terça-feira, 30 de abril de 2013

A Redução da Maioridade Penal

Acredito que dois pontos devem ser cuidadosamente endereçados na questão da maioridade penal. Primeiro, sua possibilidade constitucional; e segundo, sua operacionalização.

Em primeiro lugar é necessário verificar se a idade da maioridade penal, 18 anos, é cláusula pétra da Constituição Federal. Se for só é possível alterá-la por meio de uma assembléia constituinte. Nesse caso, acho melhor deixar como esta. Com a força que o PT tem hoje é um risco muito alto qualquer proposta que altere cláusulas pétreas da Constituição. Afinal, sabe-se mais o que pode ser mudado... numa dessas damos adeus a liberdade de imprensa e a separação de poderes. Só sou favorável a redução da maioridade penal se esta puder ser feita sem a convocação de uma Assembléia Constituinte.

Em segundo lugar, a operacionalização da redução da maioridade penal. Não faz sentido reduzir a maioridade penal para 16 anos. Isso implicaria no mesmo tipo de problema que temos hoje: jovens de 15 anos cometeriam ou assumiriam os crimes. O correto é um esquema misto: a) qualquer pessoa acima de 16 anos é automaticamente julgada como maior de idade; e b) indivíduos abaixo de 16 anos poderiam ou não ser julgados como adultos, isso dependeria do tipo de crime praticado. Isto é, manteria-se aberta a possibilidade de julgar menores de 16 anos como adultos, a depender da gravidade do crime praticado.

Por fim, por enquanto o PT ainda não viu essa bela oportunidade de acabar com a democracia. Em breve os petistas vão se tocar de que a redução da maioridade penal só é possível por alteração de cláusula pétrea da Constituição. Com isso, poderão usar este argumento para convocar uma nova Assembléia Constituinte, mudando então a Constituição a seu bel prazer. Acho menos arriscado ficarmos como estamos.

domingo, 28 de abril de 2013

VideoCast do Sachsida: As Duas Grandes Contribuições de Karl Marx para a Humanidade


Neste videocast eu explico quais foram as duas grandes contribuições de Karl Marx para a humanidade.

Obrigado Sérgio Malucelli!!!

Em instantes o Londrina entre em campo para enfrentar o Coritiba. Se vencer, e o Atlético empatar, o Londrina estará na final do campeonato paranaense.

Ganhando ou perdendo, não importa o resultado, esse post é um agradecimento a Sérgio Malucelli. Obrigado por trazer o TUBARÃO de volta.

Sou torcedor de carteirinha. Desde meus 4 anos de idade meu pai me levava para ver o LEC jogar. Quando morei nos Estados Unidos ouvia os jogos do Londrina pela internet. Hoje, morando em Brasília, faço o mesmo. Acompanho sempre o TUBARÃO.

Há alguns anos atrás eu acompanhava a situação crítica do LEC. Com seu destino sendo decidido na justiça. Me lembro de torcer para que o Sérgio Malucelli conseguisse administrar o LEC. Mas a justiça decidiu diferente. Decidiu entregar o TUBARÃO para um grupo de sao paulo. Fiquei triste, pensava comigo: esse Sérgio Malucelli é craque, por todo lugar que passou criou grandes times, e ele só passou por times bem menores que o Londrina... imagina o que esse cara não faria a frente do TUBARÃO!!!

Surge então a boa notícia!!!! O grupo de sao paulo não foi capaz de cumprir as exigências, e o TUBARÃO foi entregue a Sérgio Malucelli!!! Vibrei!!!! Sabia que era questão de tempo pro TUBARÃO voltar. Em 2011 o LEC estava na segunda divisão do paranaense. Em seu primeiro ano a frente do LEC, Sérgio Malucelli nos conduziu de volta a primeira divisão do paranaense. Em 2012 o objetivo era conseguir uma vaga para a quarta divisão do Campeonato Brasileiro. Não deu... não me abati, já sou velho o suficiente para entender que na vida, às vezes, fazemos tudo certo e as coisas dão errado... foi o que aconteceu em 2012. Mas eu sabia: estávamos no caminho certo. Pé no chão e passo a passo.

Em 2013 o resultado apareceu: conseguimos a vaga para a série D desse ano, e a vaga para a Copa do Brasil em 2014. Desde 2011 eu comento com meus amigos, aguardem o TUBARÃO!! Esse Sérgio Malucelli é craque, vai nos levar de volta para a elite nacional. Pé no chão e passo a passo!!!

Daqui a pouco o Londrina entra em campo, não importa o resultado, obrigado Sérgio Malucelli. O TUBARÃO voltou!!!!

sábado, 27 de abril de 2013

Até quando?

MAIS de 50 mil ASSASSINATOS por ano. Até quando iremos achar isso normal?

O Congresso Nacional tentando dar um cala-boca no STF. Até quando iremos achar isso normal?

2 mensaleiros condenados no STF na Comissão de Constituição e Justiça. Até quando iremos achar isso normal?

Um país governado por medidas provisórias. Até quando iremos achar isso normal?

Uma equipe econômica absurdamente incompetente. Até quando iremos achar isso normal?

Bilhões de reais gastos com estádios de futebol enquanto não temos dinheiro para creches. Até quando iremos achar isso normal?

Bilhões de reais transferidos da população para os iluminados escolhidos pelo BNDES. Até quando iremos achar isso normal?

Vítimas sendo tratadas como se criminosos fossem. Até quando iremos achar isso normal?

A livre imprensa sendo tratada como inimiga de Estado. Até quando iremos achar isso normal?

O honesto tendo que se esconder, enquando bandidos andam a luz do dia. Até quando iremos achar isso normal?

Alunos batendo e ofendendo professores em sala de aula. Até quando iremos achar isso normal?

O problema do Brasil é muito mais sério do que um simples problema econômico, é um problema moral. Parece que estamos atordoados, perdemos nossa capacidade de indignação. Meus amigos, eu vos digo, isso não é normal. Ou nos revoltamos, ou nos levantamos e lutamos por nossos princípios, ou irá sobrar bem pouco desse país para nossos filhos e netos.

O Brasil é um país doente, e se nós não o curarmos, podem ter certeza que, em breve, um ditador por aqui estará dando as cartas. O Brasil está pronto para uma ditadura. Está na hora de traçarmos uma linha e dizer de maneira clara e inequívoca: daqui não passarão. E, sendo bem honesto, já recuamos demais. Já aceitamos absurdos demais. Não me refiro apenas a darmos um basta no PT. Devemos dar um basta também em seu opositor mais solene, o PSDB.

Já passou da hora de nos indignarmos. Até quando iremos achar isso normal?

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Por que a Revolta Contra o Congresso? O STF fez o mesmo e a sociedade se calou!


A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara (CCJ) aprovou nesta quarta-feira a admissibilidade da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que submete algumas decisões tomadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) ao poder Legislativo”.

A decisão acima esta revoltando a todos. Afinal, é uma intromissão direta do poder legislativo sobre o poder judiciário. Sou TOTALMENTE CONTRA essa decisão. Contudo, sejamos honestos: essa briga começou por culpa do Supremo Tribunal Federal (STF). Foi o STF, sob a desculpa de leniência do legislativo, quem primeiro violou o princípio constitucional de independência dos poderes.

A aprovação do casamento entre homossexuais e a questão do aborto eram assuntos claramente de alçada legislativa. Era o Congresso Nacional quem deveria decidir sobre esses assuntos. Não cabia ao STF ter alterado a Constituição Federal para tornar legal tais atos.

