sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Por que eu amo o Londrina?

As vezes me perguntam porque torço para o Londrina. Bem, eu não torço para o Londrina, eu amo o Londrina.

Como não amar um time que te traz tão boas recordações? Me lembro de meu pai, me levando ao estádio torcer para o Londrina quando eu tinha 4 anos de idade. Me lembro de minha primeira camisa do Londrina Esporte Clube... camisa essa que minha filha mais nova usa hoje. Quantas lições não aprendi com meu falecido pai indo ao estádio...

Certa vez minha mãe me perguntou se meu pai tinha bebido durante o jogo, eu respondi que sim. Meu pai olhou para mim e disse "Tem coisas que nós homens não comentamos". Como eu poderia entender isso com 4 anos??? Hoje eu entendo... desculpa pai. Certa vez, antes do jogo, paramos num barzinho. Meu pai pediu uma porção de moela, uma cerveja e uma Coca-Cola (para mim). Quando chegou a porção de moela meu pai a deu para uma criança pobre, conversou com a criança e deu a moela para ela. Olhou para mim e disse: "Pode até parecer que ele tem vantagem, mas nunca se esqueça que a vantagem é sua". Como eu poderia entender isso? Hoje eu entendo pai, obrigado.

Como esquecer de meu pai brigando porque um panaca brigava com meus irmãos (que pegavam latinhas vazias e jogavam no lixo, e por engano jogaram a latinha de cerveja cheia do ranzinza fora)? Como esquecer de meu pai me carregando e me protegendo em seus braços quando uma tempestade interditou um jogo no Estádio do Café?

Como esquecer de meu pai rindo de meu choro, após o Londrina perder do Atlético Paranaense, e dizendo: "Meu filho, como um time que paga 100 pode vencer um time que paga 200 ao juiz?". Certa vez, voltando para casa de um jogo ouvíamos os comentários da partida pelo rádio. O radialista metia o pau no Adalberto. Eu perguntei ao meu pai: "Pai não achei que o Adalberto jogou mal, por que estão falando mal dele?". Meu pai riu e disse que iria me mostrar uma lição... ele mudou a estação da rádio, e logo em seguida eu podia ouvir "Adalberto foi o melhor em campo!!!". Meu pai riu e disse: "parece que alguns radialistas tem outros interesses...". Como eu podia entender aquilo???? Hoje eu entendo pai!!!

Certa vez ouvia um jogo do Londrina contra o Atletico na capital. 36 minutos do segundo tempo, Atletico 2 x 1 Londrina. Então o técnico do Londrina faz a última substituição: troca um centroavante por outro... eu imediatamente comecei a xingar!!! Por que??? Por que? Perdido por 1 perdido por mil!!! Hora bolas tire o zagueiro e coloque o centroavante!!! Meu pai riu e disse: "Meu filho, existem resultados bons para o time e resultados bons para o técnico". Rssss como eu poderia entender isso??? Foram mais de 10 anos até que eu pudesse entender o raciocínio de meu pai. Ele se referia a um problema que eu sequer suspeitava que existisse... em economia, o nome de desse problema é problema do agente e principal. O velho era um gênio!

Quando meu pai teve um AVC e ficamos pobres, como me esquecer de nossos domingos na varanda de casa ouvindo o Londrina pelo rádio? Como esquecer das famosas frases: "é pique do fundo, fundo do pique" para denotar um contra-ataque do Londrina? Ou então "Tem jacaré no lago!!!" para se referir a um impedimento. Ou então, como esquecer eu e meu pai, olhares apreensivos, ouvindo o escanteio para o Londrina "Pé trocado perigo dobrado!!!".

Como não amar um time que me ensinou tanto? Como não amar momentos tão maravilhosos? Se existe justiça no mundo, um dia eu ainda irei vestir a camisa do Londrina e jogar 15 minutos pelo time do meu coração. Londrina eu te amo!!!

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Os Números do Crescimento do PIB

O IBGE divulgou o resultado do PIB para o ano de 2013, o mesmo apresenta um crescimento de 2,3% em relação a 2012 (com crescimento de 1,4% do PIB per capita).

Alguns números me chamaram a atenção. O mais óbvio deles a agricultura que cresceu 7%. Não fosse o agronegócio e o Brasil estaria amargando um resultado bem pior. Então vem minha primeira dúvida: por que o agronegócio é tão demonizado pelos movimentos sociais ligados ao PT?

Minha segunda dúvida refere-se ao crescimento da indústria de apenas 1,3%. Passou-se mais um ano, o BNDES torrou bilhões de reais e novamente o setor que mais recebeu subsídios foi o que menos cresceu. Até quando o governo vai acreditar que o problema da indústria é falta de crédito e problema cambial? O real desvalorizou e o governo deu subsídios creditícios para as indústrias e, mais uma vez, o resultado foi pífio. O problema da indústria não está na falta de crédito ou no câmbio. O problema da indústria está na baixíssima produtividade brasileira. Precisamos urgentemente avançar nas reformas tributárias e trabalhistas, de quebra faz-se necessário uma vigorosa diminuição na estupidamente pesada burocracia brasileira. São estas três palavras: impostos, legislação, e burocracia, os verdadeiros vilões da competitividade da indústria brasileira.

Minha terceira dúvida é sobre o crescimento da formação bruta de capital fixo. O IBGE indica que a formação bruta de capital fixo cresceu 6,3%. Estou muito curioso para saber o que anda entrando nessa conta. Gastos do governo entram como nessa conta? Quando o ministério da fazenda compra ar condicionado para seus escritórios isso está entrando como formação bruta de capital fixo? Os estádios para a Copa do Mundo com certeza entram nessa conta, e é evidente que os mesmos são elefantes brancos. Difícil acreditar que os R$ 1,5 bilhões de reais gastos no estádio de Brasília sejam um investimento que vá gerar algo além de mais despesas no futuro.

Enfim, mais um ano de baixo crescimento econômico e de inflação em alta. Não custa lembrar que meus estudos sobre a curva de Phillips já sugeriam isso. Já mostravam que permitir um aumento da inflação faria muito pouco pelo crescimento econômico. Quem sabe da próxima vez seja ouvido, a esperança é a última que morre.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

A Caixa Preta da Petrobras

As ações da Petrobras não param de cair. Pergunta: dada a enorme queda no preço das ações da Petrobras, não seria de se esperar que investidores aproveitassem o momento e comprassem essas ações? Os preços das ações da Petrobras estão, em valores nominais, parecidos com os de julho de 2005!!!! Ontem a Petrobras anunciou um belo lucro, adivinhem o que ocorreu com o preço de suas ações? CAIU!!! Exatamente por que uma empresa anuncia um belo lucro e suas ações caem?

As ações da Petrobras caíram por um motivo simples: o futuro da empresa é incerto. Anos de interferência política nas decisões da empresa estão cobrando seu preço. Hoje o mercado, isto é, a sociedade, simplesmente não confia na Petrobras o suficiente para colocar seu dinheiro nela.

Existem vários motivos para a desconfiança do mercado. O mais óbvio e evidente deles é o endividamento da empresa. Dentro da fábrica encantada de truques contábeis do governo, a "genialidade" tentou dar aquele empurrão na maquiagem do lucro, na esperança de que isso convencesse o mercado. Infelizmente para o governo o truque foi percebido, claro que não notar o endividamento gigante da empresa (com alta espantosa nos últimos dois anos) não é tarefa fácil.

Mas existem outros motivos não tão óbvios para desconfiar da Petrobras. Quando uma empresa dá de presente um patrocínio de R$ 650 mil para o MST, isso já mostra bem o cuidado que ela tem com seus recursos. Não vamos esquecer também que dentro dos "ativos" da Petrobras estão alguns bens de valor duvidoso, tal como a refinaria de Pasadena.

Lembram-se do caso da Caixa Econômica Federal? Lembram-se como ela fez para aumentar seu lucro? Quem garante que a Petrobras não está a fazer as mesmas manobras? Mas as perguntas não param por ai: quais outros ativos duvidosos não estão dentro do balanço da Petrobras? Podemos realmente confiar na contabilidade da Petrobras? E, como fica a estratégia de reajuste dos combustíveis? A Petrobras vai poder finalmente reajustar o preço dos combustíveis? Se puder como serão esses reajustes? E como procederá a Petrobras em caso de desvalorizações do câmbio? Tais desvalorizações poderão ser repassadas ao preço dos combustíveis? E a manutenção das plataformas, estão realmente sendo feitas de maneira adequada? Ou será que andam protelando as manutenções em plataformas para evitar quedas na produção? E as plataformas feitas com exigências de componentes mínimos nacionais (acima do que ocorria antes), são realmente eficientes? Qual seu custo de manutenção? Qual o risco de algumas dessas plataformas apresentarem problemas? O recente problema envolvendo subornos de funcionários da companhia serão investigados ou vão ficar no limbo?

São dúvidas demais para uma empresa que tem ações negociadas em bolsa... essa é uma verdadeira caixa preta da Petrobras... aliás, o que a CVM tem a dizer sobre isso?

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Um Pequeno Passo Para um Comunista, Mas um Passo Gigantesco Para Conservadores e Libertários


Para os comunistas é sempre muito simples se juntarem em associações e assembleias, diria até que isso está no gene desses movimentos. Contudo, para conservadores e libertários parece haver certa resistência a associação. Nossa realidade é muita clara, estamos lutando contra o maior adversário que já habitou a Terra: estamos lutando contra os inimigos da sociedade aberta. E verdade seja dita, no Brasil, estamos perdendo de goleada.

A esquerda praticamente tomou todas as associações de representação civil. Aqui e ali existem honrosas exceções, mas há muito tempo que a esquerda não se permite ficar de fora de nenhum sindicato, associação de classe, clube de bolinha de gude, etc. As universidades e os veículos de comunicação em massa (jornais, revistas, rádio e televisão) são a vertente mais óbvia da supremacia que as esquerdas alcançaram em nosso país. Novamente, existem exceções. Contudo, estas estão geralmente isoladas e desarticuladas. O que mostra que a situação dos que defendem ideias conservadoras e libertárias no Brasil é bem precária.

