quarta-feira, 30 de maio de 2012

2 posts sobre o IPEA

Em 11 de novembro de 2008, escrevi o post "O Futuro do IPEA". No dia 19 de dezembro de 2010 escrevi o post "Quem será o Próximo Presidente do IPEA?". Abaixo destaco partes importantes de ambos.

Quem será o próximo Presidente do IPEA:

"(...) Se existem pessoas melhores de fora do IPEA, então que a elas sejam dados os cargos de presidência e direção. Mas elas devem ser NECESSARIAMENTE melhores que os técnicos do IPEA. É ridículo levar para dentro do IPEA, para assumir posições de destaque, pessoas sem a qualificação necessária.

O IPEA tem o potencial humano, estrutura física, e recursos financeiros para ser o melhor instituto de pesquisas econômicas do hemisfério sul do planeta
".

O Futuro do IPEA:

"No passado o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) foi extremamente influente na formulação de políticas públicas no Brasil. Contudo, com o passar do tempo, essa influência foi gradativamente diminuindo. Atualmente o IPEA encontra-se em um momento chave de sua história: como voltar a ser influente e ajudar na elaboração de políticas públicas brasileiras?

Primeiramente devemos entender a origem da influência do IPEA. Nas décadas de 1960, 1970 e 1980 a formação acadêmica da maior parte dos funcionários públicos federais era baixa quando comparada à formação dos técnicos do IPEA. Dessa maneira, existia um espaço muito grande para que técnicos do IPEA fossem chamados a responder questões importantes de políticas públicas. Além disso, técnicos do IPEA eram sempre convidados a assumirem cargos altos da administração pública. Ou seja, até o final da década de 1980, foi a alta qualificação acadêmica de seu corpo técnico que garantiu uma posição de destaque ao IPEA.

Apesar de sua importância histórica, a partir do começo da década de 1990 a influência do IPEA passou a dimuir. O motivo disso foi simples: os funcionários públicos federais passaram a ser contratados por concursos públicos cada vez mais concorridos. Tal competição por uma vaga no serviço público aumentou consideravelmente a capacitação acadêmica dos funcionários dos Ministérios. Hoje é muito comum se encontrar profissionais com nível de doutorado ocupando cargos concursados dentro de Ministérios. Devido a melhora do capital humano trabalhando como gestores e associados dentro dos Ministérios, a antiga influência exercida pelo IPEA nesses locais foi em muito reduzida.

Analisando os parágrafos acima, parece-me que a chave para o sobrevivência a longo prazo do IPEA é manter o diferencial de qualidade com o restante do serviço público. Mas tal diferencial não pode mais ser mantido apenas pela titulação de seu corpo técnico. Afinal, doutores agora existem também em abundância entre outras carreiras do setor público. O que o IPEA deve fazer é investir fortemente em pesquisa acadêmica. Essa é a verdadeira vocação do IPEA, e é onde o IPEA pode fazer a diferença. Exercendo liderança acadêmica, o IPEA pode voltar a encontrar o papel de destaque que já exerceu no passado.

Pesquisa acadêmica de ponta, auxiliando a implementação e checando o desempenho das políticas públicas, é a chave para a existência de longo prazo do IPEA. (...)
".

segunda-feira, 28 de maio de 2012

O douto facilita a minha ai que eu facilito a tua aqui...

Obstrução da justiça é crime.... corrupção ativa é crime....tráfico de influência é crime... coação no curso de processo judicial é crime... chantagem é crime...

sábado, 26 de maio de 2012

Comissão de Ética e Autoritarismo da Extrema Esquerda

Artigo escrito por Roberto Ellery Jr, professor da Universidade de Brasília.

Uma característica marcante dos militantes de esquerda é o autoritarismo. A certeza de serem detentores da verdade histórica os torna arrogantes e incapazes de viver com a diversidade de opiniões. Pouco importa se tal verdade invariavelmente leva a miséria e a morte de milhões.

Aqui na UnB estamos vivenciando um destes momentos onde radicais de esquerda mostram toda sua intolerância com a diversidade de ideias. Na semana passada foi deflagrada uma greve em uma assembleia com menos de duzentos professores. Embora grande para os padrões destas assembleias, o número de professores presentes não chegou a dez por cento do total de professores da UnB. Já divulguei meus motivos para ser contra esta greve e não vou abusar deste espaço para listá-los novamente. O que me fez escrever este texto foi a decisão do Comando de Greve de criar uma Comissão de Ética para determinar o que os professores podem ou não podem fazer durante a greve (detalhes em http://cienciabrasil.blogspot.com.br/2012/05/comando-de-greve-e-agora-o-dono-das.html)

Nos últimos tempos temos visto várias tentativas de grupos de esquerda de criar comissões de ética formais ou informais para regulamentar todas as atividades da sociedade, destaco as que pretendem regulamentar a imprensa. Aos poucos todas as nossas decisões são confrontadas com padrões éticos determinados por estes grupos. Desde decisões o sobre o que comemos ou bebemos até como embalar nossas compras passaram a ser avaliado por esta métrica das comissões de ética. Como estas comissões são tipicamente controladas por grupos de esquerda somos coagidos a nos comportarmos pelos padrões coletivistas, do contrário somos condenados com aéticos.

