quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Você Concorda que um Homem Solteiro de 40 anos possa adotar uma Menina de 12 anos?

Infelizmente o Brasil é o país das discussões rasteiras, que beiram a torcida por um time de futebol. Aqui questões filosóficas e morais complexas são simplesmente desconsideradas. "Sou a favor disso porque sou!" ou ainda "Sou contra porque sim!" Costumam ser o padrão básico da discussão.

Perguntas difíceis e questões complexas tem o direito de terem repostas difíceis e nebulosas, onde é extremamente complicado saber quem tem razão e quem está errado. Pode até ser o caso de todos estarem igualmente errados. Umas dessas questões difíceis, e que no Brasil os gênios já tem a convicção da resposta certa, refere-se ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. Você concorda que pessoas do mesmo sexo possam se casar? Se sua resposta for sim, inevitavelmente você terá que responder a outra pergunta: você concorda que um casal homossexual possa adotar filhos? Notaram? A discussão sobre casamento homossexual envolve esferas bem maiores do que a simples união delas.

Você concorda que um homem solteiro, de 40 anos, possa adotar uma menina de 12 anos? Notaram? Essa pergunta é extremamente difícil de responder, pois a rigor a questão sexual passa automaticamente em nossa cabeça. E um casal de homens poderia adotar a menina? Ora, se dois homens podem adotar uma menina, por que um apenas não o poderia? E se, em vez de uma menina, eles quisessem adotar um menino de 12 anos, você estaria de acordo?

Não é fácil ser favorável a um homem solteiro poder adotar uma criança. Mas se isso vale para um homem (e nem tanto para uma mulher solteira), então por que o mesmo argumento não valeria para dois homens que vivem juntos?

Eu acredito que o termo "casamento" tem uma conotação religiosa, logo deve ser reservado para heterossexuais. Aos homossexuais restaria a união estável. Sim, o tema é polêmico. Não sou o dono da razão, talvez esteja errado. De qualquer maneira, acho que em breve a igreja deveria escolher outro nome para o termo "casamento", algo como "sagrado matrimônio". Assim, preservaria-se o caráter religioso e heterossexual das uniões celebradas na igreja.

Encerro por aqui com um pedido: reflitam! A questão do casamento entre homossexuais é ampla e difícil; não deve ser tratada na base do nós contra eles. As implicações que derivam disso não se restringem apenas ao casal, mas a toda a sociedade. Por fim, apenas para esclarecer aqueles que insistem em não entender: acredito que todo ser humano tem o legítmo direito de perseguir sua felicidade. Sendo assim, me parece evidente que os homossexuais devam ter direito a união estável. A questão aqui é outra, é apenas provocar uma reflexão no leitor sobre futuros desdobramentos que devem ser pensados.

11 comentários:

Lopes disse...

Como você disse, Adolfo, é uma questão complicada que envolve várias estâncias.
A maior parte das pessoas querem opinar sem realmente tentar entender o que se passa na cabeça dessas pessoas, as condições que as levaram a ser assim e quais as reais consequências.
Acredito que a sociedade mudou e vai mudar cada vez mais. Com o aumento da qualidade de vida, a reprodução e manutenção de uma vida moral e ética já não é tão mais importante.
Uma coisa é fato, precisamos pensar melhor se devemos trazer novos indivíduos à esse mundo ou se devemos cuidar melhor dos que já estão aqui, aprendendo a viver em uma sociedade harmônica.
Será que isso é possível ?

Anônimo disse...

Você concorda que pessoas do mesmo sexo possam se casar?

SIM

você concorda que um casal homossexual possa adotar filhos?

SIM

Você concorda que um homem solteiro, de 40 anos, possa adotar uma menina de 12 anos?

SIM

Vc acredita na igreja?

NÃO.

Justificativa: cada um pode fazer o que quiser desde que não prejudique o próximo. Homessexuais podem ser tão bons pais como casais héteros. Ou não. Isso daí é uma discussão rasteira.

abraço

Anônimo disse...

A conotação do termo "casamento" é absolutamente irrelevante.

Não consigo entender como alguém é contra a união (seja chamada de "casamento" ou "kljeah") entre pessoas do mesmo sexo - de nada afeta a minha vida.

Anônimo disse...

preservaria-se -> preservar-se-ia.

Grammar Nazi.

Anônimo disse...

A discussão do casamento homossexual só é complicada por causa da militância gay, que, é importante que se diga, liga menos para os direitos e deveres de homossexuais que trabalham e vivem suas vidas normalmente do que para a jihad cultural na qual estão metidos. Em suma, está para pessoas gays assim como a CUT está para os trabalhadores.

