sábado, 29 de março de 2014

Mais sobre a pesquisa do IPEA

1) Um homem bêbado e desmaiado na praia tem mais chances de ser estuprado do que um homem sóbrio usando terno e gravata na igreja.

Respostas) Concorda Totalmente. Concorda Parcialmente. Neutro. Discorda Parcialmente. Discorda Totalmente.


2) Existem homens para casar e homens para farrear.

Respostas) Concorda Totalmente. Concorda Parcialmente. Neutro. Discorda Parcialmente. Discorda Totalmente.


Foi mais ou menos assim que andaram concluindo que a sociedade brasileira é machista... amigos, um homem bêbado e desmaiado na praia CERTAMENTE tem mais chances de ser estuprado do que um homem de terno e gravata na igreja. Isso não é machismo, isso não é atribuir à vítima a culpa pelo estupro. Isso é apenas um fato. É claro que o estupro é errado e deve ser punido. Mas a pergunta 1 acima não serve para se inferir nada a respeito do padrão moral de uma sociedade. Afinal, ela é uma simples constatação de bom senso.


A pergunta 2 é auto-evidente. Tal como existem homens para se farrear e homens para se casar, existem também mulheres para isso. Alguma mulher quer casar com um homem que não sai da farra, que passa todas as noites na gandaia, que é irresponsável? De maneira semelhante, homens também não querem casar com mulheres com esse perfil. Isso nada tem de machismo, é apenas uma constatação óbvia de que determinadas pessoas não estão procurando relações estáveis. Por que você iria querer se casar com quem NÃO QUER uma relação estável? Da pergunta 2 não cabem inferências sobre o padrão moral do indivíduo, pois é evidente que as pessoas procuram se casar com outros que QUEIRAM relações estáveis.


Digo isso pois a mídia tem repercutido duas perguntas que apareceram em estudo recente do IPEA.

a) “se as mulheres soubessem como se comportar, haveria menos estupros”.

Resposta) Essa pergunta equivale a pergunta 1 acima. Dela não se podem fazer inferências morais. Se alterarmos o termo "mulheres" pelo termo "homens" a afirmação seria igualmente verdadeira. Se substituirmos o termo "estupro" por "assassinatos", idem. Isso NÃO SIGNIFICA responsabilizar a vítima pelo ato do criminoso, significa apenas que algumas condutas nos expõe mais ao perigo de marginais.

b) "Tem mulher que é pra casar, tem mulher que é pra cama".
Resposta) Essa pergunta equivale a pergunta 2. Novamente, dela não podemos fazer inferências morais.

A rigor existe uma única pergunta que realmente assusta.

c) "Mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas".
Resposta) Lembrando que 66% das pessoas que responderam a pesquisa eram mulheres, causa estranheza que quase 43% dos entrevistados concordem totalmente com isso, e outros 22,4% concordem parcialmente. Isso sim é um indício perigoso. Certamente, ninguém merece ser agredido pela roupa que usa. Mas, honestamente, essa resposta esta em franca contradição com o restante da pesquisa. Nas outras 24 perguntas, não me parece que tenha sido essa a tendência das respostas. Vale a pena pesquisar mais sobre isso.

Por fim, alerto uma vez mais, a AMOSTRA DA PESQUISA NÃO PODE SER EXPANDIDA PARA O BRASIL. A amostra que baseou o estudo do IPEA (SIPS) sofre de viés de seleção amostral. Essa amostra NÃO serve para se fazer inferências para a população brasileira. Eu já fiz um vídeo explicando isso. A amostra da SIPS entrevista as pessoas em casa durante o horário comercial. Isso acaba tirando a aleatoriedade da mesma. Afinal, existe um padrão estatístico para pessoas que estão em casa, em dias de semana, no horário comercial diferente do padrão do restante da população. Te pergunto: durante a semana você esta em casa durante o horário comercial? Você verá que, numa ampla gama de casos, quem esta em casa nessa hora são empregadas domésticas, faxineiras, babas e afins. Ou seja, a pesquisa SIPS acaba sobrerepresentando pessoas com tal característica na amostra. Prova disso é que 66% dos entrevistados eram mulheres, participação feminina bem acima da participação delas na população geral.

11 comentários:

Anônimo disse...

não é apenas a mídia que está dando este enfoque. O próprio site do Ipea dá este enfoque. Olhe aqui: http://www.ipea.gov.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=21847&catid=10&Itemid=9

Anônimo disse...