Pois bem, a tal Comissão de Ética do Comando Local de Greve acaba por ser um exemplo claro da lógica destas comissões. Incapaz de convencer a maioria dos professores de aderir à greve, os grevistas passaram ao terreno das ameaças. No passado faziam ameaças físicas, como ameaças físicas tendem a ser ineficientes no longo prazo hoje fazem ameaças morais. Na essência nada mudou. Incapaz de convencer a maioria, a extrema esquerda passa para intimidação.
Peço a todos que defendem a liberdade individual ajudem a denunciar esta prática fascista de criar uma Comissão de Ética para impor adesão a greve, mesmo os que forem favoráveis à greve ou completamente indiferentes à UnB e seus professores. Hoje é uma comissão de ética para intimidar professores que não querem aderir a uma greve, amanhã pode ser para intimidar você a seguir certo comportamento em nome de um suposto bem coletivo. Exagero meu? Digam qual autoritarismo não se impôs a partir de uma ética ou qual terrorismo não parte de uma ética.

Roberto Ellery Jr, UnB

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Dia de Liberdade de Impostos e o Malvado Rei da Idade Média

Nesta sexta-feira comemora-se o dia de Liberdade de Impostos. Para comemorar essa data, posto novamente o post que escrevi em 27 de junho de 2008.

O Estado Brasileiro e o Malvado Rei da Idade Média

Durante a Idade Média os pobres sofriam na mão dos reis: eram obrigados a trabalhar 1 dia por semana de graça para o malvado rei. O Estado Brasileiro arrecada ao redor de 36% do PIB, isso equivale a obrigar o trabalhador a trabalhar 2,5 dias por semana de graça para o Estado. Em palavras, hoje trabalhamos segunda, terça e a parte da manhã de quarta-feira apenas para pagar impostos.

Como contra-partida aos impostos o Rei era obrigado a conservar estradas, emprestar o moinho (capital) aos pobres, zelar pela segurança interna e externa do reino. Já o Estado Brasileiro é obrigado a fornecer educação, saúde, moradia, e segurança. Fica evidente que tanto o rei quanto o Estado Brasileiro falham em suas obrigações. Contudo, temos uma vantagem importante para o rei: ele pelo menos custa menos.

No Brasil quase 60% da atividade econômica esta ligada, direta ou indiretamente, ao Estado. Praticamente nada pode ser feito sem a intervenção estatal, daí que as poucas empresas capazes de sobreviver no Brasil são obrigadas a se unir ao poder público, aumentando ainda mais o poder do Estado.

Trabalho duro e honesto, esse é o segredo que nossos pais nos ensinaram. Esse é o segredo para o sucesso. Quanto mais intervenção estatal tivermos mais distante estaremos de nossos objetivos, mais honestidade e trabalho seremos obrigados a abdicar em favor das benesses do Estado. O Estado NÃO É seu amigo, ele é que toma seu dinheiro e nada lhe dá em troca. Só existe um caminho possível para preservarmos nossa liberdade: REDUZIR O TAMANHO DO ESTADO.

O muito obrigado do Sachsida ao Instituto Mises Brasil, ao Movimento Endireita Brasil, e ao Instituto de Formação de Líderes, que são os organizadores dessa bela iniciativa.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

O Novo Pacote Econômico do Governo, ou Ainda bem que a JBS Friboi não produz carros!!!

Num país sério um Ministro da Fazenda deveria explicar porque ele lança um pacote de medidas de recuperação da atividade econômica, dado que ele mesmo afirma que não há problemas com a atividade econômica. Mas enfim, nessa dialética desenvolvimentista que caracteriza a pior equipe econômica de todos os tempos, nada é tão ruim que não possa ser piorado.

O Governo lançou um pacote de estímulos que diminui impostos, e aumenta o crédito, para determinados segmentos do mercado automotivo e de bens de capital. Cabe ressaltar que no tocante a impostos a redução vale até agosto desse ano. Então vamos ver porque esse pacote também não vai funcionar:

1) O problema do Brasil não é conjuntural, é estrutural. Medidas conjunturais não irão resolver o problema básico da economia brasileira: alta carga tributária, baixa produtividade, legislação trabalhista inadequada, etc.
2) O problema do Brasil não é de demanda, é de oferta. O pacote do governo parece acreditar que é possível consumir sem produzir antes.
3) O pacote é tão ruim, mas tão ruim, que nem mesmo na indústria automobilística irá ajudar. Acontece que muitas pessoas iriam comprar carro até o final do ano, mas com o estímulo tributário elas irão antecipar a compra. Isto é, o número total de veículos vendidos no ano vai se alterar pouco.
4) Geralmente na compra de um veículo novo você usa seu veículo usado como entrada. Como o preço de carros novos irá cair, o preço dos usados TAMBÉM irá cair. Logo, é bem provável que a diferença final que o consumidor deve inteirar se reduza pouco.
5) Uma pessoa que pretendia reformar a casa esse ano, e trocar de carro ano que vem, pode perfeitamente inverter suas prioridades. Comprando o carro agora e deixando a reforma para depois. Isso implica que o estímulo ao setor automobilístico terá sido obtido a custa de perdas em outros setores da economia.

