terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Não podemos ter medo do crescimento econômico!!!

Em fevereiro de 1945 a situação na frente russa era desesperadora. Como medida extrema, Hitler nomeia Heinrich Himmler (líder da SS) para comandar o contra-ataque. Tão logo chega ao quartel general, Himmler ordena: “Iniciar o contra-ataque imediatamente”. Incrédulos, os oficiais de estado-maior perguntam: “Como?”. Ao que ele, com ares de um iluminado, responde: “Pelos flancos!”.

Ora é evidente que atacar pelos flancos costuma ser mais vantajoso do que um ataque frontal. Mas a pergunta não se referia a isso. Os oficiais queriam saber quais unidades incluir no ataque, como tais unidades seriam desengajadas do combate para preparar o efetivo do contra-ataque, se haveria um ataque diversionário, se haveriam reservas, etc.. É evidente que Himmler, antigo criador de galinhas, não fazia a menor idéia do que estava fazendo.

No Brasil costumamos ouvir vários economistas do governo dizendo: “não podemos ter medo do crescimento!!!” ou ainda “este país precisa crescer”. Eles me lembram Himmler... é evidente que ninguém discorda de suas afirmações, mas, tal como no caso do criador de galinhas, se esquecem de dizer como pretendem fazer isso. Tais sábios afirmam que o Estado precisa gastar mais, investir mais. Contudo, se esquecem de dizer de onde virão os recursos para isso.

A verdade é que ninguém sabe com absoluta certeza o que gera crescimento econômico. Existem sim teorias, algumas fazendo mais sentido do que outras. O que sabemos com certeza é como não gerar crescimento econômico: a) impostos altos atrapalham a eficiência de uma economia; b) burocracia costuma ser um obstáculo ao crescimento econômico; c) investimentos públicos em empresas “promissoras” (tal como os realizados pelo BNDES) costumam ser um mau negócio; d) altos impostos de importação também não costumam ajudar; e) maquiar dados para esconder desequilíbrios fiscais parece não funcionar (vide o caso Grego); f) limitar a liberdade econômica dos indivíduos e empresas certamente não é a solução; etc.

Da próxima vez que você ver um arauto do desenvolvimento, proclamando aos 4 cantos do universo que “temos que crescer”, pergunte a ele se, e como, iremos abaixar impostos, diminuir a burocracia, aumentar a liberdade econômica, reduzir o gasto público, etc.. Caso ele fique calado, ou gagueje, pode apostar que você encontrou mais um criador de galinhas, metido a sabichão, a proclamar “Pelos flancos!”.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

O que Dilma foi fazer em Cuba?

Eu não sei o que a presidente Dilma foi fazer em Cuba, mas sei o que ela não foi fazer:

1) Ela não foi à Cuba para condenar ditadores sanguinários;
2) Ela não foi à Cuba para condenar a existência de presos politicos;
3) Ela não foi à Cuba para ajudar presos políticos.

Dilma, o que você foi fazer em Cuba???

Eu tenho vergonha da presidente de meu país fazer uma visita de apoio à Cuba.

Por que o Facebook não foi inventado no Brasil?

“O brasileiro é um povo criativo”. “Brasileiro é cheio de imaginação”. São frases que ouvimos rotineiramente. Assumindo que essa frase esteja correta, então pergunto: por que o Facebook não foi inventado no Brasil? Aliás, por que o Orkut (ou o Windows, ou os computadores pessoais, ou qualquer coisa relacionada a tecnologia) não foi inventado no Brasil? Aliás, por que será que não existe um único prêmio nobel brasileiro?

Assumindo que somos um povo tão criativo, chama a atenção a completa falta de sucesso dos brasileiros em termos de invenções. Excetuando-se o futebol, as contribuições brasileiras para a humanidade podem ser contadas nos dedos. Acredito que esse resultado deve-se sobretudo ao ambiente institucional brasileiro. E quando me refiro a instituições, incluo também as regras de conduta. De maneira geral, o brasileiro da um peso grande à origem familiar. Tanto é que em nosso país o pior dos xingamentos é acusar alguém de ser filho de uma prostituta (contraste visível com os Estados Unidos, onde o pior xingamento é rotular alguém de perdedor). Assim, um inovador que vem de origem humilde acaba também se defrontando com a barreira do sobrenome.

