segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Falhas de Governo – As Faixas Exclusivas para Ônibus SEM Ônibus

Os críticos do livre mercado são rápidos em apontar falhas de mercado e clamar por intervenções públicas. Claro que a teoria econômica aponta casos em que o mercado precisa sofrer ajustes. Contudo, apesar de em teoria ser fácil identificar tais casos, na prática costuma ser muito mais fácil apontar uma falha de mercado do que consertá-la.

Essa lição é fundamental: dizer que existe uma falha de mercado não é equivalente a dizer que o governo deve intervir. Afinal, é necessário antes demonstrar que o resultado final da intervenção pública será superior ao resultado de mercado.

Um exemplo é o suficiente para ilustrar o ponto. O governo do Distrito Federal criou corredores exclusivos para ônibus em determinadas vias públicas. A ideia, em teoria, era boa: dar mais dinamismo ao transporte público. Só tem um pequeno detalhe, em alguns desses corredores exclusivos para ônibus é raro ver um ônibus. Sim leitores, é isso mesmo que estão lendo. O Governo do Distrito Federal criou corredores exclusivos para ônibus SEM antes ter o número adequado de ônibus para utilizá-lo!!! As vias ficam as moscas enquanto o trânsito se engarrafa nas demais faixas.

O problema descrito acima não ocorreu ontem. Já está assim há um bom tempo e nada do governo alterar esse absurdo. Quando questionado o governo responde: tão logo sair a licitação para novas linhas os ônibus irão transitar por lá.... o engarrafamento nessas vias é grande, ver uma via vazia ao lado, e sob pena de multa não poder usá-la, é um desrespeito ao cidadão. Da próxima vez que clamar pelo governo para sanar falhas de mercado, lembre-se do exemplo do Distrito Federal: aqui o governo criou faixas exclusivas para ônibus sem antes ter os ônibus....

7 comentários:

Anônimo disse...

E nunca vai ter. As empresas tem que comprar ônibus com portas dos dois lados, e não estão dispostas a fazer isso.

Ginno

Arthur disse...

Claro que todo mundo sabe que a solução mais eficiente é taxar o uso das vias públicas. E acabar com o subsidio ao uso de carro atravez de inumeras vagas gratis de estacionamento em via publica e obrigações de construção de vagas de estacionamento para entes privados.

Apesar disso raramente vejo os economistas defendendo essa solução.

Paulo Barreto disse...

"Claro que todo mundo sabe que a solução..."

Não vejo nada tão claro assim, muito menos para todo mundo.

Limitar a mobilidade do cidadão enquanto não há meios alternativos, de fato, eficientes é o mesmo que criar corredor exclusivo de ônibus sem ônibus.

Anônimo disse...

Arthur vai pro trabalho de bicicleta entâo

nilo disse...

Se tivessem seguido o projeto que nos mandaram fazer na UNB, isso não aconteceria. Mas como resolveram muda-lo sem o devido cuidado, instalou-se a insatisfação.
Como disse o Arthur, sempre defendemos no departamento o pedágio urbano e a cobrança de estacionamentos públicos, mas essas medidas jamais foram sequer cogitadas em Brasília, e pra piorar vão construir mais estacionamentos subterrâneos no centro. Podem esperar que ainda vai piorar muito a situação!!!

Anônimo disse...

Acho que se a questão é falha de governo e o exemplo é Brasília, podemos usar de exemplo a maior falha de todas: o tombamento de todo o Plano Piloto!
Brasília é uma cidade de planejamento falho e execução de obra precária, sendo que o tombamento afeta muito das possíveis soluções para o Plano Piloto.
Há também a mais pura e simples incompetência da autoridade de trânsito. Vias como o Eixo Monumental operam abaixo da sua capacidade máxima em virtude do posicionamento equivocado e falta de sincronia dos semáforos, o mesmo comentário é válido para o início da L2 Sul.
Sobre as vagas, há uma Lei distrital que determina a construção de 1 vaga para cada 45 m2 construídos, sendo que as vagas em nível precisam ter cobertura permeável e contam com um redutor de 50% como área construída, e as vagas subterrâneas não entram no cálculo da metragem construída.
Sobre o trânsito de automóveis, sou contrário a qualquer restrição de uso por motivo de congestionamento. Se há algo a ser desenvolvido é o transporte público, que com sua melhoria atrairia naturalmente os motoristas. O problema é que hoje em Brasília você demora uma hora de carro no trânsito, mas se for de ônibus demora uma hora na parada de ônibus e embarca em um veículo pouco cuidado, sujo e lotado, assim o melhor é ficar no carro mesmo.
Por fim, qualquer conversa séria para melhoria do trânsito na cidade passa pelo debate da descentralização geográfica da administração estadual e federal, algo que vai de encontro direto com o projeto do Lúcio Costa e do Niemayer. Por várias vezes ao menos o GDF ensaiou isso, primeiro para Águas Claras, depois para Taguatinga e agora isso foi, ao menos momentaneamente, “enterrado”.
Há pouca distribuição geográfica de locais de trabalho e moradia, assim como de horários de entrada e saída, isso é ruim para o trânsito e para o transporte público.
Ah, reforçando o que já disse, várias vias operam abaixo da sua capacidade real pelo planeja zero na alocação dos sinais (existem modelos que apontam para uma distância ótima de 300 metros entre um e outro) e sincronização nula... somam-se as obras de planejamento dúbio e execução pior, a duplicação da via em frente ao zoológico sem drenagem adequada e sem plano de impacto nas vias posteriores anterior à execução da obra não me deixa mentir... outro exemplo é o acesso à BR 040 sentido Saída Sul para quem sai da viaduto da Rodoferroviária, que fica exatamente na entrada da Estrutural. Ou seja, engenharia de tráfego lixo!!!!, ao menos combina com o projeto viário original da capital federal.
Abs

José Carneiro

Anônimo disse...

Mais um dos vários absurdos erros cometidos pelo atual Governo do Distrito Federal. O que ocorre é a total falta de planejamento administrativo. Ao invés de trabalhar com estímulos, o governo trabalha utilizando-se da velha técnica da coação, multando quem transita por essas faixas desertas pela ausência de coletivos. O governo seguiu a fase completamente inversa. Se a intenção é de incentivar o uso dos transportes públicos, a primeira coisa a se fazer deveria, obviamente, começar pela aquisição de ônibus suficientes e, obviamente adaptados. Pois, o que se observa nos insuficientes ônibus é a falta de estrutura, pois todas as portas abrem justamente pelo lado contrário em que estão as novas paradas instaladas.
Após conseguir o número significativo destes transportes, deveria haver uma campanha massificada explicando tal inovação e convencendo, como um bom comerciante faz, o benefício da utilização desse meio alternativo de locomoção. Por fim, aí sim, deveria ser implementada a política da faixa exclusiva. Todavia, o que se vê é o contrário. Há uma completa inversão da ordem e da lógica dessa política pública. Vale o seguimento de raciocíno de Frédéric Bastiat: o que se vê e o que não se vê. Neste caso, o que o Governo não viu: insatisfação generalizada devido a uma política natimorta, perda de votos e a conclusão inexorável da inaptidão de administração pública petista.

Álvaro Mendes.

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