O que a CCJ fez hoje foi exatamente igual ao que o STF fez no passado: violou o princípio constitucional da independência dos poderes. No passado a sociedade se calou sobre tal violação. Por que se espanta que o Congresso tenha reagido? Alguém realmente acreditou que o Congresso ficaria inerte frente ao comportamento inadequado do STF?

O STF tem que parar de querer legislar. E o Congresso Nacional tem que parar de querer julgar. Mas não cometamos injustiças: a briga atual começou por uma afronta clara do STF, que decidiu tomar para si a tarefa que cabe ao legislativo. Nesse ritmo caminharemos firmes e fortes para uma ditadura.

OBS: na CCJ estão presentes os mensaleiros João Paulo Cunha e José Genuino ambos condenados pelo STF. O Sachsida avisou desse risco aqui, mas os bacanas da mídia preferiram protestar contra o Feliciano...

Videocast do Sachsida: Desoneração Tributária e Cesta Básica


Videocast do Sachsida: Por que a desoneração tributária não reduziu o preço da cesta básica?

terça-feira, 23 de abril de 2013

Tem Algo de Podre no Reino do BNDES

Vamos direto ao ponto: o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, disse que a política de campeões nacionais foi encerrada pois “chegou até onde poderia ir”. Resumindo, tal política teria sido encerrada pois atingiu seu limite, não havendo outros setores que poderiam se enquadrar nessa definição. Vejamos, o BNDES considera frigoríficos (JBS e Marfrig), laticínios (Lácteos Brasil), a Oi, e o que quer que seja produzido nas empresas de Eike Batista (se alguém descobrir por favor me avise) como campeões nacionais, cá entre nós, com um rol de campeões desses não é difícil encontrar outras empresas, ou outros ramos, para o BNDES apoiar.

Me parece evidente que o real motivo do BNDES ter abandonado a política de campeões nacionais foi outro. Também não adianta argumentar que essa política gerou prejuízos ao banco. Afinal, desde o começo, um grande número de especialistas já criticava essa estratégia (que aliás já havia sido implementada e fracassado na década de 1970). Além disso, com os recorrentes aportes e ajuda governamental às empresas de Eike Batista, fica difícil argumentar que “apenas” alguns bilhões de prejuízo são suficientes para fazer o governo mudar de idéia. Também não adianta argumentar que o BNDES mudou de estratégia por medo da instalação de alguma CPI. O governo goza de esmagadora maioria no Congresso, se nem a Delta é investigada não será o BNDES que irá ser.

Em minha opinião, algum sinal amarelo acendeu no BNDES. Se eu tiver que arriscar, diria que o dinheiro está acabando. Fizeram as contas e notaram que não há muito mais recursos. Talvez o Tesouro já esteja com dificuldades de manter o ritmo dos aportes; ou talvez essa seja uma estratégia para diminuir o fluxo de investimentos agora para poder aumentá-los durante a campanha presidencial do ano que vem. Não importa o motivo, mas parece que finalmente a ficha caiu no BNDES: os recursos são escassos.

A política de campeões nacionais do BNDES foi um grande equívoco. Tal erro custou bilhões de reais aos contribuintes brasileiros. Mas não foi isso que levou o BNDES a terminar com esse programa. Tem algo de podre no reino do BNDES.

Videocast do Sachsida Recebe CERTIFICAÇÃO INTERNACIONAL!!!

Caros Amigos,

Com muita alegria comunico que meus videocasts receberam certificação internacional. Talvez pareça pouco para pessoas fora desse meio, mas apenas para dar uma idéia a vocês: a Universidade de Harvard tentou e NÃO CONSEGUIU obter essa certificação!!!

Clicando aqui você verá a Certificação internacional de meus vídeos.

domingo, 21 de abril de 2013

Que tal ouvir o índio? Chega de condenar os índios à miséria!!!

O post abaixo foi escrito em 01 de junho de 2011. Me digam, estou errado?

A Questão Indígena

Um dos grandes desastres sociais de nosso país, também é o de mais fácil solução. A questão indígena só é um problema devido ao enorme número de indigenistas, isto é, pessoas que vivem basicamente da desgraça do povo indígena. Estes “especilistas” acreditam, sinceramente, que sabem o que é melhor ao povo indígena do que o próprio índio.

O povo indígena no Brasil é miserável (abaixo de pobre), vive em condições horrorosas pelos padrões de nossa sociedade: passam fome, frio, tem baixo nível educacional, péssimas perspectivas de crescimento futuro, e são assolados por doenças. Não bastasse isso, as taxas de homicídio entre os indígenas também é alta. Exatamente por que os indigenistas querem manter o status quo do povo indígena? Para que alguém quer manter o povo indígena em tal estado de miséria?

A maneira mais simples de resolver a questão indígena é permitir que os índios vendam suas terras. Vejam o caso da Reserva Raposa do Sol, os indigenistas geraram miséria. Como mudar isso? Simples, basta permitir que os índios vendam parte de sua propriedade. Com direitos de propriedade bem estabelecidos, o próprio mercado se encarregaria de trazer as oportunidades de volta a região. Os agricultores e pecuaristas poderiam comprar ou arrendar a terra dos índios, e se beneficiariam com a renda da terra (o que simplesmente não ocorre hoje).

Outro exemplo é o setor Noroeste em Brasília. Essa região é super nobre, os imóveis (ainda por construir) estão avaliados em valores superiores a R$ 10 mil o metro quadrado. Nessa região havia um grupo indígena. Qual era a solução óbvia? Simples, permitir que eles mesmos vendessem sua parte no terreno, e ganhassem alguns milhões. Mas a solução encontrada foi outra: realocaram os índios para outra região, mantendo-os na mesma miséria.

Propriedade privada implica no direito de venda. Qual o problema de permitir que os índios vendam suas propriedades e usem seu dinheiro em benefício próprio? Aliás, 500 anos de convivência com o homem branco já se passaram, não está na hora de permitir que os índios se beneficiem das vantagens da civilização? Que tal, ao invés de perguntarmos a “especialistas”, perguntarmos diretamente aos índios o que eles querem? Será que os índios querem mesmo viver isolados da civilização?

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Sachsida, o polêmico

Tenho fama de ser um cara polêmico. Então vamos ver minhas opiniões:

1) Aborto: CONTRA

2) Descriminação das Drogas: CONTRA

3) União Civil entre Homossexuais: A FAVOR

4) Casamento entre Homossexuais: CONTRA

5) Regimes Ditatoriais: CONTRA

6) Eutanásia: A FAVOR (eu estava errado em ser favorável a eutanásia. Aqui segue meu pedido de desculpas: Eutanásia: um pedido de desculpas)

7) Pena de morte: CONTRA

8) Leis específicas (Maria da Penha, ECA, etc.): CONTRA (leis devem ser gerais)

9) Política de ações afirmativas (cotas entre elas): CONTRA

10) Globalização: A FAVOR

11) Controle da mídia: CONTRA (a liberdade de expressão é fundamental)

12) Comunismo/Socialismo: CONTRA

13) Liberdade Econômica: A FAVOR

14) Terrorismo: CONTRA

15) Melhor país do mundo: Estados Unidos

16) Pior país do mundo: Coréia do Norte

17) Brasil: precisamos melhorar MUITO.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Diretor de Política Monetária do BACEN foi CONTRA o aumento da taxa de juros....


Amigos, vamos com cuidado... o BACEN tem uma equipe técnica excelente. Mas é chocante saber que o diretor de política monetária do BACEN votou contra o aumento da taxa SELIC (que aliás foi baixo, deveria ter sido no mínimo de 0,5 pontos percentuais). O que será que se passa na cabeça do diretor de política monetária do BACEN????

