terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Coréia do Norte: A Culpa é dos Humanistas

Em 31 de maio de 2009 escrevi o post abaixo. Antes de ler o post abaixo, leia essa notícia publicada hoje no Daily Mail: North Korean parents 'eating their own children' after being driven mad by hunger in famine-hit pariah state (tradução: Pais Norte-Coreanos comem os próprios filhos em decorrência da fome....).

Coréia do Norte: A Culpa é dos Humanistas

Num post polêmico me posicionei contra a ajuda humanitária a países que não preservam a liberdade econômica de seus cidadãos. O argumento é simples: regimes totalitários sempre enfrentam algum tipo de resistência interna, e a força dessa resistência cresce com resultados ruins do regime. Assim, ajudar países que não respeitam a liberdade econômica implica em diminuir a força da oposição interna ao regime. Tempos de crises, catástrofes e episódios tristes são a melhor chance da oposição derrubar o regime autoritário. Ajudar países totalitários nesses episódios apenas aumenta a chance do regime antigo permanecer no poder, e realizar um mal maior ainda no longo prazo.

A Coréia do Norte é um exemplo claro de meu ponto: por anos sua população foi quase dizimada pela fome. Não fosse pela ajuda humanitária simplesmente não haveria comida no país. Sem comida a força do regime teria decaído exponencialmente, e mudanças se tornariam obrigatórias. A oposição ao regime, e o clamor por liberdade, ganhariam força. Contudo, anos de ajuda humanitária internacional impediram esse movimento, e serviram para consolidar a posição do regime comunista norte-coreano.

A idéia da comunidade internacional ao dar comida para um inimigo em potencial era de que isso tornaria o governo norte-coreano mais simpático, e menos inclinado a se envolver em conflitos armados com sua vizinha Coréia do Sul. Essa política de ajuda humanitária a regimes que não preservam a liberdade econômica já se mostrou errada. Ajudar tais ditaduras apenas fortalece o ditador local, e mantém a população refém de um regime fracassado. A maior parte dos ditadores assume que a ajuda humanitária é um sinal de fraqueza da comunidade internacional, e não como sinal de gentileza e boa intenção.

Selvagens não são capazes de compreender conceitos nobres como piedade e gentileza para com os adversários. Selvagens entendem apenas uma linguagem: força bruta. Selvagens não são piedosos, se eles não destróem seus inimigos isso se deve apenas a sua incapacidade física para tal, e não a algum conceito moral mais elevado. Selvagens assumem que seus inimigos são como eles, ou seja, se o inimigo não os destrói é porque não pode (e não porque não quer, ou acha errada esse tipo de intervenção). Dessa forma, regimes selvagens confundem a caridade internacional com um sinal de fraqueza. Daí suas incessantes demandas, cada vez mais exorbitantes, mediante cada nova concessão internacional.

Por anos a Coréia do Norte gastou quase todos seus recursos produzindo armas, ao invés de alimentos. Tivesse a comunidade internacional se recusado a ajudar e o problema norte-coreano já teria sido resolvido. Claro que haveriam custos, mas estes seriam bem menores do que os que estão prestes a se materializar. Só existe uma maneira de ajudar o povo norte-correano: parar de ser gentil com seu governo, e deixar a oposição local em posição de força para realizar suas demandas.

3 comentários:

Anônimo disse...

Na década de 20 a fome grassou pela Rússia. E os ocidentais, é lógico, doavam alimentos, que eram distribuídos sob a gerência do governo comunista, que é lógico que atribuía a si o mérito da distribuição dos alimentos a quem podia, e quanto aos que morriam de fome culpava os inimigos do regime... É o óbvio.

Anônimo disse...

Os posts sobre as besteiras que o governo brasileiro está fazendo já estão agendados para serem repostados em 2016?

Anônimo disse...

Dr. Adolfo,
o caso da Caoreia do Norte merece uma análise mais detalhada. Quem mais fornece comida para eles é a China, não por razões humanitárias. Os chineses bancaram o pesadelo comunista norte-coreano como corolário da Guerra Fria, uma espécie de gêmeo simétrico do apoio americano à Coreia do Sul. Não custa lembrar que a parte norte era industrializada e rica, enquanto a porte sul da Coreia era pobre e rural. Que coisa, não é?
Sds.,
de MarceloF

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