Então venho fazer um pedido: vamos tentar nos organizar. De maneira alguma sugiro ignorar nossas diferenças. Sugiro apenas que reconheçamos o óbvio: estamos sendo esmagados pelo rolo compressor comunista. Vamos trabalhar com nossas similaridades (que são muitas). Vamos tentar organizar nossa resistência. Vamos tentar nos organizar de forma a difundirmos nossas ideias básicas. Todo libertário e todo conservador concorda com a proteção da propriedade privada, todos concordamos com um sistema de preços via mercado, todos concordamos com a proteção das liberdades individuais. Vamos nos organizar e fazer com que nossas ideias voltem a circular nas universidades, que é onde tudo começa. Com o tempo essas ideias alcançarão os professores do ensino básico, os jornalistas, os movimentos da sociedade civil, os juízes de direito, e finalmente o Congresso e o executivo.

Peço um favor a todos: você participa de algum movimento conservador ou libertário? Então por favor me envie seu contato. Vamos conversar, trocar ideias. Ver o que é possível ser feito. Sim, essa ideia esta longe de estar finalizada. Mas certamente é um pontapé inicial. Meu e-mail: sachsida@hotmail.com. Por favor, no assunto da mensagem escreva "conservador" caso você participe de algum grupo conservador, ou "libertário" se você participa de algum grupo libertário, ou simplesmente "liberal" caso você prefira.

Precisamos nos coordenar mais, precisamos nos unir. Faça essa mensagem chegar o mais longe possível. Aguardo seu e-mail.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Ou Privatizamos a Petrobras ou a Petrobras Privatiza o Brasil

Você se lembra do sistema Telebrás? Na época em que as telecomunicações eram monopólio do governo 50% das localidades brasileiras não tinha telefone. Isto mesmo: metade das localidades brasileiras não era atendida por telefone algum. Hoje pode parecer estranho, mas em 1994 era assim. Telefone era coisa de luxo. Dois telefones era coisa de rico. Foi a privatização do sistema que tornou o telefone popular no Brasil.

Telecomunicações era um setor estratégico diziam as vozes contrárias a privatização. Exatamente da mesma forma que as mentes contrárias a privatização da Petrobras argumentam hoje. Todos os argumentos usados contra a privatização da Telebras são usados contra a privatização da Petrobras. Tal como antes, todos estão igualmente errados. A Petrobras é uma fonte inesgotável de corrupção e de ineficiência, exatamente como o sistema Telebras o era no passado.

Nada contra os funcionários da Petrobras. Mas, é evidente que a Petrobras esta sendo sucateada com finalidade política. Seus cargos de alta gerência são dados a companheiros, e não aos mais capazes. Suas escolhas de produção sao direcionadas para satisfazer acordos políticos, e não metas de eficiência. Enfim, toda a estrutura da Petrobras é utilizada como instrumento de barganha política, desde as peças de reposição das refinarias até a instalação de plataformas maritmas. Tudo segue o critério político.

A balança comercial vai ficar muito negativa? Não tem problema, lance uma plataforma inacabada da Petrobras no mar e contabilize isso como exportação (mesmo que tal plataforma nunca venha a deixar o país). Precisamos financiar algum jornal amigo? Petrobras neles! Precisamos financiar algum blog de cumpadres? Petrobras neles! Precisamos arrumar verbas para algum movimento "social"? Petrobras neles! Evidente que uma companhia com esse tipo de gestão não pode ser eficiente.

A magnitude dos valores transacionados pela Petrobras impressiona, o volume de recursos associado direta ou indiretamente a essa empresa é gigantesco. Evidente que isso é uma fonte valiosa de poder e corrupção para quem está a frente do governo. Privatizar a Petobras é uma garantia de tirarmos dos tiranos esse poder. Não é preciso ir longe para ver o perigo que a Petrobras estatal representa: a Venezuela com sua companhia estatal de petróleo é o exemplo mais óbvio de como os recursos do petróleo podem ser utilizados pelo governo para desestabilizar o jogo democrático.

Ou o Brasil privatiza a Petrobras, tirando do governo essa fonte de poder, ou a Petrobras, tal como ocorreu com a PDVSA na Venezuela, privatiza o Brasil. Se não vendermos a Petrobras, em breve, o poder originado dessa companhia será o combustível que os inimigos da sociedade aberta utilizarão para se propagarem no poder.

Tal como no passado a venda do sistema Telebras fez bem aos brasileiros (e mal aos políticos), a venda da Petrobras fará bem ao povo brasileiro (e mal aos políticos). Privatizar a Petrobras além das vantagens econômicas é também uma questão fundamental para preservarmos nossa liberdade.

BNDES e CEF financiando o MST, qual o objetivo disso?

Hoje fiquei sabendo que a Caixa Econômica Federal (CEF) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) financiaram o evento do Movimento dos Sem Terra (MST) ocorrido neste mês em Brasília. Pergunto: qual o objetivo disso?

Exatamente por que a CEF deu R$ 200 mil reais ao MST? Exatamente por que o BNDES deu R$ 350 mil reais ao MST?

Cá entre nós, dizer que querem aumentar sua inserção no campo não pode ser verdade. Seria o mesmo que financiar o PCC dizendo querer expandir sua atividade em São Paulo... o MST é um movimento que invade e depreda propriedade privada. O MST é um movimento que aterroriza os produtores rurais. O MST é um movimento que leva a violência para o campo.

A atitude da CEF e do BNDES não é apenas um desrespeito a todos os trabalhadores rurais honestos. Não é apenas um desrespeito a todos os produtores rurais honestos. A atitude da CEF e do BNDES é um tapa na cara de todos os brasileiros com vergonha na cara. A atitude da CEF e do BNDES é uma afronta a todos os trabalhadores desse país que pagam impostos e veem recursos públicos serem destinados a movimentos que atentam contra a dignidade da pessoa humana. Sim, o MST atenta contra a dignidade da pessoa humana. Sim, o MST mantém trabalhadores de áreas ocupadas em cárcere privado. Sim, o MST representa a faceta da violência no campo e na cidade (vide sua atitude covarde ao espancar policiais em Brasilia).

A CEF já merece uma CPI há muito tempo.

O BNDES já merece uma CPI há muito tempo.


CPI IMEDIATA DA CEF E DO BNDES!!! Vamos verificar quanto que esses órgãos andam gastando com propaganda e a quem andam financiando!

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Os 10 Livros de Não-Ficção do Sachsida

Seguem os 10 livros de não-ficção que mais impacto tiveram em minha formação:

10) O Mundo Restaurado (Henry Kissinger)

9) Em Busca de Sentido (Viktor Frankl)

8) Enterrem meu coração na curva do rio (Dee Brown)

7) Dois Tratados Sobre o Governo (John Locke)

6) Grandes Vidas Grandes Obras (Seleção do Readers Digest)

5) A História da Guerra do Peloponeso (Tucídides)

4) Liberalismo na Tradição Clássica (Mises)

3) Ascensão e Queda do Terceiro Reich (William L. Shirer)

2) A Sociedade Aberta e Seus Inimigos (Karl Popper)

1) O Caminho da Servidão (Hayek)

OBS: é evidente que o livro que mais afetou meu comportamento e formação foi a Bíblia. Mas, como essa é a regra para basicamente todo o mundo ocidental, sendo um livro tão importante que influenciou mesmo os que não a leram, deixei a bíblia fora da lista. Me parece que seria covardia com os demais não fazer isso.

Mais um truque fiscal do governo: esse apesar de velho é pouco noticiado

Existe um truque que o governo recorrentemente faz uso, mas que é pouco divulgado. Quando o governo estima suas receitas para o ano seguinte, ele faz uma estimativa NOMINAL da arrecadação. Isto é, nessa estimativa estão incluídos tanto o crescimento da arrecadação propriamente dita (aumento REAL) como o crescimento decorrente da inflação.

Para estimar o crescimento real, o governo usa como parâmetro o crescimento do PIB. A esse crescimento ele soma o crescimento que advém do aumento da inflação. Resumindo, para estimar o gasto do ano seguinte o governo acrescenta a estimativa do crescimento do PIB e a estimativa de inflação.

Quando Mantega anuncia que está usando uma taxa conservadora de crescimento do PIB (de 2,5%) isso embute um truque. As estimativas do governo geralmente adotam a meta de inflação como sendo a inflação esperada. Assim, para estimar o crescimento das receitas o governo soma o crescimento esperado do PIB com um valor próximo da meta de inflação. Por exemplo, o governo estima que a inflação será de 5%, somados com o crescimento esperado do PIB, isso dá (grosso modo) um crescimento de 7,5% da arrecadação. Mas suponha agora que o crescimento do PIB seja de apenas 1,5%, mas a inflação suba 6%. Grosso modo a receita nominal continuo crescendo em 7,5%. Entenderam? No fundo o governo estima um pouco a mais do PIB, e um pouco menos de inflação, para aparecer bonito na foto. No final do dia o aumento da inflação faz pela arrecadação nominal o que o crescimento do PIB não fez.

Tal como tenho alertado, o verdadeiro ajuste fiscal desse governo é a INFLAÇÃO!

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Mais um Ajuste Fadado ao Fracasso da Pior Equipe Econômica de Todos os Tempos


Hoje o governo anunciou mais um ajuste fiscal. Mais uma vez fadado ao fracasso. Seguem alguns pontos que merecem destaque:

1) A magnitude do superávit. Sim, é verdade que o governo perseguirá uma meta igual a do ano passado (1,9% do PIB). Contudo, a meta de superavit primário do ano passado só foi alcançada por causa de aproximadamente 35 bilhões de receitas extraordinárias do governo (15 bilhões do leilão de Libras e aproximadamente 20 bilhões do REFIS (programa de refinanciamento de dívidas)). Isto é, sem essas receitas extraordinárias, que não irão se repetir em 2014, o superávit do ano passado seria bem menor. O superavit primário do governo central foi de aproximadamente 75 bilhões de reais no ano passado, isto é, aproximadamente 46% dele foi obtido por meio de receitas extraordinárias.

2) Estados e municípios. Sim, é verdade que o governo colocou para eles a mesma meta de 2013. Mas agora me expliquem uma coisa: exatamente por que os estados irão economizar em anos de eleição o que eles economizaram em anos sem eleição? A evidência empírica não deixa dúvidas, em anos eleitorais os gastos públicos aumentam.

3) Governo central: esqueçamos as receitas extraordinárias que ocorreram em 2013 e que não irão se repetir em 2014. Exatamente por que o governo federal vai economizar em anos eleitorais o mesmo que economizou num ano sem eleição? A evidência empírica não deixa dúvidas, em anos eleitorais os gastos públicos aumentam.

