quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Já já o governo vai dizer que a queda na Dívida Líquida é sinal de austeridade fiscal!!!


Desse governo pode-se esperar tudo. Então me antecipo aqui para dizer que já já o governo vai soltar essa: dívida líquida caiu como resultado da austeridade fiscal.... atenção: esse é mais um truque!!!

O Brasil possui hoje um alto volume de reservas internacionais, isto quer dizer que a desvalorização cambial DIMINUI a dívida líquida. Isto é, a dívida líquida caiu como resultado direto da desvalorização do câmbio, e não por causa de qualquer austeridade fiscal (que aliás não ocorreu).

O governo continua gastando muito, e mal. A dívida líquida só caiu por causa do efeito da desvalorização cambial sobre as reservas internacionais.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Manobras Cambiais e um Grotesco Erro de Coordenação da Equipe Econômica

Qual é o câmbio de equilíbrio? Em minha opinião a resposta é simples: dadas as restrições de mercado, a taxa de câmbio de equilíbrio é aquela que aparece nos jornais, isto é, é a taxa cambial de mercado. Contudo, muitos discordam de mim e procuram estimar outra taxa cambial. Tais taxas como não são as de mercado, inevitavelmente, levam seus postulantes a pedir por intervenções governamentais no mercado de câmbio.

Não vou entrar aqui no mérito de ser correto o governo intervir no câmbio ou não. Vou discorrer apenas sobre a operacionalização adotada pelo governo para influenciar o mercado cambial. Por um lado o Banco Central utilizou mecanismos de swap cambial para interferir no câmbio. Por outro lado o Ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o Ministro da Indústria e Comércio, Fernando Pimentel, fizeram anúncios públicos de que a taxa de câmbio havia efetivamente mudado de patamar.

A idéia de uma operação de swap, tal como a realizada pelo BACEN, é a seguinte: o BACEN aposta que o dólar irá se desvalorizar no futuro, se isso acontecer, o BACEN ganha dinheiro. Se isso não ocorrer, o BACEN perde dinheiro. O mercado então vê que o BACEN esta apostando na desvalorização do dólar, se o BACEN tem credibilidade, e reservas suficientes, o mercado o segue e o dólar efetivamente se desvaloriza. Contudo, parte significativa desse esforço do BACEN vai por água abaixo quando dois ministros importantes vêm a público dizer que o dólar não irá se desvalorizar, e que este será seu novo patamar.

Resumindo, enquanto o BACEN manobrou para tentar DESVALORIZAR o dólar frente ao real, a outra ponta do governo manobrou para fazer exatamente o contrário. Agora o mercado olha para a atitude do BACEN mas não sabe como interpretá-la. Será mesmo que o BACEN é sério ou será que irá se curvar a Fazenda? Será que o governo está tentendo mesmo desvalorizar o dólar ou será que quer mesmo é o patamar atual? Essa confusão só tende a tornar a intervenção do BACEN menos eficiente, aumentando assim os custos de tal intervenção.

Independentemente de concordar ou não com intervenções na taxa de câmbio, resta evidente que a maneira adotada pela equipe econômica foi desastrosa, e mostrou uma vez mais a pouca sintonia entre seus diversos representantes. O resultado foi o aumento da instabilidade cambial. O dólar vai subir? Vai cair? Ninguém sabe, mas mais difícil do que isso é prever em que direção o governo brasileiro vai efetivamente atuar.

sábado, 24 de agosto de 2013

Manifesto Contra a Escravidão: O Caso dos Médicos Cubanos

Não vou entrar no mérito da necessidade de se importar médicos. Esse post se concentra no ponto realmente importante: a maneira como os "médicos" cubanos estão vindo ao Brasil equivale a um regime de escravidão.

Os "médicos" cubanos não poderão ficar com seu passaporte. Este ficará retico com autoridades cubanas. Retenção de documentos é crime no Brasil. Mais importante ainda: a retenção do passaporte objetiva evitar que os cubanos fujam do país.

Os "médicos" cubanos que conseguirem escapar já foram avisados pelo advogado geral da União que não terão asilo no Brasil... isso se assemelha a seguinte situação: o escravo (médico cubano) foge de seu dono (governo cubano), mas tão logo seja localizado pelo caçador de escravos (governo brasileiro) é devolvido ao seu dono. Isso é escravidão!!!!

