domingo, 17 de junho de 2012

Sachsida discorda totalmente de Reinaldo Azevedo

Geralmente sou um grande fã de Reinaldo Azevedo, mas dessa vez ele se excedeu. Acredito que ele cometeu uma gafe enorme. Extremamente agressivo e errado, Azevedo ataca um estudo da PUC-RJ. Questionar trabalhos acadêmicos faz parte do dia a dia de um acadêmico. Ter seu trabalho criticado também é parte do processo de evolução científica, mas críticas do tipo: “cascata auto evidente”, “há tempos não lia tanta bobagem”, certamente não são a maneira correta de se fazer isso. Acredito que seja dever de Reinaldo Azevedo ceder espaço em seu blog para os autores do estudo exporem suas idéias. Também acredito que Reinaldo Azevedo deve desculpas por seu agressivo e errado post.

Reinaldo Azevedo não conhece a literatura sobre criminalidade, também tem formação escassa na área de estatística, e, provavelmente, não tem conhecimento algum sobre econometria. Sendo assim, ele faz comentários sobre um texto acadêmico sem grandes conhecimentos sobre a área. Vamos por partes. Reinaldo Azevedo é um profissional competente, e defende um excelente ponto: prender bandidos reduz a criminalidade. Sim, ele está correto nesse ponto. Todos os textos que li, aliado a um trabalho que tenho em andamento, confirmam o importante impacto do encarceramento sobre a criminalidade. Contudo, existem outras variáveis que também afetam a criminalidade. E, nesse ponto, tenho dificuldades de aceitar os comentários de Reinaldo Azevedo.

Por exemplo, boa parte da literatura (e também um trabalho que escrevi sobre o Brasil) confirmam que desigualdade de renda aumenta a criminalidade. Isso NÃO quer dizer que prender bandidos não seja importante. Quer dizer apenas que existem mais de uma maneira de se combater a criminalidade.

Os pesquisadores da PUC-RJ são profissionais respeitados academicamente, com publicações importantes, e que merecem todo o respeito. O estudo deles mostra que o Bolsa Família ajuda a combater a criminalidade (pela redução da desigualdade de renda). É um trabalho acadêmico sério, que merece críticas sérias e bem embasadas. Em ciência existe sempre a possibilidade de estarmos errados, mas se assim o for nosso erro deve ser demonstrado com argumentos, e não com ofensas.

Reinaldo Azevedo pergunta: “Por que, então, houve, na média, aumento da violência no Norte e Nordeste, embora sejam as regiões mais beneficiadas pelo Bolsa Família?”. E eu respondo: Porque outros fatores afetaram as regiões norte e nordeste de forma a gerar esse resultado. Por exemplo, imagine que a polícia bahiana prenda menos que a paulista, isso implica que a criminalidade na Bahia irá aumentar APESAR do efeito de redução na criminalidade gerada pelo bolsa família. O que Reinaldo Azevedo deve entender é que dizer que desigualde de renda afeta crime NÃO quer dizer que isso por si só explique toda a criminalidade. Pelo contrário, quer dizer apenas que existe um rol de alternativas para combater o crime. Sendo dever de todo pesquisador sério tentar encontrar as maneiras mais custo-efetivas para a redução da criminalidade na sociedade.

29 comentários:

Anônimo disse...

Outro fator que deve ser tomado em consideração é que, como o combate ao crime foi fortalecido na região Centro-Sul, as opcões que restam aos criminosos são o Norte, o Nordeste e o Centro-Oeste, exatamente as regiões com mais crescimento da criminalidade.

Anônimo disse...

e ainda atacou o Rodolfo Hoffmann, o maior pesquisador sobre desigualdade do Brasil, com quase 50 anos de carreira,extremamente sério.

JV disse...

Primeiro tem que provar que a bolsa familia diminui a desigualdade, o que estatisticamente é questionável. O fato de uma pessoa sair da miseria abjeta não a torna mais "igual". E então começam os problemas semânticos.

Anônimo disse...

Econometria é um estudo que complica o o que é fácil, eu estudei e ao invés de me fazer entender melhor, complicou o q já entendia sobre economia.

Márcio Laurini disse...

Excelente comentário Adolfo. Fiquei chocado quando li o post do RA.

Anônimo disse...

pode até ter diminuido a criminalidade, mas que aumentou a quantidade de pessoas sem a menor motivação pra trabalhar, ah, isso não se questiona, já que o pai dos pobres dá a quem não trabalha

amauri disse...