O pacote do governo para ajudar MAIS UMA VEZ o ineficiente setor automobilístico brasileiro só não é pior porque o JBS Friboi não produz carro.... mas como disse antes, para essa equipe econômica, nada é tão ruim que não possa ser piorado.

domingo, 20 de maio de 2012

Entrevista com Miguel Leon Ledesma, o desafio Europeu

Essa é a segunda entrevista que faço com o Professor Miguel Leon-Ledesma. Aqui está o link para a primeira entrevista. O Professor Ledesma é um dos mais destacados pesquisadores europeus. Além de professor na Universidade de Kent, ele é consultor regular do Banco Central Europeu, e tem publicações na American Economic Review, European Economic Review, Journal of Money Credit and Banking, entre outras diversas importantes publicações acadêmicas.

O professor Ledesma não é fluente em português. Assim, pede-se que os leitores desculpem os erros gramaticais.

1) Na sua opiniao, faz sentido manter uma moeda única para a Comunidade Econômica Européia?


Depende do desenho. E claro que o desenho atual da moeda unica nao funciona. Esta e a oportunidade para trocar o sistema. Devemos ir para um sistema com maior uniao de politica fiscal, coordenacao de "real side reforms", e sistema bancario unico com regulacao e supervisao comum. O problema agora jah nao eh se faz sentido manter a moeda unica. O problema eh qual seria a consequencia de abandonar o projeto. Eh bem provavel que se a moeda unica cair, o projeto intero da uniao europeia vai com ela. De ai para frente seria todo problemas.


2) Qual é o caminho para a Grécia sair da crise?

Tem duas partes: o que os gregos tem que fazer, e o que o resto da UE tem que fazer. O resto da UE tem um incentivo muito grande para isolar o problema grego criando alguma garantia para divida publica comum. Nao estou falando de garantir a divida tuda. Tem varias propostas interessantes de como desenhar o sistema sem criar muito moral hazard. Tambem tem que admitir abertamente que a grecia nao pode sair do buraco do geito que esta agora. Com uma populacao de 11 milloes, eh facil fazer um Marshal Plan para a Grecia. Mais notem que a Europa e a comunidade internacional jah deram muitas oportunidades para a Grecia com dois bailouts. O problema na Grecia e de lideranca politica. A clase politica na Grecia mostrou-se totalmente inutil. A sociedade tambem nao gosta de admitir que os problemas foram principalmente criados por eles. Ate essa "iluminacao" nao chegar a eles, vai ser dificil ter um consenso social. A Grecia tem que asumir que a economia deles sera pelomenos 1/3 menor do que era em 2008, e que voltar a esses niveis vai levar decadas. A Grecia foi o unico pais na crise Europea que teve, ate durante periodo do boom, um problema fiscal enorme. Por tanto, tem que se ajustar. Outra coisa eh o ritmo do ajuste. Tentar o ajuste em 2-3 anos seria ridiculo. Soh ia levar a maior inestabilidade politica e social e, como consequencia, o abandono do objetivo. O ajuste levara 10 anos. Finalmente, para acabar com a incerteca, eu estaria de acordo com chamar um referendum de permanencia no Euro. Eles decidem, mais continuar nessa incerteca esta tendo muito custo para outros paises. Ai eu estou de acordo com a Merkel.


3) Espanha e Portugal irão seguir a tragédia grega?

Honestamente, nao da para saber. O problema desses dois paises eh bem diferente da Grecia. No caso do Portugal foi um problema de crescimento. Durante mais de uma decada, Portugal nao cresceu ao ritmo que era de esperar dada sua renda per capita. Mais Portugal nao teve uma bolha de immoveis do tamanho da Irlanda, o RU ou a Espanha. Quando o choque da crise chegou, pegou a Portugal num estado jah debilitado e as contas publicas sufriram. No caso da Espanha, nao teve um problema fiscal durante o periodo da expansao. Foi um problema de credito barato e incentivos fiscais que levaram a uma bolha enorme do mercado de casas. Agora todo esse credito falido esta no sistema bancario, especialmente as caixas locais. Eh um problema de divida privada (que, obviamente, apos da crise se convirtiou em divida publica).

Portugal jah foi concedido um bailout, e na Espanha eh possivel que o sistema bancario precisse fazer uso do fundo de garantia Europeu. O problema com a Espanha, sendo a quarta economia do Euro, eh que o custo da saida poderia ser enorme e levar na frente a Italia. Por esso acho que, alem da Grecia, a probabilidade de outros paises sair do Euro eh bem mais baixa. Mais a tragedia jah esta ali em qualquer caso, em forma de altisimas tasas de desemprego. Esses paises (e incluindo a Franca) vao ter uma "decada perdida".


