domingo, 6 de maio de 2012

A Poupança e a Bagunça do Governo

No Brasil a remuneração da poupança é fixada em lei. Tal absurdo passou a ser um empecilho para novas quedas da taxa SELIC. A alternativa mais óbvia é deixar a remuneração da poupança ficar livre. Isto é, deixar o mercado definir a taxa de juros dos depósitos em poupança. O que fez o governo: mudou a lei para novos depósitos de poupança. Essa nova lei DIMINUI (mantém igual o rendimento apenas enquanto a selic estiver acima de 8,5% ao ano) o rendimento da poupança.

A medida do governo tem vários efeitos colaterais que a “brilhante” equipe econômica esqueceu de analisar. Primeiro, com a redução do retorno da poupança, mas com os juros habitacionais no mesmo patamar, o spread dessa operação aumentou. Traduzindo: o lucro dos bancos aumentou. Nada contra os bancos lucrarem, mas tudo contra lucros artificiais que decorrem não da competência privada, mas sim da incompetência de medidas legais adotadas pelo governo. Segundo, como o spread dessa operação aumentou, cria-se uma enorme pressão para o governo intervir novamente nesse mercado. Dessa vez, criando maneiras artificiais para reduzir os juros habitacionais.

Terceiro, com a expectativa de queda nos juros habitacionais, o mercado imobiliário provavelmente vai ficar congelado nas próximas semanas. Isto ocorre pois todos apostam que o governo vai intervir no mercado, reduzindo a taxa de juros das operações de financiamento imobiliário. Com a queda na demanda por imóveis, aumenta-se a pressão para o governo reduzir artificialmente os juros do financiamento habitacional. Quarto, quando o governo reduzir a taxa de juros dos financiamentos imobiliários haverá um tremendo aumento por novos financiamentos (não só para a compra de novos imóveis, mas também para trocar o financiamento antigo por um novo (que terá uma taxa de juros mais baixa)).

Quinto, como a remuneração da poupança irá cair, a entrada de novos recursos para a poupança também vai cair. O que irá comprometer o financiamento da casa própria (algo como 70% do financiamento habitacional são feitos com recursos da poupança). Isso obrigará o governo a cometer mais uma distorção: terá que criar um novo mecanismo para financiar a crescente demanda por financimento imobiliário. Eu até sei qual mecanismo o governo irá adotar: recursos do BNDES (leia-se Tesouro) para financimento de imóveis. Além disso, aposto como o governo irá também tentar estimular o mercado para Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI). Apenas para constar, o CRI será no futuro a origem de nossa crise sub-prime.

Enfim, tanta bagunça apenas para tomar uma medida que tem vida curta. Ou alguém acredita que a inflação não irá obrigar o Banco Central a aumentar, em breve, a taxa de juros?

Um comentário:

amauri disse...

Bom dia Adolfo!
Voce já assistiu o video abaixo sobre juros? Pode dar uma opinião?
http://blog.kanitz.com.br/2012/05/novo-video-queda-de-juro-%C3%A9-sustent%C3%A1vel.html?utm_source=feedblitz&utm_medium=FeedBlitzEmail&utm_campaign=0&utm_content=550671
abs

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