segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Todo homem tem o legítimo direito de questionar Jesus, Maomé ou quem quer que seja


Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las” (Voltaire).

A liberdade de expressão é uma das maiores conquistas do mundo ocidental. De maneira alguma podemos abrir mão de tão caro direito. Dessa forma, muito me espanta a péssima cobertura jornalística dos atentados perpetrados por radicais islâmicos à embaixadas e indivíduos ocidentais, decorrentes de um vídeo que critica Maomé.

Qual o problema de alguém fazer um vídeo dizendo que Jesus era um bêbado que adorava prostitutas? Claro que isso é ofensivo à minha religião. Mas é isso motivo para eu matar outro ser humano? Qual o problema de alguém fazer um vídeo criticando Maomé? Por acaso só podem existir filmes de temas que concordo? A liberdade de expressão não pode ser abandonada tão facilmente.

Hoje durante o Jornal Nacional praticamente crucificaram o autor do vídeo contra Maomé. Querem responsabilizá-lo pela violência que está ocorrendo. ERRADO. A culpa da violência é de quem a realiza!!! A culpa da violência deve-se aos radicais islâmicos. É inaceitável não responsabilizar esses selvagens por seus atos hostis a civilização.

O mundo ocidental está em xeque. Abrir mão da liberdade de expressão para satisfazer selvagens tem ao menos dois problemas: 1) em termos dinâmicos mostra aos selvagens que a melhor maneira de conseguir concessões é por meio de mais violência; e 2) hoje abriremos mão da liberdade de expressão, e amanhã abriremos mão de que?

Aqueles que abrem mão da liberdade essencial por um pouco de segurança temporária não merecem nem liberdade nem segurança”(Benjamin Franklin).

"Aqueles que aceitam a desonra em vez do perigo acabam como escravos, e mereceram isso" (Alexander Hamilton).

15 comentários:

Unknown disse...

Estava pensando nisso hoje no onibus, a caminho do trabalho.
Estava lendo o jornal o globo, onde na matéria se falava do impasse dos EUA entre restringir a liberdade de expressão, impedindo o filme, ou defende-la, as custas da insatisfação islâmica.

Não tenho nada contra muçulmanos, mas minha opinião é igual a sua, a culpa da violência é dos bárbaros.

José disse...

Ok, Adolfo, certo.

Mas tu poderias por favor comentar teu ponto acerca do item 39 da Magna Carta of 1215, dizendo o que deveria (ou deve) ser feito com o autor do vídeo?

"No freeman shall be captured or imprisioned or disseised {to have one's estate seized] or outlawed or exiled or in any way destroyed, nor will we [the King] go against him or send against him, except by the lawful judgment of his peers or by the law of the land."

Até onde eu sei ele foi condenado pelo que fez. Claro que não é ele o responsável pela violência que reina hoje, mas assim como é preciso "responsabilizar os selvagens por seus atos hostis a civilização", creio que segundo o julgamento feito e a lei da nação (como bem propõe a Magna Carta of 1215) o autor do vídeo também deve ser punido.

Desde já, agradeço seu comentário.

Abraço a todos.

Anônimo disse...

Questionar, criticar, investigar é uma coisa.
Esculhambar é outra.

Ninguém pode, em nome da liberdade de expressão, esculachar ou debochar de valores considerados sagrados por outras pessoas.

Irineu de Carvalho Filho disse...

"Ninguém pode, em nome da liberdade de expressão, esculachar ou debochar de valores considerados sagrados por outras pessoas."

Por que? Quer dizer que se eu declarar que o Sao Paulo Futebol Clube eh sagrado para mim, ninguem vai ter o direito de "esculachar ou debochar" de meus valores?

Diego C disse...

A crise em torno desse filme é praticamente um reboot da crise dos cartoons dinamarqueses em 2005, que satirizavam o profeta. Radicais islâmicos de todo o mundo juraram morte à Dinamarca(e a outros países escandinavos que não tinham nada a ver), agrediram e mataram cidadãos europeus em seus países, queimaram embaixadas,etc. Alguns países islâmicos exigiram que a Dinamarca censurasse os seus jornais e cortaram relações.