4) O Reino Unido vai escapar dessa crise européia?

Nao, o Reino Unido nao esta escapando da crise. O comercio exterior do Ru esta muito concentrado na Europa, alem de ser um centro financiero para muitas operacoes de cambio. O sistema bancario britanico tambem sofriria muito pois tem muita interdependencia entre os bancos que leva a um alto nivel de risco sistemico. O fato do Reino Unido ter entrado em recessao de novo refleite duas coisas: a crise na Europa, e o efeito dos cortes de gasto publico. Achar que o RU pode escapar da crise por ficar fora do Euro eh como achar que o Brasil nao sofriria duma queda dos precos das commodities pois nao tem cambio fixo com o dolar.


5) Quais os desafios que devem ser vencidos para manter a Comunidade Econômica Européia? Vale a pena manter a CEE?

A CEE, ou melhor falado, a Uniao Europeia, eh um conjunto de acordos que vao alem do Euro, mais a sobrevivenca do Euro eh a chave para a UE. A racao eh que se o Euro quebra, pode ser que algums paises comecem a renegar dos acordos da UE como mobilidade de pessoas e capital, o qual levaria a retaliacao e uma espiral feia de guerra economica. A segunda parte da questao nao tem nem que pensar: vale muito a pena manter a UE. Foi uma fonte de estabilidade enorme no continente. A sua destruccao nos levaria 50 anos atrais.


6) É verdade que a Espanha vai vender o Real Madrid para a Alemanha?

Olha, toh cancado de ter que desmentir esse rumor. Esso ai sao coisas dos torcedores do Barcelona, que sao uma banda de chorao. Eu jah falei que eu nao vou jogar na Alemanha nao. Nao gosto da comida la. Por tanto, o Real fica na Espanha. Vou falar soh mais essa vez aqui no Blog do Adolfo, pois sei que tem mais impacto do que a BBC e a CNN.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Os Palpites do Sachsida pro Brasileirão

Vamos falar de coisas sérias. Nada de falar da postura de nossa presidentA botando o dedo na cara do Presidente da Associação de Municípios Brasileiros... teve uma época em que isso não seria aceitável, mas se nem a pessoa que recebe um dedo na cara parece se importar... falar o que???

Coisa séria no Brasil tem nome: futebol e samba. Como o carnaval já passou ai vão os palpites do Sachsida pro Brasileirão 2012. Abaixo coloco também os resultados sugeridos pelo Professor Valdomiro Pinto, doutor em finanças pela PUC-RJ, que estimou um modelo VAR, e depois os resultados de um passeio aleatório. Ou seja, podemos comparar minhas previsões enquanto analista esportivo contra um modelo econométrico e um chute puro e simples:

Previsões do Sachsida
Campeão) Fluminense; Vice) Corinthians; 3º) Santos; e 4º) Internacional
17º) Ponte Preta; 18º) Sport; 19º) Portuguesa; e 20º) Nautico

Previsões do Professor Valdomiro Pinto
Campeão) Bahia; Vice) Botafogo; 3º) Atlético-MG; e 4º) Coritiba
17º) Flamengo; 18º) Palmeiras; 19º) Corinthians; e 20º) Vasco da Gama

Sorteio
Campeão) Santos; Vice) Botafogo; 3º) Coritiba; e 4º) São Paulo
17º) Vasco; 18º) Atlético-GO; 19º) Sport; e 20º) Flamengo

Notaram como a previsão do Professor de Finanças se assemelha a um chute puro e simples???? Será que finanças é isso????

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Dolar a R$ 2,00

Vamos ver agora o que o governo vai dizer quando as coisas começarem a sair do controle....

Até o momento, a desvalorização do Real não se deve a atuações diretas do governo. Isso, no entanto, não quer dizer que o governo não tenha papel nessa desvalorização. Vamos por partes, imagine que você é um investidor internacional, você colocaria dinheiro num país onde: 1) as principais autoridades públicas dão claras manifestações de desejarem uma desvalorização cambial?; 2) a inflação está subindo e a autoridade monetária parece achar isso normal? Lembre-se que isso por si só já pressiona por uma desvalorização cambial; 3) o governo pressiona o setor financeiro a abaixar os juros?; 4) apesar de depender das exportações agrícolas ameaça jogar na ilegalidade a quase totalidade dos produtores agrícolas?; 5) está numa situação fiscal que só tende a se deteriorar; e 6) dá claros sinais de que irá abaixar ainda mais a taxa de juros (apesar do processo inflacionário)?

Pegue os itens acima no conjunto e você verá duas coisas: a) vários investidores internacionais simplesmente estão com medo de vir para o Brasil. Afinal, entrar em um país que ameaça a todo instante desvalorizar o câmbio implica num risco enorme de grande prejuízo; e b) os investidores estrangeiros que estavam aqui, vendo que a trajetória descendente de juros só tende a pressionar por desvalorizações cambias, aproveitaram a oportunidade e se mandaram. Tentando evitar assim prejuízos decorrentes da desvalorização do câmbio. Notem que tanto no caso “a” como no “b” os investidores estão apenas respondendo a uma ameaça feita, em bases quase diárias, pelo governo brasileiro: a ameaça de desvalorizar o câmbio.

