terça-feira, 2 de outubro de 2012

Previsões do Sachsida para 2012 , texto escrito em dezembro de 2011

Em 13 de dezembro de 2011 escrevi o texto abaixo. Errei?

O ano de 2012 será uma dura provação para as contas públicas. O desastre, mais que anunciado, começa com o reajuste do salário mínimo que deve colocá-lo num patamar próximo a 620 reais por mês. Esse valor gera dois problemas automáticos: aumento no déficit da previdência social, e dificuldades gigantescas para prefeituras de cidades pequenas (que pagam um salário mínimo para boa parte de seus funcionários). Indiretamente, esse valor deve significar o desemprego para pessoas pouco qualificadas e jovens (os segmentos mais impactados pelo salário mínimo). As eleições municipais também serão um elemento a mais de pressão para o aumento do gasto público. A estratégia de gastar mais para tentar eleger mais prefeitos vai permear prefeituras, governos estaduais e governo federal. Pensam que acabou? Nada disso, com a justificativa de evitar os efeitos da crise, o governo federal vai aumentar ainda mais o gasto público federal. Em resumo, 2012 vai ser um ano de fortes gastos públicos.

Se o lado fiscal da economia vai mal, pior ainda vai o lado monetário: a moda agora é falar de medidas alternativas de combate à inflação. Bom, a maneira alternativa de combater a inflação (que não seja aumento dos juros) é a restrição ao crédito. Contudo, o governo já deixou claro que não irá restringir o crédito em 2012, pelo contrário adotará medidas para expandí-lo. Uma política monetária frouxa, associada a um gasto público em alta, sugerem uma inflação alta para 2012. Não será surpresa alguma termos uma taxa de inflação superior a 6% no próximo ano.

No que se refere ao crescimento da economia, a pior equipe econômica de todos os tempos continua acreditando que o gasto público é a resposta certa para a crise. E o que é pior, boa parte deles acredita que a carga tributária brasileira não é alta. Assim, não se espante se ao longo de 2012 você ouvir o governo sugerir novos impostos. Com o governo gastando muito, e tributando muito, é de se esperar um crescimento abaixo de 4% para 2012.

Em resumo, para 2012 espero uma inflação acima de 6% e um crescimento econômico abaixo de 4%. Mas fiquem tranquilos, 2013, 2014 e 2015 serão piores. Em 2013 teremos que corrigir os estragos de 2012, mas além disso os gastos públicos para a Copa deverão sair do papel. Como tais obras estão atrasadas, é evidente que a pressa em finalizá-las implicará num custo bem superior ao originalmente estimado. Em 2014, teremos os evidentes aumentos de gastos públicos decorrentes desse ano ser marcado por eleição presidencial. Pobre de quem assumir em 2015, esse será o ano do inevitável ajuste.

6 comentários:

Breno Lima disse...

Em termos reais, acredito que a política de reajuste do salário mínimo, apesar de cômoda para o Governo foi uma solução infeliz. Quando instituída optou-se pelo aumento linear para todo o território nacional. Mais uma vez, caberá a União compensar diferenças. Tal medida não valorizou o trabalho e linearmente, valoriza a Política Fiscal, que, como você coloca, mais cedo ou mais tarde precisará encontrar forma de compensá-las. Será que ela dá conta?

Anônimo disse...

coitado de Aecio em 2015... mais fazer o que neah! a Dilma tá que empurra com a barriga... vai sobrar pra ele, alias, pra nós.

Alexandre disse...

Crescimento de 4%??
Voce ainda foi generoso prof. Sashsida!! hahaha

Pobre de quem assumir em 2015 [2]

Anônimo disse...

Dilma para presidente em 2015...

E dai a máscara da petralhada finalmente chegará ao fim!

Anônimo disse...

O governo brasileiro está sendo bancado pelos dólares do QEternidade, ou seja, pode/deve se dar ao luxo de afrouxar enquanto Bernanke continuar afrouxando (o que já prometeu que vai até pelo menos a metade de 2015)

Luiz Gustavo Almas disse...

Professor,

Quando iremos acordar para a tragédia que se aproxima? Também penso no texto que o senhor escreveu sobre a questão demográfica. Os bons economistas têm de "sair às ruas" e fazer-se ouvir, antes que seja tarde demais. luizgustavo.almas@gmail.com

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