Segue trecho da reportagem de O GLOBO:

"Numa decisão sem unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) subiu a Taxa Selic em 0,25 ponto percentual. Com isso, os juros passaram para 7,5% ao ano. A decisão teve o apoio da presidente Dilma Rousseff, mas dividiu a cúpula do BC. Seis diretores foram favoráveis à alta dos juros e dois votaram contra. E justamente o responsável pela política monetária, Aldo Mendes, ficou entre os dissidentes. Para tomar a decisão, o Copom avaliou que a alta de preços é generalizada, mas ponderou que, diante das incertezas, a política de combate à inflação tem de ser feita com “cautela”".

Da frase acima depreende-se que:

1) A Presidente da República tem que autorizar os movimentos do BACEN.... (por que será que ninguém se escandaliza com essa interferência direta???)

2) A pessoa que, na teoria, sabe tudo de política monetária, o diretor de política monetária do BACEN, foi contra esse aumento (novamente repito: aumento insignificante para os propósitos de combater a inflação).

3) Agora o BACEN recomenda CAUTELA no combate a inflação.... pensei que deveríamos ter cautela com a inflação, e não cautela em combatê-la....

O aumento de 0,25 pontos percentuais é baixo para alterar as expectativas de inflação. Dá a impressão de que o BACEN não esta nem aí para o combate a inflação. Afinal, como o próprio BACEN afirma "a política de combate à inflação tem de ser feita com “cautela"". A impressão que o BACEN passou foi de que só aumentou os juros para dar uma satisfação para a sociedade, do tipo "olha eu tentei, mas não deu certo". Esse comportamento do BACEN é inaceitável.

Combater a inflação é coisa séria, requer medidas impopulares no curto prazo. O aumento da SELIC deveria ter sido de pelo menos 0,5 pontos percentuais. O diretor de política monetária deveria estar pressionando por um aumento de 0,75 p.p.. Aumentar a SELIC em 0,25pp apenas pressiona as contas públicas, e não tem os efeitos desejados contra a inflação. Ou seja, é o pior dos dois mundos.... não se combate a inflação e se pioram as contas públicas.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Sachsida no Youtube: Siga meu Canal!!!


Além do blog, estou também mantendo um canal no Youtube. Se vocês puderem me ajudar a divulgá-lo em suas redes socias, ficarei agradecido!!!

Meu nome é Adolfo Sachsida e eu espero que você tenha gostado!

Link para meu canal: http://www.youtube.com/channel/UCdivG5uywW1-UHNG5NGpExQ

Entrevista com Daniel Marchi

Daniel Marchi é economista graduado pela FEA USP Ribeirão Preto. Participou em 2012 do Mises University, programa de aprofundamento em Escola Austríaca oferecido pelo Mises Institute em Auburn, Alabama. Coordena as atividades do Grupo de Estudos da Escola Austríaca de Brasília, que realizará nos dias 19 e 20 de abril o II Encontro de Escola Austríaca.

1) Qual é a contribuição da Escola Austríaca de Economia para a Teoria Econômica?

Várias. É possível lista-las conforme a ordem cronológica dos principais teóricos da Escola Austríaca (EA). Carl Menger foi um dos três autores, independentes entre si, a consolidar a teoria do valor conforme a utilidade marginal, em 1871. Pouco se fala, mas Menger foi o principal responsável por ter restaurado o papel da teoria pura nas ciências econômicas, em contraposição à influente Escola Historicista Alemã, no importantíssimo debate acadêmico conhecido como Methodenstreit. Böhm-Bawerk fez desmoronar o castelo de areia do marxismo, ao demonstrar toda a inconsistência teórica da ideia de mais-valia proposta por Marx. O mesmo autor fez importantes contribuições sobre a interação da estrutura de capital da economia e a taxa de juros. Ludwig von Mises, para mim, é um caso à parte. Economistas brilhantes passam a vida tentando emplacar uma contribuição teórica importante. Mises tem pelo menos três. Partindo dos insights da Escola Monetária Inglesa, de Menger e Böhm-Bawerk, Mises sistematiza o que conhecemos hoje como a Teoria Austríaca dos Ciclos Econômicos, em sua obra “The Theory of Money and Credit”. A segunda contribuição de Mises é o teorema da impossibilidade do cálculo econômico no socialismo. O desmoronamento do modelo socialista pegou de surpresa muitos economistas, menos os austríacos que já conheciam inconsistência teórica desse famigerado experimento desde 1920. Ainda dentro desse pacote, um importante desdobramento do teorema da impossibilidade do socialismo: o entendimento de que os mercados tratam-se de um processos dinâmicos; entende-los como equilíbrios estáticos (ou variações em torno disso) trata-se, segundo Mises, de um erro intelectual. O terceiro – e provavelmente o mais importante – legado de Mises é a sistematização da praxeologia, ou ciência da ação humana. O austríaco entendia que a mais adequada metodologia aplicável à Economia deveria basear-se em proposições a priori, sendo estas não sujeitas a verificações ou refutações por meio de experiências (dados). Ainda, a estrutura lógica de tal metodologia, a praxeologia, jamais poderia prescindir dos fatores “causalidade” e “tempo”, como acontece com a lógica pura e matemática. A herança metodológica de Mises é fundamental para entender as falhas do positivismo e da modelagem matemática aplicados à Economia. Para entender melhor a praxeologia, recomendo a leitura da Parte I de “Ação Humana” (Mises) e de “A Ciência Econômica e o Método Austríaco” (H.H. Hoppe). Já encerrando, a importante obra de F.A. Hayek, vencedor do Prêmio Nobel de 1974 por seus avanços sobre a Teoria Austríaca dos Ciclos Econômicos. Não posso deixar de mencionar sua atuação no debate acerca do cálculo econômico no socialismo. Hayek enfatizou a impossibilidade de tal sistema ao abordar o problema pela ótica da dispersão do conhecimento. Um genuíno sistema de preços – inexistente no socialismo – seria indispensável para concatenar não só bens e serviços, mas também o conhecimento disperso na sociedade. Hayek ainda protagonizou um fecundo debate com Keynes sobre os efeitos das chamadas políticas fiscais e monetárias. Um raro intelectual a transitar por outras áreas do conhecimento, Hayek tem trabalhos relevantes nas áreas de ciência política, filosofia do direito e psicologia. Essas são, no meu entender, as principais contribuições. Ainda deixei de fora nomes como Friedrich von Wieser, Murray Rothbard, Israel Kirzner, Roger Garrison, Hans-Hermann Hoppe, Jesús Huerta de Soto e outros. Sou suspeito pra falar, mas desconheço outra tradição de pensamento mais prolífica que a EA.


2) As vezes tenho a impressão de que alguns austríacos se aproximam demais de um credo religioso, semelhante aos marxistas. Você concorda? Por que?