O governo efetivamente adotou medidas para tentar desvalorizar o câmbio, mas não foram elas as responsáveis diretas pela recente desvalorização cambial. A queda, e mais importante ainda, a expectativa futura de queda nas taxas de juros diminuíram a atratividade de se investir no Brasil. Isso, em conjunto com os 6 fatores listados acima, gerou a recente desvalorização do real.

O real se desvalorizou, e eu pergunto: e agora José? A inflação está subindo, a taxa de câmbio se desvalorizando, o PIB estagnado.... será que alguém se lembra do começo da década de 1980? Será que vamos repetir o mesmo erro? Quando os EUA aumentarem sua taxa de juros, e isso irá ocorrer cedo ou tarde, a economia brasileira será jogada numa enorme recessão.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Romario e o Mercosul

No dia 01 de agosto de 2007 escrevi a postagem abaixo. Acho que vale a pena reler esse post.

Lembro de Romário no Casseta e Planeta. O Bussunda perguntava: “e ai Romário, vai jogar em que time?” ao que o baixinho respondia “não sei não, só sei que vou ganhar!”. Temos que admirar Romário nesse ponto; ele quer ganhar tudo de par ou ímpar a cara ou coroa, quando perde fica mordido. Tenho pra mim que quando Romário era criança e tinha que escolher um time pra jogar ele sempre escolhia o melhor time, sempre escolhia os melhores jogadores. Motivo: ele queria ganhar, sempre. Essa é a característica básica de um vencedor, a busca constante pela vitória. Mesmo que isso não seja sempre possível. Olhando em retrospecto, noto que nem todas as crianças eram como Romário. Algumas preferiam escolher jogar em times fracos, escolhiam os piores jogadores para seus times. Motivo: para elas melhor do que ganhar era poder jogar. Para essas crianças, desprovidas de talento futebolístico, entrar no melhor time significava ficar eternamente no banco. Preferiam entrar nos piores times, pois lá podiam ser o craque em meio aos pernas de pau. Tais crianças nunca conheceram o sabor da vitória, tendo de se contentar com a ilusão de serem os melhores jogadores de seu time.

Tal como acontece com crianças também acontece com países. Existem aqueles com vocação para vitória e aqueles que se refugiam entre os pernas de pau. Alguns países procuram sempre estar entre os melhores, outros buscam a ilusão de ser o melhor dentre os piores. No futuro escreverei um blog mostrando minhas razões para ser contra a formação de blocos econômicos, mas por hora vamos analisar o time que o Brasil escolheu para fazer parte: Paraguai, Argentina e Uruguai. Talvez com o reforço da Bolívia e da Venezuela. Por que escolher tais países? Por que não tentar um fortalecimento dos laços com Estados Unidos e Canadá? Minha resposta é simples: o Brasil não é o Romário.

A Argentina acaba de suspender a exportação de trigo ao Brasil (por motivos de desabastecimento interno). Resultado: o preço do pãozinho no Brasil aumentou. Tivesse o Brasil o mesmo acordo que tem com a Argentina com os Estados Unidos, e a importação de trigo dos EUA teria alíquotas de importação mais baixa e a população brasileira pagaria menos pelo pão. Em resumo, para beneficiarmos os produtores de trigo da Argentina, o pobre brasileiro paga mais pelo pão. O mais irônico disso tudo é que o governo argentino não se incomoda em prejudicar seu “parceiro” brasileiro, basta que veja nisso uma oportunidade de ganhar popularidade interna.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Um dia na vida de Madalena C. Sachsida, uma homenagem ao dia das mães

A madrugada já ia avançada, e era aquele o período mais frio do dia. Aquele momento onde as estrelas iam aos poucos sumindo, mas o sol ainda não dava indícios de surgir. Na escuridão já se podia ouvir o barulho no quarto dela. Depois outro barulho descendo as escadas, e mais outro do lado de fora da casa. Então o som da água e das roupas sendo lavadas. O silêncio no tanque prenunciava o barulho na cozinha, quando o café começava a ser preparado.

Apesar da pobreza, o uniforme da escola dos filhos encontrava-se impecável, o material escolar em ordem, e o desjejum pronto na mesa. Com a saída dos filhos para o estudo começava outra rotina: vestir e cuidar do marido doente. Depois disso limpar a casa e preparar o almoço. Então limpar a cozinha, e pensar como fazer para o pouco dinheiro ser suficiente para mais um almoço. Esse era seu momento mais difícil no dia, mas não havia tempo para lamentações. O que estava dado estava dado, não poderia ser mudado enquanto os filhos não crescessem, e fossem capazes de ajudar no orçamento. Ela sabia disso, se calava e voltava aos afazeres do lar. Um pão feito em casa e uma blusa de lã feita durante a noite, coisas simples mas que tinham um significado enorme: eram a garantia dos filhos não passarem fome e terem com o que se aquecer.