Bom dia Adolfo!
Quando criança (nasci em 1961)a pobreza absoluta era maior que hoje e a violência anos luz atras dos dias atuais. Uma pergunta: existe crime somente na pobreza? Na classe media e alta não tem crimes? O atual governo antes de assumir o poder, discursava que a pobreza e a diferença social gerava o crime. Hoje discursam que a desigualdade caiu muito e a violência aumentou. Com certeza o R.A. vai dar uma treplica a replica. Acho que o R.A. vai se divertir. abs

amauri disse...

Adolfo, no ultimo paragrafo estão algumas ponderações. O que mudou no comportamento no Norte e Nordeste, simultaneamente com a implementação do bolsa familia, para a violencia aumentar? abs

Timbuktool disse...

Li o post do Reinaldão e o ponto central da crítica dele ao estudo não pareceu ser o que se afirmou aqui, que é a polícia que reduz a criminalidade.

Em vez disso, baseado nesse post e noutras opiniões do R.A. sobre o assunto, penso que sua crítica parece ser mais voltada à própria premissa da relação entre pobreza e criminalidade.

Acho que foi a aceitação sem questionamento dessa relação estatística que atiçou a (típica) virulência do nosso blogueiro da Veja. Mesmo que essa seja uma relação constatada pela academia em diversos estudos citados aqui, Reinaldo Azevedo costuma dar bons argumentos que questionam a inevitabilidade da idéia de causa-e-efeito que costuma surgir de determinadas correlações.

Critica-se aqui a virulência do Reinaldão, e eu concordo. Mas acho que erra-se na leitura que se faz evitando o ponto central de sua crítica ao estudo sobre o efeito da bolsa-família na redução da criminalidade.

Luciano Nakabashi disse...

Caro Adolfo, também acho que suas colocações foram pertinentes. Caro Amauri, de fato, a violência aumentou no Brasil, apesar da melhora no nível de renda médio. Mas não podemos nos esquecer que o Brasil cresceu com piora na distribuição de renda. A partir dos anos 2000, a queda na desigualdade veio com um crescimento que não foi elevado e não saberia dizer se a criminalidade se elevou nesse período. Outros fatores que acho que são relevantes para a elevação da violência são os aumentos no consumo e no comércio de drogas ilícitas. Acho que a invenção do crack piorou muito essa situação. Também acho que a elevação na ênfase do consumo que gera status, menor influência da religião, maior número de famílias não estruturadas (pais separados, etc.) acabam afetando o nível de violência, se bem que estudos para verificar isso são necessários.
Um abraço.

Anônimo disse...

O Reinaldo tem que se cingir ao estudo e o estudo é que tem a limitação apontada, o texto do Reinaldo apenas segue essa limitação. O Estudo é fraco sim, porque parte de uma premissa muito parcial, como vc mesmo explicou. O Reinaldo foi inteligente ao perceber que essa limitação no estudo dava oportunidade para mais um panfleto pró-bolsa família que não verifica contextos amplos.

Anônimo disse...

O Brasil era mais pobre e mais desigual a 3 ou 4 décadas. No entanto, a sensação de segurança era muito maior. Tanto que os crimes que viravam notícia eram os de psicopatas, não havia criminalidade sistêmica tal como hoje com os PCCs, Comandos Vermelhos, etc. Um acadêmico sério precisa atacar essa questão. Quem não é sério vai fabricar piscadelas pro governo.

Dawran Numida disse...

O que importa não é o efeito BF na criminalidade, que existir sim, em maior ou em menor grau.

O problema é a localização do estudo, no que toca a São Paulo, por exemplo, de forma intencional ou não.

Ou seja, que o BF teria sido mais eficaz do que a ação da política de segurança e da polícia em São Paulo.

Sempre que analisam a queda da criminalidade, em São Paulo, o sucesso é atribuído mais a atitudes do governo federal, a ações de difusos grupos sociais etc. e não às medidas tomadas pelas autoridades estaduais, às prisões efetuadas e às medidas de prevenção. Nisso pode haver algum viés.

Já em análises sobre o Rio de Janeiro, por exemplo, não raro o sucesso é sempre atribuído às ações do governo do Estado, às UPPs, estas vendidas como exemplos a serem copiados por outros Estados etc.

O que se coloca aqui são noções bem simplistas sobre o assunto.
Mas, se lembrarem da última campanha presidencial, a atual presidente, então candidata, disse em debate, que livraria o Estado do PCC. Oras, naquela época, tal grupo já estava, há tempos, desarticulado, com as lideranças presas. E nunca chegou a ameaçar a governabilidade no Estrado de São Paulo, apesar dos ataques coordenados em certa ocasião.
E nesse caso, a ação e reação do governo e da polícia, foi criticada como truculenta.
Oras, a truculência foi dos meliantes. Como combater aquilo sem utilizar a força?
Os caso de abusos policias foram investigados e houve punições.