O segundo problema é a escassez de crédito. Um inovador precisa de capital para investir. Num país onde o Estado retira grandes quantidades de recursos da economia, essa tarefa fica mais complicada (mostrando mais um lado negativo, e pouco comentado, tanto do déficit público como da alta carga tributária brasileira). Também deve-se ressaltar que as leis brasileiras são muito permissivas para devedores, o que torna o crédito escasso e caro. O terceiro problema é cultural. Para a grande maioria das famílias brasileiras, um funcionário público vale mais do que um empreendedor (mesmo que de relativo sucesso). Estudantes universitários, numa proporção alta, sonham com um emprego público. Um país que destina parcela considerável de sua elite intelectual para empregos públicos não pode esperar muito em termos de inovação.

Apesar dos problemas acima serem importantes, acredito que os dois maiores desafios para os empreendedores brasileiros estejam ligados diretamente ao Estado: a) alta burocracia; e b) política industrial. A gigante, e complexa, burocracia brasileira tanto para a abertura como para a manutenção (ou fechamento) de empresas é caso de livro texto. Acredito que uma reforma tributária, que reduza e simplifique os impostos, aliada a uma reforma nas leis sobre empresas, que reduzam drasticamente a burocracia, poderia gerar um significativo crescimento na economia brasileira. Outro vilão da falta de inovação é a política industrial brasileira. Quando o Estado transfere recursos dos setores mais produtivos da sociedade para os setores menos produtivos, evento esse chamado de política industrial, ele simplesmente pune os mais eficientes, premiando os menos competentes. Os incentivos gerados pela política industrial, além de retirar capital, também retira trabalhadores das empresas onde eles seriam mais produtivos (transferindo-os para empresas que o Estado acredita serem promissoras). Sendo assim, o Estado acaba dizendo ao empreendedor em qual setor investir. Com a política industrial, não é mais o mercado que determina onde investir mas sim o Estado. O exemplo maior desse absurdo é a indústria automobilística brasileira, que após 50 anos de estímulos governamentais só é capaz de gerar carros ruins e caros.

A política industrial brasileira é uma verdadeira mão de ferro contra a inovação. Enquanto não abrirmos nossa economia, aumentando a competição em nosso país, tal distorção permanecerá indefinidamente.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Considerações sobre a Meritocracia no Serviço Público Federal

Nesta semana a questão dos cargos DAS (Direção e Assessoramento Superiores) ganhou espaço na imprensa. A idéia original dos cargos DAS no setor público federal é de destiná-los a pessoas competentes, capazes de liderar equipes, e assim aumentar a eficiência do setor público como um todo. O DAS varia numa escala de 1 a 6, sendo que os DAS 5 e 6 são as posições (e as gratificações) mais altas. Tais cargos podem ser destinados a qualquer pessoa, independentemente da mesma ter sido aprovada em concurso público. Assim, a notícia de que hoje existem 22.000 destes cargos lança dúvidas sobre os critérios de nomeação adotados para seu provimento.

O governo diz que não usa politicamente estes cargos, e como evidência disso mostra que a maioria dos cargos DAS é prenchida com funcionários de carreira. Tal argumento esconde um sofisma. Assume-se que preencher os quadros de DAS com funcionários de carreira elimina a possibilidade de uso político dos mesmos. Tal hipótese não se sustenta. Afinal, sempre é possivel dar os DAS a funcionários de carreira que são ligados a determinado partido político.