Se o termo casamento é usado ou não é irrelevante. O que importa são as garantias legais dadas a casais homossexuais que trabalham, pagam impostos e constroem riqueza. Eu, por exemplo, sou heteressexual e não sou casado no civil. Mas a união estável que mantenho com a minha mulher há mais de 15 anos garante que ela seja minha dependente no plano de saúde e possa receber o meu seguro de vida, herança, etc.

Quanto à adoção, os responsáveis da área avaliam cada caso. A maldade é democrativamente espalhada entre homo e heterossexuais. Um casal heterossexual pode explorar sexualmente uma criança. Portanto, esta discussão, na minha opinião, não está diretamente relacionada ao casamento gay, mas sim a uma avaliação criteriosa do juizado de crianças e adolescentes.

Anônimo disse...

Texto de Maurilo Andreas no facebook:
http://www.facebook.com/maurilo.andreas/posts/10200890476135117

Para reflexão.

Eu cresci homofóbico e eu cresci fazendo bullying. Naquela época era normal e pareceria até estranho não agir dessa forma.

A questão da homossexualidade era vista por mim e por quase todos os meus amigos como algo estranho. Ser chamado de "veado" competia com ser chamado de "filho da puta". As piadas com os gays estavam na televisão, vinham de nossos pais e colegas e, pra dizer a verdade, quase não conhecíamos homossexuais. Claro que havia, por exemplo, o cabelereiro gay, mas que tratávamos como uma excentricidade.

O tempo foi passando e eu comecei a conviver com homossexuais, primeiramente através da minha mãe, que tinha muito contato com gays. Aos poucos, muito lentamente, fui percebendo que essas não eram pessoas afetadas, sem profundidade, apenas personagens exóticos que circulavam enquanto nós vivíamos.

Comecei a notar que pagavam contas, batiam ponto, se decepcionavam, eram amigos, discordavam, concordavam, enfim, faziam tudo como eu.

A estranheza ia diminuindo, mas pra mim eles estavam bem como pessoas que eu encontrava de vez em quando. Eles lá e eu cá.

Só um bom tempo depois, quando comecei a ter amigos homossexuais e a realmente conviver com eles, é que percebi que a orientação sexual era como a cor do cabelo: não era credencial para mais nada a não ser a orientação sexual em si.

Existem gays e heteros chatos, negros e brancos engraçados, gordos e magros cruéis, altos e baixos com um coração de ouro. O que importa é a pessoa e não quem ela ama ou deixa de amar, com quem ela transa ou deixa de transar.

Ir contra esse direito da busca pela felicidade é ir contra o ser humano. É abrir espaço para que amanhã os perseguidos sejam os evangélicos ou os turcos ou os homens de cabelos cacheados.

Eu considero essa visão política e religiosa dos direitos dos homossexuais tão estúpida quanto era há alguns anos questionar, com base na religião e na política, o direito dos negros à liberdade e à igualdade. Mas ela existe e precisa ser combatida.

Eu, que durante muito tempo achei que não tinha problema criticar, menosprezar ou humilhar alguém por ser gay, estou aprendendo o quanto isso é idiota. Eu que achava que minhas piadas não feriam e que se ferissem, foda-se, penso um pouco mais antes de falar.

Ainda sou homofóbico em medidas que não percebo, racista em medidas que não percebo, machista em medidas que não percebo e faço bullying em medidas que não percebo. Se você procurar nas coisas que disse e fiz, certamente vai achar idiotices que me deixariam com vergonha e me colocariam ao lado de quem eu hoje sou contra.

Mas pelo menos agora tento ser consciente e pensar no outro ser humano que é tão sensível, falível, forte, estúpido e genial quanto eu e que simplesmente prefere fazer amor com alguém do mesmo sexo.

É que eu acho que a homofobia acaba primeiro na gente. E sei que ainda estou longe, mas não sigo mais de olhos fechados.

Anônimo disse...

muito bem colocado. bastaria dois pedófilos declararem união estável para adotar uma criança. o triste é q o nazigaysismo domina a banânia :( abs

Anônimo disse...

Adolfo, acho que você errou a colocar homossexualismo e pedofilia no mesmo post, o que pode dar a entender que as coisas estão relacionadas. Acho que não há provas conclusivas sobre isso e insinuar alguma relação me soa como preconceito. Acho a questão simples na medida que duas pessoas homossexuais que se casam passam a formar uma família, o que não é o caso de um homem sozinho.

Anônimo disse...

Isso não seria adotar. Tá mais para tutoriar.

12 já tá moça. O homem não vai ser visto como um pai.

Bruno disse...