Os "médicos" cubanos não tem direito a qualquer escolha de ambiente de trabalho ou de formas de remuneração. São colocados numa lavoura (cidade brasileira) e se fugirem de lá serão caçados.

O governo petista está importando escravos. Eu sou contra tal medida e aviso, dessa eu não irei me esquecer. Se Deus me der a honra, e a oportunidade, de um dia ter influência o Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e o Advogado Geral da União, Luis Adams, irão responder por esse abominável crime contra a humanidade. Desnecessário dizer que a Secretária Especial de Direitos Humanos, Maria do Rosário, será igualmente processada.

A maneira como os médicos cubanos estão vindo ao Brasil equivale a importar escravos. Eu sou contra, e não me esquecerei dos que foram a favor desse ato detestável. Se Deus me der a chance, todos os responsáveis responderão na justiça, e passarão um bom par de anos na cadeia.

OBS: não sei o motivo, mas na postagem original esqueci de mencionar a Presidente Dilma. Esta também entra na lista.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Governo Consulta Banco Central sobre Reajuste da Gasolina: a conta petróleo está de volta!!!


A conta Petróleo foi um verdadeiro pesadelo para o Brasil. Saldá-la custou caro, além disso, gerou incentivos errados para a sociedade brasileira. Aos que não sabem, a conta petróleo era uma conta onde o governo equalizava o preço do combustível vendido internamente com o preço externo. Na ânsia de controlar a inflação, com um mecanismo de controle direto de preços, o governo mantinha artificialmente baixo o preço da gasolina. Para evitar prejuízos a Petrobras o governo então repassava a diferença de preços para a estatal, o nome dessa conta era conta petróleo.

Não existe um único economista não exótico que hoje defenda a ideia da conta petróleo. Adivinhem o que o governo brasileiro faz???? Recria, na prática, a conta petróleo. Ao manter o preço dos combustíveis inalterados, para combater a inflação, na prática o governo revive a conta petróleo.

Não existe um único economista não exótico que hoje defenda o controle de preços como política válida de controle da inflação. Adivinhem o que o governo brasileiro faz??? Recria, na prática, o controle de preços para controlar a inflação. Inflação se combate com política monetária restritiva, mas isso parece detalhe ao governo.

Soa escandalosa a matéria do jornal VALOR Econômico: "O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, será consultado e poderá dar a palavra final sobre o reajuste da gasolina e do diesel reivindicado pela Petrobras. O aumento dos derivados só deve ser aprovado se couber no orçamento de inflação deste ou do próximo ano, disse uma fonte qualificada do Palácio do Planalto"*. Notaram??? Desde quando o presidente do BACEN tem que opinar sobre reajuste de preços??? É impressionante o nível de ruindade, de burrice, de despreparo. Estão tentando controlar a inflação congelando preços!!!!! Isso já deu errado antes, isso já se transformou numa catástrofe antes, por que o governo insiste num erro primário???

Tivesse o presidente do BACEN o mínimo do que se espera de alguém que ocupe tal cargo, e ele IMEDIATAMENTE responderia que não é sua função opinar sobre reajuste de preços!!!!! Reajuste de preços é política interna de cada empresa, e ao BACEN cabe o gerenciamento da política monetária!!!! Política monetária não passa por controle de preços, política monetária não congela preços e não opina sobre reajuste de preços de combustível.

Dizia-se que à mulher de César não bastava ser honesta, ela deveria parecer honesta. Hoje o contrário vale para a equipe econômica do governo. Não basta essa equipe econômica ser a pior de todos os tempos, ela faz questão de mostrar que realmente é a pior.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

VideoCast do Sachsida: O que fazer para tentar salvar esse país em 2015?

Nesse vídeo faço um apelo a meus amigos do Tesouro Nacional, Banco Central, Fazenda e IPEA: vamos começar a traçar estratégias, e realizar estudos, para tentar evitar o desastre que ocorrerá em 2015. Para assistir clique aqui.

VideoCast do Sachsida: Entrevista com Mansueto Almeida: Contabilidade Criativa


Nesse vídeo entrevisto uma das maiores autoridades em política fiscal brasileira, o economista Mansueto Almeida. Ele nos explica sobre os truques contábeis utilizados pelo governo para maquiar as contas públicas. Mansueto estará na Globonews na quinta-feira (amanhã), as 21:30 horas, discorrendo mais sobre esse tema. Para assistir ao vídeo clique aqui.