Naquele dia o filho mais novo fez uma prova e se saiu bem, a filha mais velha conseguiu uma carona e economizou o dinheiro do ônibus, o filho do meio contou uma boa piada que alegrou ao pai. E o pai sorriu. Sim, aquele foi um bom dia para ela. Os filhos estavam seguros e alimentados, o marido não havia passado mal, e assim mais um dia se terminava. Sim, esse foi um bom dia. Igual a este outros 5 mil se passariam até que a situação melhorasse.

Uma homenagem do Sachsida a sua mãe, e as mães de todo o mundo. Uma homenagem a essas mulheres maravilhosas que suportam todas as privações do mundo em troca da felicidade de seus filhos. Feliz dia das mães e muito obrigado!!!

*: o título é uma homenagem ao livro de Alexander Soljenítsin “Um Dia na Vida de Ivan Denisovich”.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Mais Besteiras sobre a Poupança

Os depósitos em poupança bateram novo recorde. Esse resultado esta sendo alardeado para mostrar que a poupança ainda conta com a preferência e confiança dos brasileiros.

MENTIRA. Prestem atenção: há algum tempo o governo vem estudando mudanças nas regras da poupança. Boatos sobre mudanças começaram a surgir com mais força nos últimos 2 meses. Sendo assim, o investidor fez o seguinte raciocínio:

"Se o governo mudar as regras de poupança ele irá mudar apenas para depósitos novos (não para os antigos). Mais que isso, o governo deve estar planejando novas quedas na SELIC. Dessa maneira, a melhor coisa que posso fazer é me antecipar ao governo e depositar mais recursos na caderneta de poupança".

BINGO!!! Foi exatamente isso que aconteceu. Os excelentes saldos da caderneta de poupança, registrados em março e abril deste ano, refletem apenas a antecipação do investidor a uma medida que já vinha sendo especulada pelo governo. Isto é, os saldos de abril e maio NÃO REFLETEM uma confiança na poupança APÓS a mudança de regras. Pelo contrário, refletem justamente a DESCONFIANÇA do investidor em relação ao governo.

Vamos ver o que irá acontecer com os depósitos em poupança no meses de maio e junho. Atenção, esses depósitos representam uma fonte importantíssima de financiamento para a casa própria. Quedas aqui se transferem para problemas no mercado imobiliário.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Uma Plataforma Liberal para Vereadores

Recebi um e-mail pedindo sobre idéias liberais para serem defendidas por vereadores. Abaixo escrevo minhas propostas que poderiam ser postas em prática por vereadores. Contudo, é bem provável que alguns discordem de mim.

1) Doação de terrenos públicos: não faz sentido o município ser dono de tantas terras. O melhor é doar isso em dois grandes blocos: a) para empresas (com o compromisso de produzirem e gerarem empregos num período inferior a dois anos, se isso não fosse feito o terreno voltaria para a prefeitura); e b) para pessoas que residem no município há mais de 10 anos. A doação de terrenos aumentaria a riqueza da cidade, aumentaria a arrecadação municipal (via recolhimento de mais impostos), e melhoraria o bem estar da população. Um único detalhe: doar terrenos significa dar o direito de venda para os futuros proprietários. Assim, quem não quisesse ficar com o terreno poderia vendê-lo. O Teorema de Coase se encarregaria de garantir que esse tipo de mecanismo geraria eficiência do ponto de vista econômico.

2) Não aceitar propostas que visem limitar a competição entre empresas. Recentemente, algumas cidades vem aprovando leis que diminuem a capacidade de novas empresas se instalarem na cidade. Isto reduz o dinamismo local, e estimula o cartel de empresas já estabelecidas.

3) Sempre que possível diminuir os impostos municipais pagos pelas empresas. Essa medida estimula o aumento da produção e do emprego, gerando riquezas e bem estar para a cidade.

4) Propor remuneração variável para professores da rede municipal de educação. Isto é, professores que cumprem metas (e não matam aulas) recebem salários mais altos. O mesmo deve ser aplicado para médicos da rede municipal (que costumam ter altas taxas de ausência do serviço).

5) Fazer parcerias com universidades para o treinamento da burocracia local (esse tipo de parceria costuma sair barato, e exerce forte estímulo para a qualificação dos funcionários da prefeitura)

6) Flexibilizar o horário de funcionamento do comércio, dando liberdade para que as lojas funcionem no horário que acharem mais conveniente. Isso gera mais empregos, aumenta a renda do trabalhador, aumenta o lucro do empresário, aumenta a arrecadação municipal, e melhora a situação do consumidor.
Em linhas gerais é isso. Fosse eu eleito seriam essas as medidas que iria defender.

Meu artigo no Ordem Livre: Mudanças nas regras da Poupança: Fatos, especulações e uma certeza

Segue meu artigo no Ordem Livre de ontem.

