sexta-feira, 17 de maio de 2013

Novas Cotas?

Como eu sempre avisei, políticas de cotas começam sempre localizadas e transitórias, apenas para se espalharem por todas as atividades e virarem permanentes.

O CNPQ passou a EXIGIR que os pesquisadores respondam a questão RAÇA no cv Lattes. Qual a razão disso? É evidente que o CNPQ planeja estudos para verificar a proporção de brancos, negros, índios, amarelos, e outros, entre os que recebem bolsas, ou preenchem o cv lattes. Claro que estudos que verificam a presença de discriminação demandam esse tipo de informação. Então, a priori, pode-se argumentar que o CNPQ estaria apenas cumprindo com sua função de garantir a não ocorrência de discriminação na distribuiçao de suas bolsas. O que certamente é positivo.

Infelizmente, a maior parte dos estudos sobre discriminação são tecnicamente mal feitos. Uma série enorme de procedimentos estatísticos são desprezados, desde que o resultado aponte o que é politicamente correto, isto é, a ocorrência de discriminação contra negros. Interessante notar que nunca se encontra discriminação contra amarelos. Mesmo estudos de ponta, com procedimentos estatísticos sofisticados, são incapazes de afirmar a existência de discriminação. No máximo são capazes de apontar a ocorrência de diferenciais não-explicados pelo modelo.

As políticas de ação afirmativa (cotas entre elas), procuram resolver um problema sério: discriminação contra minorias. Infelizmente, toda vez que seu fracasso fica evidente não se abandona a idéia, pelo contrário, atribui-se o fracasso a falta de intensidade da mesma. Ou seja, ao fracasso de uma ação afrimativa segue-se outra mais ampla e mais duradoura. Parece que dessa vez chegou a hora do CNPQ. Mas em breve chegará a vez dos concursos públicos, dos cargos políticos, e, como besteira pouca é bobagem, cotas para conselhos de administração de empresas estatais e Sociedades Anônimas.

8 comentários:

Erik Figueiredo disse...

Nao custa lembrar que o cnpq adota o sistema de cotas para os pesquisadores do Norte e Nordeste.

Wilson Lira Cardoso disse...

Eu tambem concordo que cotas para a pos-graduacao seria um grande exagero, mas dizer que nao podemos tomar nenhuma atitude porque estatisticamente não eh possivel capturar se existe racismo ou não já eh forcar a barra. Obviamente existe um default entre brancos e negros no ensino superior, basta in no bandeijao da USP e tentar contar o numero de negros nos dedos da sua mao direita. Mas com certeza o criterio de selecao deveria ser socio-economico e nao racil

Giovani disse...

Hoje eu recebi um formulário de atualização de dados da universidade federal onde trabalho, e neste formulário, consta a mesma pergunta que aparece no formulário do CNPq.

samuel disse...

Wilson, E A COMPETÊNCIA? Estamos trocando competência, conhecimento, eficiência por uma disputa de cores.
0,9% de crescimento ao ano? Ainda é um milagre!

Dawran Numida disse...

Até em bulas e exames clínicos de sangue aparecem intervalos de resultados caso o paciente seja "afro-descendente".
Gostaria de saber se um filho de um descendente de "böer" ou de "afrikaner", nascido no Brasil seria afro-descentende e benficiário de cotas.
Ou será que afro-descendentes são só aqueles de ascendência "negra" e "africana" no Brasil e EUA?
Que sejam retiradas essa coisas. Se houver preconceitos na concessão de bolsas, que seja aplicada a CF e as leis cíveis e criminais sem penduricalhos.
Só que isso já foi "pendurado" na CF e nas leis. Mas, se houver seriedade, poderão ser retirados e o Brasil poderá ser colocado no rol de países e não de quadro borrado de tintas.

Anônimo disse...

Os amarelos não sairam da escravidão no Brasil a pouco mais de 100 anos. Não seria isso um fato relevante não?
O negro saiu a pouco mais de 100 anos de um regime escravocrata no Brasil, sem eira e nem beira, sofrendo preconceito até em colocar um dos seus filhos na escola.
Sou branco, mas reconheço muito bem isso. Se a cota é certa ou não ou não sei, mas dar oportunidade é criar espaço no futuro para não necessitar mais de cotas.

Dawran Numida disse...

Anônimo de 18 de maio de 2013 15:06.
Não trata-se de ver em "amarelo" ou "preto", com nuances no meio.
Na Democracia, a universalização do ensino seria a melhor solução. Investir pesado do berçário ao segundo grau.
Cada R$ investido assim, daqui a 50 anos, com certeza, dará cátedra a seu primeiro doutor.
Como o tempo já foi perdido desde 2003, agora, se for olhar se o estudante tem ascendência da Charlize Theron ou a de Patrice Lumumba, não vamos chegar a lugar algum.
Por exemplo, criar uma secretaria com "status" de ministério para cuidar de questões raciais e esta unidade administrativa querer censurar livro de Monteiro Lobato, ou tentar colocar notas de rodapés, ou dizer que os professores não estariam preparados para ministrar aulas com base em tais escritos, sinto muito. É um pouco demais, não é?
Que acabem logo com essa coisa de cotas, secretarias e censura de obras consagradas.

Dawran Numida disse...

Além do que, com o andar das coisas, para o lado bom da coisa, logo os pais de um criança no berçário, ou um pré-adolescente de segundo grau, poderá ser um indivíduo adotado ou gerado "in vitro" por casais de mesmo sexo.
E ai? Como fazer?
Criar cotas para filhos de "homoafetivos"?

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