Se o termo “credo religioso” for entendido pela sua conotação negativa, no sentido de agremiação sectária, obviamente eu discordo da comparação. Existem divergências dentro da EA, posições teóricas foram ajustadas ao longo do tempo, existe diálogo entre os teóricos da EA e teóricos de outras correntes e praticamente toda a produção “austríaca” está disponível na Internet. Não se observa isso nos grupos sectários. E mais, o comportamento sectário se caracteriza por posições que carecem de justificativas racionais. A EA, por outro lado, têm na sua própria metodologia a ênfase das relações de causa e efeito. Se os “austríacos” se comportassem como cegos defensores das posições A ou B, isso seria uma espécie de afronta ao próprio método aplicado à ciência econômica. Sinceramente não sei de onde surgiu esse estigma. Acho que é pelo fato da EA ter sido praticamente banida da academia e do debate público. Os continuadores da EA se resumiam a um grupo muito pequeno, porém aguerrido. Os detratores da EA, às vezes por pura ignorância, às vezes para lançar argumentos ad hominem simplesmente, lançaram mão dessa estratégia de taxar esse pequeno grupo de “credo religioso”, “igrejinha decadente” entre outros adjetivos. A única recomendação que posso fazer para aqueles que ainda pensam que a EA é uma espécie de credo cego é convidá-los a estudar honestamente um pouco mais os autores “austríacos”, a metodologia que eles entendem aplicável à Economia e depois comparar com as outras correntes de pensamento econômico. Eu fiz isso e recomendo que todos os estudiosos de Economia façam. Sou formado em Economia por uma renomada universidade pública. Em 5 anos de aulas, a EA foi mencionada por alguns minutos, talvez. O currículo era todo voltado para as linhas mainstream: microeconomia neoclássica, métodos quantitativos, Keynes e seus discípulos. Tudo que aprendi – e venho aprendendo – foi quase que exclusivamente pela via auto-didática. Se fosse pra mencionar uma característica marcante na EA, esta seria sua conexão com a realidade da ação humana e dos mercados. Muito diferente dos pressupostos irrealistas presentes nas outras correntes. Em termos de crenças, os marxistas, keynesianos, neoclássicos e simpatizantes têm mais explicações a dar que os austríacos.


3) O que um teórico da Escola Austríaca teria a dizer ao governo brasileiro?

Provavelmente diria aos cavalheiros que comandam as diferentes esferas de governo: não se metam na vida das pessoas! Altos impostos, burocracia bizantina, medidas protecionistas, inflação da moeda, toneladas de regulamentações, leis de controle da vida privada e familiar, dirigismo contratual, planejamento urbano, controle de preços, corrupção generalizada... tudo isso não afeta o mercado, em abstrato. Isso atrapalha o dia-a-dias pessoas, as impedem de empreender e de melhorarem de vida. O mercado nada mais é que o conjunto de interações individuais. Nem é preciso dizer que quem mais sofre com tudo isso são os mais pobres. Observem essa última lei voltada para “beneficiar” os trabalhadores domésticos. Enfim, não esperem que a FIESP faça passeatas em Brasília, pedindo menos interferência do estado na sociedade. Quanto mais avança o intervencionismo, mais protegidos estão aos grandes empresários e mais dificuldade o resto da sociedade tem para empreender.


4) Quais são as 3 principais obras que você recomendaria para estudantes interessados na Escola Austríaca?

Para um estudante que eventualmente esteja iniciando sua incursão pela EA, recomendaria “A Escola Austríaca” de Jesus Huerta de Soto, “Ação Humana” de Ludwig von Mises e “Economia Numa Única Lição”, de Henry Hazlitt. Também não posso deixar de indicar o magistral ensaio de Friedrich A. Hayek, “O Uso do Conhecimento na Sociedade”. Já extrapolando as três indicações, permita-me recomendar enfaticamente a leitura diária dos artigos publicados no site do Instituto Mises Brasil (www.mises.org.br). São excelentes.


5) Os bancos devem ter permissão para emprestar dinheiro que não lhe pertence? Isto é, você é a favor ou contra o sistema de reservas fracionadas? Por que?

Em função da complexidade, peço paciência a seus leitores para uma resposta um pouco longa. Ninguém deve ter permissão para emprestar o que não lhe pertence. Se isso acontece, temos fortes evidências de furto ou fraude. O fato é que o sistema bancário, bem como uma série de setores protegidos pelo estado e o próprio estado, é regido por regras que não se aplicam ao resto dos mortais. Se alugo seu carro para um conhecido meu, sem sua expressa autorização, estou sujeito a sanções penais absolutamente justas. O mesmo não se aplica aos bancos. Muitas pessoas não sabem, ou não se deram conta ainda, mas nem todos os recursos emprestados pelos bancos advém de poupança real (abstenção de consumo) da sociedade. Boa parte dos empréstimos são feitos com base nas “reservas fracionadas”. Trocando em miúdos, os bancos não são obrigados a manter em seus caixas, na forma de reserva, todos os recursos depositados, à vista e a prazo. Eles são obrigados a manter apenas uma fração, conforme regulamentação do Banco Central. É o chamado “depósito compulsório”, que hoje, no Brasil, está em 43% para os depósitos à vista e 20% para os depósitos à prazo. Sobre a diferença, os bancos podem, literalmente, criar moeda do nada a fim de gerar empréstimos. Num breve parêntese, essa é a razão pela qual os bancos centrais controlam indiretamente a quantidade total de moeda na economia. No fim das contas, essa quantidade é determinada pelo volume criado em parte pelos BC’s e em parte pelo sistema bancário. Voltando a sua questão, percebe-se que a prática das reservas fracionárias: (I) Viola a propriedade dos depositantes: muitas pessoas procuram os serviços bancários para a simples função de depósito e segurança de seus recursos. Querem liquidez para poderem usar cartões de débito e cheques. Não autorizaram os bancos pegarem tais recursos e emprestarem. Se autorizassem, certamente demandariam remuneração por isso, fato esse transformaria aquele dinheiro em poupança, não em depósito à vista. A separação dessas duas funções é fundamental, em termos econômicos e especialmente jurídicos. (II) Traz insegurança ao sistema. As reservas fracionárias transformam as eventuais corridas bancárias em verdadeiros shows de horrores. A comparação que faço é a seguinte, caso ocorra uma corrida aos estacionamentos dos shoppings, haverá um certa fila, mas todo mundo pegará seu respectivo carro seguirá para casa. Agora, e se todo mundo resolver resgatar seu dinheiro, sua legitima propriedade, e levar pra casa? Lembrem-se do que aconteceu na Argentina em 2001/2002 e com o Chipre agora em 2013, pra ficar nos casos mais recentes. (III) Tem efeitos econômicos nocivos. O descasamento entre poupança real e disponibilidade de crédito faz com a taxa de juros vigente na economia seja ilusória. É como se a biruta do aeroporto perdesse a sensibilidade ao vento. Os pilotos ficariam simplesmente desorientados. Uma taxa de juros artificialmente baixa, faz com negócios que não seriam viáveis numa situação normal passem a sê-lo em função do crédito criado do nada. No médio e longo prazo os empresários que encabeçaram os empreendimentos artificiais começam a perceber que o cenário é desfavorável e que não há demanda para seus produtos. Temos a fase recessiva dos ciclos de negócios. Capital, mão de obra e tempo foram desperdiçados em decorrência da moeda falsa criada. (IV) Sua sustentabilidade depende da proteção do estado, por meio da atuação dos bancos centrais, os “emprestadores de última instância”. Em função da insegurança sistêmica mencionada anteriormente e para evitar ações oportunistas de determinados bancos, os bancos centrais “gerenciam” o sistema para que a expansão do crédito ocorra de forma harmônica entre os bancos. (V) No livre mercado, sem a proteção do governo, a prática das reservas fracionárias seria auto-reprimida pela propaganda, prejuízos, falências e ações judiciais. Bancos facilmente poderiam usar como estratégia de marketing o fato de praticarem 100% de reservas. Alguém em sã consciência estaria disposto a colocar sua riqueza, seu salário, numa instituição pouco sólida? Perceba que pouco nos preocupamos com a solidez dos bancos hoje. Sabemos que no final do dia o governo estará lá garantir a “saúde” do sistema. Corridas bancárias afetariam única e exclusivamente os imprudentes e fraudadores; tais banqueiros teriam sua reputação completamente destruída, além de terem que responder a toneladas de ações judiciais. Voltaríamos a nos preocupar seriamente com a boa gestão de cada uma das instituições financeiras com as quais tivéssemos contrato, exigindo auditorias periódicas, transparência nas informações etc. Diante de tudo isso, e encontrando respaldo com a maioria dos grandes economistas “austríacos”, só posso ser contra o sistema bancário de reservas fracionárias. Se existe alguma vantagem em tal regime, desconheço. Desde os primórdios dessa prática, o sistema de reservas fracionárias está longe de ser uma instituição pouco relevante ou meramente um “detalhe técnico” de nossa sociedade. Seu funcionamento, suas implicações jurídicas, éticas e econômicas deveriam ser objeto de amplo debate na mídia e academia. Para abordagem completa sobre esse tema, recomendo “Moeda, Crédito Bancário e Ciclos Econômicos” de Jesús Huerta de Soto.

