domingo, 22 de abril de 2012

Os Brutos Também Amam

O grande faroeste “Os Brutos Também Amam” (“Shane”, no título em inglês) marcou época. O filme tem várias passagens excelentes. Particularmente gosto de uma delas, a qual retrato abaixo, e depois a comento em detalhes.

- Filho do cara mau: “Se não fosse por meu pai todos vocês estariam mortos. Foi meu pai que salvou a todos dos índios, e que possibilitou o surgimento dessa cidade”.
- Bonzinho: “Sim, é verdade. De maneira alguma nego isso. Seu pai foi um homem importante no passado, sem ele nada disso teria sido possível. Mas agora queremos andar com nossas próprias pernas, queremos tomar rumos diferentes. É nosso direito seguir nosso caminho, e não é direito de seu pai nos impedir de fazer nossas escolhas”.

Esse diálogo sensacional nos mostra uma lição importante: não é porque algo foi importante no passado que devemos continuar seguindo aquilo. Não é porque alguém foi um herói que devemos obediência eterna a ele. Não é porque determinadas decisões faziam sentido no passado que elas continuam a fazer sentido no presente. A uma pessoa que foi importante em seu passado, que salvou mesmo sua vida, você lhe deve agradecimento e reconhecimento, mas não lhe deve seu futuro.

Não tenho certeza que em algum momento de nossa história o Brasil precisou mesmo de um banco estatal. Não tenho certeza que em algum momento de nossa história tivesse sido necessário termos uma empresa estatal de exploraçao de petróleo. Não tenho certeza que em algum momento de nossa história tivessemos necessidade de um correio estatal. Mas, independente disso, tais escolhas foram feitas no passado. TALVEZ, no passado, tais escolhas tivessem sido acertadas, mas no presente não faz o menor sentido termos bancos estatais. Não faz o menor sentido termos uma empresa de petróleo estatal. Não faz o menor sentido darmos o monopólio dos correios a uma empresa estatal.

Tal como no filme, não quero desmerecer a história das empresas estatais. Mas está na hora da iniciativa privada no Brasil caminhar com os próprios passos. Está na hora do governo se retirar da produção de bens privados. Tal como diria Shane: “Não nego sua importância no passado, mas as pessoas tem o direito de fazerem suas próprias escolhas. Elas tem o direito de seguirem seu próprio caminho”.

4 comentários:

Anônimo disse...

Você se sentiria confortável com a privatização do IPEA? Quais os motivos lhe levaram ao serviço público ao invés do setor privado? Uma vez que, ao que parece, seu currículo lhe daria opções com remunerações tão boas quanto o atual serviço público.

Blog do Adolfo disse...

Caro Anonimo,

Acredito que a privatizacao do IPEA seja uma excelente ideia, e eu me sinto extremamente a vontade com tal pensamento.

Adolfo

Anônimo disse...

Ademais, Anônimo-23 de abril de 2012 01:44, o "filho do cara mau", deixa claro que o paia dele não deixara nenhum índio vivo.
Isso ele entende como "salvar a todos".

A pergunta é salvar a todos de quem? De quê?

Anônimo disse...

Achei sua resposta sobre o IPEA autentica e coerente com o que você tem defendido. Minha pergunta realmente não era retórica e fiquei feliz com sua resposta.

Google+ Followers

Ocorreu um erro neste gadget

Follow by Email