ruins e ultrapassados ainda, bem como seus métodos, pouco espaço para aplicações práticas, e além de sobrecarregar o aluno de forma errada e prematura, provas que cada vez mais pareçem simulados, e o mais alarmante, preparam o aluno prioritariamente para a unb, primeiro que acho que o vestibular tem q ser o meio, e não o fim, e segundo que acho errado cada vez mais educarem alunos apenas para fazerem provas do vestibular, e apenas da unb ainda.O ensino no brasil tá muito conservador e cheio de tabus ainda, ultrapassado, pouco dinamico e interessante, as escolas não estão preparando cidadãos e pessoas mais, e sim maquinas de passar no vestibular, uma pena...

major disse...

É por essas e outras que mais e mais pessoas estão optando por educar os seus filhos em casa!

Vejam:
www.aned.org.br
www.educacaodecriancas.com.br
www.caeduf.com
desescolariza.blogspot.com.br

JV disse...

concordo 100%

Dawran Numida disse...

Interessante ponto a ser discutido.

Porém, nem toda família tem condições de ensinar português, matemática e ciências aos seus filhos.
As que têm não têm tempo necessário.

Notadamente na chamada classe emergente e subindo um pouco mais na escala de renda.

A cultura, o conhecimento, não parece ter acompanhado a citada e festejada mudança de patamar de renda ou salário.

O lazer não é visitar museus, vernissagens, passeios culturais etc. É o campo de várzea, a represa a praia.

Na realidade, da pré-escola até o segundo grau, as escolas, parece, passaram a ser encaradas mais como um lugar para deixar e alimentar os filhos enquanto os pais trabalham, do que um local de aprendizado.

Inúmeras famílias deixam seus filhos nas escolas de manhã e só os buscam no final da tarde.

Logicamente, todo o dito acima precisaria de comprovação, elaboração mais diga-se, científica de dados, mas, é dado em função do que se tem contato diariamente, observados em relacionamentos e observações.

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