quinta-feira, 26 de julho de 2012

Entrevista com Rodrigo Constantino: a década de 1970 está de volta?

Neste post, entrevistamos nosso décimo-quarto convidado: Rodrigo Constantino. Constantino é autor de seis livros: "Prisioneiros da Liberdade", "Estrela Cadente: As Contradições e Trapalhadas do PT"", "Egoísmo Racional: O Individualismo de Ayn Rand" ,"Uma Luz na Escuridão" "Economia do Indivíduo: O Legado da Escola Austríaca", e "Liberal com orgulho". É colunista da revista Voto, colaborador do jornal O Globo e do site OrdemLivre.org. É membro-fundador do Instituto Millenium e diretor do Instituto Liberal. Além disso, mantém um excelente blog. O Sachsida só tem a agradecer pela gentileza da entrevista.


1) O Brasil está revivendo o final da década de 1970? Será que em breve estaremos revivendo a década de 1980 (apelidada de década perdida)? Por quê?

Resposta) De fato, acredito que o modelo vigente nos últimos anos e aquele da década de 1970, especialmente com Geisel, possuem muitas semelhanças. Entre elas, as mais importantes são: a) dirigismo econômico (o governo se arroga a sabedoria de decidir, de cima para baixo, as alocações ótimas do recurso escasso, escolhendo os 'campeões nacionais' que serão agraciados com privilégios como empréstimos subsidiados); b) dependência da poupança externa (como o crédito cresceu a taxas elevadas, acima de 15% ao ano por longo período, sem a contrapartida do aumento da poupança doméstica como lastro, foi preciso fechar a diferença por meio do capital estrangeiro). O mais grave deste modelo, que por si só já é insustentável, é que os recursos obtidos não foram canalizados para investimentos produtivos que aumentassem a produtividade de nossa economia. O Brasil aproveitou um maná externo, possível pelo acelerado crescimento chinês (puxando o preço das commodities que exportamos) e pela baixa taxa de juros no mundo desenvolvido (exportando capital para países emergentes), de forma irresponsável, como uma cigarra que ganha na loteria e vai às compras. O consumo calcado em crédito explodiu. Mas nenhuma reforma estrutural (tributária, trabalhista, previdenciária) que reduzisse o Custo Brasil foi feita, tampouco houve maciços investimentos em infraestrutura. O resultado está aí: o esgotamento deste modelo e taxas de crescimento medíocres à frente.


2) Qual o maior risco do cenário externo para a economia brasileira?

Resposta) O maior risco de médio prazo ainda é a China, cuja desaceleração, se for muito acentuada, vai simplesmente colocar um fim na farra das commodities. O outro grande risco é a crise europeia, que se for agravada pela ruptura do euro, pode jogar o mundo em recessão e levar junto os países emergentes.


3) O governo parece estar usando política tributária para controlar a inflação. Você acredita que isso seja verdade? Se for verdade, concorda com isso? Por quê?

Resposta) Em parte, esse parece o caso. O último pilar macroeconômico que restou da Era FHC foi o superávit primário. Com este arrefecimento da economia, e sem instrumentos monetários extras para mais estímulo, por causa do excesso de endividamento dos consumidores, a próxima tentação do governo pode ser abrir mão do superávit e expandir mais ainda seus gastos. Hoje o superávit ainda se mantém em parte pelo aumento da receita. Mas há limites para tanto, e a carga tributária, perto de 40% do PIB, acaba prejudicando o crescimento também. Se o governo adotar postura totalmente míope de curto prazo e quiser estimular com mais gastos públicos a economia, mesmo que para tanto tenha que abrir mão do superávit, então seria um retrocesso institucional enorme, podendo inclusive ressuscitar de vez o dragão inflacionário. Espera-se que o governo, que tem errado muito mais do que acertado, não chegue tão longe assim na estupidez.

4 comentários:

Leticia Dezem disse...

Muito interessante a entrevista, mostra um outro lado que muitos brasileiros desconhecem. A maioria está mergulhada nas ideologias midiáticas, campanhas políticas, rodeados de pensamentos positivos e falsas esperanças. Essa entrevista esclarece muito bem que o Brasil sofre SIM com as crises financeiras, e a inflação é apenas uma das consequências disso. Espero que os brasileiros deixem de ser tão otimistas e acordem para a realidade, para que possamos exigir mais dos nossos governantes.
LETÍCIA SOARES DEZEM - Sua aluna de Introdução à Economia

Murilo Costa Couto disse...

O Brasil deve criar politicas econômicas para minimizar ou se manter estável ao máximo dessa crise financeira que se torna cada vez mais grave é acentuada na Europa. Pois, com certeza pode afetar muito um pais emergente como o Brasil. Isso agravaria ainda mais a nossa falta de infraestrutura básica que se deve muito pela falta de investimento correto do governo e a enorme corrupção que vivemos nos dias de hoje.

Paloma Feitosa disse...

Ao meu ver, o governo necessita analisar melhor suas ações, visto que, estão sendo tomadas decisões precipitadas em todas as áreas, principalmente na economia. Percebo que o Brasil está se preocupando muito com o agora e não há uma grande preocupação com o futuro.

Larissa Marques disse...

De fato o crescimento interno do Brasil nos últimos anos foi baixo, isso se deve a um mau emprego da verba pública. Como bem foi dito, quando estivemos em uma situação melhor, essa não foi aproveitada de forma responsável pelo governo. É necessário que os brasileiros estejam mais antenados em relação ao que se passa na economia do país, para que assim haja uma maior fiscalização de nossos representantes.
Aluna: LARISSA MARQUES MORENO
Matrícula: UC 12008585
Disciplina: Introdução à Economia

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