Eu ingressei no serviço público federal em 1997, e já naquela época os cargos DAS não eram preenchidos por critérios de meritocracia. Eu diria que 6 a cada 10 DAS eram preenchidos por critério de senhoridade (isto é, eram dados as pessoas com mais tempo de serviço público) e por afinidades pessoais (amizade, parentes, ou puxa-sacos). Os demais eram preenchidos por outros critérios (incluídos aí critérios de mérito, indicações políticas, etc.). Em resumo, não foi o PT que acabou com o critério de mérito no provimento de cargos DAS. A meritocracia nunca foi o principal instrumento para provimento de cargos DAS.

A inovação petista foi substituir os critérios de senhoridade, e amizade, pelo critério de afinidade política. Hoje acredito que 8 em cada 10 cargos DAS sejam providos exclusivamente por critérios políticos, sendo os restantes preenchidos por outros critérios (meritocracia, senhoridade, etc.). Claro que sob o comando do PT o mérito individual perdeu valor, mas tal queda foi muito facilitada pelo fato de que antes a meritocracia também não era muito levada a sério. A facilidade com que o PT conseguiu lotar os cargos DAS com pessoas ligadas a ele deve-se imensamente ao histórico de baixo respeito ao mérito que ocorria no passado. No final das contas, boa parte das pessoas que perderam seus DAS para petistas não estavam lá por mérito, mas sim por outros critérios.

Em primeira mão, revelo a meus leitores quais são os principais critérios adotados hoje para o provimento de cargos DAS: 1) ter passado em algum momento pela UNICAMP, ou pela UFRJ, ou pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), ou alguma equivalente; 2) ser militante, ou ter contatos políticos, com partidos de esquerda. Não é a toa que vários de meus colegas se filiaram ao PT tão logo ingressaram no serviço público. Não é a toa que existem tantas pessoas da Unicamp, UFRJ e da UFU em postos altos no governo federal. Não é a toa que existem tantas pessoas com um CV insignificante ocupando posições de destaque no governo. Claro que ainda existem ocupantes de cargos DAS que estão lá por causa de seu mérito, mas esse montante só tende a diminuir.

Estacionamento de graça em Shoppings! Texto escrito por Sergio Aquino de Souza

Abaixo segue o texto do Professor Sergio Aquino de Souza.

Não irá demorar a chegar a outras cidades brasileiras as leis municipais, já em vigor em Salvador e Recife, que proíbem shoppings de cobrar estacionamento. À primeira vista, o consumidor parece se beneficiar às expensas dos lojistas e proprietários dos shoppings. Será? Exemplos são fartos de leis com conseqüências indesejadas que acabam por prejudicar os pretensos beneficiados. Este caso não é muito diferente. Preços existem para regular demanda e oferta. Com preço tabelado (zero), há excesso de demanda, especialmente por parte de consumidores oportunistas que estacionam no shopping para freqüentar outro lugar, ocupando vaga daquele cliente que deseja freqüentar o centro de compras. Portanto, nos horários ou datas de pico, não será surpresa o consumidor, que ficou feliz com a aprovação da lei em seu município, não conseguir encontrar vaga disponível. É possível fazer um esforço para chegar mais cedo e pegar seu lugarzinho, mas nesta situação haveria um custo: deixar de ir ao shopping em seu horário/dia preferido. A avaliação deste custo com o benefício de não pagar pelo estacionamento não deve ser homogênea entre os indivíduos. Alguns, se não muitos, certamente preferirão pagar 4 ou 8 reais para fazer suas compras com relativa tranqüilidade em seu horário/ dia preferido. Portanto, mesmo na ausência de outros efeitos a serem discutidos adiante, não é claro o benefício para todos os consumidores.
Existe também uma análise dinâmica. No médio prazo, os shoppings repassarão (em parte) este prejuízo ao lojista, através de aluguel e condomínios mais caros, que por sua vez aumentará os preços de seus produtos. O repasse pode não ser total, como discutido neste blog anteriormente, mas algo irá sobrar para o consumidor. Em suma, não apenas empresários perdem com a lei, consumidores menos dispostos a enfrentar fila, chegar mais cedo ou escolher outro dia para suas compras também perdem bem-estar. Por outro lado, alguns consumidores ganham conforme discutido anteriormente, mas o grande vencedor é aquele freqüentador oportunista que vai poder estacionar de graça em zona nobre da cidade para trabalhar ou usufruir de serviços em prédios vizinhos aos shoppings. Existe a possibilidade de evitar o comportamento oportunista ao exigir compra para não pagar estacionamento, mas a lei, pelo menos a válida em Recife, nem mesmo isto permite. Como não gosto de deixar indecisão em análises deste Blog, sou contra esta lei, assim como tantas outras de caráter populista que agridem o princípio da livre iniciativa e prejudicam parte significativa dos consumidores.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Quantos são necessários para causar sua indignação?