A própria nota técnica assinada pelo Diretor de Estudos Sociais do Ipea afirma categoricamente, na página 3, que "Infelizmente, seria prematuro concluir, com base nesses resultados, pela baixa tolerância à violência contra a mulher na sociedade brasileira, pois a mesma pesquisa oferece evidências no sentido contrário. Quase três quintos dos entrevistados, 58%, concordaram, total ou parcialmente, que “se as mulheres soubessem se comportar haveria menos estupros”. E 63% concordaram, total ou parcialmente, que “casos de violência dentro de casa devem ser discutidos somente entre os membros da família”. Também, 89% dos entrevistados tenderam a concordar que “a roupa suja deve ser lavada em casa”; e 82% que “em briga de marido e mulher não se mete a colher”.

fonte: http://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/SIPS/140327_sips_violencia_mulheres.pdf

O problema é que esta nova gestão do Ipea revolveu abraçar as causas politicamente corretas. Já tinham feito aquela lambança no estudo sobre negros e violência, agora mais essa. No fim, esta gestão está conseguindo ser tão ´patética quanto a do Pochmann. Pobre Ipea.

Anônimo disse...

Outra coisa: mesmo sabendo dos problemas da SIPS, a Diretoria do Ipea não tiveram o menor pudor de extrapolar seus resultados para a população brasileira. Não foi a imprensa que fez isso, foi o Ipea. Pobre Ipea

Anônimo disse...

Nota-se que esta pesquisa foi mais um ardil do PuTê para iniciar uma nova luta de classes (mulheres x homens) na população brasileira.

Dividindo para conquistar eles vão tomando conta do país...

Anônimo disse...

Estatística nem sequer é uma ciência para ser levada a sério. Essas pesquisas não servem para absolutamente nada a não ser gerar mais conflitos inúteis e material para a mídia inútil.

Anônimo disse...

A pesquisa foi mal feita, mas a mídia não está dando atenção a outros dados relevantes, como o de que 50% dos estupros ocorrem com crianças até 13 anos, oque indica o avanço da pedofilia. Não acho justo atacar o Instituto como umtodo por problemas em uma pesquisa. Deveriam citar os autores. Já criaram até uma página no FB "eu não mereço ser enganada pelo Ipea" isto tb é assassinato de reputação de uma instituição que tem prestado milhares de pesquisas relevantes!

Anônimo disse...

Anônimo de 30 de março 13:18 - Termine seu ensino médio antes de tentar falar mal de uma cadeira importante para todas as outras que trabalhem com pesquisa e análise de dados.

Lamentável ainda encontrarmos no Brasil gente tão ignorante como você...

Anônimo disse...

Como sempre, os grupos feministas mais uma vez atentam contra a sociedade, desta vez por meio de uma pesquisa tendenciosa cuja meta era caluniar o povo brasileiro, qualificando-o de apoiador do estupro. Mas o tiro saiu pela culatra, pois já não somos tão trouxas como antigamente.
Essa pesquisa visou denegrir a imagem dos brasileiros, induzindo as pessoas entrevistas a caírem em armadilhas inquiritórias e a darem respostas que, posteriormente, foram utilizadas para se forjar uma conclusão que não correspondia ao que os entrevistados pensavam.

Se eu fosse um desses entrevistados, exigiria repração.

Anônimo disse...

Caiu o diretor do IPEA!
Pesquisa mal feita e divulgada de forma errônea.
Ponto pro Sachsida.
Brados
martins

Anônimo disse...

Pesquisa encomendada para livrar a cara da Dilma, com a desculpa de que a sociedade brasileira é machista e ela estaria sendo perseguida! Acooooooooooooooooooooorda, Brasil!

Anônimo disse...

Prezado Saschida

no vernáculo popular, o verbo mereceu tem um sentido levemente diferente do que o que está sendo divulgado.

Tem entre eles um sentido mais fatídico do que imperativo. É difícil explicar essas nuances da língua, mas com certeza, quem fez isso sabia muito bem o resultado que estava procurando, numa pesquisa, a forma de falar do pesquisador, a orientação, o clima durante a pesquisa faz toda a diferença.

Depois: a forma de divulgação, justo no escandalo da petrobrás e por fim emitem uma errata no pé da página com o percentual correto sendo 25%.

Muito estranho?
ano eleitoral é assim.

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