Nesse ponto, o RA tem razão, sim.
Quanto à seriedade dos autores do estudo e do estudo em si, não os coloco em dúvidas, mas, apontei um certo viés em relação ao Estado de São Paulo.

Pedro Américo disse...

A resposta do João Manoel: https://docs.google.com/viewer?a=v&pid=sites&srcid=ZGVmYXVsdGRvbWFpbnxqb2FvbXBkZW1lbGxvfGd4OjJiNmRhZjIyMzAzNGNiZWI&pli=1

Luciano Nakabashi disse...

De fato, o país era mais seguro nas décadas de 60 e 70. Morávamos na capital paulista no começo dos anos 80 e não se tinha muita preocupação em fechar a janela, por exemplo. Em Curitiba, muitas casas não tinham nem portão, no período citado. Hoje a realidade é bem diferente, pois não podemos deixar a janela aberta nem em cidades pequenas do interior. Também somos mais ricos hoje do que a 30 ou 40 anos atrás.
No entanto, não podemos esquecer que o grande crescimento da economia brasileira nos anos 60 e 70 ocorreu com concentração de renda, o que deve ter tido um efeito relevante sobre a criminalidade. Quando todos são pobres, fica difícil roubar ou se sentir inferior aos demais. Adicione a isso o efeito da propaganda, estímulo ao consumismo e valorização das pessoas que possuem um roupa de marca, um carro melhor, etc. Temos outro elemento importantíssimo (e relacionado à busca pelo consumo) que é o aumento do tráfico de drogas e também do consumo de entorpecentes. Esses elementos são, muito provavelmente, responsáveis por uma boa parte do aumento da criminalidade. Ainda temos um menor poder da religião sobre o fiéis e maior proporção de famílias desestruturadas, com todos esses efeitos jogando a favor da elevação da criminalidade. Tudo isso somado a instituições que não se fortaleceram (acho que se tornaram ainda mais fracas) e com escândalos de corrupção (exemplo da elite de que se deve sempre tomar o caminho mais fácil) devem explicar boa parte do aumento da violência no Brasil mesmo com o aumento da renda. A melhora na distribuição de renda deve ter melhorado esse quadro, mas a invenção e avanço do crack joga do outro lado, por exemplo. Ou seja, como o Adolfo mesmo disse, existem muitos fatores. Uma melhora de distribuição de renda aliada a um aumento da violência não significa que a primeira não seja uma variável relevante.

Anônimo disse...

Fiquei triste pelos caras da PUC-RJ, mas fiquei feliz por esse caso ter servido para desmascarar esse destruidor de reputações chamado Reinaldo Azevedo. Não é a primeira vez nem será a última que esse cara aprontará uma dessas.

Anônimo disse...

Meus caros,
Não é possível. A maioria aqui deve ser economista e da academia (não sei se é verdade). Não conheço a Laura, mas o João Manuel e o Rodrigo (Soso). Eles são extremamente sérios e com certeza não-xiitas. Podem até ser petistas (o que desconheço), mas são muito bons economistas e nunca os vi mudar uma opinião técnica para beneficiar algum partido específico. Este é o primeiro ponto.
O segundo ponto se refere à utilização dos dados paulistanos. A razão é muito óbvia. SÃO OS DADOS QUE EXISTEM!!!! Por que este teste e não outro? Até eu, que sou mais bob, sei a resposta. PORQUE É UM TEMA QUENTE!!!! Não aqui, MAS NO MUNDO!!!! É um tema que, bateu o olho, você vislumbra uma possibilidade de publicação em journal de primeira linha mundial. Ter dados muito bem estruturados, de uma série de anos e de um grande conjunto de bairros sobre criminalidade, programas de transferência de renda e características escolares faz os olhos de qualquer pesquisador da área brilhar!!!! Todo mundo aqui sabe disto.
Por fim, o Renialdo Azevedo é acometido por um problema comum nestas paragens. Alguém começa a falar coisas óbvias e começa a ter um grande público (uma vez que este tipo de coisa por aqui é bastante raro). O cara, dado o sucesso, pensa que é genial e começa a falar muita bobagem (basta lembrar daquele outro (como se chama mesmo?) que achava que o Clinton era um agente chinês escondido. O RA foi extremamente deselegante e errou totalmente. Lembro que fez o mesmo com o Levitt. O que me assombra é que os caras pensam que estão falando de letras (onde as coisas seriam pura retórica!!!) e não de testes empíricos muito complicados e sofisticados (lembro, no caso do Levitt, algum engenheiro comentando o que seria uma regressão múltila e que o Levitt deria usar uma destas). É isto.
Saudações
PS: Nos comentários, o Adolfo aqui aparece como PETRALHA!!!! Olha que coisa constrangedora para o RA!!!
PS2: Não li o texto do João Manuel. Não sei se é bom.