Agora, em 2012 um cara qualquer faz um filme de garagem zoando o profeta, e lá vamos nós de novo, acho um absurdo como uma coisa dessas pode atingir repercussões mundiais.

Eu acho que as autoridades ocidentais não tem que pedir desculpas por porra nenhuma, muito menos impor qualquer penalidade contra o autor daquele filme, pelo contrário os governos daqueles países é que tem que pedir desculpas pela atitude dos seus extremistas. Nessa parte do mundo os cidadãos têm o direito de criticar (inclusive satirizar) qualquer religião e qualquer ícone religioso e pronto. Se esse direito é absurdo demais para a cabeça daqueles bárbaros, eles que se resolvam.

Anônimo disse...

O produtor do filme não foi condenado por produzir o filme. O processo diz respeito a quebra dos termos da condicional ou algo do gênero. A liberdade de criticar tudo que é sagrado esta na base do que se chama cultura ocidental. Se para os muçulmanos o profeta é sagrado para o ocidente a liberdade de criticar, ironizar e mesmo esculachar todo e qualquer profeta e/ou divindade é que pode ser vista como sagrada. Em resumo, se alguém não gosta de algo então não faça. Se não gosta de um filme não assista.

Roberto

P.S. Caro Irineu, chamar o São Paulo de sagrado é pura heresia, todo mundo sabe que sagrado é o Fogão e o verdadeiro profeta é o Túlio Maravilha.

P.S.2 Já dizia Belchior:
"Mas sei, sei que nada é divino
Nada, nada é maravilhoso
Nada, nada é secreto
Nada, nada é misterioso não"

Dawran Numida disse...

Recentemente no Brasil um videoclip, ruim, muito ruim, onde os protagonistas apareciam como gorilas.
A Seppir considerou o videoclip preconceituoso e retaliou o responsável.
Oras, o videoclip era péssimo, a música idem. Mas, não tinha nada de preconceituoso ou racista.
Quem deveria punir o responsável por aquilo deveria ser o cidadão, ao não assistir, não divulgar e não comprar o DVD. Simples.
Afinal, gorilas também possuem polegares opostos, tal como os orangotangos, chimpanzés e os humanos.
Já no caso do profeta, caro aos muçulmanos, não poderia ser deixado sossegado? Por que um imbecil qualquer faz um vídeo ruim sobre um tema que seria sabedor da crise que provocaria?
Não seriam os muçulmanos capazes de decidir seu destino, o que gostam, o que defendem etc. logicamente sem assassinatos e depredações?

Anônimo disse...

Prezado Irineu,

Não estamos falando de futebol ou qualquer coisa que alguém invente, de um dia, para o outro que é sagrado, estamos falando de valores considerados realmente sagrados (=dedicados a Deus), por milhões de pessoas, há centenas de anos.

Se alguém não acredita ou considera igualmente sagrado, não tem o direito de desrepeitar os sentimentos religiosos de outras pessoas (da mesma forma que ninguém tem o direito de querer impor suas crenças a outras pessoas à força).

Lembre-se do art. 208 do código penal: TÍTULO V
DOS CRIMES CONTRA O SENTIMENTO RELIGIOSO E CONTRA O RESPEITO AOS MORTOS
CAPÍTULO I
DOS CRIMES CONTRA O SENTIMENTO RELIGIOSO

1. ULTRAJE A CULTO E IMPEDIMENTO OU PERTUBAÇÃO DE ATO A ELE RELATIVO
Art. 208. Escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso:
Pena ? detenção, de 1 (um) mês a 1 (um) ano, ou multa.
Parágrafo único. Se há emprego de violência, a pena é aumentada de um terço, sem prejuízo da correspondente à violência.
-- xx --
Crítica, liberdade de expressão, sim.

Gozação, esculhambação, desrepeito etc. NÃO!

Mário.

Anônimo disse...

Acho o islamismo a religião do mal. Ainda bem que eles são minoria no Brasil.

Diego C disse...

