terça-feira, 9 de outubro de 2012

Dúvidas sobre os resultados de Boca de Urna

Em vista da atual polêmica sobre a precisão das pesquisas eleitorais, resolvi fazer um exercício simples. Regredi os dados levantados pelo Coroneleaks contra duas variáveis dummy: uma sobre filiação partidária ao PT, e outra sobre filiação partidária ao PSDB/DEM.

ATENÇÃO: este resultado não serve para desqualificar o IBOPE. O motivo é simples, a amostra adotada não é aleatória. O objetivo desse exercício NÃO É desqualificar o IBOPE. O objetivo é apenas verificar se o Coroneleaks está errado. Ou seja, este exercício econométrico NÃO TEM CAPACIDADE de demonstrar que o Coroneleaks está certo. Isso ocorre pois na página do Coroneleaks o autor coloca apenas os dados favoráveis a sua argumentação (amostra viesada). Sendo assim, se identificarmos que na própria amostra do Coroneleaks seu argumento não tem validade estatística, então podemos concluir que o Coroneleaks está errado. Uma estimativa simples de mínimos quadrados ordinários foi realizada. Os resultados estão descritos abaixo:

Erro = 0.0122 + 0.0018 PT – 0.0438 PSDBDEM
(1.19) (0.09) (-2.04)

Onde Erro é a diferença entre o percentual de votos indicados pela pesquisa de boca de urna do IBOPE e o percentual de votos efetivamente recebidos pelo candidato. Os valores entre parênteses são os testes t. Os resultados sugerem que pertencer ao PT não favorece o candidato na boca de urna (pelo menos na amostra analisada). Contudo, não é possível rejeitar a hipótese de que, nessa amostra, pertencer ao PSDB ou ao DEM implica em receber uma votação maior do que a indicada pela pesquisa de boca de urna.

Apesar desses resultados não poderem ser utilizados para criticar o IBOPE, eles servem ao menos para mostrar que o Coroneleaks não está errado (o que é bem diferente de dizer que ele está certo). Sendo assim, concluimos que o Coroneleaks tem um ponto válido e que merece mais análise. Isto é, estudos mais sofisticados podem ser feitos para comprovar a validade ou não das dúvidas levantadas pelo Coroneleaks. Cabe ressaltar também que, o fato do IBOPE ter acertado em 95% dos resultados (tal como exposto na página do IBOPE na internet) não implica que seus erros não sejam recursivos em determinadas localidades (cidades maiores e capitais, por exemplo).

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