segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

O que penso sobre a Senadora Katia Abreu

Em primeiro lugar, devo deixar claro de que era fã da senadora Katia Abreu. Nessas coincidências da vida, por duas vezes vi a Senadora (no lançamento do livro de Reinaldo Azevedo em Brasilia, e outra vez no aeroporto). Em ambas entreguei meu cartão a ela dizendo que teria prazer em trabalhar de graça, caso ela precisasse de ajuda em questões econômicas. Se Katia Abreu tivesse sido candidata a Presidente da República em 2010, teria votado e feito campanha para ela.

Quando a senadora trocou o DEMOCRATAS pelo PSD fiquei chateado, mas compreendi seus motivos. Infelizmente esse tipo de coisa acontece. A medida que o PSD se aproximava mais e mais da base governista, meu descontentamento aumentava. Então veio a surpresa: Katia Abreu deixou o PSD para ingressar no PMDB. Foi uma surpresa negativa, mas dado que ambos os partidos são da base do governo, também não foi nenhum desastre. Além disso, os motivos para a saída da senadora do PSD me pareceram legítimos.

Dito isto, confesso que me surpreendi com o artigo publicado pela Senadora na Folha de São Paulo "Conspiração, teoria e prática". Sim, o artigo é excelente. Sim, o artigo vai no ponto: "(...) há um projeto em curso, que pretende restringir e relativizar a propriedade privada e a economia de mercado. Em suma, o Estado democrático de Direito". Perfeito, excelente análise!!! Mas, se assim o é nobre Senadora, então por que você se alia ao PT???

Ora, por que se associar ao grupo que dá sustentação política a quem quer destruir, nas palavras da senadora, o Estado Democrático de Direito???? Senadora, não se faz parceria com o Diabo se acreditando que irá salvar sua alma. Claro que eu entendo a situação politica, mas pergunto: será que a bancada ruralista é tão fraca assim? Não nos enganemos, o Brasil não tem partidos, tem bancadas. E, entre as bancadas, a ruralista é das mais fortes. Forte o suficiente para aprovar o código florestal, sem a necessidade de se associar a um partido da base governista.

Senadora, seu local é lutando a favor da democracia e do Estado de Direito. Senadora, te faço uma pergunta: quem financia os movimentos que estão pondo o Estado de Direito em risco? Ora, exatamente por que você vai apoiar quem apoia esses movimentos contra a propriedade privada e contra o Estado de Direito? Não pense que você esta usando o PT, não pense que você é capaz de manipular o PT, é justamente o contrário... é o PT quem esta a lhe usar. E fará contigo exatamente o que faz com todos os seus ex-aliados.

12 comentários:

w disse...

Perfeita análise.

Economico disse...

Perfeito, ela obteve avanços em seu projeto para agricultura, ganhou abertura com o governo federal, mas qual o preço? É importante ressaltar que no PMDB ela pode ter mais abertura para apoiar algum candidato localmente que no PSD (só observar a interdição do PSD mineiro para apoiar o PT nas eleições de 2012). No PMDB, algumas dissidências apoiam candidatos da oposição, resta saber se ela quer fazer isso.

Economico disse...

Perfeito, ela obteve avanços em seu projeto para agricultura, ganhou abertura com o governo federal, mas qual o preço? É importante ressaltar que no PMDB ela pode ter mais abertura para apoiar algum candidato localmente que no PSD (só observar a interdição do PSD mineiro para apoiar o PT nas eleições de 2012). No PMDB, algumas dissidências apoiam candidatos da oposição, resta saber se ela quer fazer isso.

GABRIEL BIRKHANN disse...

muito bom

Paulo Santos disse...

Meu caro Adolfo, precisamos de mais pessoas como ela, que pensem assim e se filiem cada vez mais a esses partidos, e assim toma-los desde dentro. Por acaso você ignora Gramsci. Adotemos essa mesma estratégia e acabaremos com esses comunistas travestidos de democratas.

Anônimo disse...

Creio que não é para tanto. O que vale mesmo são as atitudes da senadora. Não importa o partido em que ela está (desde que não seja o PT propriamente); o que realmente importa é: Ela abandonou a luta pelos ruralistas? Ela abandonou as causas que defende? Se não, estamos coando um mosquito e engolindo camelos.

Unknown disse...

Ao Paulo Santos que comentou acima, se ele leu Gramsci, deve saber que o poder da esquerda não se resume à influência de seus partidos na política de gabinete, mas se estende a toda uma militância espalhada nas universidades, escolas, igrejas, movimentos sociais, sindicatos e órgãos de mídia, lhe dando uma hegemonia cultural, que a direita hj não tem. A direita brasileira perdeu terreno em todos esses campos ao longo das últimas 3 décadas, e se quiser voltar a exercer influência nos rumos dos acontecimentos do Brasil, deve encarar o desafio como um todo, sem ilusão de que conquistar "carguinhos" no curto prazo vá lhe conferir algum poder de mudar o rumo das coisas.

Unknown disse...

Ao Paulo Santos que comentou acima, se ele leu Gramsci, deve saber que o poder da esquerda não se resume à influência de seus partidos na política de gabinete, mas se estende a toda uma militância espalhada nas universidades, escolas, igrejas, movimentos sociais, sindicatos e órgãos de mídia, lhe dando uma hegemonia cultural, que a direita hj não tem. A direita brasileira perdeu terreno em todos esses campos ao longo das últimas 3 décadas, e se quiser voltar a exercer influência nos rumos dos acontecimentos do Brasil, deve encarar o desafio como um todo, sem ilusão de que conquistar "carguinhos" no curto prazo vá lhe conferir algum poder de mudar o rumo das coisas.

samuel disse...

Concordo com “econômico”. No PSD ela estava sob liderança nojenta (t, v, l). No PMDB estão a maioria dos ruralistas. Embora o partido apoie o governo, há margem para defender a propriedade privada. O PMDB não é um partido que apoie ditaduras. Tem sido, aliás, um obstáculo a elas, as de antes e as de agora. DENTRO desse partido ela pode manejar melhor. Ela está fazendo isso?

Anônimo disse...

Julgo como vc Adolfo que a senadora está com a estratégia incorreta. É ilusória a ideia do leitor Paulo de tomar o PT por dentro. KB

Anônimo disse...

Adolfo, sim como vc é um liberal que trabalha para o governo e é uma voz independente. Penso que a senadora (que tb admiro) será uma voz de racionalidade no PMDB.

Anônimo disse...

A Kátia Abreu é muito racional, realmente. Racional para os interesses de curto prazo da família de latifundiários da qual faz parte. Do ponto de vista ambiental, por exemplo, a política dela é totalmente suicida, ocasionando desastres ambientais cada vez mais frequentes e virulentos que levarão o Brasil à breca... Isso se a turma do PT não liquidar com o país antes, claro!

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