Gostou da entrevista? Quer saber mais sobre o pensamento da Escola Austríaca de Economia? Então participe do II Encontro de Escola Austríaca de Brasília. O evento ocorrerá nesta sexta-feira e neste sábado!!!!

terça-feira, 16 de abril de 2013

Sachsida pergunta a Safatle e ao jornal Estado de São Paulo: por que elogiar terroristas?

Trecho do excelente texto de Reinaldo Azevedo:

O terrorismo é o mais asqueroso deles, pouco importam a sua natureza, a sua causa ou as suas justificativas. Não obstante, nestes dias, há intelectuais que flertam abertamente com suas possíveis virtudes; que veem em atos dessa natureza uma expressão, ainda que um tanto distorcida, do humanismo. É o caso do intelectual marxista esloveno Slavoj Zizek, que sai fazendo a sua cantilena maldita mundo afora, encontrando eco, inclusive, em universidades dos EUA, que já passaram pelo 11 de Setembro.

No Brasil, Zizek e sua tese ganharam uma resenha elogiosa assinada pelo professor da USP Vladimir Safatle. O texto foi publicado no Estadão — sim, no Estadão! — no dia 11 de janeiro de 2009. E eu jamais deixarei que vocês se esqueçam disso, que o Estadão se esqueça disso e que o próprio Safatle se esqueça disso. A cada vez que eu vir uma foto como a daquela mulher e as que se seguem abaixo, farei com que vocês se lembrem disso, com que o Estadão se lembre disso e com que Safatle se lembre disso. É bom notar: terroristas costumam armar suas bombas em aparelhos clandestinos, fétidos, escondidos de toda gente. Intelectuais que justificam seus crimes costumam estar nas universidades, nas bibliotecas e escrevendo em jornais
.

Videocast do Sachsida: O Tomate é inocente, ou o Tomate não é o culpado da inflação


Neste videocast demonstro que fiscais de preços, ou consumidores deixando de consumir tomate, são incapazes de combater a inflação.

Da próxima vez que você ouvir alguém dizendo: "a população tem que ajudar a combater a inflação", lembre-se desse vídeo!!!

Para acessar o videocast clique aqui!!!

segunda-feira, 15 de abril de 2013

O Sachsida manda seu apoio às famílias vítimas do ataque covarde em Boston


Muito triste o covarde ataque terrorista ocorrido em Boston. Nesse momento de tristeza o Sachsida faz questão de mandar suas condolências a todas as famílias afetadas por mais essa tragédia.

Todo terrorista é antes de mais nada um covarde. Um bunda mole, um ser desprezível. Tem que ser preso e ficar na cadeia o resto de sua vida.

Aliás, quando é que o Brasil irá aprovar sua lei anti-terrorismo???

domingo, 14 de abril de 2013

O Silencioso Confisco de Nossas Poupanças

Que tal darmos uma olhada no rendimento dos principais fundos nesse começo de ano? Vamos pegar o acumulado no ano até março. A poupança para quem aplicou antes de 03/05/2012 rendeu no ano 1,51%; e para quem aplicou após essa data 1,25%. A bolsa de valores acumula perdas de 9,83%, e o CDI acumulou alta de 1,89%. Já o IPCA acumulou 1,94% no período. Resumindo, quem poupou nesse começo de ano perdeu dinheiro. Nos últimos doze meses a poupança rendeu 6,27%, o CDI rendeu 7,52% (lembre-se que a maior parte das pessoas não recebe esse valor integral, e ainda é necessário descontar o imposto de renda), a bolsa perdeu 12,6%, e o IPCA aumulou 6,59%.

O parágrafo acima deixa claro que a política monetária atual pune severamente o poupador. Esta ocorrendo uma transferência de renda dos poupadores para os devedores da economia. É por isso que hoje é possível financiar a compra da casa própria com uma taxa de 7,5% ao ano (mais TR). Estamos transferindo recursos dos poupadores para os devedores. Com a inflação no patamar atual, hoje paga-se MENOS de 1% de taxa de juros real para se financiar a compra da casa própria. Pergunto: de onde vem essa poupança? De onde vem os recursos que estão tornando isso possível? Simples: as pessoas prudentes, que estão poupando, estão sendo punidas com uma taxa de juros artificialmente baixa.

Ahh quase ia me esquecendo: o governo está usando recursos do FGTS para ajudar bancos a financiar mais casas. Ahhh já ia me esquecendo também, o governo não repassou parte do dinheiro que devia ao FGTS. Resumindo: quando a crise estourar pode dar adeus ao seu FGTS (que aliás é mais uma forma de poupança do trabalhador).

A política monetária atual claramente beneficia os devedores à custa dos credores. Beneficia quem gasta mais do que ganha em detrimento dos que poupam parte de seu salário. É evidente que um esquema desses não é solvente, e também não é moralmente justo.

Por quê odeiam tanto Margaret Thatcher?, texto escrito por Roberto Ellery Jr.

O texto abaixo foi escrito pelo Professor Roberto Ellery Jr.

Tenho visto várias manifestações de ódio a Margaret Thatcher. É estranho, a Dama de Ferro governou seu país por mais de dez anos sem mudar as leis para se manter no poder, sem mandar adversários políticos para cadeia, sem nunca ter tentado um golpe ou fechado órgãos de imprensa críticos a seu governo. Todas estas medidas muito comuns para o alguns ícones da democracia de nuestra América. Desta forma era de se esperar que tanto tempo no poder, ainda mais em um regime parlamentarista, fosse consequência do apoio de seu povo. É bem verdade que os protestos estão associados a figuras de esquerda especialistas na área de reescrever a história. O mesmo tipo de gente que canta loas a popularidade dos governantes petistas e afirmam que nunca um governo foi tão aceito pelo povo enquanto jogam para debaixo do tapete da história que FHC foi eleito e reeleito em primeiro turno, para turma da patrulha anti-FHC aviso que não votei nele (nem em ninguém) em nenhuma das vezes.