A Criatividade Não Tem Fim: Controle de Preços Virou Política de Combate a Inflação

Quem tem mais de 40 anos de idade se lembra bem do "brilhante" Plano Cruzado, com sua receita de congelar (controlar) preços para combater a inflação. O resultado foi a hiperinflação do final da década de 1980. Nos idos de 1989, tivemos a "bela" experiência de conviver com uma inflação mensal de 80%!!!! Naquela época toda casa tinha dispensa (um cômodo onde todos armazenavam comida), pois a primeira coisa a se fazer quando se recebia o salário era ir correndo para o supermercado, e fazer as compras do mês.

Hoje ninguém mais acredita que congelamento de preços funcione. Sendo assim, tenho uma pergunta: por que o governo brasileiro esta tentando controlar a inflação congelando preços???

Vamos ser claros: em janeiro desse ano, o Ministro da Fazenda (sempre ele...) pediu aos prefeitos que postergassem o ajuste nos preços do transporte urbano para ajudar a combater a inflação. Em período similar, a PresidentA anunciou redução nas tarifas de energia. E, para fazer mais do mesmo, o governo vem impedindo que a Petrobras reajuste o preço da gasolina. Em resumo, essa parece ser a estratégia do governo para combater a inflação: congelar o preço dos bens administrados.

Uma rápida busca na internet, e podemos ler "A inflação acumulada em 12 meses dos preços administrados está em 1,3% quando a sua média, desde 2005, é de uns 4%. Já a inflação dos preços livres, que comporta os alimentos, os serviços domésticos, grande parte dos bens e serviços consumidos pelas famílias brasileiras, está em 7,9%".

Resumindo, usando a mesma técnica de "sucesso" da contabilidade criativa, o governo adota agora o controle de preços criativo!!! Em vez de tentar controlar todos os preços da economia, o governo tenta agora controlar apenas um subconjunto deles (os preços administrados). Evidente que, para quem conhece o mínimo de economia, isso é igualmente impossível. No bom e velho "O Caminho da Servidão" Hayek já explica a impossibilidade de se tentar controlar um único preço: para se controlar o preço de um bem deve-se controlar toda a cadeia de produção, e assim sucessivamente, até que se é obrigado a controlar todos os preços, o que com o tempo mostra-se ineficiente economicamente.

A estratégia atual do governo para combater a inflação é um mergulho no passado: a velha e fracassada idéia de se congelar preços. O resultado evidente disso é a implosão das contas dos entes envolvidos. Basta notar a precária situação da Petrobras, e resta evidente que no final do dia essa conta será paga pelo Tesouro Nacional, isto é, por todos nós.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

VideoCast do Sachsida: Feliz dia dos Pais!!!


Domingão é dia deles!!! Feliz dia dos pais!!!!! Uma homenagem do Sachsida a todos os pais!!!! Clique aqui para assistir o vídeo!

VideoCast do Sachsida: Sachsida Alerta: A Década de 1970 está de volta!!!


Neste vídeo descrevo as manobras fiscais adotadas pelo governo brasileiro para maquiar uma situação fiscal insustentável. Tais manobras já foram realizadas antes na década de 1970, o resultado foram 20 anos de estagnação econômica. Para assistir clique aqui!

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

O Samba do Câmbio Doido e a Inflação

Tenho recebido muitos pedidos de informação sobre a taxa de câmbio. Deixa eu responder todas de uma única vez: eu não tenho a menor idéia do que irá acontecer com a taxa de câmbio, e provavelmente ninguém tem....

No dia 09/05 o dólar estava a R$ 2,01. Quase três meses depois, no dia 07/08 foi a R$ 2,31. Hoje fechou a R$ 2,28. E amanhã? NÃO SEI. Isso dá uma desvalorização de quase 15% em três meses. Confesso que acreditava que o dólar fecharia o ano a R$ 2,25... mas hoje não sei mais.

O movimento da taxa de câmbio reflete bem a instabilidade atual da economia brasileira... bastou o medo de que os Estados Unidos estão se recuperando, e que as taxas de juros por lá subiriam, para bagunçar nossa taxa cambial. Imaginem o que irá acontecer quando os EUA realmente aumentarem sua taxa de juros!!!

A pergunta que surge agora é: qual o impacto dessa desvalorização cambial sobre a inflação?