Fato 1: O governo não alterou o rendimento da caderneta de poupança, ele DIMINUIU tal rendimento. Alterar algo significa mudar; mudar implica que algo pode subir ou descer. No caso da caderneta de poupança, a nova regra é clara: o rendimento da poupança pela nova regra NUNCA será superior ao rendimento gerado pela regra antiga.

Fato 2: A imprensa é incapaz de noticiar CLARAMENTE que a nova regra DIMINUI o rendimento da poupança. Quando se diz que o rendimento antigo da poupança era um obstáculo à futuras quedas da taxa SELIC, a imprensa se recusa a ser clara: o governo diminuiu artificialmente a remuneração da taxa de poupança.

Fato 3: a poupança de uma pessoa pobre é feita de maneira mensal. O pobre poupa um pouco todo mês. Sendo assim, a nova regra da poupança DIMINUI o retorno da poupança dos pobres (vale para os ricos também).

Fato 4: o rendimento da poupança já era baixo no passado. A nova regra garante que o rendimento da poupança continuará baixo no futuro. Num país que precisa de poupança esse não me parece ser o melhor estímulo a ser dado.

Fato 5: a redução artificial da remuneração da poupança, dado que a taxa de juros sobre financiamentos imobiliários não se reduziu, aumentou o spread bancário dessa operação. O que parece ir na contramão das ideias originais da equipe econômica.

Especulação 1: o governo vai intervir novamente no mercado. Dessa vez para obrigar os bancos a reduzirem a taxa de juros sobre os empréstimos habitacionais.

Especulação 2: como a rentabilidade da poupança caiu, o montante de recursos futuros que seria investido na poupança também irá cair. Dado que aproximadamente 70% dos financiamentos habitacionais são feitos com recursos da poupança, irão se reduzir os recursos para financiamentos habitacionais.

Especulação 3: para estimular o mercado que ele mesmo havia desestimulado, o governo irá realizar operações entre BNDES e Tesouro para aumentar artificialmente os fundos para financiamento da casa própria. Provavelmente teremos estímulos a transações envolvendo os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI). No futuro, o CRI será para o Brasil o que os títulos sub-prime foram para a crise americana.

Certeza: esse governo NUNCA irá adotar a ideia mais simples e óbvia, para corrigir o problema, basta deixar a rentabilidade da poupança flutuar de acordo com as regras básicas do mercado. Isto é, por que o retorno da taxa de poupança deveria ser definido em lei? Definir em lei o retorno de um ativo financeiro é uma ideia errada.

domingo, 6 de maio de 2012

A Poupança e a Bagunça do Governo

No Brasil a remuneração da poupança é fixada em lei. Tal absurdo passou a ser um empecilho para novas quedas da taxa SELIC. A alternativa mais óbvia é deixar a remuneração da poupança ficar livre. Isto é, deixar o mercado definir a taxa de juros dos depósitos em poupança. O que fez o governo: mudou a lei para novos depósitos de poupança. Essa nova lei DIMINUI (mantém igual o rendimento apenas enquanto a selic estiver acima de 8,5% ao ano) o rendimento da poupança.

A medida do governo tem vários efeitos colaterais que a “brilhante” equipe econômica esqueceu de analisar. Primeiro, com a redução do retorno da poupança, mas com os juros habitacionais no mesmo patamar, o spread dessa operação aumentou. Traduzindo: o lucro dos bancos aumentou. Nada contra os bancos lucrarem, mas tudo contra lucros artificiais que decorrem não da competência privada, mas sim da incompetência de medidas legais adotadas pelo governo. Segundo, como o spread dessa operação aumentou, cria-se uma enorme pressão para o governo intervir novamente nesse mercado. Dessa vez, criando maneiras artificiais para reduzir os juros habitacionais.

Terceiro, com a expectativa de queda nos juros habitacionais, o mercado imobiliário provavelmente vai ficar congelado nas próximas semanas. Isto ocorre pois todos apostam que o governo vai intervir no mercado, reduzindo a taxa de juros das operações de financiamento imobiliário. Com a queda na demanda por imóveis, aumenta-se a pressão para o governo reduzir artificialmente os juros do financiamento habitacional. Quarto, quando o governo reduzir a taxa de juros dos financiamentos imobiliários haverá um tremendo aumento por novos financiamentos (não só para a compra de novos imóveis, mas também para trocar o financiamento antigo por um novo (que terá uma taxa de juros mais baixa)).

Quinto, como a remuneração da poupança irá cair, a entrada de novos recursos para a poupança também vai cair. O que irá comprometer o financiamento da casa própria (algo como 70% do financiamento habitacional são feitos com recursos da poupança). Isso obrigará o governo a cometer mais uma distorção: terá que criar um novo mecanismo para financiar a crescente demanda por financimento imobiliário. Eu até sei qual mecanismo o governo irá adotar: recursos do BNDES (leia-se Tesouro) para financimento de imóveis. Além disso, aposto como o governo irá também tentar estimular o mercado para Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI). Apenas para constar, o CRI será no futuro a origem de nossa crise sub-prime.