Abaixo segue meu texto publicado no Amalgama.

A morte na semana passada, por greve de fome, de mais um preso político cubano, trouxe de volta a indignação contra a política externa do governo petista que comanda o Brasil. Wilman Villar Mendoza, preso político do governo ditatorial cubano, foi a mais recente vítima da ilha onde o sonho socialista se converteu em realidade.

Por mais triste que pareça essa tragédia, ela não foi forte o bastante para cancelar a viagem da presidente Dilma à Cuba. A presidenta, tão rigorosa quando o assunto é a Comissão da Verdade, parece relapsa quando a ditadura a ser criticada é de caráter socialista.

Por mais triste que pareça essa tragédia, ela não foi forte o bastante para ser estampada na capa dos principais veículos de comunicação brasileiros. Também não foi forte o bastante para provocar protestos de várias ONG’s que defendem os direitos humanos no Brasil. Também não foi forte o bastante para se espalhar na internet. Mas foi forte o bastante para mobilizar a tropa de choque da desinformação. Esses valentes, sempre no anonimato, espalham que 1) Wilman Villar Mendoza não era preso político; e 2) nem teria morrido de greve de fome. Mais alguns dias e eles dirão que Wilman Villar Mendoza nem preso estava....

A morte do preso político cubano Wilman Villar Mendoza é mais uma das inúmeras tragédias à qual a ditatura cubana submete sua população. Mas vamos, por um momento, nos abster dessa última tragédia: será que todas as violações aos Direitos Humanos que ocorrem diariamente em Cuba já não são suficientes para que o governo Brasileiro rompa relações diplomáticas com essa ditadura? O que mais falta para causar indignação aos nossos diplomatas? O que mais falta para causar indignação no governo Brasileiro? Qual é o número de vítimas necessário para que o governo brasileiro tome alguma atitude diplomática contra Cuba?

Eu NÃO apóio a política externa brasileira. Tenho vergonha de ver a presidente de meu país indo visitar, cheia de cortesias, uma ditadura sanguinária. Quantos mais terão que morrer, ou sofrer nas prisões cubanas, para que o Brasil finalmente condene Cuba por violações dos Direitos Humanos?

Não adianta que não vão ter espaço

Um bando de picaretas invadiu meu blog postando comentários do tipo:

1) "Ele não era preso político"
2) "Ele não morreu de greve de fome"
3) etc e tal...

Wilman Villar Mendoza, PRESO POLÍTICO, foi vítima do governo ditatorial cubano. Ele morreu de greve de fome semana passada. Os picaretas invadiram meu blog com comentários absurdos.... na versao deles a noticia correta eh:

"O não preso político da não ditadura cubana não morreu nas prisões de Cuba...."

Aqui não!!! Se você é incapaz de condenar o regime ditatorial de Cuba; se você é incapaz de ser honesto; se você é daqueles que notícia falsa é melhor do que a verdade; então procure outro blog.

Novamente, este blog presta as devidas condolências a família de Wilman Villar Mendoza, mais uma vítima da ditadura cubana.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Pelo fim imediato das relações diplomáticas com Cuba

Amigos, morreu mais um preso político em Cuba.