Essa resposta não é fácil. Em primeiro lugar, vários estudos mostram que o impacto de desvalorizações cambiais sobre a taxa de inflação, MEDIDA PELO IPCA, é baixo. Além disso, esse impacto também depende do estado da economia. Por exemplo, em períodos de estabilidade o pass throught (repasse da desvalorização cambial para a taxa de inflação) é menor do que em períodos de instabilidade econômica. Em segundo lugar, existe uma questão de defasagem. Mesmo que parte da desvalorização cambial seja repassada a inflação isso não ocorre imediatamente, pode levar alguns meses. Por fim, existe a possibilidade da desvalorização cambial afetar as expectativas de inflação, o que por sua vez afetariam a taxa de inflação.

De acordo com os estudos que tenho sobre o tema, deveríamos esperar um pass throught baixo ou inexistente (sobre a inflação medida pelo IPCA). CONTUDO, tais estudos analisam períodos de grande estabilidade econômica, e desvalorizações cambiais bem menores. No cenário atual, onde as expectativas de inflação estão deterioradas, e com a magnitude da desvalorização, tendo a acreditar que parte dessa desvalorização irá impactar não só o IPCA, mas também irá contribuir para uma piora nas expectativas de inflação.

Inflação acumula alta de 6,27% em 12 meses... e o governo comemora!!!!! SOCORRO!!!


A inflação de julho, medida pelo IPCA, foi de 0,03%. Dilma já apreceu dando entrevistas dizendo que a inflação esta sob controle (engraçado não era ela que dizia que não falava sobre inflação???). O governo comemora o "sucesso"!!!! SOCORRO!!!!!!

Sim, a inflação de julho veio baixa. CONTUDO, três detalhes importam aqui:

1) A inflação acumulada em 12 meses está em 6,27%.... dá pra comemorar isso????

2) Em julho a inflação foi baixa por causa do recuo nas tarifas de transporte público!!!! Isto nada tem haver com combate a inflação por meio de política monetária. A inflação no ano só esta nesse patamar pois o governo reduziu as contas de luz (implodindo ainda mais as já cambaleantes contas públicas). Por fim, o governo destrói o que sobrou da Petrobras para manter o preço da gasolina inalterado. Resumindo, o governo quer combater inflação não com política monetária, mas com artifícios fiscais que destroem as contas públicas.

3) A desvalorização cambial pode ter efeito na inflação futura, ou nas expectativas. Isso pressionará o índice de inflação no futuro. Esse ponto é técnico e irei explorá-lo em outra oportundiade.

Notem que em momento algum cito a queda no preço das commodities, que reduziu o valor do IPCA.... resumindo, a estratégia do governo para combater a inflação é cruzar os dedos e usar estatais para segurar reajustes de preços. Inflação se combate com política monetária restritiva, não com malabarismos que escondem da população o crescimento dos preços.

Esse é mais um exemplo da contabilidade criativa do Banco Central, que se apropria de vitórias que não são suas. O pequeno valor do IPCA em julho tem mais haver com manobras fiscais do que com uma política monetária restritiva.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

VideoCast do Sachsida: A Péssima Qualidade dos Funcionários Indicados pelo PT para Aparelhar o Estado


Neste vídeo exploro os problemas relacionados à indicação de pessoas desqualificadas para ocupar altos cargos na esfera pública. Na eleição do ano que vem essas pessoas farão qualquer coisa para manter seus cargos. Para assistir ao vídeo clique aqui.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

A Contabilidade Criativa do Banco Central

Muito tem se falado da contabilidade criativa do Tesouro Nacional. Lá débito se transforma em crédito, menos vira mais, contas desaparecem da rubrica gasto e reaparecem magicamente na rubrica investimento... nada de novo nisso. Mas praticamente ninguém comenta sobre a contabilidade criativa que hoje ocorre no Banco Central do Brasil.

Em primeiro lugar, a inflação de 2012 ficou aproximadamente 0,3% menor por causa da mudança na forma de cálculo do IPCA. Nada contra tal mudança, mas essa redução de inflação NÃO FOI obra da política monetária do BACEN. Em segundo lugar, as desonerações tributárias responderam por, pelo menos, outros 0,3% da redução da inflação em 2012. Tivesse a forma de cálculo de 2011 permanecido em 2012, e na ausência de isenções tributárias, teríamos no ano passado uma inflação ao redor de 6,3% (em vez de 5,7%). Esse tipo de informação deve ser contraposta ao BACEN, que insiste em pegar para si reduções de inflação que obra sua não foram.