Enfim, tanta bagunça apenas para tomar uma medida que tem vida curta. Ou alguém acredita que a inflação não irá obrigar o Banco Central a aumentar, em breve, a taxa de juros?

sexta-feira, 4 de maio de 2012

O Que o Sachsida Pensa Sobre o Aquecimento Global

Já escrevi muito aqui sobre o aquecimento global. Obviamente, essa é mais uma farsa que alguns tentam vender como ciência. Digo e repito: é mais provável o mundo esfriar do que ficar mais quente. Sigam os posts e vejam no final o que diz um especialista em climatologia.

1) Em 02 de dezembro de 2007 mostro que a idéia de que o aquecimento global é causado pelo homem está longe de ser um evento comprovado. Existem problemas enormes para tal verificação. Além disso, boa parte dos estudos que alertam sobre os perigos do aquecimento global são puro chute.

2) Em 20 de abril de 2010 mostro que a idéia de aquecimento global passou a ser um bode expiatório. Choveu? Fez sol? Fez frio? Para determinadas pessoas não importa o que aconteça, tudo é culpa do aquecimento global.

3) Em 08 de dezembro de 2009 escrevo sobre o aquecimento global concentrando poderes na mão da burocracia. Nesse post mostro a absurda concentração de poderes, para legislar sobre a emissão gases, na mão de uma pequena burocracia (que está longe de ser isenta de interesses).

4) Em 11 de julho de 2010 eu mostro a única evidência válida a respeito da tese do aquecimento global. Afinal, só mesmo o aquecimento global para explicar o fato da Espanha vencer uma copa do mundo de futebol.

Agora neste link, peço ao leitor que compare minhas observações com a de um especialista em climatologia...
pra variar o Sachsida acertou mais uma!!!

As mulheres, o poder, e nossa poupança

Zelia Cardoso de Melo meteu a mão na poupança do brasileiro.... agora Dilma Roussef faz o mesmo.... seria esse um fetiche das mulheres que detém o poder???

O Blog do Sachsida tem uma sugestão: se é pra meter a mão na poupança, sugiro a Ana Hickerman pra Ministra da Fazenda!!!!!

Se o Brasil ainda tivesse oposição teria começado hoje mesmo a campanha: "Dilma, tire a mão da poupança do Brasileiro!!!" Mas oposição por aqui é coisa rara.

Bom, se alguém se interessar, a opinião do Sachsida sobre a poupança é a mais simples de todas: a taxa de remuneração da poupança deveria ser determinada pelo mercado, e não pelo governo. Mas, como sempre, essa opção é a única que não é analisada pela equipe econômica.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Um post antigo sobre Spread Bancário no Brasil

Em 2 de fevereiro de 2009 eu escrevi o texto abaixo. Em virtude da atual polêmica sobre as taxas de juros brasileiras, acredito que o post seja relevante. Vale a pena reler. Parece que em 2009 esse blog já mostrava o que deveria e o que não deveria ser feito...

O spread é a diferença entre a taxa de juros que o banco paga para receber recursos e a taxa que ele recebe por seus empréstimos. Por exemplo, se você colocar 1.000 reais numa aplicação financeira receberá algo em torno de 1% ao mês de rendimento. Contudo, se ao invés disso você precisar tomar emprestado 1.000 reais do banco irá pagar por esse empréstimo algo em torno de 7% ao mês. Essa diferença entre taxas é o que chamamos de spread. Em nenhum lugar do mundo o spread bancário é tão alto quanto no Brasil.

Existem pelo menos 3 argumentos para explicar o porque do spread bancário brasileiro ser tão alto. Em primeiro lugar a legislação brasileira protege demais o devedor. Quanto maiores forem a proteção aos devedores, mais difícil aos credores é recuperar uma dívida. Assim, o risco do empréstimo aumenta, o que afeta diretamente o spread. Em segundo lugar vários tributos incidem sobre a atividade financeira, nada mais natural que parte desses tributos sejam repassados aos consumidores por meio do spread. Em terceiro lugar a atividade bancária brasileira é extremamente concentrada. Com pouca competição os bancos conseguem cobrar mais por seus serviços.

De maneira simples, o spread bancário no Brasil é alto por causa de uma legislação inadequada em conjunto com um ambiente pouco competitivo. Os acontecimentos recentes no setor bancário com a fusão entre grandes bancos só tende a agravar esse quadro. Dessa maneira, é difícil de entender a atitude do governo brasileiro que parece celebrar a união entre bancos, e consequente redução da competição.

A redução do spread bancário passa necessariamente por uma mudança na legislação brasileira. Mas também é necessário aumentar a competição entre bancos. Contudo, devemos entender que o aumento da regulação bancária implica na redução da competição. Ambientes muito regulados costumam não raras vezes exigir garantias e procedimentos que só podem ser fornecidas por grandes corporações, afastando as pequenas empresas e diminuindo a competição. Dessa maneira, a crescente demanda de determinados setores por um aumento da regulação do setor financeiro irá inevitavelmente aumentar os spreads.

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