É INACEITÁVEL a posição do governo brasileiro, de fingir que nada acontece na ilha dos sonhos socialistas.

Está na hora do governo brasileiros FECHAR sua representação em Cuba. Não faz sentido apoiar um movimento assassino como o que impera em Cuba.

Eu tenho VERGONHA da política internacional seguida pelo governo petista do Brasil. Onde estão os grandes do Itamaraty, onde estão os Souza Dantas do Itamaraty???

Este blog presta aqui sua homenagem a coragem de Wilman Villar Mendoza, vítima do governo ditatorial cubano, e envia suas sinceras condolências a sua família.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Provas subjetivas em concursos públicos

Todo concurso público (ai incluídos o antigo vestibular e o atual ENEM) possui ao menos uma prova subjetiva. A idéia de uma prova subjetiva é avaliar a capacidade de expressão escrita de um candidato. Tal tipo de prova tem algumas vantagens: 1) impede o famoso chute (afinal a pessoa precisa escrever algo); 2) evita que pessoas que não saibam se expressar por escrito entrem em determinadas vagas (concurso para juiz por exemplo); e 3) diminui a chance dos sortudos (aqueles que obtiveram nota alta na prova objetiva na base do chute) de serem aprovados.

Apesar das vantagens listadas acima, provas subjetivas também possuem algumas desvantagens importantes, entre elas acredito que as três mais importantes sejam: a) a variância entre as notas das mesmas provas corrigidas por avaliadores distintos; b) a difícil operacionalização das revisões de nota; e c) o alto peso da nota que geralmente se atribui à redação.

Em relação ao item “a”, me lembro de uma antiga prova que pedia ao candidato para dissertar sobre o tempo. O candidato preencheu as 20 linhas da redação com o seguinte conteúdo “tic tac... tic tac... tic tac...”. Genialidade ou enrolação? Ele recebeu nota máxima por essa sacada. Certamente ele demonstrou originalidade, e uma tremenda dose de auto-confiança. Mas pergunto, se ele tivesse recebido nota zero teria sido injusto? Claro que não, afinal uma redação dessas dificilmente mostra domínio da norma culta (requerimento fundamental em qualquer avaliação de redação). Além disso, o avaliador poderia julgar que a “brilhante” sacada do candidato não passava de pura enrolação de quem não sabe escrever. Ou seja, temos uma redação que pode tirar tanto a nota máxima como a nota mínima, sendo ambas igualmente justificáveis, a depender da interpretação (ou do humor) de quem corrigí-la. É evidente que esse problema não é desprezível, ainda mais se acrescentarmos que (no mundo real) o avaliador não é perfeito, e pode se deixar influenciar por suas próprias crenças na hora de fazer sua avaliação. Em particular, a correção da redação do ENEM torna isso oficial o que é um tremendo absurdo (no item 5 de avaliação da redação do ENEM lê-se “Elaborar proposta de intervenção para o problema abordado, demonstrando respeito à diversidade e aos direitos humanos”).

O item “b” não é menos problemático, tanto assim que em concursos para empregos públicos apenas uma fração das redações é corrigida (geralmente são corrigidas apenas as redações dos candidatos que se classificaram até determinada posição). Num exame como o ENEM essa saída não é possível, e todas as redações são obrigatoriamente corrigidas. Isso gera um enorme potencial para pedidos de revisão de nota (que aliás são direito de qualquer candidato). Problema esse agravado pelo peso absurdamente alto da nota de redação no ENEM.

Particularmente sou contrário a provas subjetivas em concursos públicos. Acredito que elas mais atrapalham do que ajudam, além de darem uma chance para que potenciais interesses ocultos atrapalhem a lisura do processo. Uma prova objetiva com mais questões, do ponto de vista estatístico, elimina as chances de um candidato ser aprovado na base do chute. Tais provas também são operacionalmente mais fáceis de se corrigir e de se impetrar recursos. Por fim, se uma redação é mesmo necessária para se avaliar os candidatos, então esta deve ter um peso menor na nota global, e deve julgar APENAS dois critérios: a) ortografia; e b) coerência interna do texto. Mas notem que, mesmo assim, uma redação do tipo “tic tac” continuaria a gerar polêmicas.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Considerações sobre o Relativismo Cultural

Abaixo segue meu artigo publicado ontem no Ordem Livre.