4) Energia: alguém sabe quanto que o Tesouro vai gastar com a conta de energia? Resposta: ninguém! A insistência do governo numa política errada (não reajustar o preço da tarifa de energia) terá repercussões na conta do Tesouro Nacional. Resumindo: mais gastos.

5) Crescimento econômico. Mantega diz que sua previsão de crescimento econômico, de 2,5%, é conservadora. O mercado aposta em 1,7% de crescimento. Difícil dizer que a previsão do ministro seja conservadora.

Enfim, vamos aguardar as mágicas, vamos aguardar o show da contabilidade criativa, pois uma certeza fica: em 2014 o governo vai gastar mais do que gastou em 2013. Antes de encerrar, leiam essa passagem:

"A receita administrada foi de R$ 719,2 bilhões em 2013 e a nossa previsão é de R$ 779,1 bilhões em 2014. O crescimento é moderado, de aproximadamente 8%" (Guido Mantega).

Quando um ministro considera que um crescimento de 8% nas receitas administradas do governo, ante um crescimento do PIB estimado por ele mesmo de 2,5%, é "moderado", fica evidente que ele não tem muita noção das coisas.

Papai Noel, Coelhinho da Páscoa e Guido Mantega

Em dezembro é a vez do papai noel. Na páscoa é a vez do coelhinho. No começo do ano é a vez de Guido Mantega. A sua maneira cada um traz sua mensagem. No Natal somos lembrados da importância da família e do amor. Na páscoa lembramos da importância de uma outra vida. Em fevereiro Mantega nos lembra que precisamos realmente ter fé em Deus, pois só com muita fé para acreditar nas promessas de gastar menos do governo brasileiro.

Em fevereiro de 2011 eu comentei sobre o ajuste proposto por Mantega. Naquele ano a pior equipe econômica de todos os tempos prometia um corte de R$ 50 bilhões.

Em fevereiro de 2012 eu comentei sobre outro ajuste proposto por Mantega. Naquele ano a pior equipe econômica de todos os tempos prometia um corte de R$ 55 bilhões.

Adivinhem o que Mantega acaba de anunciar???? Isso mesmo!!! Ele anunciou um novo ajuste fiscal!!!! Só que dessa vez de R$ 44 bilhões. Claro que desse montante podem ser descontados os gastos no PAC e as desonerações tributárias, além é claro de sempre haver espaço para a criatividade do governo em transformar despesas em receitas ou simplesmente sumir com elas. Não deixa de ser irônico notar que, a medida que a situação fiscal do Brasil piora, o governo anuncia um ajuste mais suave. Isso já mostra bem o preparo e os objetivos desse governo. Um governo sério estaria alarmado com nossa situação fiscal. Tal como já avisei bilhões de vezes, em 2015 o ajuste será severo. Aliás, eu avisava disso quando ainda era possível evitar o desastre.

Tal como ocorreu nos outros anos, e sempre ocorre para os que esperam a visita do papai noel ou do coelhinho da páscoa, alguma decepção e incredulidade fica no horizonte. Para começo de conversa é bem pouco provável que um governo que não economiza dinheiro em tempos normais irá economizar em tempos de eleição. Além disso, devemos lembrar que é remota a possibilidade dos governos estaduais cumprirem suas respectivas metas de superavit. No passado, a União era responsável por cobrir a parte dos estados (caso estes não conseguissem obter suas metas de superavit). Mas, desde o ano passado, o governo mudou essa regra. Isto é, a pressão que o governo federal irá exercer sobre os governos estaduais, para que esses economizem, será bem próxima de zero (isto se não for negativa, afinal em ano de eleição o governo pensa é em se reeleger a si e a seus aliados).

Aqui eu explico como se faz ajuste fiscal. Um dia, quem sabe, tenhamos um governo que compreenda isso. Enquanto isso acreditemos em papai noel e no coelhinho da páscoa. Alguns gostam de acreditar em Mantega.... eu ainda acho mais seguro ficarmos com o papai noel, mas temos que respeitar a religião deles.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

A Vexatória Carta Branca dada pelo Governo Brasileiro ao Ditador Venezuelano

Chega um momento que uma pessoa de bem perde a fala. Ela não é mais capaz de expressar em palavras o ódio, a vergonha, a indignação. Foi o que aconteceu comigo hoje. Foi o que aconteceu comigo ao ler a vexatória carta, assinada pelos representantes do Mercosul, em favor do ditador venezuelano. Lá pode-se ler:

"(...) Os estados-membros instam às partes a continuar aprofundando o diálogo sobre as questões nacionais no marco da institucionalidade democrática e no estado de direito, tal e como foi promovido pelo presidente Nicolás Maduro Moros nas últimas semanas”.

O que dizer de uma nota tão covarde? O que dizer de tamanho desprezo pela democracia? O que dizer de um país militarmente e economicamente muito mais forte que a Venezuela, como é o caso do Brasil, que assine tal carta? Veja, ninguém ameaçou o Brasil, ninguém nos ameaçou. Em troca de que o governo brasileiro assina uma nota humilhante desse tipo? Simplesmente, essa carta tem um único objetivo: mostrar que o PT tudo pode. Mostrar que a opinião do brasileiro honesto e trabalhador não tem a menor importância para esse governo.

Gostaria de xingar, de ameaçar, de mandar alguém para aquele lugar. Não é de meu feitio xingar, mas deixo aqui uma promessa: todo aquele que não condenar essa carta covarde não será meu amigo, nem meu conhecido. Nem bom dia darei para essa pessoa. Pois aceito a discordância, mas não tolero covardes.

Chega um momento em que um Homem precisa tomar uma decisão. Precisa decidir se vai se calar, se vai se omitir, ou se irá combater os inimigos da sociedade aberta. Eu já fiz minha escolha a muito tempo, e faço aqui um alerta: se omitir não vai salvar a pele de ninguém. Chega de PT!!! Chega de ditadores!!! Viva a liberdade!

Finalizo esse post prestando minhas mais sinceras desculpas ao povo venezuelano, minhas sinceras desculpas pelo comportamento canalha e covarde do governo brasileiro. Venezuelanos, saibam que os brasileiros de bem estão com vocês. Vocês estão em nossas preces, tem o nosso apoio, tem o nosso respeito e admiração.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Vale a Pena Ler de Novo: A Década de 1970 está de volta?

No dia 31 de julho de 2012 eu concedia a entrevista abaixo. Vale a pena reler.

1) O Brasil está revivendo o final da década de 1970? Será que em breve estaremos revivendo a década de 1980 (apelidada de década perdida)? Por quê?


Sachsida) Sim. Temos hoje um governo que tem as mesmas ambições, e que utiliza os mesmos métodos errados, empregados pelos gestores de política econômica do final dos anos 1970. Tal como no final da década de 1970, os gestores da economia brasileira se recusam a realizar os ajustes macroeconômicos necessários. Tal como no final da década de 1970 temos o governo como o grande promotor do crescimento econômico. Seja escolhendo setores, e favorecendo-os com generosos subsídios do BNDES, seja escolhendo indústrias e favorecendo-as com desonerações fiscais, o governo tenta a todo custo dizer para onde deve ir a economia. Essa política de dirigismo estatal não funcionou antes, e irá fracassar novamente agora. É estranho que o Brasil adote hoje políticas que já fracassaram no passado e espere por resultados diferentes.

É uma ilusão acreditar que o Brasil não necessita de recursos externos. Existe aqui algo diferente da década de 1970. Hoje uma desvalorização cambial, no primeiro momento, favorece as contas públicas brasileiras. Isto ocorre por dois canais: 1) as reservas internacionais que o Brasil mantém diminuiriam a dívida pública em reais; e 2) a inflação resultante ajudaria a equacionar o problema fiscal. Adicionalmente, o setor público não está tão endividado em dólares como ocorria ao final da década de 1970. É com base nisso que alguns analistas argumentam que a dependência externa brasileira não é tão severa. Contudo, se esquecem de que, num segundo momento, as incertezas decorrentes desse ambiente trariam o caos de volta à economia brasileira. Também devemos ressaltar o óbvio: de onde vem a poupança para financiar o investimento brasileiro? Certamente não é do setor público. A poupança interna privada também não é suficiente. Isto é, boa parte do investimento nacional se realiza por meio de poupança externa. Poupança essa que denota a grande dependência que temos dos recursos externos.

Tal como a década de 1980 foi conhecida como década perdida, temo que as políticas econômicas atuais do governo brasileiro (muito semelhantes às políticas adotadas ao final da década de 1970) nos joguem numa crise de proporções equivalentes no futuro. Existem hoje vários problemas que podem complicar razoavelmente o desempenho de longo prazo do Brasil. Em particular, quero ressaltar a questão demográfica, uma verdadeira bomba relógio que o governo insiste em não desarmar.


2) Qual o maior risco do cenário externo para a economia brasileira?


Sachsida) Existem hoje dois grandes riscos para o Brasil: a) uma queda no preço das commodities; e b) um aumento na taxa de juros internacional. Uma queda no preço das commodities afeta negativamente os termos de troca nacionais, em resumo, nos deixa mais pobres. Note que ao longo do tempo é normal a oscilação dos termos de troca. Assim como hoje tal oscilação nos favorece, um dia tal tendência irá se inverter. Nada de errado com isso. Errado é deixarmos em segundo plano o importante papel que as commodities representaram no desenvolvimento econômico brasileiro recente.

Cedo ou tarde a inflação irá ressurgir nos EUA e na Europa. Quando isso ocorrer tais países irão aumentar a taxa de juros, que hoje se encontra num patamar mínimo histórico. O aumento das taxas de juros internacionais será o começo do suplício da economia brasileira. Devemos aproveitar enquanto a taxa de juros internacional ainda é baixa para realizarmos os necessários ajustes macroeconômicos. Infelizmente, a recusa em fazer isso, aliada ao aumento dos gastos do governo, terá consequências nefastas para nossa economia quando do aumento da taxa de juros internacional.


3) O governo parece estar usando política tributária para controlar a inflação. Você acredita que isso seja verdade? Se for verdade, concorda com isso? Por quê?

Sachsida) Sim, o governo vem adotando mecanismos exóticos de combate à inflação. Essa equipe econômica é tão ruim que é bem provável que eles não tenham notado que as desonerações tributárias iriam reduzir a inflação medida pelo IPCA. Contudo, uma vez que o fruto proibido foi provado o governo parece ter gostado da ideia e insiste nela. O exemplo mais gritante foi a questão da CIDE, onde o governo clara e intencionalmente usou política tributária para conter a inflação.

