domingo, 12 de agosto de 2012

O Fracasso Olímpico Brasileiro

Se o Brasil quer ter sucesso em olimpíadas, o primeiro passo é admitir o óbvio: as olimpíadas de Londres foram um fracasso para o Brasil. Pela terceira vez consecutiva o Brasil perdeu de Michel Phelps. Cazaquistão, Irã e Coréia do Norte são exemplos de países que ficaram na frente do Brasil no quadro de medalhas. Ganhamos o mesmo número de medalhas de ouro do que a Etiópia. Amargando o 22º lugar no quadro geral de medalhas, não existem desculpas: o Brasil fracassou em Londres.

De maneira alguma critico os atletas olímpicos brasileiros. Estes são verdadeiros heróis, lutando contra tudo e contra todos. Enfretam dificuldades dignas do Olimpo diariamente: falta de dinheiro, falta de estrutura, falta de apoio, falta de materiais, entre outros problemas. Não parece que a distribuição de talentos seja pior no Brasil do que em outros locais do mundo. O mais provável é que a estrutura de incentivos aqui seja mais inadequada do que no resto do mundo.

Vamos aos números: de acordo com os dados de OGLOBO o governo federal gastou R$ 1,76 bilões de reais no ciclo olímpico (2009 a 2012). O número de finais olímpicas disputadas caiu em relação a olimpíada passada (Pequim). O número de medalhas de ouro caiu de 5 para 3 em relação há oito anos atrás em Atenas (apesar do número total de medalhas ter aumentado). Em resumo: o Brasil gastou muito e mal.

Qual é a receita para melhorarmos nosso desempenho? Eu não sei qual a resposta certa, mas sei a resposta errada. A resposta errada é manter Carlos Arthur Nuzman a frente do Comite Olímpico Brasileiro (COB). Há 20 anos no comando do COB e acumulando péssimos resultados, é difícil entender o porque de mantê-lo. De maneira semelhante, deve-se fazer o mesmo com boa parte dos dirigentes de Federações.

Seja no judo, quando Aurélio Miguel (talvez o maior judoca Brasileiro de todos os tempos) teve problemas com a Federação, seja no boxe quando a brasileira que conquistou o bronze inédito criticou os dirigentes, toda vez que vemos algum atleta comentando sobre os dirigentes da federação, são em geral críticas negativas.

O fracasso olímpico brasileiro tem nome: os burocratas das Federações, entre eles, o presidente do COB. O primeiro passo para nos prepararmos para o Rio-2016 é fazermos uma faxina nos burocratas das federações esportivas brasileiras. Ninguém tem a receita do sucesso. Mas a receita do fracasso o COB já descobriu, manter os burocratas das federações é manter a estrutura de incentivos atual, que já deu várias mostras de sua ineficiência.

7 comentários:

Anônimo disse...

Pra começar o brasil precisa criar toda uma cultura de incentivo aos esportes, desde e as escolas públicas até a universidade, como acontece nos eua por exemplo, mas parece que aqui no brasil cada ano que passa isso piora, hj se alguns colégios particulares possuem aulas de educação fisica é muito, os públicos então sem comentário, e é um grande desperdício, pois se sem incentivo e estrutura nenhuma conseguimos alguns atletas geniais que se sobressaem e ganham medalhas inesperadas nas olimpíadas, imagina se nossa realidade fosse outra?
O brasil tem muito o que aprender ainda...

nilo disse...

oq eu acho incrível é que nas paraolinpíadas o Brasil arrebenta

amauri disse...

Boa tarde Adolfo!
Nao se forma uma potencia olímpica em 4 anos. Se o Brasil começar hoje um programa serio dentro de aproximadamente 10 12 anos poderemos estar próximo da decima colocação geral.Agora se todas as outras equipes olimpicas começarem a regredir em suas performances e o Brasil evoluir, o tempo pode diminuir. abs

Rayana Farias disse...

O esporte hoje em dia é praticado através de uma conduta errada dos alunos da rede pública, no quadro geral a maioria deles para jogar algum esporte matam aula muitas das vezes por falta de incentivo, materiais ou descaso com a área em que se praticam os esportes, se houvesse um incentivo por parte do governo desde pequeno nas escolas como uma medida de atrair o aluno iria consequentemente melhorar a educação e assim talvez teríamos um resultado bom no decorrer dos anos , mas se nem como essas pequenas atitudes são valorizadas imagine as olimpíadas. E para que isso acontecesse iria demorar certo tempo em que muitos dos governantes não estão dispostos a esperar e preferem investir em curto prazo e mal distribuído para se autopromoverem em suas campanhas!

AC disse...

O Esporte está nas mãos do PCdoB - isso explica muita coisa. Para começar a dúvida sobre o destino dessa grana toda.

Ricardo disse...

O que realmente me pergunto é se, da mesma forma que sediar uma olimpíada traz benefícios econômicos no mínimo duvidosos para os países-sedes, há de fato benefício concreto para os países ao envidarem esforços para serem "potências olímpicas". Me soa bizarro ver a posição do país no ranking de medalhas se tornando uma questão de governo. Dei uma rápida procurada por estudos que analisem eventuais benefícios disso mas não encontrei. Alguma luz?

Victor Pedro Redivo disse...

Com todo o respeito a opinião de todos e principalmente a do autor do blog, a participação do Brasil não foi um fracasso nessas olimpíadas. Não é mentira que poderíamos ter um desempenho melhor, mas, estatisticamente, nessas olimpíadas não fomos piores que que em Pequim e não ha evidencias de que fomos piores que em Atenas. Participamos de 8 finais contra 7 em Pequim e Atenas. Igualamos o numero de bronzes de Atlanta. O que define colocarmos o numero de ouros como o primeiro critério de classificação? Isso é uma convenção da mídia, não existe pelo Comite Olímpico Internacional um pais vencedor nas olimpíadas.
Nao podemos nos esquecer de levar em conta o acaso. Sim, SORTE, para leigos. Se todas as finais disputadas fossem re-disputadas. Teríamos os mesmos resultados? Talvez sim, talvez nao.
Nao seria injusto portanto tamanha indignação com o atual resultado olímpico comparado com as edições anteriores?


Victor Pedro Redivo, graduando em estatística do Instituto de Matemática e Estatística da Universidade de São Paulo.

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