O verdadeiro motivo do ódio a Thatcher é o mesmo do ódio a FHC. Ambos ousaram obter sucesso usando fórmulas criticadas pela esquerda. Mas tratemos de Thatcher no momento. Sob seu governo a inflação caiu de 27% em 1975 para 2,4% em 1986, tudo isto enquanto fazia o Reino Unido crescer mais do que vinha crescendo nos últimos anos. A figura mostra o PIB per-capita do Reino Unido como proporção do PIB per-capita americano. Em 1979, quando tomou posse, a relação era de 65,4% quando saiu do governo em 1990 era de 72,7%. Para dar noção de grandeza em 1970 era 66,2%, ou seja, Lady Thatcher reverteu a trajetória de crescimento do Reino Unido enquanto combatia a inflação (que bela lição em tempos que acreditam que é preciso inflação para crescer). Mas ainda, ao contrário de certos milagreiros locais que geram crescimento no curto prazo e depressão menos de uma década depois, as bases para o crescimento lançadas por Margaret Thatcher eram sólidas, dez após sua saída do poder a relação era de 75,6%. Apenas para comparação no Brasil esta mesma relação saiu de 26% em 1979 e caiu para 19,7% em 1990 e na França a variação foi de 83,5% em 1979 para 82,7% em 1990.

Enquanto acabava com a inflação e fazia a economia crescer Lady Thatcher ainda arranjou um tempinho para enterrar de vez a finada URSS e mandar os generais argentinos para casa. É muito sucesso para uma pessoa só, é imperdoável.

sábado, 13 de abril de 2013

Uma Homenagem a Hugo Yabe

Hugo Yabe foi meu técnico de natação no Londrina Country Clube. Faleceu em decorrência de um acidente de carro (o motorista do outro carro estava drogado). Tinha menos de 30 anos. Marcou uma geração inteira de atletas. Está sepultado no mesmo cemitério de meu pai. Quando vou a Londrina, sempre que possível, passo um tempo lá. Esse post é uma homenagem ao melhor técnico do mundo: Hugo Yabe.

Certa vez durante uma competição, a prova de revezamento estava por começar, mas a equipe principal da ACEL (nosso maior concorrente à época) ainda não havia chegado. Eu estava animado e comentei com Hugo “Beleza, vamos ganhar!!!”. Ele apenas olhou para mim e respondeu “Uma vitória assim não tem valor. Temos que torcer para eles chegarem!”. Eles chegaram, e nós perdemos a prova. Mas aprendi uma lição importante: não há mérito algum numa vitória vazia. Ganhar ou perder faz parte, mas a maneira como ganhamos ou perdemos é que realmente importa.

Outra vez estava disputando uma eliminatória interna do clube. Objetivo: selecionar os melhores para irem competir no Trófeu Avelino Vieira (competição em Curitiba). Sempre treinei duro. Treinava de madrugada, e depois a tarde toda. Tinha um picareta que nunca ia aos treinos. Na hora da competição ele venceu. No final da prova Hugo chegou para mim e disse: “Você sabe que terei que levar ele, e não poderei te levar”. Eu era bem novo na época, deveria ter uns 12 anos de idade, mas dada minha formação familiar desde cedo tinha respeito tanto pelo técnico como pelo mérito. Honestamente, fiquei mais chateado comigo por ter perdido. Sempre achei que Hugo tomou a decisão certa, o melhor é que tinha que ir. E eu não era o melhor.

Quando retornou de Curitiba Hugo me chamou de lado, e me deu uma camisa de presente: a camisa do torneio (todos que participavam ganhavam essa camisa). Ele disse “eu queria que você tivesse estado lá”. Demorou muito para entender aquela frase. Como técnico ele foi obrigado a levar o melhor, mas com aquela camisa ele demonstrava o respeito que tinha pelo meu esforço, e o carinho que tinha por mim. Eu não faço a menor idéia de onde estão minhas medalhas, sequer sei quantas ganhei ou de qual torneio elas se referem. Mas dessa camisa eu não esqueço.

Respeito não é conquistado com vitórias ou derrotas. Respeito conquistasse com superação. Vitórias vazias não fazem de ninguém um vencedor. Todos nascemos com um conjunto de talentos, e existem limites que nunca poderemos superar. Contudo, fazer o melhor com o que temos é algo que sempre está ao nosso alcance. Obrigado Treinador!!!

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Videocast do Sachsida: Taxa de Juros, ajuda do governo e Bolha Imobiliária


Nesse videocast explico, de maneira detalhada, o mecanismo pelo qual o governo irá ajudar os indivíduos que se endividaram para comprar imóveis. Quando a taxa de juros internacional subir, a taxa de juros no Brasil também irá subir. Nesse momento teremos o estouro da bolha no mercado imobiliário.

O vídeo explica que o governo irá utilizar a TR para facilitar a vida de quem se endividou para comprar casa própria.

Você pode ler mais sobre o tema aqui, ou então assistir outro videocast sobre o assunto aqui.

Para ver o Sachsida explicando sobre Taxa de Juros, ajuda do governo e Bolha Imobiliária clique aqui.

Até quando culparemos o tomate???


A inflação acumulada em 12 meses, medida pelo IPCA, acumulou alta de 6,59%. Em março a inflação do IPCA foi de 0,47%.

Ao contrário do senso comum, a inflação não é culpa do tomate, nem da farinha de trigo. Da mesma maneira que, no passado, a culpa não era do chuchu.

Como esse blog CANSOU de avisar, o problema da inflação reside na má gestão da política monetária brasileira. Não adianta culpar a chuva ou o sol, a culpa é do Banco Central.

Delfim Netto e Beluzzo são chamados para falar sobre a alta dos preços


Conheço bem o Banco Central. Além de já ter dado uns 3 ou 4 seminários lá, também li vários artigos de seus funcionários. Vi apresentações deles em encontros de economia, e conheço pessoalmente outro tanto deles. O Banco Central do Brasil possui um quadro técnico formidável. Técnicos altamente qualificados, com tempo para estudos de profundidade, e questões de pesquisa bem definidas. Enfim, quando falamos de inflação poucos lugares estão tão bem preparados para essa discussão quanto o BACEN.

Dito isso, acredito que esteja na hora de Tombini (presidente do BACEN) pedir para sair. Infelizmente sua permanência no cargo só tende a diminuir a já abalada reputação do BACEN. Tombini é um técnico muito bem qualificado, ao contrário de sua contraparte no Ministério da Fazenda. Contudo, foi completamente dominado pelo jogo político. Claro que entendo o dilema de Tombini. Hoje o que está na cabeça de Tombini é uma questão pertinente: “se eu sair da presidência do BACEN provavelmente o governo colocará outro pior em meu lugar, e a situação do BACEN será ainda pior”.

Tombini pode até ter boas intenções, contudo se é para fazer esse papel que está fazendo, então não faz sentido continuar: ele mesmo está minando a credibilidade do BACEN. Tombini falhou em compreender sua real força: depois que foi colocado como presidente do BACEN, poderia ter peitado a equipe econômica e combatido a inflação. No Brasil atual, o custo de se demitir um presidente do BACEN que combate a inflação é muito alto. Dilma não teria como bancar essa demissão: ficaria clara a interferência política no BACEN. Por outro lado, demitir Tombini hoje tem um custo baixo, afinal a inflação está saindo de controle, e é ele quem irá receber a culpa desse fiasco.

Ainda restam duas saídas honrosas para Tombini: 1) bata na mesa e combata imediatamente a inflação com uma política monetária restritiva; ou 2) peça demissão antes de ser demitido. Contudo, é INADMISSÍVEL ver uma notícia dessas estampadas no jornal: “Dilma chama Delfim e Beluzzo para avaliar alta dos preços”. Além disso, Nakano e Augustin também participaram da reunião. Resumindo: hoje quem fala de inflação não é mais o BACEN.

