segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Liberdade de Expressão e Terrorismo

Abaixo segue meu artigo publicado hoje no Ordem Livre.

Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las” (Voltaire).

No dia 11 de setembro de 2012 a Embaixada Americana na Líbia foi invadida, e seu embaixador morto. Em menos de uma semana, 19 pessoas já haviam sido mortas em decorrência de violentos protestos em diversos países. Os protestos tiveram como motivo o filme “Inocência dos Muçulmanos”. No filme, tanto os muçulmanos como o profeta Maomé são apresentados como imorais e violentos.

Tenho notado que várias pessoas, principalmente da imprensa e do governo, parecem atribuir certa razão aos radicais islamitas. Implicitamente parecem culpar o produtor do vídeo como responsável pela violência. Tal tese é um absurdo: culpado pela violência é quem a pratica. Ao culpar o produtor do vídeo determinadas pessoas flertam perigosamente com a censura. A liberdade de expressão é uma das maiores conquistas do mundo ocidental. Sua defesa não pode ser deixada de lado tão facilmente.

Como qualquer princípio, a liberdade de expressão também tem limites. Por exemplo, imagine que em junho de 1944 um jornalista tente divulgar os planos aliados de invasão da Normandia. É evidente que o Estado deveria impedir tal divulgação. Mas esse é um cenário extremo de guerra. A liberdade de expressão é uma garantia contra a tirania, e sua preservação deve ser feita a força se necessário for. Temos o legítimo direito de falar mal de Jesus, Maomé ou quem quer que seja. Temos o legítimo direito de falar mal do cristianismo, do judaismo e do islã. Certamente poderemos ser punidos por isso, mas tais punições serão feitas pela justiça, baseadas em regras jurídicas predeterminadas.

Não é admissível abrir mão da liberdade de expressão porque esta possui custos. É evidente que preservar a liberdade tem custos. Mas será que abrir mão da liberdade é isento de custos? Por acaso ceder aos radicais islâmicos, restringindo a liberdade de expressão, é isento de custos? Tão logo o mundo ocidental aceite as demandas dos radicais islâmicos, estaremos passando a eles a seguinte mensagem: quando quiserem concessões nossas basta nos atacarem. Sejam violentos, sejam radicais, nos tratem a base de pedradas e cederemos a vocês. Afinal, uma sociedade que cede tão facilmente a liberdade de expressão em breve cederá também a própria liberdade. É esta a mensagem que queremos passar? Se cerdemos a liberdade de expressão hoje, qual será a demanda dos radicais islâmicos amanhã?

A sociedade islâmica também possui os moderados. Se cedermos aos radicais estaremos diminuindo o poder relativo dos moderados. Em última instância estaremos condenando nossos aliados no mundo islâmico. Ao combatermos veementemente o radicalismo estaremos fortalecendo a corrente do islã que prega a convivência pacífica. Sendo este um passo importante para o futuro de nossas civilizações.

A conquista da liberdade de expressão foi feita à base de sangue. Não podemos abrir mão dela tão facilmente. A cantora Madona apareceu em um vídeo se masturbando com um crucifixo. Devemos sair por ai botando fogo em artistas? Claro que não. Preservar a liberdade de expressão é justamente preservar o direito dos indivíduos se manifestarem de maneiras que muitas vezes, a você próprio, parecem repugnantes.

9 comentários:

Breno Lima disse...

É pena que sejam grupos bem divergentes e que os valores da Revolução Francesa, como mostra a própria Primavera Árabe, nem de longe são vislumbrados pela maior parte dos Árabes, Judeus e Cristãos.
O seu comentário mostra como fazem falta os meios de comunicação na sociedade. Ainda, entendo os valores que defende, mas ainda não consegui enteder os valores que eles denfendem. Talvez a democracia, o sufrágio universal sejam os melhores caminhos a serem trilhados...

Calebe disse...

enquanto isso, a dilma vai a assembleia geral da onu e defende cuba, faz apelo pelo estado palestino, ataca a política economica dos países desenvolvidos e fala de islamofobia!!!

Breno Lima disse...