Anônimo disse...

O artigo do pessoal da PUC se presta a toda sorte de mistificação eleitoreira em SP. Mesmo não sendo esta a vontade dos autores o fato é que - sempre - a queda na criminalidade em SP é atribuída a qualquer coisa menos à ação da polícia e ao maior encarceramento que há no estado. Antes a mágica era o estatuto do desarmamento, agora vem o BF...
Não questiono a seriedade dos pesquisadores mas antes de criticar o blogueiro, poderiam ter lido na imprensa de SP como o artigo científico deles foi divulgado. Veriam que o trabalho deles vai virar peça de propaganda eleitoral do PT.

Chutando a Lata disse...

Adolfo, vou dar meu pitaco, mesmo sem ter lido qualquer um dos dois trabalhos: o científico e o jornalístico. O meu sentimento é que ambos poderiam ter razão. O cientifico porque talvez tenha usado um instrumental aceitável e creio que o tenha feito corretamente. O jornalístico porque talvez tenha estranhado conclusões que poderiam ser válidas, mas dentro de uma faixa de confiança estatística que ele, o jornalista, certamente desconhece. O que estranho no tocante ao trabalho cientifico é o emprego de um método rebuscado, quando, me parece, que um simples questionário resolveria o problema, sem delongas outras. Neste sentido, a crítica do jornalista talvez tenha alguma razão de ser: nós economistas às vezes nos comportamos como burocratas de gabinetes: pegamos estatísticas e tentamos usá-las da maneira mais cômoda o possível, esquecendo de projetar um simples olhar para as ruas. De qualquer forma, espero que o debate gere frutos.

Anônimo disse...

Tomara que esse episódio acabe de vez com esse imbecil que é o RA.

Anônimo disse...

Alguém leu o estudo? Caso afirmativo, poderiam postar o link? Caso negativo, igualaram-se ao RA, afinal de contas, não tiveram acesso aos detalhes (metodologia e dados) do trabalho.

coelhods disse...

Adolfo, essa polêmica me lembra da polêmica que a McCloskey tentou levantar sobre a forma dos economistas comunicarem os seus resultados empíricos e a forma como a mídia repassa esses resultados.

Do pouco que li do artigo, acho que há um problema sério típico de diff-in-diff: o efeito estimado pode ser uma correlação espúria de uma tendência declinante da criminalidade em sp. Outro ponto controverso do artigo é o canal de impacto do CCT sobre a criminalidade. O artigo faz testes interessantes, mas no final das contas o canal de impacto é uma mera hipótese testada com a parte mais precária dos dados, os autores admitem que a estatística de roubo é a pior.

Anônimo disse...

Salsichon, você não existe: Primeiro intitula seu artigo assim "Sachsida discorda totalmente de Reinaldo Azevedo", mas no meio do texto escreve isso: "Reinaldo Azevedo é um profissional competente, e defende um excelente ponto: prender bandidos reduz a criminalidade. Sim, ele está correto nesse ponto."
Me explica vai: Como alguém que diz discordar TOTALMENTE de alguém concorda com o mesmo em ao menos um ponto?

Guilherme Attuy disse...

Apesar da crítica abusada do Reinaldo Azevedo (RA), as vezes nos esquecemos que AMBOS os lados se excederam, independentemente de quem inciou ou que teve razão. O João Melo (JM) é um profissional respeitado e, acima de tudo, um professor! Deveria ter tido uma atitude mais exemplar na sua resposta. Se um professor age da maneira como ele o fez, o que esperar de seus alunos?! Enfim, as críticas do RA, por mais infundadas que possam parecer, são legítimas. O que deixou todos irritados com ele foi "a forma" da crítica! E não o conteúdo. Não lia o RA e continuarei não o fazendo.

Oswald disse...

Agora o RA é destruidor de reputações. Petralhada nojenta. O cara é o único valente para enfrentar a bandidagem petralha que todos conhecemos e os enrustidos.