Um dia ainda conheceremos os bastidores do BACEN durante esses dois últimos anos. Mas uma coisa é certa: a idéia de “vou continuar senão vem outro pior” poderia até fazer sentido caso houvesse algum tipo de combate a inflação. Contudo, hoje essa estratégia parece equivocada. Tivesse Tombini batido na mesa e combatido a inflação desde o começo, e sua posição estaria muito mais sólida do que está agora. No Brasil, depois que se nomeia um ministro, ou um presidente do BACEN, não é tão fácil e indolor retirá-lo do cargo. Infelizmente Tombini falhou em compreender esse aspecto político.

terça-feira, 9 de abril de 2013

Thatcher e a Desonestidade Intelectual dos Economistas


No dia 10 de março de 2008 eu escrevi o post abaixo. Gostaria de dar destaque especial a seguinte passagem:

"(...) Outro exemplo, esse mais vergonhoso, refere-se a um grupo de economistas que assinou um manifesto CONTRA as reformas econômicas da primeira- ministra inglesa Margareth Thatcher. Passados 20 anos do manifesto, um jornalista perguntou a um economista famoso, que havia assinado o manifesto, o porque dele ter assinado aquilo. A resposta do economista ilustra bem o seu caráter: “não havia nada melhor para fazer, e assinar parecia ser engraçado”. A primeira-ministra inglesa sofreu uma pressão horrorosa por causa do manifesto assinado pelos economistas, mas manteve-se firme e realizou as reformas. O ilustre economista ao invés de reconhecer seu erro (afinal ele ERROU), preferiu ser irônico".

A Desonestidade Intelectual dos Cientistas

Quando uma pessoa comum ouve que determinado grupo de cientistas assinou algum manifesto, tal manifesto ganha muito não só em credibilidade, mas também em visibilidade na imprensa. Os cientistas sabem disso, portanto exige-se desse grupo de intelectuais responsabilidade pelo que assinam.

É vergonhoso notar que os economistas estão no grupo de intelectuais MENOS honestos. Uma breve inspeção nos jornais é suficiente para notar que determinados economistas ensinam uma coisa em sala de aula, mas praticam outra no mundo real. PIOR do que isso, quando a previsão de determinados economistas torna-se visivelmente equivocada eles NUNCA se retratam publicamente. Errar é humano, ninguém pode ser recriminado por isso. Contudo, quando uma pessoa com autoridade intelectual se posiciona PUBLICAMENTE contra (ou a favor) de determinada política, e sua posição mostra-se equivocada, é seu dever retratar-se. O motivo é simples: um cientista costuma ser ouvido pela população e pela imprensa, sua opinião tem o poder de, por vezes, alterar o rumo de políticas públicas. Quando vários cientistas vão contra o governo, a pressão da população sobre o governo aumenta. Isso não é inócuo, esse é um poder que deve ser usado com responsabilidade. E é responsabilidade que deve-se cobrar dos cientistas, responsabilidade essa que vem sendo esquecida.

Por exemplo, um dos maiores economistas do século passado, Paul Samuelson, escreveu em seu livro de Introdução a Economia, que o PIB per capita da União Soviética seria igual ao dos Estados Unidos em 1990, e o ultrapassaria após isso. Várias edições de seu livro foram lançadas, com essa mesma afirmação, até que numa delas tal afirmação simplesmente DESAPARECEU. Nenhum mea culpa, nada. O que teria acontecido com os Estados Unidos caso eles tivessem acreditado em Samuelson e alterado o rumo de sua política econômica? Não satisfeito com isso, Samuelson agora mostra os encantos da China. Outro exemplo, esse mais vergonhoso, refere-se a um grupo de economistas que assinou um manifesto CONTRA as reformas econômicas da primeira- ministra inglesa Margareth Tatcher. Passados 20 anos do manifesto, um jornalista perguntou a um economista famoso, que havia assinado o manifesto, o por que dele ter assinado aquilo. A resposta do economista ilustra bem o seu caráter: “não havia nada melhor para fazer, e assinar parecia ser engraçado”. A primeira-ministra inglesa sofreu uma pressão horrorosa por causa do manifesto assinada pelos economistas, mas manteve-se firme e realizou as reformas. O ilustre economista ao invés de reconhecer seu erro (afinal ele ERROU), preferiu ser irônico. Um exemplo mais recente é Paul Krugman: ele parece contrariar, por motivos políticos, tudo que costumava ensinar em sala de aula.

Tal falta de honestidade não se restringe aos economistas. Atualmente temos os “eleitos” que pregam o aquecimento global, sempre se esquecendo de afirmar que essa é apenas uma hipótese (e não uma certeza definitiva). A todos esses “cientistas” deixo a lição de Robert Lucas, prêmio Nobel de economia: um repórter perguntou a Lucas qual deveria ser a taxa de juros da economia, Lucas solenemente respondeu: “Não tenho a menor idéia”. Um cientista, um ganhador do prêmio Nobel, tem que ter em mente que suas afirmações NÃO SÃO INÓCUAS. Caso não esteja estudando o assunto, ou não se considere um expert naquilo, faça como Lucas, e diga que não sabe. Essa é a decisão mais honesta.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Podcast do Sachsida: Homenagem a Lady Thatcher. Thatcher e Deus em questões tributárias.


Esse podcast é uma homenagem a Lady Thatcher. Obrigado por sua liderança e coragem na defesa da liberdade e da sociedade aberta!

Você sabe o que Thatcher e Deus propuseram como forma de tributação? Assista o podcast e descubra!

Uma Homenagem a Lady Thatcher


"Não existe essa coisa de sociedade. Existem homens e mulheres individuais, e existem famílias" (Margaret Thatcher).

Margareth Thatcher foi primeira-ministra britânica entre 1979 e 1990. Você pode saber mais sobre Lady Tatcher aqui ou aqui. Aqui segue uma biografia.

Pela sua luta, pela sua coragem, por sua perseverança e pela defesa de seus valores eu digo de peito aberto: sou fã de Lady Thatcher. Sou admirador de uma mulher que lutou contra a opressão. Lutou contra os inimigos da sociedade aberta. E, acima de tudo, nunca bancou a vítima para a sociedade. Foi líder do partido conservador, foi primeira-ministra, e nunca precisou recorrer ao vitimismo ativo que caracteriza tantas feministas. Não desfilou com seus seios a mostra para protestar, em vez disso, foi lá e fez. De quebra ainda arrematou “Ser poderoso é como ser uma dama. Se você tem de dizer às pessoas que você é, você não é.”

Uma curiosidade, o livro de cabeceira de Thatcher era “O Caminho da Servidão” (Hayek). Isso mostra que ler e se preparar são fundamentais para quem almeja o poder. Para finalizar deixo claro uma coisa: Dilma Roussef não é a Thatcher brasileira. A Thatcher brasileira, se é que existe uma, é a senadora Katia Abreu.

Até o momento em que escrevo o governo brasileiro, ao contrário do mundi civilizado, ainda não emitiu declaração sobre a morte de Thatcher.... o Sachsida agradece essa mulher admirável por sua luta em prol da sociedade aberta, muito obrigado Lady Thatcher!

"Não há uma semana, um dia, uma hora, que a tirania não possa entrar nesse país se as pessoas perderem sua suprema confiança em si mesmas, e perderem seu espírito desafiante. A tirania sempre pode entrar - não há charme ou barreira contra isso" (Margaret Thatcher).

sábado, 6 de abril de 2013

Podcast do Sachsida: Política Tributária NÃO SERVE para combater Inflação


Nesse podcast eu explico que política tributária NÃO SERVE para combater inflação.

Esse podcast é consequência do texto que escrevi em 13 de maio e que já está postado no blog. Além disso, essa entrevista no ano passado deixa minha opinião clara.