Usar política tributária para combater inflação é uma ideia medíocre. Apoiar isso requer um alto grau de analfabetismo econômico.


sábado, 15 de fevereiro de 2014

VideoCast do Sachsida: Por que entrei no curso de Direito?

Nesse vídeo friso que temos que combater os inimigos da sociedade aberta. Este vídeo é um apelo por união!!! Vamos unir nossas energias no combate as forças que querem nos escravizar!!! Assista ao vídeo clicando aqui!

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Hoje, em termos operacionais, a única diferença entre liberais e conservadores refere-se a liberação da maconha


Num post anterior, fiz uma lista de pensadores liberais que talvez tenha causado a estranheza de alguns. Não foi descuido e nem obra do acaso. Aquele post tenta mostrar que o movimento liberal é bem maior do que alguns supõe. O liberalismo se caracteriza por sua defesa de três pontos: liberdade individual (respeito ao estado de direito), defesa da propriedade privada, e apoio a um sistema de preços de livre mercado. Todos que defendem esse conjunto de ideias são liberais. Contudo, entre os liberais existem divergências. Dessas divergências temos a formação de vários grupos dentro do movimento liberal. Grupos esses que estão entre os liberais clássicos (conservadores) e os ultra-liberais (libertários).

Num mundo que começasse do zero, certamente conservadores e libertários estariam separados, talvez até em pontas opostas. Contudo, o mundo já existe. Hoje, no Brasil, em termos operacionais, existe apenas uma única diferença importante entre liberais e conservadores: a descriminalização da maconha. Os conservadores são contra, os liberais são a favor. A rigor, os libertários pregam a descriminalização de todas as drogas. Contudo, em termos operacionais, me parece bem pouco provável que a liberação do crack e da heroína tenham espaço político para prosperar nas próximas duas décadas.

Vejamos a questão dos impostos. Eu, enquanto conservador, gostaria de manter a carga tributária ao redor de 20% do PIB. Os libertários são contra impostos obrigatórios, logo defendem uma carga tributária obrigatória de 0%. Suponha que um libertário vença as eleições, por acaso será possível reduzir a carga tributária brasileira dos atuais 36% do PIB para 0%? Óbvio que não, uma sociedade, para manter o estado de direito, não pode sofrer mudanças repentinas dessa magnitude. Logo, tanto um conservador quanto um libertário trabalhariam em conjunto para, gradativamente, irem reduzindo a carga tributária. Acredito que, em 2 décadas, sejamos capazes de reduzir a carga tributária para algo em redor de 20% do PIB. Só a partir desse ponto é que haveria discussão entre os libertários (que pressionariam por mais redução) e os conservadores (satisfeitos com o patamar tributário).

Vejamos a questão da propriedade privada e do sistema de preços via mercado. Novamente, hoje, em termos operacionais, não existe uma única grande diferença entre libertários e conservadores. Quando olhamos as discussões políticas que são feitas, os arranjos econômicos feitos pelos que estão no poder, e as propostas que tramitam no Congresso, fica evidente que a agenda libertária é extremamente similar a agenda conservadora. No Brasil atual não faz o menor sentido um conservador ser atacado por um libertário, ou vice-versa. Libertários e conservadores são, no Brasil atual, aliados óbvios. É simplesmente burrice desperdiçarmos o pequeno espaço que temos brigando entre nós mesmos. Ganharíamos muito mais com uma convivência pacífica, e lutando contra os movimentos contrários a sociedade aberta, do que brigando por questões que, no Brasil atual, sequer estão na agenda ou no espectro de possibilidades.

Para uma ideia ser boa não basta a mesma ser boa, ela precisa ser operacionalmente viável. No Brasil atual a única questão operacionalmente viável que separa liberais de conservadores é a liberação da maconha (que aliás é defendida por todos os partidos de esquerda). Vale a pena essa briga? Vale a pena dividirmos nosso pequeno efetivo para apoiar uma causa que, além de polêmica, só tende a fortalecer os inimigos da sociedade aberta? Não peço aos conservadores que apoiem a liberação da maconha. Não peço aos libertários que sejam contra a liberação da maconha. Peço apenas para que enxerguemos um espectro político maior: no Brasil atual nós somos nossos únicos aliados. Deixemos nossas brigas para, com sorte, daqui 20 anos.

Precisamos de mudanças urgentes no sistema educacional: Professor é autoridade e TEM QUE SER RESPEITADO!!!!

Ou nós damos mais poderes aos professores, ou os professores voltam a ser respeitados em sala de aula, ou a barbárie vai se instalar. O problema da violência nas escolas esta saindo totalmente do controle.

Faço aqui um desafio: pergunte a QUALQUER professor de escola pública se ele já foi ameaçado em sala de aula!!!! Você verá que TODOS os professores de escolas públicas já foram ameaçados não apenas moralmente, mas FISICAMENTE!!!

O vídeo é estarrecedor. Clique aqui para assistir.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Ontem 30 policiais militares ficaram feridos tentando impedir o MST de invadir o Palácio do Alvorada. Hoje Dilma recebe o MST, mas não faz menção aos policiais!!!!

Ontem 30 policiais militares ficaram feridos tentando impedir o MST de invadir o Palácio do Alvorada. Hoje Dilma recebe o MST, mas não faz menção aos policiais!!!! 8 policiais estavam em estado grave, mas para a presidenta isso não parece ter muita importância.

O MST covardemente atacou os policiais. Dilma recebeu os terroristas. A policia militar valentemente tentou defender a presidente. Dilma se calou para quem arriscou sua vida para salvá-la.

O Sachsida deixa aqui expresso seu repúdio ao MST, seu repúdio a essa conduta anti-democrática da presidente (que claramente estimula a baderna e as agressões), e minha total solidariedade a policia militar do DF.

Brasil tem Chance de Ouro de Se Livrar do Mercosul!!!

O Brasil está com uma chance de ouro de se livrar das amarras do Mercosul. As constantes negativas dos argentinos a acordos do Mercosul com membros de fora do grupo, aliadas as constantes quebras de regras dos próprios argentinos, nos dão uma oportunidade de ouro de nos livrarmos dessa bomba.

Não deixa de ser irônico notar que, em 1989 quando ainda era alunos do 3o colegial, numa palestra eu sugeri que o Brasil tentasse participar da União Européia. Como sempre acontece, vários playboys riram de minha sugestão. Por anos toda vez que um deles me via elas riam e gritavam: "olha o cara que quer o Brasil na União Europeia.... o Brasil fica na America do Sul seu burro...". Pois é, o tempo passou e mostrou quem estava certo. Hoje a União Europeia assina acordos comerciais com vários países que não estão na Europa. E os Estados Unidos vai na mesma direção.

Só espero que o governo brasileiro não seja como os playboys do colégio.... espero que o Brasil aproveite essa chance atual para nos livrarmos dessa bomba chamada Mercosul. Por fim uma observação adicional: o Mercosul JÁ deu errado. Não admitir isso não muda o fato básico de que o Mercosul deu errado. Quanto mais cedo nos livrarmos das amarras geradas pelo Mercosul melhor será para os cidadãos brasileiros.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

PM do DF é COVARDEMENTE agredida pelo MST

O Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, conhecido por MST, é claramente um movimento de índole terrorista. Invasão e destruição de propriedades, cárcere privado, agressões físicas e ameaças são apenas alguns dos expedientes comumente adotados pelo MST. Eu pergunto: até quando toleraremos esse movimento terrorista? Até quando esses marginais destruirão vidas e propriedades e sairão impunes. Por que? Por que tolerar um grupo que invade e agride? Quem tem medo do MST?

Hoje a polícia militar do Distrito Federal foi COVARDEMENTE agredida pelos integrantes do MST. O STF esteve perto de ser invadido, sendo que foi obrigado a interromper sua sessão sob a ameaça de invasão iminente. Depois de quase invadir o STF, depois de ferir 30 policiais militares (8 deles estão em estado grave), adivinhem o que o MST fez? Por mais incrível que pareça, o MST voltou para seu acampamento e lá permanece, como se nada tivesse ocorrido. Sabem onde eles estão acampados? Numa área pública cedida pelo governo do Distrito Federal!!! Eles estão acampados em frente ao ginásio Nilson Nelson!!!

Pergunto ao Governador do Distrito Federal: quais medidas o Sr. vai tomar? Vai continuar permitindo que agressores, que feriram 30 policiais militares, continuem acampados em área pública? Aliás, quem está pagando por esses custos de acamapamento? Quanto de dinheiro público está bancando este acampamento?

Pergunto a ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, o que a senhora tem a dizer? A senhora vai se solidarizar com as famílias dos policiais militares agredidos? A senhora vai ao menos mandar uma mensagem de agradecimento aos policiais militares que mesmo cercados pelos terroristas do MST mantiveram seu profissionalismo?

As imagens são aterradoras: a PM foi cercada e esteve há um passo de ser dizimada pelos terroristas do MST. Até quando? O STF quase foi invadido, o que o governo esta esperando para prender esses bandidos?

De minha parte deixo aqui meu agradecimento e minha solidariedade aos policias militares do DF. E, de maneira equivalente, deixo aqui meu repúdio aos marginais que puserem em risco a vida de trabalhadores honestos. Deixo aqui meu repúdio a Gilberto Carvalho, que mesmo presenciando a situação, foi até os líderes do MST conversar com eles, como se o MST fosse um movimento legítimo, e não uma associação ilegal estruturada em forma de guerilha. Onde estão as palavras de Gilberto Carvalho de solidariedade aos policias covardemente agredidos? Onde estão as palavras de Gilberto Carvalho criticando a ação do MST?

Mais Sobre a História do Movimento Liberal Brasileiro

Filipe Celeti escreveu uma excelente narrativa sobre "A História do Movimento Libertário Brasileiro". Estimulado pelo texto de Filipe resolvi fazer o mesmo. Mas, contando principalmente minhas memórias. Ou seja, o texto principal é o feito pelo Filipe, esse meu post entra, no máximo, como notas complementares.

Foi apenas em 2005 que tive contato com as obras de Hayek. Estava na livraria Cultura quando meu grande amigo e co-autor, Mario Jorge Cardoso de Mendonça, me presenteou com "O Caminho da Servidao". Nessa época não tinham muitos livros liberais nas livrarias, este livro foi fundamental em minha formação. Em dezembro de 2006 voltei ao Brasil para passar o natal aqui. Na época eu era professor de economia na Universidade do Texas (Edimburg). Meu grande amigo e co-autor Joao Ricardo Faria, que também era professor na universidade, me pediu um favor: ele tinha deixado uma caixa de livros no Brasil, e pediu que a levasse para ele. Na caixa estava "Liberalismo na Tradição Clássica", que foi o primeiro livro de Mises que li.

