terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Onde está o dinheiro? (artigo escrito em 24/03/2010)

Em 24 de março de 2010 escrevi o artigo abaixo. Será que errei??? A teoria econômica é implacável, não é boa e nem ruim, ela apenas nos mostra que ações tem consequências. Sem querer parecer pedante, mas mais uma vez eu alertei dos problemas MUITO ANTES deles ocorrerem.

Entre janeiro de 2003 e janeiro de 2010 a oferta de moeda (M) cresceu incríveis 144,7%. No mesmo período a inflação acumulada (P) do IPCA foi de 45,7%, e o PIB (Q) cresceu aproximadamente 27%. Recorrendo a popular equação MV = PQ, e supondo V sem grandes variações, surge a inevitável pergunta: onde está o dinheiro? A parcela PQ deveria ser corrigida em torno de 33% para manter a igualdade válida. Assumindo que a velocidade de circulação da moeda (V) não se alterou tanto no período, temos aqui um mistério. Cabe ressaltar que caso inovações financeiras aumentem V, então o problema é mais severo ainda.

Assumindo que V não caiu nesse período (o que parece ser uma hipótese altamente plausível), restam três explicações para a controvérsia: 1) o PIB cresceu muito mais do que a contabilidade do IBGE indica; 2) alguns ativos se valorizaram numa magnitude muito superior a sugerida pelos índices de preço; ou 3) existe uma defasagem entre o aumento de moeda e o aumento de preços. No primeiro caso, temos uma medida do crescimento da corrupção ou do mercado informal. Isto é, o PIB do setor informal da economia cresceu o bastante para acomodar o aumento na oferta monetária (sendo que tal aumento da informalidade não foi captado pela metodologia do IBGE). No segundo caso, temos um índicio da presença de bolhas na economia brasileira. O terceiro caso sugere que teremos, em breve, a volta da inflação. Claro que uma combinação dessas três alternativas também é possível.

No caso de bolhas, quais seriam os mercados mais propensos a estarem operando numa bolha? Basta verificarmos quais mercados apresentaram valorização expressiva nos últimos 10 anos. Em termos de valorização, restam poucas dúvidas de que nos últimos 10 anos os mercados de ações e imobiliário foram campeões em rentabilidade. Dessa maneira, são estes os mercados mais propensos a estarem operando sob uma bolha inflacionária. Existe uma boa chance do aumento da oferta monetária (e do crédito) ter inflado os mercados imobiliários e de ações no Brasil. Sendo que tal incremento no preço das ações e das casas, por uma deficiência dos índices de preço, acabaram não se refletindo nas tradicionais medidas de inflação.

O aumento da moeda (M) está escondido em algum mercado no Brasil. Para nossa infelicidade, existem indícios de que o mercado de ações e imobiliário sejam o reduto de parte desse excesso de oferta monetária. Caso isso seja correto, cedo ou tarde, teremos um estouro de bolha nada agradável no Brasil.

2 comentários:

Anônimo disse...

Sachsida, tendo em vista que a Bovespa vem estacionada na faixa entre 44 e 54 mil pontos há pelo menos 3 anos, variando quase nada pra fora destes limites, e que o mercado imobiliário vem apresentando expressiva valorização ao longo dos últimos 10 anos, tendo se acentuado a partir de 2008, eu não me surpreenderia se a bolha estivesse localizada com muito mais força no setor imobiliário.

Os corretores podem espernear a vontade, mas nada vai mudar este fato.

Anônimo disse...

Eles jamais admitirão isso. Por mais claro que esteja!

Google+ Followers

Ocorreu um erro neste gadget

Follow by Email