Relativismo cultural é a idéia de que não podemos julgar outras sociedades com base em nossos próprios valores. Sendo assim, não poderíamos julgar os costumes das sociedades antigas (romana ou grega, por exemplo) com base em nossos valores morais atuais.

Apesar de poder fazer sentido a primeira vista, a idéia do relativismo cultural esconde uma hipótese implícita: a necessidade de falta de contato com sociedades mais desenvolvidas. Claro que não podemos cobrar das sociedades antigas um padrão moral mais atual. Afinal, na época das mesmas tais padrões morais não existiam.

Torna-se importante ressaltar que a idéia do relativismo cultural não se aplica a sociedades que tem contato com outras. A partir do momento que se tem contato com outro conjunto de valores, torna-se uma opção de cada sociedade qual desses padrões seguir. Sendo assim, me parece incorreta a idéia de que não podemos classificar determinadas sociedades como sendo moralmente superiores a outras. Sociedades que defendem a liberdade individual – os direitos civis, que abominam regimes totalitários, e que de maneira alguma usam o poder do Estado para impor coercitivamente determinadas crenças religiosas – são claramente superiores às demais. E acredito que esteja na hora de tais sociedades se orgulharem disso.

De minha parte, acredito que quando um homem, que foi criado numa sociedade machista, espanca uma mulher ele deve ser punido. E isso independe do país onde ele esteja, seja isso no Brasil, nos Estados Unidos ou no Irã. Relativismo cultural não se aplica a partir do momento que você teve contato com valores mais elevados. Você pode até preferir continuar seguindo seu antigo conjunto de valores, mas isso será escolha sua: com todos os benefícios e custos associados.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Um conto de segunda-feira

- Emergência, Cabo Janjão falando
- Cabo Janjão, estou tentando reformar minha casa. Mas apareceu aqui um pessoal da Associação de Moradores do Bairro, e eles estão impedindo minha reforma. Poderia enviar uma viatura pra ca?
- Qual seu nome cidadão?
- Eu sou o Joao Ricardo.
- Sr. Joao Ricardo, já tentou negociar com eles?
- Como assim? Negociar? Eles INVADIRAM minha propriedade, estão agindo de maneira claramente ilegal. O que você quer dizer com negociar com eles???
- O Sr. já pediu a eles para saírem de seu terreno?
- Sim. Fiquei 2 horas implorando para eles saírem. Mas eles dizem que reforma aqui só se eles autorizarem. Eu já mostrei a eles que tal atitude é ilegal. E eles já concordaram que apesar de agirem contra a lei irão continuar com o movimento.
- Infelizmente não poderemos ajudá-lo Sr. Joao Ricardo.
- Você está maluco!!! Eu vou repetir: invadiram minha propriedade, e não querem sair!!! Impedem que eu faça a reforma de minha casa. Cada hora de atraso é prejuízo pra mim e pra minha família. Agora, além de tudo, estão ameaçando acampar no meu terreno.... como é que a polícia não pode me ajudar???
- Sr. Joao Ricardo, minha sugestão é que o Sr. negocie com os invasores. É o melhor a ser feito. Ceda as exigências deles e, com um pouco de sorte, eles irão embora.
- Cabo Janjão em que universo você vive??? Eu não vou negociar com um movimento ilegal e que comete atos ilegais!!!
- Sr. Joao Ricardo se acalme ou eu serei obrigado a prendê-lo por desrespeito...
- Me desculpe Cabo Janjão, eu estou perdendo a cabeça. Mas, por favor, me esclareça: por que não pode enviar uma equipe da polícia aqui para prender esses invasores?
- Sr. Joao Ricardo, se eu enviar uma equipe da polícia em sua casa os invasores farão com ela o mesmo que estão fazendo contigo. Irão desrespeitar e provocar os policiais, irão fazer pouco caso deles e irão agredí-los moralmente. E, o que é pior, assim que um policial tentar prendê-los, eles o acusarão de violar os direitos humanos. Farão um vídeo sobre isso, colocarão no youtube, espalharão no facebook, e em breve esse policial será execrado publicamente e acabará por perder o emprego. Sendo assim, boa sorte ao Sr. e por favor desocupe a linha.