O parágrafo acima mostra que as obras dos liberais estavam voltando ao nosso cotidiano e, mais importante, para o cotidiano das universidades. Por algum motivo, as obras clássicas pularam uma geração. Minha geração foi formada sem ter acesso a esse conhecimento. É evidente que isso foi uma política deliberada de professores estabelecidos nas universidades nas décadas de 1980 e 1990.

Ao mesmo tempo que me inteirava de Hayek e Mises alguns blogs de professores universitários começaram a se popularizar, e junto com eles as ideias liberais passaram a ter grande exposição. O Claudio Shikida por exemplo, no seu De Gustibus, e nas suas aulas no IBMEC-MG dava aos alunos a chance de conhecer o pensamento liberal. Roberto Ellery faria o mesmo na Unb, e meu grande amigo Paulo Loureiro seguiria pelo mesmo caminho na Universidade Católica de Brasília e depois na UnB. De volta ao Brasil, em 2007, acredito que fui o primeiro professor, depois de vários anos, a dar um curso de economia liberal clássica num programa de doutorado. Os alunos do doutorado em economia da UCB tiveram a oportunidade de estudar a fundo as obras de grandes pensadores liberais. Hayek, Mises, e Popper estavam entre os textos de leitura obrigatória. Foi interessante o testemunho de uma aluna, que trabalhava no Ministério da Fazenda, segundo ela seu chefe a viu lendo "O Caminho da Servidão" de Hayek, ele parou e começou a elogiar esse livro. Ou seja, já naquele tempo um movimento silencioso ganhava força. Pessoas que você sequer poderia imaginar estavam lendo e estudando os liberais clássicos.

Em outubro de 2007 organizei um encontro de liberais em Brasília. Oportunidade em que descobri que aqui já haviam grupos de liberais organizados. Verdade que o Instituto Liberal aqui estava parado, mas seus integrantes se reuniam regularmente. Convidei o Prof. Dr. Nelson Lehmann para dar a palestra. Foi um sucesso, inclusive com a vinda a Brasília de um grupo de Goiânia. O segundo encontro liberal seria organizado depois em Goiânia, com a ajuda do CA de Economia da UFG. Dessa vez com palestra de Fabio G. Franco. Aliás, as visitas a Goiânia surtiram efeito e hoje o grupo liberal de lá é bem articulado. Adriano Paranaiba e Everaldo Leite são figuras constantes na mídia defendendo ideias liberais. Adriano é também professor no Instituto Federal de Goias, comprovando o crescimento do pensamento liberal dentro das universidades.

Ronald O. Hillbrecht da UFRGS que tem o blog Escolhas e Consequências também é mais um exemplo de professor universitário defendendo ideias liberais. Nessa linha de professores universitários podemos citar ainda: Erick Figueiredo da UFPB e do blog Moral Hazard, Cristiano Costa da FUCAPE, Leonardo Monasterio, o Orlando Tambosi da UFSC e do blog do Tambosi, e o mais famoso de todos nós o Alexandre Schwartsman do IBMEC e do blog Mão Visível. E mais uma sério outra grande de professores universitários que estão todos os dias difundindo ideias liberais. Também devemos dar destaque ao Escola Sem Partido que tem feito um trabalho excelente para impedir a doutrinação nas escolas. Esse movimento silencioso dentro das escolas e universidades, de ressurgimento do pensamento liberal, tem gerado frutos evidentes. O próprio crescimento do movimento libertário deve muito a professores conservadores que conseguiram mostrar a seus alunos uma nova literatura. Depois de ler Hayek e Mises, é evidente que ler Rothbard é a sequência natural. Também merecem destaque dois grandes amigos: Mario Jorge Cardoso de Mendonça e Tito Moreira. Ambos, além de difundirem o pensamento liberal, tentam testar hipóteses de pensadores austríacos em arcabouços de política monetária. Mendonça por exemplo testou a hipótese de bolha imobiliária usando a teoria austríaca do ciclo de negócios (tive o prazer de ser seu co-autor nesse texto que é um dos textos mais lidos da história do IPEA). Já entre os austríacos propriamente ditos podemos citar: Ubiratan Iorio (UERJ), Fabio Barbieri (USP-RP), e Antony Mueller (UFS).

Hoje o mais famoso os liberais brasileiros é Rodrigo Constantino, seu sucesso como colunista primeiro no GLOBO e depois na VEJA fez muito pela divulgação das ideias liberais. Mas, devemos ressaltar sempre o papel fundamental feito por Olavo de Carvalho. Olavo lutou sozinho, e por muito tempo, contra uma avalanche de hordas vermelhas. Praticamente todos os libertários e conservadores do Brasil beberam fortes doses de Olavo de Carvalho. Goste-se ou não, e eu o acho um craque, foi Olavo de Carvalho quem manteu viva a chama do pensamento conservador, e estimulou a curiosidade dos libertários, por um bom tempo. Reinaldo Azevedo também merece destaque aqui. Ele e Diogo Mainardi foram vozes isoladas na impresa. Suas defesas da propriedade privada, da liberdade individual, e do Estado de Direito, foram importantes para a formação de um amplo número de indivíduos que os lêem e assitem diariamente. Também ressalto a importância de dois blogs anônimos: o Selva Brasilis e o Blog do Coronel, que são simplesmente excelentes.

Hoje toda uma nova geração está entrando na batalha ao lado dos liberais por causa de muitos dos que citei acima. E ressalto: os professores liberais fizeram a diferença para muitos alunos. Alunos esses que em breve serão também professores. Alunos que são ativos na defesa da causa liberal. Alunos como Bruna Luiza do blog Meninas Direitas. Outro exemplo é a formação e sucesso do grupo Dragão do Mar (Fortaleza).

Certamente deixei muita gente de fora, e peço desculpas por isso. Se alguém quiser escrever mais a respeito, terei prazer em publicar no blog. Ressalto também que não citei muitos dos eventos pois os mesmos já estavam citados no texto de Filipe Celeti. Enfim, esse foi mais um relato pessoal do que exatamente uma pesquisa histórica. Como disse antes, esse texto é muito mais um complemento ao texto de Filipe. Complemento esse que ressalta a contribuição dos professores na disseminação das ideias liberais.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Vale a Pena ler de Novo: Entrevista com Mario Jorge Cardoso de Mendonça: a década de 1970 está de volta?


No dia 22 de julho de 2012 eu entrevistava Mario Jorge Cardoso de Mendonça. Como pode ser visto abaixo, avisos sobre os erros na condução da política econômica não faltaram. Além disso, foram feitos quando ainda era possível evitar o desastre que se aproxima. Abaixo segue a entrevista.

Entrevista com Mario Jorge Cardoso de Mendonça: a década de 1970 está de volta? (realizada em 22 de julho de 2012)

1) O Brasil está revivendo o final da década de 1970? Será que em breve estaremos revivendo a década de 1980 (apelidada de década perdida)? Por quê?

Resposta) Acredito que existam alguns paralelos importantes entre o período que estamos vivendo atualmente e o que aconteceu durante a década de 1970. Diferente do que está colocado na pergunta, penso que ela estaria mais bem especificada caso estejamos nos referindo ao que aconteceu longo dos anos setenta e não somente ao final deste período. A razão pela qual digo isso tem haver com algo que começou bem antes, quando do surgimento do PAEG, programa de estabilização da inflação e de implantação de um amplo conjunto reformas estruturais na economia de tendência liberal nos campos monetário, fiscal e trabalhista levado a cabo com sucesso impar pelo saudoso e brilhante ministro Roberto Campos. Foram as reformas liberais inseridas no PAEG que permitiram criar as bases para o chamado milagre econômico quando a economia brasileira apresentou alta performance em termos de crescimento por um longo período. Tal como o PAEG, Plano Real liderado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foi também um plano de estabilização de grande valor e que teve desdobramentos de suma importância no que diz respeito à liberalização dos mercados, privatização, implantação do regime de câmbio flutuante, controle da dívida pública, contenção dos gastos públicos, etc. Infelizmente, nem Roberto Campos tampouco Fernando Henrique lograram obter os louros de suas obras.

No caso de Roberto Campos, a mudança de rumo na Revolução no sentido do intervencionismo exacerbado com a ideia de que o Estado deveria ser o motor do crescimento, o alijou do comando da Economia. O que se delineou durante a década de setenta em termos de macroeconômica foi uma política voltada para o aumento dos gastos públicos com criação de inúmeras empresas estatais, protecionismo, reserva de mercado, etc. Basta nos lembrarmos da reserva da informática! E o pior, os gestores de política tentaram remar contra a maré ao não optarem pelo ajuste macroeconômico quando dos dois choques do petróleo. A consequência de tudo isso foi uma queda brutal de produtividade e a hiperinflação culminando com o desastre vivenciado ao longo dos anos oitenta onde o produto cresceu a um taxa média muito baixa e um desemprego altíssimo.

Também Fernando Henrique Cardoso, muito embora tenha emplacado um conjunto de reformas de grande vulto, fundamentais para o país tal como foi o PAEG, não logrou o merecido reconhecimento. As medidas efetuadas pelo seu governo foram de amplo espectro e vão desde o Plano Real que debelou o processo crônico de inflação que assolava a muito a economia brasileira até outras ações como aquelas visaram à reforma do Estado como a Lei de Responsabilidade Fiscal e o controle do déficit público, o estímulo ao aumento da produtividade advindo do amplo programa de privatização e liberalização do comércio exterior, etc. Infelizmente alguns fatores foram responsáveis pela sua impopularidade que ocorreu no seu segundo mandato. Primeiro, o conturbado período pelo qual passou a economia mundial com crises importantes e a insistência na manutenção do câmbio fixo. Caso tivesse feito com maior antecedência a opção pelo câmbio flutuante, os efeitos negativos na economia teriam sido menos dolorosos. Segundo, os efeitos das reformas econômicas demandam tempo para serem sentidas sendo que isso somente aconteceu algum tempo adiante já num outro governo. Em terceiro lugar, infelizmente o senso comum não é dotado de discernimento para compreender as leis da economia e se deixam levar pela demagogia.