Anônimo disse...

A retorica nao eh exata, mas pode (e deve) ser rigorosa. O Reinaldo Azevedo soube retirar o maximo da ferramenta que bem maneja, as "letras" ,como depreciativamente comentaram aqui. Nao se pode dizer o mesmo dos academicos e seu feroz instrumental matematico, que produziu estudo util apenas para alimentar panfletos, visto a abordagem simploria de problema complexo, e os confessos dados limitados. Os argumentos apresentados contra o RA sao a boa e velha carteirada, ele mexeu com uma "crasse".

Anônimo disse...

não li o artigo dos economistas e tampouco sou especialista no assunto. fiz um curso de estatística valiosíssimo aqui na SFU. depois dele, só dou crédito a qualquer pesquisa depois de ver os critérios utilizados. muitos deles não passam de mera correlação. outros, mesmo com significant test, não querem dizer muita coisa - é só lembrar da crítica de McCloskey (a única com a qual eu concordo no livro dela). no caso específico, como isolar o fator "bolsa família" e atribuir a ele uma relação de causa para o efeito da redução da violência na região das escolas? por que nas escolas? e quais são as possíveis lurking variables nesse caso? me parece que são muitas.
é claro que nao aprovo a maneira mal educada com que RA escreve.
devo confessar também que tenho sempre um pé atrás com qualquer coisa que tenha o tal do Banco Mundial como financiador. por que, raios, os economistas não fazem esses trabalhos de maneira independente?

paulo henrique

Bruno disse...

Não li o artigo, pois não sei onde ele está disponível, no entanto vejo duas possibilidades. A primeira é que o artigo tenha sido feito de maneira responsável e intelectualmente honesta. Nesse caso, os pesquisadores devem ter controlado diversas variáveis que poderiam afetar as taxas de criminalidade e características idiossincráticas das regiões estudadas, além de tratar de potenciais problemas de identificação, heteroscedasticidade, viés de amostragem (pois parece que não foi utilizada uma amostra aleatória) etc. Se assim for, podemos ficar satisfeitos de que tudo tenha sido feito para garantir que a correlação encontrada implica em causalidade ceteris paribus, não sendo simplesmente espúria. Se esse for o caso, embora nosso caro bloguista conservador tenha todo o direito de criticar o estudo, ele o faz sem conhecimento de causa, e partindo de sua ignorância. Pior, na tentativa de proteger seus coleguinhas de profissão, diz que "Não recrimino a reportagem, não, mas a bobajada produzida por pesquisadores da PUC-RJ".
Uma segunda possibilidade é a de que o estudo não tenha usado de todas as ferramentas disponíveis para determinar uma relação de causalidade entre as duas variáveis apresentadas. Mesmo assim, defender lógicamente, ao mesmo tempo, que a bolsa família desincentiva as pessoas a trabalhar; e que a mesma bolsa família não tem NENHUM efeito sobre a criminalidade, é bastante difícil. Alguns criminosos são psicopatas que gostam de violência, mas outros veem o crime simplesmente como uma maneira de se conseguir dinheiro. Se estes últimos ganham dinhero para ficar em casa, por que eles se arriscariam nas ruas?
Novamente, ninguém está dizendo que o nível de encarceramento não impacta na criminalidade, talvez até mais que a distribuição de renda, mas isso não quer dizer que a bolsa família também não tem impacto. Atribuir toda a variação na taxa de criminalidade a apenas um fator é simplesmente ingênuo e infantil.
O maior problema do Reinaldo Azevedo é que ele atraiu, por conta da maestria de sua retórica, uma coorte de seguidores ignorantes, fanáticos e intolerantes. Ele já escreveu coisas mais inteligentes e embasadas mas, em virtude de sua popularidade entre a mais energúmena facção da direita brasileira, parece que está em campanha política constante, tentando sempre agradar os debilitados que o adoram. Estes últimos são uma versão espelhada dos seguidores de bloguistas "petralhas" como o Nassif, com a ressalva de que os primeiros gostam de se pintar como "defensores pragmáticos da ordem", e os segundos de "misericordiosos intelectuais visionários". Duas faces da mesma imbecilidade que permeia a política mundial: uma estupidez bilateral que necessariamente acompanha definições de esquerda e direita.

Bárbara Laurentino Pereira disse...

Acredito que ambos exporam seus pontos de vista, porém, creio que para fazer tais comentários sobre tal espécie era necessário ao menos conhecimentos específicos sobre o assunto do qual se tratava o estudo da PUC-RJ.

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