Na prática, ninguém liga quando isso acontece no Brasil (ainda bem). Mas se fosse do interesse do governo brasileiro, essa lei seria lembrada rapidinho sem dúvida. O autor desse vídeo provavelmente teria que pagar por isso, o que é um absurdo! Só mostra novamente como os EUA e a Europa Ocidental são sociedades mais avançadas do que a nossa. O escárnio é uma forma de crítica social perfeitamente válida SIM. Será que o próprio Voltaire, o célebre escarniador da autoridade religiosa em sua época, devia ter sido preso por causa disso?

A primeira parte dessa lei até que é razoável, mas não se aplica nesse caso, porque nenhuma pessoa foi humilhada publicamente por motivo de religião (e já temos danos morais, calúnia e difamação para esses casos), nenhum culto foi perturbado ou impedido, etc. Foi feito um filme (uma expressão artística) que desrespeita uma figura religiosa... Aí entramos em "vilipendiar publicamente objeto de culto religioso", o que pode ter algumas aplicações razoáveis (como aquele pastor que chutou uma imagem de uma santa durante uma procissão), mas se trata de uma sentença muito genérica e propensa a aplicações absurdas, primeiro que vilipendiar quer dizer simplesmente "tratar com desprezo". Como assim eu não posso expressar desprezo a uma figura histórica, religiosa, até mesmo política, como Mohammed? Isso é o equivalente a criminalizar a blasfêmia, coisa de países teocráticos e atrasados.

No mais, até onde isso vai? Proibir um filme por mexer com sensibilidades religiosas tudo bem, né? Por que não proibir um livro também? Ou cartoon? Ou música?

E outra coisa, Mohammed casou com uma criança de 9 anos. É crime eu chamar ele de pedófilo?

Dawran Numida disse...

Bem, em primeiro lugar seria o caso de colocar o "cineasta bissexto", a estudar e a aprender a realizar seus filmes e escolher seus personagens.
Depois, deixar que os muçulmanos façam o que bem entendam com a crença deles. Exceto naquilo que macula regras nos locais onde vivam, fora de seus países.
Em seus países, lutam e derrubam seus governos. Mas, ainda, não passando pelo Iluminismo, que abateu as trevas medievais no Ocidente.
Por exemplo, se exigem poder manifestar-se contra costumes ocidentais ou onde estiverem, por exemplo, na França.
Porém, precisariam chegar ao ponto de, por exemplo, permitir que um francês abra uma loja de vinhos em seus países. Simples.
Por que a França, por exemplo, teria de alterar seus costumes em função de quem quer que seja? Ou o Brasil?
No mais, certas coisas como o tal "multiculturalismo", tão cultuado por correntes, precisaria ser reanalisado em suas aplicações. Aparenta, em realidade, que o multiculturalismo não dá pesos equivalentes às várias "culturas". Ao que parece, dão peso cada vez menor à cultura ocidental. Embora adeptos e defensores, vivam no Ocidente, com tudo oque o Ocidente tenha a oferecer. E é muita coisa.
Seria mais um ponto a ser revisto.
Por exemplo, aqui no Brasil, por que deveria a população adotar hábitos dos índios do Xingu e tratá-los como nações?
Oras eles são brasileiros. Com tutela, sim. Porém, tutela não significa que possam fazer o que bem entendam. E nem que alguém possa fazer o que bem entender com eles.

Dawran Numida disse...

Mais uma coisa.
O "multiculturalismo" como manifestou-se quando os talibãs explodiram as milenares estátuas de Buda no Afeganistão?

Anônimo disse...

os ataques à liberdade de imprensa e de expressão, por parte de governos covardes, estão ficando sérios:

http://www.huffingtonpost.com/2012/09/18/russia-youtube-ban-innocence-of-muslims_n_1894479.html

Anônimo disse...

os ataques à liberdade de imprensa e de expressão, por parte de governos covardes, estão ficando sérios:

http://www.huffingtonpost.com/2012/09/18/russia-youtube-ban-innocence-of-muslims_n_1894479.html

Anônimo disse...

Este artigo do código penal apenas ilustra o quão autoritária é a sociedade brasileira. Alguém já falou mas não custa repetir: com este tipo de lei teríamos prendido Votaire!

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