O governo de Luis Inácio da Silva que o sucedeu, pelo menos no primeiro momento, não infligiu mudanças substanciais no rumo da economia. Foi por essa razão que o país passou relativamente imune às adversidades ocorridas no cenário internacional logo quando Lula assumiu o mandato. Uma fez que a tempestade se debelou, a economia mundial entrou novamente numa fase de longa prosperidade, se bem que criada de forma artificial. Mas isso não vem ao caso neste momento! Com as contas ajustadas, a estabilidade de preços e agora sentindo efeitos benéficos das mudanças estruturais implementadas no governo FHC, a economia no governo Lula pode se beneficiar da onda de prosperidade pelo qual passou a economia mundial nos seus dois mandatos. Seria então o momento então de aprofundar as reformas como também deveria ter feito o governo da Revolução logo no início dos anos setenta. No entanto, embora o governo Lula inicialmente em termos de política macroeconômica tenha agido de modo sensato, o mesmo não aconteceu na perspectiva microeconômica que com o delinear do tempo começou a apresentar um retrocesso. Isso ficou evidenciado pelo aumento abrupto de cargos comissionados do setor público, aprofundamento da escolha de quadro nos escalões principais por critérios sumamente políticos, aparelhamento ideológico das empresas estatais, interferência na inciativa privada como foi o caso da gestão da Vale do Rio Doce, etc.

Aos poucos todo esse estado de coisas foi naturalmente transbordando para a esfera macroeconômica. Interessante notar que o governo da presidente Dilma Rousseff tem muito em comum no plano econômico com a política econômica que adotada pelo regime da Revolução, embora com muito menos intensidade, mas com a mentalidade de que o Estado é a motor do crescimento econômico. Essa atuação tem se efetivado de muitas maneiras: medidas protecionistas de política industrial, aumento do gasto público, criação de empresas estatais, etc. Tais políticas não deram certo no passado e obviamente não darão em qualquer tempo. Todo o aparato do intervencionismo está sendo usado, mas com resultados opostos ao esperado. O que vemos hoje é o retorno da inflação com o país voltando a crescer a um taxa medíocre. O cenário internacional é também pessimista. A economia mundial dá sinais que a crise veio para se instalar por um longo tempo. O que vai acontecer é difícil prever. Não acredito que vivenciaremos uma década perdida como foi o caso dos anos oitenta, até mesmo por que a história não se repete da mesma forma. Contudo, tempos difíceis se vislumbram no horizonte.


2) Qual o maior risco do cenário externo para a economia brasileira?

Resposta) Naturalmente, o maior problema para qualquer economia emergente é a desaceleração da economia mundial, o que hoje está acontecendo. Infelizmente, como se pode deduzir do que foi dito acima, a economia brasileira poderia estar bem mais imune às adversidades externas caso as reformas iniciadas pelo governo FHC tivessem sido aprofundadas pelos governos subsequentes. A queda no preço das commodities se persistir devido à retração da economia chinesa terá impacto importante sobre nossa economia. Também, a continuidade do mau desempenho da economia brasileira tornará o Brasil menos atrativo ao fluxo de capital externo já retraído devido ao ciclo econômico mundial.


3) O governo parece estar usando política tributária para controlar a inflação. Você acredita que isso seja verdade? Se for verdade, concorda com isso? Por quê?

Resposta) Acredito que o governo tem agido de maneira discricionária sobre diversos domínios da economia. O governo tem usado medidas pontuais não apenas para conter a inflação como também atuar sobre o desemprego. No caso do combate da inflação tem se verificado casos onde a de redução de imposto ocorre em bens cuja elevação do preço teve impacto considerado expressivo sobre a inflação. Nesse sentido, a ideia aqui é diminuir a inflação pela diminuição do preço do produto acarretada pela desoneração do imposto. No entanto, de imediato pode-se detectar três problemas decorrentes dessa medida. Primeiro, ela distorce os preços relativos. Naturalmente aqui cabe a argumentação de que há uma grande heterogeneidade tarifária e que a desoneração não trairia maiores consequências, pois no setor onde ocorreu a desoneração o nível da tarifação já era bem alto. De fato, esse parece ser o caso da indústria automobilística. Segundo, o favorecimento de um setor em detrimento de outros. Em terceiro lugar, nada garante que o aumento do preço de certo produto não decorreu de motivos conjunturais. Sendo assim, tal medida é inócua e somente levaria a perda de arrecadação. A lição aqui é entender por definitivo que a inflação significa em última análise um crescimento generalizado dos preços advindo de uma causa comum: a expansão dos meios de pagamentos num taxa acima da produção. Se os gestores de política não atacarem a causa fundamental que dá origem ao processo inflacionário qualquer a medida discricionária não alcançará o resultado desejado. Por fim, no caso do combate do desemprego, também a desoneração do imposto apenas terá um efeito temporário. Não existe desoneração capaz de suportar a queda nas vendas por um período e num ritmo muito expressivo.

Mais um Escravo conseguiu escapar!!! Parabéns Ortelio Jaime Guerra!!!

Mais um escravo cubano conseguiu fugir, dessa vez foi Ortelio Jaime Guerra. Fico feliz sabendo que estas bem e em segurança. De minha parte reforço: sou contra a escravidão!!! O programa mais médicos trata cubanos como escravos, isso é inadmissível!!!

Mas não se matam Girafas?

Um zoológico da Dinamarca matou uma girafa macho de nome Marius. A notícia ganhou destaque na imprensa internacional.

Ao que parece, o zoológico matou a girafa argumentando pela manutenção da qualidade genética de todo grupo. Evidente que eu discordo de um absurdo desses. Nós já vimos milhares de seres humanos serem exterminados com base no mesmo argumento. Agora usa-se o mesmo argumento para o caso das girafas. A base da eugenia está funda na percepção de alguns.

Será mesmo que nossos genes determinam tanta coisa? Será mesmo que sabemos tanto assim sobre genética? Matar animais com o argumento de que precisa-se preservar a qualidade genética do grupo é uma mostra do que em breve alguns serão capazes de fazer.

Nossa ignorância sobre a vida é grande demais para acabarmos com ela com base numa suposta vantagem de preservação genética.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Um Sonho Possível

Estou assistindo uma vez mais "Um Sonho Possível" (The Blind Side). História real de Michael Oher. Algumas coisas impressionam no filme. Duas falas são incríveis:

- "Lá é quente"; e
- "Uma cama".

Sim, são frases soltas. Mas agora vamos coloca-las no contexto. Um frio de rachar, e aparece Michael andando sozinho de shorts e camiseta, numa noite fria e chuvosa. Então perguntam a ele para onde vai, ele responde que vai ao ginásio. Então a mulher diz, "malhar a essa hora? Por que?"

- "Lá é quente".

Em alguns momentos de nossa vida, nem um lugar quente temos. Temos que nos esconder em algum lugar quente apenas para não morrermos de frio.

Uma família resolve adotar Michael, então a mulher mostra a Michael seu quarto e sua cama. Ele fica olhando sem palavras, e a mulher sorri e pergunta o que foi. Ele diz que nunca teve aquilo. Ela sorri e pergunta: "o que você nunca teve? Um quarto?"

- "Uma cama"

As vezes uma cama é de tudo que precisamos.

A vida não é um arco-íris, e ela costuma bater pra valer. Mas, nesses momentos, é importante acreditarmos que sempre é possível vencer. Michael Oher mostrou isso, outros tantos também. As vezes uma única chance é tudo que precisamos, é a nossa cama, é a nossa cama, é nossa casa quentinha.

Estudar duro, trabalhar duro, e sempre acreditar em você mesmo. Pois cedo ou tarde, uma força maior, que eu chamo de Deus, e outros de destino, vai intervir em sua vida. Naquele momento único e especial, todo sofrimento, toda preparação, tudo pelo que você passou fará não apenas sentido, mas deporá no altar do senhor, ou da história, em seu favor.

VideoCast do Sachsida: Burocracia, o Grande Inimigo do Brasil

Neste vídeo descrevo como a burocracia paralisa o Brasil, até mesmo em questões de segurança pública. Para assistir clique aqui.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

SheherazadeGate

Um fenômeno explodiu na internet nessa semana, podemos chamá-lo de SheherazadeGate. Tudo começou quando a jornalista do SBT Raquel Sheherazade disse ser capaz de entender as motivações de um grupo que prendeu um marginal nu a um poste. Aqui esta o vídeo polêmico.

Verdade seja dita, Sheherazade apenas expressou o óbvio: todo cidadão tem o legítimo direito de se defender. Em momento algum a jornalista disse concordar com o ato, o que ela disse foi ser capaz de compreender. E, sejamos honestos, alguém morando no Brasil não entende essa revolta? Notem que isso não implica em concordar e nem em apoiar. Você pode discordar do discurso dela, pode discordar da forma em que ela se expressou. Confesso que eu mesmo discordo. Acho que cabia também uma repreensão a quem prendeu a pessoa nu a um poste. Uma coisa é prender um marginal, outra é prende-lo nu a um poste. Esse tipo de comportamento se assemelha a grupos de vingadores, justiceiros, e creio que todos somos contra isso.

Dito isso, vamos ao ponto: é possível compreender a indignação da população? Claro que é. Veja o exemplo da Ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, que é incapaz de se pronunciar quando uma mulher negra é brutalmente assassinada (apenas porque essa mulher era policial militar). As ong's dos negros igualmente se calam, e as feministas desaparecem. O próprio governo, e vários grupos da sociedade civil, estão hoje com uma agenda política na segurança pública. Nessa agenda a polícia e os cidadãos de bem sempre estão por último. Veja o recente caso da médica cubana que está pedindo asilo ao Brasil. Essa mulher esta sofrendo horrores, mas nenhuma palavra dos movimentos ditos de direitos humanos. Esse tipo de seleção (a morte de um militante gera indignação, mas a morte de um trabalhador honesto gera apenas piedade pelo bandido) feita pelo governo e pelas ong's, está pressionando a sociedade além do limite da tolerância. Sheherazade apenas disse isso. O que aliás é uma verdade.

Na verdade, a questão de Sheherazade vai além e começou bem antes do SheherazadeGate. Há um bom tempo, as opiniões da nobre jornalista já incomoda os robôs autônomos da internet. Inventam que jornalistas desconhecidos estão indignados com ela (como se nenhum profissional de sucesso nunca tivesse gerado inveja em seus pares menos capazes ou afortunados). Um jornalista é brutalmente ferido, e os pelegos do sindicato dos jornalistas nada falam. Mas, para ganhar pontos entre os pau-mandados, tal sindicato faz carta contra Sheherazade.

