segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Outras perguntas sobre política monetária


Economia monetária é uma das áreas mais estudadas em economia. Existem diversos periódicos acadêmicos de primeira linha destinados exclusivamente ao estudo de questões referente aos efeitos da moeda.

Apesar disso, chama a atenção a ausência de determinados temas no debate. Ontem eu já comentei sobre a questão das reservas fracionadas. Hoje sugiro dois outros temas que simplesmente sumiram do debate, mas de maneira alguma são menos relevantes.

1) Se a esmagadora maioria dos economistas concorda que o governo NÃO DEVE controlar preços, então por que os mesmos economistas são favoráveis ao governo controlar a taxa de juros? A taxa de juros é um dos preços mais importantes da economia, logo seu preço deveria ser fixado pelas curvas de oferta e demanda por fundos emprestáveis. Contudo, quando o Banco Central fixa a taxa de juros da economia os especialistas parecem não se importar com o governo fixando esse preço. Se o controle de preços é ruim, então por que o controle da taxa de juros seria bom?

2) Os economistas são unânimes em afirmar que monopólios são ruins. Então por que esses mesmos economistas se calam diante do monopólio estatal da emissão de dinheiro? Por que todos os monopólios são ruins, mas o monopólio da emissão de moeda seria bom?

Em minha modesta opinião, acredito que esteja na hora de revermos nossa agenda de pesquisas referente a economia monetária.

6 comentários:

Edinailton Silva Rodrigues disse...

Caro Adolfo,
Sou um leitor assíduo do seu blog.
Gostaria de saber o que você pensa sobre as funções clássicas do estado. Sendo bem simples: cabe ao estado desempenhar suas funções clássicas?

Anônimo disse...

Adolfo,

No que se refere à primeira questão, cabem, de minha parte, duas observações:

a) As taxas de juros do overnight hoje constituem a meta operacional da maior parte dos bancos centrais (alguns perseguem taxa de 3 meses, outros controlam o nível de reservas, etc.), mas nem sempre foi assim. A operacionalização da política monetária pode ser feita por outros meios, como, por exemplo, através do controle da base monetária ou das reservas bancárias (ou parte apenas delas, as "non-borrowed reserves"). Mudanças nos procedimentos operacionais foram feitas no passado visando aprimorar o controle monetário (mesmo depois do Plano Real no Brasil, quando migramos do sistema de bandas - TBC e TBAN - para o de metas na SELIC).

Esta é uma área, na minha opinião, que deveria ser mais explorada. O nosso banco central parece não ter muita produção na área. Pessoalmente, desconheço um histórico detalhado dos procedimentos operacionais no Brasil. Note-se que os Feds dos Estados Unidos, bem como a academia, produz muito nessa área, que é de extrema relevância na minha visão.

b) Este ponto é polêmico: as taxas de juros não deveriam ser determinadas pela oferta e demanda por fundos? Acredito caber uma distinção entre a taxa de equilíbrio neutra de longo prazo e a taxa de juros de equilíbrio de curto prazo. Este ponto foi levantado por Ilan num artigo para a Revista Conjunta Economica do IBRE, mas essa ideia nao é nova. A primeira taxa é determinada por fatores estruturais, como, por exemplo, poupança e preferências intertemporais. A segunda é influenciada pela primeira, mas depende de outros fatores, que são conjunturais, como, por exemplo, mundanças no nível de atividade global, alterações momentâneas no déficit público, entre outros. Esta é minha opinião.

Parabéns pelo excelente post!
Grande abraço,
Bernardo

Anônimo disse...

Respondendo com uma pergunta:

Se os austríacos são a favor da emissão privada de moeda, porque eles são contra as reservas fracionárias por elas serem emissão de moeda?

Darlan Lopes Cançado disse...

Duas perguntas: o monopólia de emissão de dinheiro se trata de apenas o governo ser responsável por emitir dinheiro, ou se trata de existir apenas uma moeda corrente ?
Outra pergunta: considerando como os bancos atuam atualmente, não poderíamos considerar o crédito bancário uma segunda moeda ?
Obrigado e parabéns pelo blog, está me dando uma ótima fonte para estudos.

Daniel disse...

Uma corrente majoritária dentro da EA entende que as reservas fracionárias são uma forma maliciosa de violação da propriedade privada. Não há que se falar em mercado sem propriedade privada. Por isso a rejeição.

Para mais esclarecimentos, leia o artigo abaixo.

Sobre a natureza fraudulenta do sistema bancário de reservas fracionárias
http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1030

Anônimo disse...

Daniel, para ser violação de propriedade, o depositante tem que achar que o dinheiro dele iria ficar guardado no cofre. Há bancos que possuem cofres para os correntistas realizarem seus depósitos físicos de bens, e esses bens ficam no cofre. Esses depósitos são muito diferentes dos atuais depósitos à vista.

Se fosse baixada uma lei proibindo que depósito à vista fosse necessariamente depositado no Bacen ou mantido em custódia no cofre do banco, as tarifas cobradas seriam altíssimas, e seria criado um outro produto, com outro nome e características similares às dos depósitos á vista atuais (e com os mesmos problemas).

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