Anônimo do dia 1 de fevereiro de 2014 09:34,

A sua colocação "bastaria dois pedófilos declararem união estável para adotar uma criança" é tão absurda, que até parece ser algum tipo de ironia.

Mais fácil do que encontrar dois pedófilos homossexuais que façam uma união estável e consigam convencer o poder público de sua capacidade para adoção, é encontrar um único pedófilo hétero que se case facilmente até na Igreja e cometa toda série de abusos contra a criança escondido atrás da cortina do "casamento normal".

Nem por isso seremos contra todo tipo de adoção.

A existência de pedófilos, algo que ocorre tanto entre homos quanto héteros (inclusive, vejo muito mais casos de abusos de meninas), não se basta para limitar os direitos legítimos de certos grupos sociais.

Aliás, toda essa discussão é tão deslocada, anacrônica, absurda. Pessoas solteiras, de qualquer sexo, podem adotar há muito tempo. Toda adoção é acompanhada, a decisão é tomada após avaliação caso a caso. Esse direito, que já existe, nunca serviu para abrir as porteiras para pedófilos.

Kisu disse...

Meio bizarro começar por pedofilia e acabar parando na homossexualidade...
São várias perguntas difíceis e que não têm uma única resposta, porque estamos tratando de humanos com personalidades, mentes e atitudes diversas.
Até os 13 anos, responderia de um jeito, abri minha mente aos 14 e "sim, pessoas do mesmo sexo deveriam poder se casar, mas, não, não deveriam adotar!" (e o que digo não vale para poligamia). Até certo ponto, entendo que todos têm direito a felicidade, têm direito a ficar com quem lhes faça bem e sem que devam dar satisfação ou morrer por que desejam o que todos queremos - sermos felizes! Afinal, de que adianta ser hetero e infeliz? Qual o problema de beijar alguém que você ama em público (levando em conta um certo nível de discrição válida para todos)?
Veja por esse lado, você não ficaria com qualquer mulher só por ela ser mulher, certo? Então por que deduzir que só por um homem ser homo qualquer outro homem serve?! - Não estou a insinuar que você é assim, mas é desse jeito que boa parte da sociedade reage, ou seja, por repúdio! Sendo que a homossexualidade sempre existiu desde tempos antigos que nem dentro da realeza e se não me engano, o filme Alexandre - o Grande traz breves cenas desse fato, embora não seja um argumento válido de minha parte.
Tudo o que aconteceu do passado para a atualidade foi os homos pararem de se esconder.
Ser hetero é fácil! Difícil é ser homo, porque tem que gostar e muito de alguém para ir por esse caminho e ainda enfrentar todos os contras da sociedade e da família. Aí dizem, "ah, mas por que eu não quero que meu filho aprenda o que é errado", pois ensinar o certo não é dever dos pais?
Homossexuais adotarem? Embora digam "melhor do que ficar no orfanato ou abandonado", ahhh, por favor, nem muito casal hetero consegue facilmente, então por que os homos poderiam? Uma coisa é estar com quem gosta, a outra é querer criar uma criança. Crianças precisam de uma família adequada, nem que seja de pais solteiros, porque que pensamento elas teriam crescendo em um ambiente rodeado de valores diferentes? Cresceria achando que ser hetero é errado? Ou talvez com ódio de também ser alvo de chacota e bullying por parte dos amiguinhos? Imagina o sofrimento da criança com os amigos perguntando o porquê dela ter 2 pais ou 2 mães. Se quer ser homossexual, contente-se com o fato de não ter filhos.
Quanto a questão do homem solteiro, de 40 anos, adotando uma menina, depende e muito. Não há como saber se o sistema de adoção é falho ou não, podendo o homem ser alguém de bem e que pode dar uma vida melhor a menina e o rígido sistema privar muitos benefícios mútuos. Afinal, hoje em dia no que não se pode confiar na própria família com filho matando pai e vice-versa, estranhos podem ser mais confiáveis do que se pensa, mas claro que seria um risco a ser considerado.
Sou católica sem discriminar outras religiões, acredito em Deus, mas não na igreja terrena. Afinal, Deus não marcou ninguém com estereótipo de bruxa para depois mandar para a fogueira, não é mesmo? Então ele não vai condenar alguém apenas por querer se casar ou ter sua benção seja com quem for. Mudar o nome casamento também não vai fazer diferença, é somente uma troca de termos.
Receio que fugi bastante do tema, mas é somente a opinião de uma menina cabeça dura cuja vida continua do mesmo jeito com ou sem homossexuais no mundo e que acredita que todos deveriam seguir o princípio "não faça aos outros, o que não gostaria que fizessem com você".

Google+ Followers

Ocorreu um erro neste gadget

Follow by Email