SheherazadeGate é apenas o reflexo de uma guerra silenciosa que já ocorre a tempos no Brasil: a total proibição do pensamento independente, o desprezo por pessoas que pensam por si próprias e desafiam a cartilha do partido. Eu gosto de saber que ainda existem jornalistas na televisão brasileira. Parabéns Sheherazade, e quando estiver se sentindo só e desamparada lembre-se do primeiro mandamento de Chuck Norris: danem-se vocês todos, bandos de covardes! Eu luto pela liberdade, e não para ser eleita miss simpatia!!!


Caixa Preta do FGTS: o buraco é cada vez mais embaixo!!! DIVULGUEM!!!! CPI do FGTS JÁ!!!!


Precisamos urgentemente de uma CPI sobre o FGTS, mais especificamente sobre o FI-FGTS. Ontem eu comentei sobre isso (post abaixo); hoje eu recebo essas informações por e-mail:

Caixa terá de explicar investimento: "Integrantes do comitê gestor do FI-FGTS, fundo criado pelo governo para investir recursos do FGTS em infraestrutura, cobraram explicações da Caixa Econômica Federal sobre a aplicação de R$ 600 milhões na holding Empresa de Distribuição de Energia Vale Paranapanema (EEVP), do grupo Rede Energia, que está sob intervenção federal".

Grupo Rede já causou perda de R$ 142 milhões ao FGTS: "A Rede Energia ainda não divulgou os números fechados de 2011, mas pelos dados disponíveis até o fechamento do terceiro trimestre, indicando prejuízo de R$ 121,6 milhões em nove meses, o FI-FGTS deve sofrer nova perda".

CAIXA diz que fica no negócio até recuperar o dinheiro. Pelo visto vem mais prejuízo por ai....

CPI do FGTS já!!!!!

Vamos começar essa campanha!!! Envie esse post e o post abaixo para seus amigos, para os deputados e senadores de seu estado. Compartilhe no facebook: CPI do FGTS JÁ!!! Vamos salvar o FGTS enquanto ainda é tempo!!!

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

A Caixa Preta do FGTS

Amigos, há tempos alerto sobre o problema do FGTS. Por exemplo, no dia 25 de março de 2009 escrevi:

"O governo brasileiro está saqueando o FGTS, só tenho um comentário nesse ponto: quando ocorrer uma recessão e os trabalhadores forem sacar dinheiro do FGTS vão descobrir que o gosverno já gastou tudo com populismo. Não tem dinheiro no FGTS para tanta festança".

Mas não foi só isso, em 22 de setembro de 2008 eu alertava sobre o risco de permitir que o FGTS fosse usado APENAS para comprar ações da Petrobras. Isto é, eu me antecipava ao problema que ocorre hoje:

"Para os trabalhadores, e para toda a economia, seria muito mais prudente e saudável permitir que os recursos do FGTS fossem utilizados em qualquer lugar, e não apenas num único investimento. Um ano ruim da Petrobras irá transformar o prejuízo de uma empresa numa situação caótica para vários trabalhadores. Fato esse que gerará pressão política para o socorro estatal da Petrobras e prejuízo para todos os contribuintes".

No dia 14 de abril de 2010 eu alertava sobre o problema de decisões judiciais poderem drenar pesadamente os recursos do FGTS. Além disso, eu dizia:

"Cabe ao trabalhador, e não aos comitê gestor do FGTS, decidir o que fazer com seu próprio dinheiro".

Novamente, no dia 14 de abril de 2013, eu alertei para o uso não-ortodoxo dos recursos do FGTS, inclusive de receitas do FGTS sendo usadas para fortalecer o superávit primário:

"Resumindo: quando a crise estourar pode dar adeus ao seu FGTS (que aliás é mais uma forma de poupança do trabalhador)".

Agora, adivinhem só o que acaba de ser noticiado? MAIS UMA NOVA CAIXA PRETA DO FGTS!!! São 28 bilhões de reais do FGTS que são investidos em empresas a la BNDES... sabem qual é a melhor? Não são disponibilizadas informações a respeito de quais empresas receberam o dinheiro, quanto receberam, as condições de pagamento não são informadas, e o motivo e a viabilidade financeira do negócio também são SEGREDOS!!!

Será que finalmente agora alguém vai me ouvir??? Ou vamos esperar o FGTS quebrar para agir???

Vale a Pena Ler de Novo: Entrevista com Roberto Ellery Jr.: a década de 1970 está de volta?


Em 09 de julho de 2012 esse blog já fazia o alerta. Abaixo segue a entrevista feita em julho de 2012 com Roberto Ellery Jr, vale a pena reler. A única novidade de lá para cá é que o professor começou um excelente blog que recomendo a leitura.

Entrevista com Roberto Ellery Jr.: a década de 1970 está de volta? (entrevista realizada em 09/07/2012)

Num esforço desse blog para tornar claro os perigos inerentes da política econômica adotada atualmente em nosso país, estarei entrevistando uma série de especialistas em economia brasileira. Todos responderão ao mesmo conjunto de três perguntas.

Neste post, entrevistamos o Professor de Macroeconomia da Universidade de Brasília, Roberto Ellery Jr.. Ele é uma das maiores autoridades sobre crescimento econômico e produtividade no Brasil. O Sachsida agradece a gentileza da entrevista.

1) O Brasil está revivendo o final da década de 1970? Será que em breve estaremos revivendo a década de 1980 (apelidada de década perdida)? Por que?

Resposta) Em vários aspectos a situação de hoje é perigosamente semelhante a do final da década de 70. Assim como naquela época o governo está usando uma série de medidas de expansão da demanda agregada com objetivo de deixar o país de fora de uma recessão mundial. Outra semelhança perigosa é a crença no estado como indutor do crescimento econômico. A crise dos anos 80 fez o Brasil abandonar esta crença que marcou apolítica econômica pelo menos desde a década de 1930. Desta forma foi possível abrir a economia, privatizar estatais e encaminhar uma série de reformas que colocaram o Brasil em uma trajetória de crescimento com ganhos de modestos de produtividade e distribuição de renda. A partir de 2005, com o PAC, o governo começa a trocar a agenda de reformas por uma agenda de investimentos públicos ou induzidos pelo governo. Na sequencia o governo traz de volta as políticas industriais caracterizadas pela escolha de setores e empresas vencedores. Com a crise de 2008 o governo assume definitivamente a agenda desenvolvimentista e coloca o BNDES novamente no centro da política de crescimento e da política industrial via crédito barato. Por fim o governo voltou ao protecionismo por meio de barreiras a entradas de produtos importados e de política de câmbio. A experiência brasileira sugere que esta combinação de políticas é fatal para o crescimento da produtividade e, portanto, para o crescimento de longo prazo.

Entretanto existem algumas distinções importantes. Hoje o Brasil é uma democracia, isto limita o governo de levar às últimas consequências as políticas desenvolvimentistas. Aumento da inflação e concentração de renda, consequências típicas do receituário desenvolvimentista, podem minar a base de apoio popular do governo. Outra diferença importante é que não existe uma dívida pública fora de controle. Por outro lado as famílias estão bastante endividadas para os padrões brasileiros, o que pode acabar por criar problemas fiscais em um roteiro semelhante ao ocorrido em alguns países europeus onde o estado assumiu dividas de bancos para evitar uma crise financeira.


2) Qual o maior risco do cenário externo para a economia brasileira?

Resposta) O primeiro grande risco é uma queda no preço das commodities. O elevado preço das commodities foi o grande fator que manteve a economia brasileira fora da crise mundial. Uma reversão neste mercado significaria perda de renda no Brasil e problemas no balanço de pagamentos. É interessante que em vários momentos o Banco Central apontou o alto preço das commodities como um problema, esquecendo que o Brasil é produtor de commodities e portanto beneficiado com a elevação dos preços. Note que o benefício se estende inclusive ao controle da inflação pois permite uma expansão da oferta agregada que absorve pelo menos em parte os efeitos da expansão da demanda agregada sobre os preços.

Outro grande risco é o surgimento de inflação nos EUA. Caso a economia americana se recupere e comece a apresentar sinais de inflação é provável que o FED aumente a taxa de juros dos EUA. Este aumento acabaria por levar a um aumento das taxas de juros no Brasil. Como as famílias estão muito endividadas é possível que um aumento das taxas de juros no Brasil leve a um aumento da inadimplência e, no extremo, a uma crise financeira. O governo terá de escolher entre permitir a falência de bancos ou salvar os bancos incorrendo em aumento significativo da dívida pública. Em ambos os casos poderíamos ter uma crise financeira com efeitos sobre o crescimento semelhantes aos da crise dos anos 80.


3) O governo parece estar usando política tributária para controlar a inflação. Você acredita que isso seja verdade? Se for verdade, concorda com isso? Por que?

Resposta) O governo está claramente usando política tributária para controlar a inflação, basta notar que a baixa inflação do mês passado foi devida a redução nos preços dos carros e que esta redução foi devida ao IPI. Além da política tributária o governo está usando uma série de ferramentas que visam controlar preços para manter a inflação baixa, o preço dos combustíveis é um exemplo. Este tipo de política deu errado onde foi aplicada, além de não controlar a inflação gera distorções de preços relativos que afetam as decisões ótimas dos agentes. Como é impossível para o governo determinar todo o vetor de preços relativos a tentativa de controlar alguns preços relativos não raro gera resultados contrários aos desejados pelo governo. Mais uma vez o combustível serve de exemplo. Ao mesmo tempo que o governo mantém os preços baixos afirma que quer diminuir o uso de automóveis para reduzir a poluição e os congestionamentos nas grandes cidades. Não pode dar certo.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

VideoCast do Sachsida: Fugindo da Escravidão: Médica Cubana Consegue!!!

Nesse vídeo faço um pedido: diga não a escravidão!!! Vamos dar asilo a médica cubana que conseguiu fugir do programa de escravidão apelidado de Mais Médicos. Para assistir clique aqui.

Uma Crítica a Política Cambial Adotada Pelo Banco Central

Já a algum tempo o Banco Central vem interferindo ativamente no mercado cambial. Parece evidente que o BACEN tenta evitar uma desvalorização mais forte do real. Existem dois bons motivos para esse comportamento: a) uma desvalorização cambial mais forte poderia ter impactos na taxa de inflação; e b) o BACEN estaria protegendo a moeda nacional de um ataque especulativo. Com essa postura, o BACEN estaria inflingindo perdas para os especuladores que apostam contra o real.