Clique aqui para ouvir o poscast!!!

Dica do Sachsida de Cinema: Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes


Está de bobeira no sabadão? Então vai aí dica do Sachsida de cinema: "Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes (Lock, Stock and Two Smoking Barrels)".

Vi o filme e recomendo.

PT e PSB APOIAM a Coreia do Norte!!!!!


Amigos, isso é sério. A Coréia do Norte é a PIOR DITADURA do mundo. Lá existem relatos de canibalismo, pois a fome é generalizada. A Coréia do Norte possui o único sistema ditatorial comunista hereditário da história. Óu seja, é uma ditadura que passa de pai pra filho. Como é que o PT e o PSB podem apoiar uma ditadura dessas?????

Você é petista? Entao me explica como voce eh capaz de apoiar um partido desses?????????? Você não tem vergonha na cara????

Aqui esta o link da notícia que prova que falei a verdade. No final, você verá que o PT é um dos signatários da carta.

Entre outros pontos, a carta diz:

"Nosso total, irrestrito e absoluto apoio e solidariedade à luta do povo coreano para defender a soberania e a dignidade nacional do país".

É uma vergonha!!!! "Irrestrito e absoluto apoio" a uma ditadura que passa de pai pra filho!!!!! É esse o sonho petista???

Repito: você é petista? Então me explica como você aceita isso?????? E não vem me falar do psdb, do dem, ou do feliciano. Responda para sua consciência: como você é capaz de apoiar um partido desses???? Como você é capaz de apoiar um partido que declara seu apoio irrestrito e absoluto a uma ditadura hereditária??????

Ahhh antes que eu me esqueça: o PSB também assinou a carta....


terça-feira, 2 de abril de 2013

Podcast do Sachsida: Três Passos no Mercado Imobiliário


Abaixo segue meu primeiro podcast: Três Passos no Mercado Imobiliário. Ele é baseado no texto publicado aqui. Bolha imobiliária, taxa de juros, está tudo aí!!!

Clique aqui para acessar o podcast!

Homosexualismo, Divórcio e a Igreja Católica

Qual é a implicação prática da igreja católica ser contrária ao casamento entre homosexuais? A rigor, isso não impede nenhum homosexual de se casar no civil. A única implicação prática, da negativa da igreja, é que isso impede os homosexuais de receberem os sacramentos. Para que a igreja administre o perdão ao pecador dois requisitos são necessários: 1) arrependimento; e 2) disposição para não voltar a cometer o pecado novamente. A igreja considera homosexualismo pecado, sendo assim, enquanto o homosexual continuar com sua conduta ele não pode receber a absolvição. Logo, não pode receber os sacramentos (não pode receber a hóstia por exemplo).

Será que isso representa uma discriminação específica contra homosexuais? A resposta é NÃO. Veja o caso de uma pessoa divorciada. A igreja se RECUSA a absolver os pecados de um homem que, tendo casado na igreja, se divorciou e casou pela segunda vez. Sendo assim, este homem (ou mulher) também não pode receber os sacramentos. Do ponto de vista prático, está na mesma situação de um casal homosexual. Isto é, para a igreja, ambas as situações representam viver em pecado.

Evidente que não concordo com a interpretação da igreja. Contudo, compreendo que essa interpretação foi construída com base em complicadas bases teológicas. Não é possível a igreja alterar o resultado sem antes alterar os fundamentos. E alterar fundamentos de uma instituição milenar não só leva tempo como está longe de ser um processo trivial.

Divorciados não são expulsos das igrejas. Homosexuais não são expulsos das igrejas. Contudo, a ambos os grupos são negados os sacramentos. Como alterar isso? Eu não sei a resposta, mas sei que a igreja está buscando por soluções. Soluções essas que virão com o tempo, não por simples modificações do tipo: “agora pode”. Mas por profundas alterações em fundamentos, que por sua vez devem ser adequados a toda a estrutura teológica da igreja.

Dito isso, vamos parar com essa farsa de que a igreja discrimina homosexuais. Isto simplesmente não é verdade. Quando o papa se manifesta contra o casamento gay, isso não quer dizer que ele fecha os olhos para a realidade. Afinal, o divórcio é uma realidade muito mais forte e presente na sociedade do que a homosexualidade. Nem por isso os divorciados recebem um tratamento mais brando da igreja.

Sou católico, e não posso receber os sacramentos. Isto me deixa triste, certamente vários indivíduos estão na mesma posição. O que fazer? Ter fé em Deus e confiar que a igreja está estudando possibilidades de se adequar a realidades presentes, mas mantendo as bases para a realidade futura.


segunda-feira, 1 de abril de 2013

A PEC das Empregadas Domésticas: Demissões em Massa a Caminho

Semana passada foi aprovada nova lei que equipara os empregados domésticos aos demais empregados da economia. Dessa maneira, uma nova série de direitos trabalhistas passará a ser direito dos trabalhadores domésticos. Do ponto de vista moral sou favorável a essa lei. Acredito sinceramente que TODOS SÃO IGUAIS PERANTE A LEI. Logo, nada mais justo do que as empregadas domésticas terem o mesmo conjunto de direitos que os demais trabalhadores.

Do ponto de vista econômico, por pelo menos dois fatores, essa nova lei gera desemprego em massa entre os empregados domésticos. Em primeiro lugar, essa nova gama de direitos trabalhistas pode ser vista como um aumento no preço dos insumos. Isto desloca a curva de oferta para cima e para a esquerda. Isto é, aumenta o preço desse serviço e diminui sua quantidade transacionada no mercado. Em segundo lugar, ficou relativamente mais barato contratar “diaristas”. De maneira equivalente, podemos dizer que ocorreu uma redução relativa no preço do bem substituto. Esse efeito desloca a curva de demanda por empregadas domésticas para baixo e para esquerda. Gerando assim uma redução tanto no preço como na quantidade transacionada desse serviço.

O parágrafo acima deixa claro, sem margem para dúvidas, que um bom número de empregadas domésticas perderá seu emprego em decorrência dessa nova lei. Outras empregadas domésticas perderão seu emprego por um terceiro motivo: medo de futuros processos trabalhistas. Existem consideráveis dúvidas de como ficará a relação patrão-empregado doméstico. Em especial, a questão das horas extras é potencialmente explosiva. Acredito que, até o final desse mês, um bom número de domésticas perca o emprego simplesmente por medo de futuros litígios trabalhistas.

Por fim, cabe agora ressaltar que os empregados domésticos possuem mais direitos que o trabalhador comum. Por exemplo, não precisam arcar com seus custos de alimentação e moradia. Por que esses itens não foram levados em consideração na nova legislação? Enfim, a nova lei trará desemprego para essa classe de trabalhadores pobres e mal qualificados, uma pena.

A nova lei tem ao menos um lado bom: mostrará, de maneira evidente, e para toda a sociedade, os custos das leis trabalhistas brasileiras. Todo brasileiro saberá agora o sofrimento pelo qual passa o empresário na hora de contratar. Quem sabe, no futuro, isso não estimulará uma flexibilização de tais leis.

Quem certamente gostou da nova lei foram os advogados: vão chover novas ações trabalhistas. Provavelmente teremos que criar tribunais especiais só pra julgar questões referentes a empregados domésticos. Além disso, É ÓBVIO que o governo será obrigado também a legislar sobre todos os mercados conectados ao das empregadas domésticas. Por exemplo, em breve, o governo irá criar uma legislação específica para as diaristas (para evitar o desemprego, criado pelo próprio governo, no segmento das empregadas domésticas).

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