Em terceiro lugar, o BACEN atualmente aplica um "Kansas City Maneuver" na sociedade. Ele, por um lado, aumenta a taxa SELIC (dando a impressão de uma política monetária restritiva). Mas, por outro lado, o próprio BACEN aumenta a liquidez da economia por meio do apoio a expansão do crédito (o que caracteriza uma política monetária expansionista). Não bastasse isso, por vezes ocorre da taxa de juros no mercado interbancário ser reduzida!!! O que de maneira alguma pode estar em linha com uma política de aperto monetário.

Enfim, hoje o BACEN joga para a galera... finge que combate a inflação aumentando a taxa selic, mas ao mesmo tempo joga mais dinheiro no mercado (via expansão do crédito e redução na taxa de juros interbancária). Essa não é a maneira de se combater inflação.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Dadas as metodologias de intervenção, adotadas atualmente pelas instituições de controle (TCU, CGU, etc.), será que vale a pena combatermos a corrupção na esfera pública?


Peço que leiam esse post, reflitam, e só depois comentem. Certa vez, durante o império Romano, um senador sugeriu que deveriam ser abolidas todas as leis contra a corrupção nas províncias romanas. Seu argumento era simples: o administrador das províncias iria roubar inevitavelmente, mas com as leis romanas ele teria que roubar duas vezes: primeiro para satisfazer sua ganância, e depois para subornar os senadores romanos responsáveis pela fiscalização. Logo, a abolição das leis de controle levaria a uma redução na corrupção.

Hoje no Brasil é virtualmente impossível uma pessoa honesta almejar cargos elevados na administração pública. Existem exceções é claro. Contudo, os perigos inerentes a um cargo alto na esfera pública são absurdamente altos. Por exemplo, suponha que você seja o responsável por liberar o dinheiro de determinada obra pública. Você pede um parecer jurídico, e este sinaliza que esta tudo certo. Você libera o dinheiro. Se essa obra der problemas você será responsabilizado, e poderá inclusive ter que responder por isso com seu próprio patrimônio. O resultado óbvio disso é a imobilidade do setor público, ninguém mais aceita assinar documentos.

O problema que estou falando é EXTREMAMENTE SÉRIO!!! Hoje a metodologia de intervenção adotada pelos órgãos de controle públicos (tais como a CGU e o TCU) punem severamente a iniciativa. Claro que esses órgãos de controle são bem intencionados, querem combater a corrupção. Mas nessa missão, e com o poder que detém, inviabilizam diversos empreendimentos que são lícitos. PIOR do que isso: desestimulam a livre iniciativa de órgãos públicos. O exemplo mais evidente são as universidades públicas que sofrem enormes desconfortos por causa disso.

Esse post NÃO É uma crítica ao TCU e a CGU. Pelo contrário, são funcionários competentes cumprindo seu trabalho. A crítica aqui é feita à lei brasileira que inviabiliza projetos públicos. Vou usar aqui o exemplo que ouvi de um amigo: na década de 1950 construímos Brasília em 4 anos, hoje o setor público não consegue contruir uma ponte.... boa parte das ineficiências nessa área decorrem diretamente da legislação arcaica que trata de projetos públicos. Por exemplo, assuma que o governo decidiu duplicar determinada rodovia. Entre esse momento e o início da obra não se levam menos de 2 anos!!! Tempo esse decorrente dos trâmites burocráticos necessários. O mesmo vale para projetos de mobilidade urbana, e é pior ainda no caso de construção de hidrelétricas.

Para finalizar, acontece também dos órgãos de controle paralisarem obras. Como se paralisar uma obra fosse a melhor maneira de evitar o desperdício de recursos públicos. Hoje, na minha opinião, devemos rever urgentemente o papel da CGU, do TCU, do IBAMA, e dos diversos órgãos envolvidos na fiscaliação. Sem isso, o setor público ficará cada vez mais ineficiente. Para deixar claro, na minha opinião, as leis anti-corrupção atuais impedem a realização das obras, mas não combatem a corrupção. Resumindo, hoje concordo com o senador romano, do jeito que está é melhor acabar com as leis de combate a corrupção (inclusive a lei de licitações), vai sair mais barato!

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