Sim, é verdade que uma desvalorização cambial mais forte poderia ter impacto sobre a inflação. Mas, se este é o caso, essa postura do BACEN apenas posterga (mas não evita) o rebatimento futuro do câmbio nos índices de preço. Afinal, cedo ou tarde o câmbio terá que convergir para seu preço de equilíbrio. Sim, é verdade também que esse comportamento do BACEN pode diminuir a volatilidade do câmbio, e certamente muitos podem defender com sucesso essa idéia.

Minha crítica se refere com mais força ao item b acima. Não me parece que o real esteja sofrendo um ataque especulativo. Pelo contrário, a impressão que tenho é que investidores tem reduzido sua posição em países em desenvolvimento. Basicamente isso ocorreu por causa de uma mudança, que poderia ser prevista sem grandes dificuldades, na política monetária americana. Com uma expansão menor de dólares americanos os investidores estão retornando aos Estados Unidos, e diminuindo suas posições em outros locais do mundo.

Se o parágrafo acima estiver certo, então o melhor que o BACEN poderia fazer era deixar o cambio flutuar livremente. Ao tentar fixar o câmbio o BACEN premia (e não pune como seria no caso de um ataque especulativo) quem retira o dinheiro do país. Por exemplo, imagine uma empresa que tenta diminuir suas posições no Brasil: no caso do câmbio ser fixo, a empresa pode retirar seu capital sem correr o risco de perder parte dele por causa de uma desvalorização no câmbio. Por outro lado, se o câmbio fosse flexível, tão logo grandes movimentos de saída de capital ocorressem o câmbio seria desvalorizado, punindo as empresas que adotaram esse comportamento. Esse exemplo simples mostra que o BACEN não deveria estar tentando controlar o câmbio, pois, além dos efeitos deletérios de se tentar controlar câmbio e juros ao mesmo tempo, o BACEN estaria estimulando empresas que tem operações em vários países a retirar primeiro o dinheiro do Brasil (pois aqui elas não incorreriam em perdas cambiais com a retirada maciça de recursos).

O BACEN tem técnicos de alto nível. Certamente eles são capazes de compreender (e de antecipar) o parágrafo acima. Logo, me parece que o real problema é outro: o BACEN se comprometeu demais em operações de swap cambial. Isto é, uma desvalorização cambial mais forte poderia complicar as coisas para o BACEN. Além disso, me parece que o endividamento de empresas brasileiras em dólares não é pequeno. Ou seja, uma desvalorização mais forte afetaria em muito as empresas brasileiras endividadas em moedas estrangeiras.

Dito isso, acredito que o BACEN, por um erro de condução na política monetária, se colocou numa encruzilhada: deixar o câmbio flutuar pressiona a já alta taxa de inflação, mas fixar a taxa de câmbio estimula ainda mais a saída de capitais de nossa economia. É uma espécie de Catch 22 cambial. Mesmo assim repito: em minha opinião o BACEN deveria deixar o câmbio flutuar, e concentrar seus esforços no combate a inflação por meio do aperto do crédito e da taxa de juros.

Outra multa como essa e estaremos todos ricos!!!


Uma frase famosa na história foi proferida por Pirro "Outra vitória como essa e estaremos todos mortos".

O PT inaugurou uma nova fase: a fase de arrecadar milhões em doações para pagar multas de seus réus condenados. Genuino recebeu uma multa de 700 mil? Sem problemas, arrecada-se 1 milhão para ele. Parece que os líderes petistas já comemoram: "Outra multa como essa e estaremos todos ricos".

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Quem poderia prever que a redução no preço da energia aumentaria seu consumo???


O que acontece com o consumo de pipoca quando o preço do cinema diminui? O consumo de pipoca aumenta! Afinal, pipoca e cinema são bens complementares, a queda no preço de um aumenta o consumo do outro. Os alunos de economia aprendem isso na sua segunda aula de introdução a economia.

Sim, sim, o parágrafo acima ainda é teoria econômica avançada demais para os membros do governo Dilma. Então vamos perguntar para o governo o que QUALQUER PESSOA sabe: o que acontece com o consumo de pipoca quando o preço da pipoca cai? Óbvio que aumenta!!! Quando o preço de um bem diminui sua demanda aumenta.

Bom, o governo federal abaixou artificialmente o preço da energia elétrica. Vejamos: o preço da energia caiu, logo sua demanda irá aumentar. Alguém não entende isso? Por mais absurdo que seja, o governo federal agora está surpreendido com o aumento na demanda por energia elétrica. Isso mesmo, os gênios do governo acreditavam que reduzir o preço da energia não iria aumentar sua demanda....

Bom, vou dar mais uma dica: manter artificialmente baixo o preço da gasolina também aumenta sua demanda...

Campanha do Sachsida: Romeu Tuma Jr. no Programa do Jô!!!!


Abrace essa campanha: mande e-mails para o programa do Jô pedindo que ele entreviste Romeu Tuma Jr.

Queremos Romeu Tuma Jr. no programa do Jô!!!!!!!

Romeu Tuma Jr. e o MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA; ou Se você não ouviu nada demais é porque além de cego você ficou surdo!!!


Romeu Tuma Jr. devastou ontem as fileiras petistas. Os entrevistadores colocados lá para acusá-lo passaram vexame. Tuma Jr. foi consistente, calmo, e preciso. Mas, sabem o que mais me chocou? Foi a quantidade de comentários nas redes sociais que seguiam padrão idêntico!!! Algo do tipo "eu não sou petista, mas ele não disse nada demais"; ou ainda "não sou a favor do PT mas ele não provou nada". Típico chororo petista querendo diminuir o peso do depoimento do ex-secretário nacional de justiça do governo Lula.

Vamos aos fatos, Tuma Jr. disse com todas as letras que:

1) O STF foi grampeado (escutas ilegais);
2) O Ministro Gilberto Carvalho levava pessoalmente o dinheiro arrecadado de maneira ILEGAL em São Bernardo do Campo para Brasília. Tal dinheiro seria usado para financiar campanhas do PT;
3) Dossiês eram feitos na polícia federal para incriminar adversário políticos;
4) A polícia federal estava sendo "aparelhada" por petistas, gerando um verdadeiro estado policial de exceção (para perseguir inimigos políticos).

Bom, caso você seja um dos cegos ou surdos que acham que isso "não é nada demais", preste atenção: o item 1 é uma interferência direta do executivo no judiciário; o item 2 é uma interferência direta do executivo no poder legislativo; os itens 3 e 4 são indicativos do enfraquecimento institucional brasileiro, onde as instituições passam a servir quem está no poder, e não a sociedade brasileira.

Mas, vamos adiante, Tuma Jr. disse que denunciou esses esquemas antes. Cita sua declaração na Comissão de Ética, o que é uma prova escrita e válida de suas denúncias. Tuma Jr. ocupou por três anos o cargo de Secretário Nacional de Justiça, entre suas atribuições estavam por exemplo: coordenar as ações de combate a lavagem de dinheiro, e coordenar a política de justiça. Esse homem ocupou um dos cargos mais estratégicos do governo Lula, e fez denúncias sérias. Por que o silêncio dos acusados? Onde está o sempre falante Ministro Gilberto Carvalho? Por curiosidade, o Ministério Público vai ficar calado? Se Tuma Jr. mentiu então tem que ser judicialmente responsabilizado por esse fato. Mas tudo leva a crer que o ex-secretário nacional de justiça tem "bala na agulha".

Dizer que a entrevista de Tuma Jr. "não tem nada demais" é um absurdo, e mostra bem o grau de alienação de alguns. Se Tuma Jr. mentiu deve ser responsabilizado, se ele não mentiu então estamos no maior caso de corrupção da história brasileira. Um caso onde membros de um partido tentam aparelhar e controlar importantes instuições de nosso país. Esse é um ataque direto ao Estado de Direito e a liberdade individual. Essa denúncia tem que ser apurada.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Os Libero-Marxistas

Existe uma tradição de classificar pensadores em determinadas correntes de pensamento. Então proponho uma nova vertente de pensamento, os Libero-Marxistas, uma mistura de determinados segmentos de liberais com determinados segmentos de marxistas. Por mais improvável que pareça, os libero-marxistas existem. São caracterizados por um comportamento padrão: atribuem toda e qualquer discordância a ignorância e/ou má-fé do oponente. Discorde deles em qualquer assunto, e o libero-marxista te chamará de burro ou canalha, ou algo pior... são incapazes de compreender que em ciência sempre se é possível que o errado seja você.

Outro ponto comum dos libero-marxistas é sua absoluta falta de capacidade de sugerir qualquer medida de política econômica operacionalmente viável. Por algum motivo difícil de compreender os libero-marxistas se recusam terminantemente a testar suas hipóteses. Mas, ao mesmo tempo, são rápidos em criticar as premissas dos outros. Um verdadeiro dupli-pensar orwelliano.

Outro ponto para identificar um libero-marxista é seu profundo desprezo pelos conservadores. Seja por uma questão de moral burguesa, seja porque arranjos privados deveriam ser totalmente livres, os libero-marxistas não aceitam a idéia conservadora de proteção à vida (contra o aborto), ou as restrições conservadoras seja a liberação das drogas seja a idéia de que uma família significa a união entre um homem e uma mulher.

Para um conservador, a ordem social e econômica é formada dentro de um padrão moral. Mudanças no padrão moral implicam em possíveis alterações nos arranjos econômicos e sociais. Será que o casamento gay irá desestabilizar a sociedade? Será que a liberação das drogas será prejudicial ao desenvolvimento de longo prazo? Quais as implicações morais de se permitir a adoção de crianças por casais do mesmo sexo? São questões que suscitam dúvidas em conservadores como eu. Veja, eu não sei e nem tenho todas as respostas. É por isso que a idéia conservadora sugere discussão e cautela, e mudanças lentas e graduais. Mas diga isso a um libero-marxista e ele te chamará de imbecil.

Por exemplo, se família não é mais definida como um homem e uma mulher, podemos definir família como sendo 3 homens e 2 mulheres? Como se daria o divórcio? Divisão de bens? Guarda dos filhos? Aposentadoria e benefícios previdenciários? Uma infinidade de questões aparece, verificar em que magnitude tal mudança moral é compatível com a manutenção de um sistema de livre iniciativa é uma pergunta válida dos conservadores.

Quer identificar um libero-marxista? Compartilhe esse post, e você verá a que me refiro.

Google+ Followers

Ocorreu um erro neste gadget

Follow by Email