quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Lula, a Caverna do Dragão, e o Retrato de um Sério Problema Moral


Na minha infância o desenho “Caverna do Dragão” fazia considerável sucesso. Em determinado episódio o arqueiro, que era o líder do grupo, se calou quando viu o cavaleiro fazendo algo errado. O arqueiro foi então repreendido pelo guia espiritual do grupo, e se defendeu dizendo “Mas não fui eu quem cometeu o erro”. Em resposta, o guia espiritual apenas disse “Um líder nunca deve abrir mão da liderança”. Princípio moral este que guardo comigo até hoje.

Há 60 dias o ex-presidente Lula está calado. Não fala com a imprensa. Sumiu do mapa para não ter que responder questões sobre corrupção em seu governo. Vejo pessoas comentando “Lula é muito esperto, excelente político, saiu de cena na hora certa”, e coisas do gênero. De maneira equivalente, vejo governadores que desaparecem durante momentos de crises em seus respectivos estados. Apenas para não serem associados a catástrofes. Vejo também ministros de Estado que somem quando problemas em seus ministérios ganham vulto. Prefeitos, em número expressivo de casos, fazem o mesmo.

O parágrafo acima é o retrato de um problema moral que está se perpetuando: os líderes se escondem quando mais se precisa deles. Mas, que tipo de líder é esse que desaparece na hora do perigo? Pois são essas lideranças que estão hoje no comando do Brasil. Fica evidente que algo de moralmente grave esta minando a sociedade brasileira.

O que descrevi acima ocorre não apenas com governantes, mas em várias instâncias de nossa sociedade. Hoje pune-se o líder voluntarioso, pune-se o líder proativo, punem-se os indivíduos que dão a cara a tapa e se expõem ao perigo. De maneir equivalente, aquela pessoa que se esconde dos problemas é admirada como alguém inteligente.

Quando uma sociedade pune os voluntariosos e recompensa os covardes isso tem sérias implicações econômicas. Mas, pior do que isso, o vazio moral gerado por esse sistema de incentivos acaba por destruir também as lideranças proativas, e aumenta o número de líderes que se escondem quando mais são necessários. Esse é o retrato moral do Brasil de hoje, um país sem governo e sem oposição.

4 comentários:

Anônimo disse...

Obrigado por compartilhar alguns princípios, Sachsida!
Muito bom!

Talvez seja essa a diferença que alguns observam entre os líderes e os meros chefes.

Um abraço!

Anônimo disse...

Infelizmente não tem nenhum mestre dos magos para guiar esse pessoal ao caminho da honestidade.

JV disse...

Touché!

Dawran Numida disse...

E o pior é a sensação de que isso nunca será superado no Brasil, ao menos no setor público.
Aqui, inteligência, perdeu lugar para esperteza e esta, ficou valendo tanto quanto atos canalhas. Quando isso acontece, algo está indo realmente muito mal.

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