É lamentável que a Presidência da República faça política doméstica em foro internacional.
A se levar o que se noticia nos jornais e revistas, a atuação da Presidencia da República, nos últimos 10 anos nem de longe tem favorecido o interesse dos brasileiros.

Anônimo disse...

com a liberdade deveria vir junto a responsabilidade. Ninguem aqui imagino que seja contra liberdade de expressao porem acredito existirem limites eticos tbm. Caso contrario entao todos aqui ficariam tranquilos em verem manifestacoes neo-nazistas? ficam tranquilo quando o presidente iraniano diz que nao houve Holocausto? isso seria liberdade de expressao tbm?

Dawran Numida disse...

Anônimo-27 de setembro de 2012 17:56.

Por que não seria?
Já o é a partir do momento que ele adentra o território dos EUA, que utiliza seu poderio para defendê-lo, para que possa discurar nuam organização multilateral.
As coisa são assim.

Unknown disse...

Os protestos não tiveram como motivo o filme “Inocência dos Muçulmanos” !!! Ele foi premeditado para acontecer no 11 de setembro, mas houve atrasos no plano. Os jornalistas brasileiros são muito desinformados. http://www.aljazeera.com/news/africa/2012/09/201291512714470776.html
http://www.huffingtonpost.com/2012/09/19/libya-attack-us-consulate-terrorist-attack-benghazi_n_1897428.html

Anônimo disse...

Os protestos não tiveram como motivo o filme “Inocência dos Muçulmanos” !!! Ele foi premeditado para acontecer no 11 de setembro, mas houve atrasos no plano. Os jornalistas brasileiros são muito desinformados. http://www.aljazeera.com/news/africa/2012/09/201291512714470776.html
http://www.huffingtonpost.com/2012/09/19/libya-attack-us-consulate-terrorist-attack-benghazi_n_1897428.html

Anônimo disse...

Eu penso que qualquer um pode negar o holocausto ou acreditar em qualquer versão estapafúrdia da história que preferir. Embora eu discorde que alguns países proíbam isso, eu entendo que essa ainda é uma questão muito sensível para alguns países (Alemanha e Israel, principalmente). E uma coisa é um chefe de estado iraniano falar isso em clara afronta a outro país, o que justificaria um incidente diplomático, outra coisa é uma pessoa civil nos EUA fazer um filme de garagem sobre um profeta, causando uma onda de revoltas, ameaças, assassinatos e embaixadas queimadas por vários países.

Acho que alguns não estão percebendo que o que eles exigem de nós está indo longe demais.

Vários países democráticos reconhecem o crime de ódio e apologia ao ódio e violência, que se trata de incitar ódio e violência contra minorias ou determinados grupos (diga-se de passagem, coisa que ELES fazem contra cristãos e judeus nos seus países), mas isso não é a mesma coisa que proibir um filme sobre uma figura religiosa e histórica! No mundo ocidental nós aprendemos a viver com esse tipo de crítica sem problemas e não precisamos retroceder a criar leis anti-blasfêmia (sim, é disso que estamos falando aqui) para apaziguar um bando de selvagens intolerantes do outro lado do mundo. Se eles quiserem conversar sobre alguma coisa, primeiro tem que agir como gente.

Que tal esses povos se revoltarem contra coisas verdadeiramente ofensivas que são admitidas pelos seus governos? Como as mulheres que são apedrejadas até a morte ou os homossexuais que são enforcados (tudo dentro da lei)? Ou os cristãos e judeus e pagãos que são censurados e perseguidos e tratados com menos direitos? Ninguém tem menos moral para exigir tolerância e respeito do que os governos desses países ou seus extremistas.

Anônimo disse...

Até onde eu saiba ninguém morreu quando o presidente iraniano negou o holocausto. É óbvio que todos tem direito de não gostar do que se diz por aí, o problema é querer proibir e punir quem disse. Me incomoda quando alguém nega o holocausto ou que a terra é redonda, porém não acredito que ninguém deva ser punido por falar coisas que me incomodam. Sou contra a existência de crimes de opinião.

Google+ Followers

Ocorreu um erro neste gadget

Follow by Email