Hoje em dia é difícil ser policial: os salários são baixos, os riscos são altos, e não bastasse isso tudo os policiais são execrados publicamente por tentarem prender quem viola a lei. O caso recente da USP mostra bem isso. Fosse nos Estados Unidos tão logo um policial dá uma ordem, e o infrator se recusa a obedecer, o infrator é imediatamente algemado e vai dormir na cadeia. O erro do policial no caso da USP foi não ter chamado reforço, e prendido imediatamente os infratores. Tudo o mais decorreu desse erro inicial: tentar discutir com quem, além de estar infringindo a lei, quer apenas confusão.

II Encontro Nacional dos Blogueiros de Economia

Mais uma excelente iniciativa!!!!

Ano passado foi o primeiro, e agora repete-se a dose!!!!

Parabens aos organizadores:

Cláudio D. Shikida (www.gustibusgustibus.wordpress.com)
Cristiano M. Costa (www.cristianomcosta.com)

Com um pouco de sorte poderei participar mais ativamente esse ano!!!

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Uma boa notícia para Brasília

Semana passada surgiram especulações a respeito de uma missão da UNESCO a Brasília. O objetivo de tal missão seria verificar o enquadramento da cidade às normas do patrimônio histórico. É extremamente improvável, mas com um pouco de sorte (não custa sonhar) Brasília poderia perder o status de patrimônio da humanidade.

Em termos objetivos: qual a vantagem de Brasília ser considerada patrimônio da humanidade? Na melhor das hipóteses, tem-se apenas duas vantagens: turismo e memória. Uma breve reflexão nos mostra a pouca expressividade de tais vantagens. Em primeiro lugar, alguém acredita que turistas vêm a Brasília por causa de seu status de patrimônio da humanidade? Os turistas visitam a CAPITAL do Brasil, pouco importa seu status em relação a patrimônio da humanidade. Em relação a preservar a memória da cidade, que tal dar uma olhada no site: http://whc.unesco.org/en/list/. Aqui estão listados os lugares considerados patrimônios da humanidade. Fica evidente que na maioria absoluta dos lugares se preservam obras individuais, e não uma cidade inteira.

Apenas para dar um exemplo, manter a Vila Planalto (local logo atrás da Esplanada dos Ministérios) impedida de realizar obras que vão contra as normas da UNESCO é condenar uma área nobre da cidade a estagnação econômica e social. Manter toda uma cidade engessada à um plano de urbanização de 60 anos atrás é condenar sua população ao caos. Manter o status de patrimônio da humanidade não traz benefício algum a população de Brasília, ao contrário traz enormes custos econômicos e sociais a cidade. Quando se impedem novas construções, quando se limitam a possibilidade de aproveitamento de áreas antigas, o que temos é uma cidade com um setor privado que sofre para abrir empresas, um setor privado que é esmagado pelos custos astrônomicos associados à locação dos imóveis, um setor privado que é obrigado a se comprimir em espaços minúsculos. Daí que trabalhar, ou empreender, no setor privado da capital do país é uma atividade de extremo risco.

Manter o status de patrimônio da humanidade só é bom para os burocratas de Brasília, que tem seus empregos diretamente ligados a essa atividade. Para o resto da população, tal status serve apenas para pagarmos uma das moradias mais caras do país, e por termos tão poucas opções de trabalho fora do setor público.

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